Pequena história de um jornal pioneiro que morreu: o “Jornal da Tarde”, de SP

Detalhe da capa de 07 de junho de 1982, quando o Brasil saiu da Copa: edições históricas (Foto: Reprodução)

Detalhe da capa de 07 de junho de 1982, quando o Brasil saiu da Copa: edições históricas (Foto: Reprodução)

Amigas e amigos do blog, como muitos de vocês sabem, morreu há alguns dias, depois de quase meio século de existência, o Jornal da Tarde, de São Paulo, que produziu uma das mais radicais transformações na cara e no conteúdo dos jornais brasileiros em todos os tempos.

Tive a ventura de trabalhar no JT dos primeiros tempos durante quase sete anos, primeiro como correspondente em Brasília, depois na Redação, em São Paulo. Deu-se, ali, uma das maiores concentrações de talento que jamais vi na vida — um grupo de jovens que, mais tarde, se espalharia por outros jornais, revistas, emissoras de TV e agências de publicidade, enriquecendo-os.

Outros se tornaram escritores de renome, teatrólogos, cineastas e até empresários.

Minhas memórias pessoais do jornal são tão extensas que, por várias razões, não tive tempo de reunir e organizar. Mas a revista VEJA São Paulo, que circula com VEJA na capital e nas cidades situadas num raio de 100 quilômetros dela, publicou a melhor reportagem a respeito do fim do JT.

Achei interessante, então, compartilhá-las com vocês.

UM SONHO QUE SE VAI

Chega ao fim o Jornal da Tarde, nascido há 46 anos com a pretensão de reinventar a forma de narrar notícias (missão cumprida várias vezes de forma brilhante)

Reportagem de Daniel Bergamasco, com colaboração de João Batista Jr. e Cristiane Bomfim, publicada em edição impressa de VEJA São Paulo

Cria de um dos grupos de imprensa mais tradicionais do país, o Jornal da Tarde surgiu em 1966 com o papel de ser o herdeiro mais atrevido da empresa. Seu objetivo era atrair leitores mais jovens e preencher o vazio das segundas, quando seu “pai”, O Estado de S. Paulo, não circulava (essa tradição só seria abandonada em 1991).

Fazendo jus ao nome, o veículo foi concebido [por uma equipe comandada pelo jornalista Mino Carta, seu primeiro diretor] como um vespertino e chegava às bancas por volta das 15 horas. Logo de início, o novo título mostrou sua vocação de adolescente rebelde e ousado. Com frequência, suas capas eram surpreendentes, trazendo fotos que ocupavam toda a primeira página.

Algumas vezes, as imagens falavam por si sós, sem a necessidade de vir seguidas de manchetes (uma das clássicas, publicada em 1982, após a derrota da seleção brasileira para a da Itália na Copa da Espanha, continha apenas o registro da cena do choro contido de um garoto com a camisa do escrete e a data da tragédia futebolística).

1968 -- Edição especial sobre o primeiro transplante de coração do país: trabalho premiado

1968 — Edição especial sobre o primeiro transplante de coração do país: trabalho premiado (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Os textos acompanhavam à altura o visual sofisticado [a cargo do redator-chefe Murilo Felisberto, verdadeiro gênio das artes gráficas, que sucederia Mino Carta no comando do jornal em 1968]. Boa parte das reportagens era longa, rebuscada e cheia de descrições de pessoas e de ambientes, feita sob clara influência do chamado new journalism, que defendia o emprego de técnicas literárias nos textos jornalísticos. Obras como Aos Olhos da Multidão, do repórter americano Gay Talese, um dos mestres dessa escola, eram carregadas como bíblias por parte dos 100 membros da equipe do JT. [O livro mereceu edições posteriores, ainda no mercado, sob o título de Fama e Anonimato.]

Os autores das coberturas especiais, não raro, passavam meses debruçados sobre alguns temas antes de transformá- los em séries de reportagens para o jornal, batucando nas antigas máquinas de escrever. “Os mesmos artigos eram reescritos dez, vinte, trinta vezes… As latas de lixo ficavam lotadas de papéis descartados”, lembra Alberto Helena Jr., que fez parte daquele time entre 1970 e 1982.

