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Forte dei Marmi, na italiana Toscana: comida-lixo na faixa litorânea e no centro histórico, não

Essa moda pode pegar – e, se acontecer, será ótimo.

Os vereadores da cidade italiana de Forte dei Marmi, local de veraneio na costa do Mar Tirreno, na Toscana, decidiram por unanimidade enfrentar a invasão das cadeias de fast-food e da chamada “comida lixo” em geral e proibir a instalação, no centro histórico e na faixa litorânea, de qualquer restaurante que não sirva a invariavelmente gloriosa comida típica da região ou da Itália.

“Não se trata de xenofobia”, diz o prefeito Umberto Buratti, do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, principal força de oposição na Itália. “Queremos salvaguardar o centro histórico e proteger nossa cultura, nossas tradições e nossos gostos”, explica ele, esclarecendo que qualquer restaurante italiano que deseje incluir pratos estrangeiros em seu cardápio nas regiões “proibidas” pode fazê-lo. “Acredito que a medida também é boa para os turistas”.

Segundo o prefeito, (na remotíssima hipótese de) um restaurante de comida italiana resolver servir hambúrgueres ou pratos chineses em seu cardápio, naturalmente está livre para isso.

Situada no sopé dos imponentes Alpes Apuanos, Forte dei Marmi é vizinha à mais conhecida Viareggio, fica próxima a Carrara – e, como esta, abriga jazidas do famoso mármore branco – e a 75 quilômetros de Florença. Com 8.200 habitantes, o turismo faz sua população inchar para 40 mil, 50 mil pessoas nos meses de verão.

O exemplo da pequena cidade pode se espalhar, se depender dos gostos dos próprios italianos. Depois de divulgada a decisão dos vereadores, aprovada pelo prefeito, uma pesquisa de opinião nacional indicou que 41% dos italianos jamais pisaram num restaurante de comida estrangeira, aí incluídas redes mundiais de fast-food como McDonald’s, Burger King e Kentucky Fried Chicken.

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14 Comentários

anti-record em 15 de novembro de 2011

ISSO NÃO E DEMOCRACIA,É DITADURA,41% NÃO É MAIORIA,DEVERIA SER LIBERADO A INSTALAÇÃO DO FAST-FOOD,E AÍ,PODERIA SER REJEITADO PELOS CONSUMIDORES,E NÃO IMPOSTO DESTA FORMA,SERIA MUITO MAIS CORRETO.

José Alberto Scur em 11 de novembro de 2011

a cozinha ditaw italiana faz muito sucesso nos EUA, basta ver a quantidade de redes de restaurantes italianos, varias com mais de 400 restaurantes "natiowide". isso porque a cozinha fast food é sofrivel. e kentuky fried chiken, por exemplo é adorada pela comunidade black. só eles para gostar de galinha empanada gordurosa com cheiro de pena de galinha. (Só usam sal e pimenta do reino)as redes de busgers são todas variaçoes sobre um mesmo tema. salvam-se os restaurantes de grelhados e churrascarias, mas estes não são fast food. As pizzas são adoraveis, principalmente as de 1ª linha (pizzas de 25 dolares, com 50 cm de diametro).

José Alberto Scur em 11 de novembro de 2011

depois de ter em mãos meu passaporte italiano digital, fui viver nos EUA, onde trabalhei em cozinhas variadas e pude conhecer toda uma gama de junk-food. começa que os hamburgeres são fornecidos às redes na forma congelada, visualmente podemos descrever como um disco de 20 cm de diametro na cor rosa. este disco é depositado sobra uma chapa a 400 graus F. por 3 minutos e depois de virado mais um minuto a 250 graus F. o interessante é que aquele disco de 20 cm ficou um hamburger de 8 cm de diamtro. a redução do tamanho deve-se ao derretimento de sebo, fartamente misturado na massa original. esse sebo é que dá o sabor especial, quem come costela gorda como nós, gauchos sabe do que estou falando.......

José Alberto Scur em 11 de novembro de 2011

concordo com a Kitty, pois morei na Italia, por 10 meses, onde fiz um aprendizado de gastronomia (que nome horrivel, lembra gastrenterologia, precisamos utlilizar um nome mais poetico como os italianos natos usam - bongustaio - algo como bons saboreadores. Talvez culinaria fique mais suave), bem, voltando ao tema:varias comunidades interioranas ragiram dentro das regras do mercado, abrindo concorrencia feroz contra as redes de fast food, com cardapios bem elaborados e com toques italianissimos, como sanduiches com raspas de tartuffo (trufas)e outras preciosidades. Segundo reportagem da famosa revista PANORAMA,especie de VEJA italiana, varios Mac Donalds fecharam por conta desta reação dos comerciantes. Observei que em varios Mac Donalds a frequencia era restrita aos turistas estrangeiros. Uma rede americana super conhecida de burgers, teve que dividir as suas lojas em duas, permanecendo meia loja para burgers (quase vazias) e outra metade vendendo PIZZA em fatias. (essa com movimento). Os nativos detestam fast food e como ja disse a Kitty, adoram o SLOW FOOD. Outro habito saudável é que os nativos prezam muito o almoço em casa. Todo comercio e serviços fecha ao meio dia (l'ora del pranzo, sagrada) e reabrem lá pelas 15:30 indo então até às 20 ou 21 horas. Ah, os italianos e italianas comem pasta, pizza e pane todo dia, e são muito magros..porque? talvez a agua, extremamente alcalina tenha alguma influencia..ou talvez o trigo, de altissima qualidade? quem sabe?