Tanto em termos estéticos quanto na linguagem, a publicação reproduzia o espírito inquieto da época na metrópole, quando se destacavam a poesia concretista de Décio Pignatari e o som dos tropicalistas, entre outras coisas.

Edição de estreia: Ruy Mesquita e os filhos Ruy Mesquita Filho e Fernão na rodagem do primeiro número (Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo/AE)

Edição de estreia: Ruy Mesquita com dois de seus filhos na rodagem do primeiro número (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)-(Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo/AE)

O JT, entretanto, não conseguiu reverter o prestígio do auge da operação em números de publicidade e de circulação capazes de sustentar o sonho jornalístico concebido por Julio de Mesquita Filho e implementado por seu filho Ruy Mesquita, hoje diretor de Opinião do Estadão.

À medida que alcançava a maioridade, o jornal foi perdendo o viço e começou a definhar, processo que nenhuma das reformas gráficas feitas ao longo do tempo conseguiu interromper. Em 31 de outubro, a manchete principal trazia como notícia o fim da publicação.

Marcaram época na cidade várias das reportagens elaboradas pela “turma do Doutor Ruy”, como a jovem e festiva redação foi logo apelidada pelos mais comportados e aristocráticos colegas do Estadão (um dos passatempos prediletos da equipe do JT era promover animadas peladas nos corredores durante as madrugadas, para espanto dos vizinhos de empresa na antiga sede, na Rua Major Quedinho, no coração de São Paulo).

Numa série de reportagens sobre o escândalo da Paulipetro, o JT mostrava as mentiras do então governador Paulo Maluf; a cada nova mentira descoberta pela apuração, o nariz do político aumentava

Numa série de reportagens sobre o escândalo da Paulipetro, o JT mostrava as mentiras do então governador Paulo Maluf; a cada nova mentira descoberta pela apuração, o nariz do político aumentava (CLIQUE NA IMAGEM PARA VER EM TAMANHO MAIOR) 

O jornal nasceu no dia 4 de janeiro de 1966 com a manchete “Pelé casa no Carnaval”. Na festa em comemoração da união entre o rei e a dona de casa Rosemary Cholbi, realizada em Santos, o repórter Moisés Rabinovici entrou de penetra no evento para descrever tudo o que se passava por lá. “Falei ao segurança que era primo do noivo e colou, mesmo eu sendo branco de olhos azuis”, recorda-se ele, que trabalhou exclusivamente ali por treze anos.

Outra cobertura famosa envolveu a reportagem sobre o primeiro transplante de coração no país, realizado em 1968 no Hospital das Clínicas pela equipe do cirurgião Euryclides Zerbini. Sob a manchete “Coração trocado vai bem”, a edição chegou às bancas quatro horas depois de o coração de um homem “atropelado por um Volks azul na Estrada de Cotia” começar a bater no peito do boiadeiro João Ferreira da Cunha.

Numa apuração que envolveu quase toda a redação, sob o comando do lendário repórter Ewaldo Dantas Ferreira, os jornalistas viajaram para Mato Grosso a fim de conhecer a família do paciente e estiveram na África do Sul, a nação pioneira no procedimento. Escreveram poucas páginas, quando tinham material para um livro.

(Foto: Reprodução/Veja São Paulo)

(Foto: Reprodução/Veja São Paulo)

Desde o primeiro número, o jornal foi preparado para privilegiar o que ocorria na cidade, deixando em segundo plano o noticiário internacional, político e econômico. “São Paulo era sempre a prioridade de nossas capas”, conta Carmo Chagas, editor entre 1965 e 1968.

As coberturas esportivas e policiais eram valorizadas. As experimentações marcaram época também no campo dos serviços. Foi o primeiro veículo relevante a dar destaque a roteiros culturais e gastronômicos. “Antes, não se divulgava a programação de restaurantes, por ser considerada propaganda, e não algo importante para o leitor”, diz Ivan Angelo, escritor e colunista de VEJA SÃO PAULO e um dos nomes da chefia do periódico.