Flavio Santos em 11 de novembro de 2011

Patriotada ridícula...Lógico que há espaço para TODOS

Corinthians em 11 de novembro de 2011

Setti, Se me permite complementar, também não acho legal essa coisa de comida-lixo, como se fosse droga ou algo assim. Se eu passar uma semana na Itália comendo macarrão, lasanha e pizza não vou sair muito saudável de lá...

Frederico em 10 de novembro de 2011

Concordo com a Patricia m., simplesmente ridícula a lei e mais ainda a "defesa" do comentarista, por se tratar de local "pertinho da terra de meus antepassados". Coisa mais "jeca", como dizem aquí na "minha terrinha". A referência à terra dos antepassados não altera o conteúdo do post: a correta defesa feita pela cidade de Forte dei Marmi de uma das melhores cozinhas do mundo -- a italiana -- contra a invasão da comida-lixo.

Sergio em 10 de novembro de 2011

Bom, acho que o "mercado" deveria se auto-regular (tem hífen ?). Confesso que já visitei alguns lugares onde eu daria tudo para ter um Mac por perto....Claro que é um lixo de comida, mas acho que em alguns momentos pode salvar um pobre faminto...

Corinthians em 10 de novembro de 2011

Setti, Sou obrigado a concordar com a patricia. A notícia é ridícula. Primeiro por que coloca que existe uma "invasão" das cadeias de fast-food... bom isso só pode ocorrer por que há demanda. Mas tudo bem, quer afastar restaurantes de comida "estrangeira" de centros históricos é uma jogada de marketing válida... se não fossem estas frases : “Queremos salvaguardar o centro histórico e proteger nossa cultura, nossas tradições e nossos gostos” - parece que italiano não pode gostar de sushi, comida chinesa ou hambúrger, mas o pior é a continuação: '(...)esclarecendo que qualquer restaurante italiano que deseje incluir pratos estrangeiros em seu cardápio nas regiões “proibidas” pode fazê-lo. “Acredito que a medida também é boa para os turistas”. Segundo o prefeito, (na remotíssima hipótese de) um restaurante de comida italiana resolver servir hambúrgueres ou pratos chineses em seu cardápio, naturalmente está livre para isso.' Ou seja, é claramente uma medida protecionista, já que não proíbe o fast-food, não proíbe o hambúrger, a batata frita, o sushi... proíbe é restaurantes estrangeiros. Se um restaurante local que se diz de comida italiana resolve vender sanduíches, vai ficar por isso mesmo... Se fosse real, a lei seria específica em proibir certas comidas, e não certos restaurantes.

Jefff em 10 de novembro de 2011

Tá certissimo!

patricia m. em 10 de novembro de 2011

Qualquer proibicao vinda da classe politica eh simplesmente ridicula, como essa. Espanta-me o fato de voce apoiar esse tipo de coisa. Se o consumidor nao quer, as cadeias de fast food teriam falido, nao eh mesmo caro Setti? Mas pessoas como voce preferem que o Estado escolha o que nos devemos comer... Simplesmente autoritario e ridiculo! Patricia m., sempre agressiva... "Pessoas como eu preferem que o Estado escolha o que nós devemos comer...". Se você não entendeu o post, o que posso fazer? Eles afastaram a comida-lixo dos LUGARES HISTÓRICOS de uma multissecular cidadezinha italiana, e fizeram muito bem. O Estado não está escolhendo o que ninguém deve comer, deixe de colocar palavras no texto alheio. A comida italiana é sagrada. É ótima que seja protegida da selvageria do lixo, ainda mais que é mil vezes mais saudável. Quem quiser se atolar em fast food poderá fazê-lo fora da área histórica determinada. Afinal, suicidar-se aos poucos é um direito de todos. Sou totalmente a favor, sim. Até porque Forte dei Marmi é pertinho da terra de meus antepassados, e um de meus bisavôs está sepultado ali. Vi o que é a descaracterização em algo tão transcendental para uma cultura como a sua comida.

Luiz Pradines em 10 de novembro de 2011

Anotei o lugar para não visitar por engano. Você vai é perder. A cidade e a região são maravilhosas, e a comida, tanto local como a italiana em geral, é de chorar de tão boa.

Vera Scheidemann em 10 de novembro de 2011

Achei a medida excelente, digna de aplauso. Vera

Kitty em 09 de novembro de 2011

Olá caro Ricardo, Gostei da ideia de preservar os restaurantes que servem a comida típica italiana no balneário de Forte dei Marmi, como nas muitas regiões da Península. Nada contra os Fast Food. Mas, é na Itália que começou o oposto, os Slow Food, onde se degusta a comida em forma mais sossegada, geralmente, acompanhados de amigos ou familiares com tempo suficiente para bater aquele papinho informal sem se preocupar de olhar tanto o relógio.Caro Ricardo eu faço parte dos 41% que não gostam de frequentar os Mc Donalds ou outros da mesma linha.A comida italiana é boa e variada, fazendo parte do roteiro de quem quer conhecer um pouco da comida Mediterrânea.Obrigada por este muito lindo post sobre meu país, que finalmente esta livre do palhaço Berlusconi que a denigriu por longos 17 anos! Um abração, Kitty

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