 Violência: a capa do dia 7 de novembro de 1983 destacava o expressivo aumento de latrocínios na cidade

Crime: a capa do dia 7 de novembro de 1983 destacava o expressivo aumento de latrocínios na cidade (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Da mesma forma, ele conta, o restante da imprensa não fazia crítica de TV, por julgar que a televisão era “irrelevante para a cultura nacional”. A publicação foi uma das pioneiras na cobertura do mercado de automóveis, com a criação do bem-sucedido Jornal do Carro, e a abrir espaço para temas como economia doméstica.

A quebra de paradigmas que chegava às bancas tinha eco nos bastidores. “Era o primeiro jornal da cidade a dar espaço a uma equipe feminina, antes raridade nas redações”, recorda a líder budista Claudia Batista, conhecida como Monja Coen. Ainda assim, ela diz, a chefia reservava às jornalistas apenas os assuntos “leves”, como cultura.

A barreira se rompeu em um dia de folga do repórter policial Percival de Souza, quando um traficante foi assassinado pela polícia em uma favela. “As moradoras do lugar faziam fila para subir em uma escada e conferir o corpo sobre uma pedra: poderia ser o filho de qualquer uma delas”, lembra Claudia. Ela começou o texto com o relato dessa cena, deixando as informações policiais para segundo plano, e conquistou de imediato o respeito dos colegas.

Jânio, após vencer a eleição para prefeito da cidade

O ex-presidente Jânio Quadros, após vencer a eleição para prefeito da cidade: capas com fotos surpreendentes. (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Com o jornal pronto cada vez mais cedo, as madrugadas de trabalho na redação iam sendo abandonadas. “O agigantamento de São Paulo tornava impossível distribuir o JT rapidamente por todos os cantos, o que causava prejuízos”, recorda Ivan Angelo.

Em 1986, conseguiu o seu maior êxito, uma tiragem próxima dos 144.000 exemplares diários. Após sucessivos adiamentos de horário, passou em 1988 a circular ao mesmo tempo que os concorrentes. De vespertino só sobrou o nome. Apesar de continuar emplacando boas capas, o JT ficou mais parecido com os outros. “Ele se tornou dispensável para muitos leitores, quando eles começaram a encontrar conteúdo semelhante também nas mídias digitais”, diz Rodrigo Manzano, editor de mídia do jornal especializado Meio & Mensagem.

Outro problema foi a ascensão dos concorrentes, em particular do Agora São Paulo, do mesmo grupo que edita a Folha de S.Paulo. Entre 2004 e 2011, enquanto a circulação do JT caiu quase pela metade, a do Agora saltou da casa de 80.000 para 96.000 exemplares diários. “Tentamos de todos os modos revitalizar o título antes de tomar a decisão de encerrar as atividades”, afirma Francisco Mesquita, diretor-presidente do Grupo Estado e primo em segundo grau de Ruy Mesquita.

A capa derradeira: na edição de 31 de outubro de 2012, o diário agradecia à fidelidade do leitor e se despedia das bancas (Foto: Reprodução)

A capa derradeira: na edição de 31 de outubro de 2012, o diário agradecia à fidelidade do leitor e se despedia das bancas (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

 

Parte dos 52 funcionários que trabalharam na última edição do JT poderá ser reaproveitada no Estadão, que encartará o caderno de veículos Jornal do Carro. Nesse clima de despedida e expectativa, profissionais das duas redações que dividem o 6º andar do prédio atual, no bairro do Limão, ficaram de pé para aplaudir o título, após a última reunião da chefia.

A edição derradeira só foi para a gráfica às 23h15, e as últimas páginas a ser liberadas foram justamente as do retrospecto de 46 anos do jornal, impressas com letras garrafais: “Para ficar na história”.

Ficou.

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15 Comentários

  • Flavio Maia de Lima Junior

    Boa Tarde !

  • Flavio Maia de Lima Junior

    Boa Tarde !

    Simplesmente o melhor jornal de São Paulo, fez parte da minha vida durante 32 anos diariamente completando toda cultura que eu como leitor necessitava diariamente .

    Uma falta irreparavel para nos paulistanos de coração .

  • Marco

    Don Setti: É verdade,uma pena, era um jornal raro, para quem conheceu.Pelo menos foi o q me falaram. E tu me atestou.
    Abs.

  • Rone

    É começo do fim da mensagem solida pega pelas mãos para ser lida analizada?
    Vão ficar as telas com sua mensagens instantaneas com o leitor interagindo fazendo parte da noticia e comentando as como agora Setti?
    Desde que não seja arquivada ;deletado !
    Um certo apartidarismo no jornalismo eletronico ajudaria em muito para ter cada vez mais internautas acessando e dando credibilidade ao que se ve nesses!

  • Vera Scheidemann

    Uma pena !
    Vera

  • Alberto Porém Júnior

    Enquanto morei em São Paulo de 84 a 94 meu jornal era o JT. O JT para mim era uma balança entre o parrudo Estadão e a liberal Folha.

  • joaol

    era bom, depois petralhou e acabou,que assim seja com o estadão, a folha, a band, globo e outros muitos amantes da parcialidade,ja foi tarde!

  • pedrao

    O JT mudou muito, ao longo dos anos, tanto em seu formato de apresentação como na linha editorial, cansando seus leitores pela desfiguração da proposta inicial e admissão de alinhamentos ideológicos estranhos!
    No interior de São Paulo, há dois hebdomadários que estão expandindo seus assinantes e leitores ,sem mudar sua apresentação,seu formato e sua linha editorial e estão com mais de 106 anos de existência, o que é fantástico! Mas eles não dão espaço para proselitismo ideológico e muito menos para artigos e notícias de viés perniciosos ou tendenciosos!
    De qualquer forma, a supressão de um jornal, será sempre a supressão de um pedaço da Democracia!

  • Reynaldo-BH

    Jornais e revistas não deveriam morrer. Fazem falta. Seja pela história, contribuição à cidadania e mesmo por serem representativos de uma corrente de opiniões.
    Alguns não correm estes riscos. Não vive de leitores. Preferem a comodidade das verbas oficiais. E são exatamente os que não fariam nenhuma falta.
    E eram escolas. De diversos jornalistas que merecem este título.
    Já perdemos o JB, a Opinião, Pasquim, Gazeta Mercantil e agora o JT.
    Qual a semelhança entre o JB e JT, as duas maiores perdas que tivemos nesta área no Brasil?
    Um, a visão meramente mercantilista. Notícia não é pão quente. Imprensa não é armazém de secos e molhados.
    Imprensa é o relato da história que está sendo escrita, dia a dia.
    Precisa viver de leitores, mas jamais ficar submetida a eles.
    Deve sobreviver de bancas, nunca de patrocínios.
    Exige-se credibilidade e não desconfiança ou certezas de vendas de reportagens que caberiam melhor como “informes publicitários”.
    Talvez este tenha sido o último crime cometido contra o JB, auxiliado por uma administração caótica.
    E o JT?
    Morreu por inadequação a um novo mundo de difusão de informação.
    Poucos iam até o site do JT. Ficavam no do OESP.
    Focava exclusivamente nas notícias, que quando publicadas já eram de ontem. Mesmo que ontem fosse há horas passadas.
    A oferta de análise e entendimento – mesmo de opinião – do jornal foi perdendo importância.
    E a oferta desta matéria-prima, hoje essencial, crescia exponencialmente. Como diminuía na mesma intensidade, os leitores.
    Qual editoria de um jornal (pelo que entendo como somente leitor) tem a agilidade para ofertar, no dia seguinte, o que já está em milhares de sites ou blogs?
    A de polícia? O crime acontecido hoje – que crescia a venda e circulação em qualquer jornal – amanhã já estará visto, lido, com vídeos, entrevistas e reportagens. Que nunca um veículo da imprensa escrita irá conseguir superar.
    A de política? Qual o escândalo do dia (neste país de escândalos diários) não terá tido a cobertura de “n” sites antes das rotativas imprimirem o que já é – naquele momento – passado?
    A de futebol, que oferece fotos de gols ou os blogs e páginas que colocando o lance em vídeo, com detalhes?
    Os exemplos são diversos e repetitivos. Não cabe ficar aqui a enumerá-los.
    Fiquemos no óbvio. As revistas semanais (e mesmo os jornais diários) certamente atingem a maior venda/circulação (inferência, pois não tenho estes dados. É somente feeling.) são das edições que privilegiam o jornalismo investigativo, matérias extensas e aprofundadas ou opiniões.
    O JT, como diversos outros que trilham o mesmo caminho, morreu por não saber ler (ou não entender, ou ainda. Não encontrar a saída) os sinais que estão à vista de todos.
    Do mesmo modo que não mais escrevemos cartas (e por isso até as empresas de courrier e Correios buscam alternativas), preferindo o mail ou ainda sermos alertados pelas redes sociais da data de aniversário de um amigo (e enviando um abraço pela tela do computador), a imprensa no mundo todo tenta se reinventar.
    Há alguns anos a dependência do trabalho ao capital era absoluta. Um operário e artesão de uma fábrica de calçados morreria na mesma função pela absoluta incapacidade de se tornar empresário. Incapacidade financeira.
    Com o tempo, ele conseguiu ter uma pequena produção artesanal. Restrita ainda à capacidade de investir e conquistar mercados.
    Hoje, é normal que um jornalista entre na sla de um diretor de redação e informe: “Estou saindo!” Mesmo com ofertas de aumentos e outras vantagens, ele certamente ira recusar. E ao final, ele ainda poderá dizer: “Ah, estou saindo e levando alguns anunciantes e OS LEITORES comigo!”.
    É a era pós-cognição. Que assusta agências de viagens (é mais barato comprar nos sites das cias. aéreas), das livrarias (só depende-se da logística de entrega), da venda de música (sem falar na oferta de pirataria), das emissoras de televisão (a produção hoje pode ser feita em casa, postada no Youtube e ser sucesso, como o Porta dos Fundos do Kibeloco).
    A imprensa terá que se reinventar. Como? Se soubesse, estaria oferecendo consultoria nesta área. Vivo disto.
    O que me parece claro é que NUNCA a competência profissional de jornalistas terá que ser tão valorizada!
    É destes que um veículo de mídia irá sobreviver.
    O JT foi-se. Uma pena. Ficou a história.
    E um alerta.

    Caro Reynaldo,
    Desculpe a demora na resposta.
    Se analisarmos as últimas e recentes décadas, as mortes de grandes jornais são um dado alarmante para esse tipo de veículo.
    Em São Paulo, desapareceram o velho Diário de S. Paulo (dos Associados), o Diário da Noite, o Shopping News, a Gazeta Mercantil e a efêmera mas muito interessante experiência do Jornal da República. Sem contar a Folha da Tarde (de certa forma substituída pelo Agora) e a Ultima Hora, já parte do grupo Folhas, além do Notícias Populares, do mesmo grupo.
    No Rio, além — infelizmente — do Jornal do Brasil, já haviam desaparecido anteriormente o valente e ótimo Correio da Manhã, sufocado pela ditadura, a Ultima Hora (idem), o Diário Carioca, O Jornal (dos Associados) e o venerando Diário de Notícias.
    E estou citando de memória.
    Fecharam ao longo dos anos também inúmeras revistas de informação e análise, começando pela velha e tradicional Visão.
    Alguns Estados também perderam jornais tradicionais, em alguns casos centenários, ou viram-nos serem profundamente transformados, como o Correio do Povo, de Porto Alegre.
    Você está abolutamente certo quanto à necessidade de a imprensa se reiventar.
    Felizmente, nunca deixará de haver lugar para bons jornalistas: em qualquer que seja o veículo, é preciso ter CONTEÚDO relevante.
    Abração

  • Angelo

    Senhores,O JT,foi o retrato de SP,na época,com suas
    manchetes que nos chamavam a atenção,gostava de ter
    o exemplar para ler em casa após o descanso.
    Atualmente com os jornais sendo manipulados pela
    mediocridade,fica difícil ler-mos com interesse as
    notícias veículadas.

  • selminha

    Caro Setti,
    Eu estudava jornalismo na ECA-USP (fui da segunda turma da faculdade), e meu sonho era estagiar no Jornal da Tarde. Para nós, estudantes, o jornal simbolizava o início de uma nova era, queríamos começar a carreira colaborando com algo novo. Se morasse naquela época no Rio, o sonho era o JB, também inovador, com o Zuenir Ventura. Cheguei a frequentar a redação do JT, pois tinha amigos trabalhando lá. Acabei seguindo outros caminhos mas, enquanto morei em São Paulo, nunca deixei de ler o JT, que tinha uma maneira divertida e interessante de dar as notícias. Já no Rio, perdi o contato com o jornal. Quando soube que ele ia fechar, fiquei triste, pois é um pedaço da história da imprensa brasileira que se encerra, o fim de uma época.
    Ele se foi, nmas ficará para sempre na minha lembrança.

  • lincoln porto

    Assino, praticamente sem interrupções, a Folha de São Paulo desde 1983. Mas tinha um prazer enorme de comprar de vez em quando o Jornal da Tarde. Só a diagramação do danado já valia o desembolso. Prazer puro. Até o “cheirinho” era bom, kk

  • IZIDRO SIMÕES

    LEMBRO-ME DE QUANDO COMEÇOU. FOI UMA NOVIDADE JORNALÍSTICA E TAMBÉM POR SER DA TARDE.

  • PAULINHO SOLUÇÃO

    “Combati o bom combate, acabei a carreira,
    guardei a fé” (2 Tim 4.7).

    Deixo registrado minha singela homenagem com meus sentimentos aos familiares e amigos do JORNALISTA RUY MESQUITA no dia 21 de maio pelo seu falecimento e compartilho as boas lembranças que sempre estarão presentes para ajudar a superar este momento de tristeza. Assim como parafraseou Bob Marley: “Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos”. “Amigo é pra se guardar no lado esquerdo do peito dentro do coração”. Desejo nestas poucas palavras votos de muita SABEDORIA, CONHECIMENTO, ENTENDIMENTO e principalmente DISCERNIMENTO a todos os familiares e amigos. Acabei de depositar na conta de cada um de vocês a importância de muitos DIAS, SEMANAS, MESES E ANOS DE FELICIDADE E PROSPERIDADE, SAÚDE, PAZ, AMOR e que Deus estenda às mãos sobre vocês e toda sua família e acrescente 100 por cento de juros em cima de tudo isso. Deus de sua infinita gloria mandará seu espírito santo e consolará a todos.

    “A MAIOR RECOMPENSA PELO TRABALHO NÃO É O QUE A PESSOA GANHA, MAS O QUE ELA SE TORNA ATRAVÉS DELE.”

    PAULINHO Solução
    http://www.paulinhosolucao.blogspot.com
    paulinhosolucao@gmail.com
    pssolucao@hotmail.com
    Salto/SP

  • Danyelle Christine

    Eu sou estudante de Comunicação Social da Universidade Anhembi Morumbi e estamos realizando um Trabalho de Conclusão de Curso. O tema é sobre o extinto Jornal da Tarde e gostaria de saber se o Senhor poderia colaborar nos concedendo uma entrevista e se não possível neste caso poderia nos indicar algum contato conhecido que trabalhou no JT. Agradeço a atenção e aguardo um retorno,

    Prezada Danyelle, estou no momento em Barcelona, na Espanha, e só retorno ao Brasil em outubro.
    Indico para você ouvir o jornalista Fernando Portela. Não lhe passo o email, mas ele tem site na internet e, por meio dele, você pode entrar em contato, em meu nome.
    Boa sorte e um abraço.