Perdida como cachorro que caiu de caminhão de mudança, Dilma recorre a fiel aliado e ex-ministro de FHC para articulador político — mas ele recusa o cargo

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Padilha, ministro, despachando com o presidente Fernando Henrique: homem de confiança (Foto: Presidência da República)

A ordem à presidente Dilma partiu de Lula: para melhorar as péssimas relações com o principal aliado do PT e tentar colocar alguma ordem na catastrófica situação do Planalto junto ao Congresso, coloque alguém do PMDB no círculo mais próximo de decisões do governo. De preferência, como coordenador político do Planalto — o cargo que leva o solene título de ministro de Relações Institucionais –, uma vez que ninguém, no Congresso, dava a menor importância para o atual titular do cargo, o obscuro deputado Pepe Vargas (PT-RS).

Obediente, a presidente resolveu convidar alguém do PMDB para o cargo. E, ironia do destinou, acabou chamando um deputado do PMDB gaúcho que foi grande colaborador, fiel aliado e ministro do Presidente Fernando Henrique Cardoso — ocupou a poderosa pasta dos Transportes, de 1997 a 2001.

Padilha não era apenas ministro dos Transportes de FHC. Muito ligado ao presidente, mesmo antes de ocupar o posto, era expoente do PMDB gaúcho, a seção estadual do partido mais próxima ao governo do PSDB.

Agora, porém, segundo informam os repórteres de VEJA.com em Brasília Gabriel Castro e Marcela Mattos, “a ida de Padilha para a articulação política do governo Dilma não é unanimidade no PMDB e enfrenta resistências na bancada parlamentar do partido” — e Padilha, atual ministro da Aviação Civil, não aceitou.

“Não ser unanimidade” e “enfrentar resistências” poderia perfeitamente ser substituída por uma única afirmação: Padilha não foi porque o hoje todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não quis.

Cunha revestiu a coisa toda de um extenso palavreado (confiram aquireportagem a respeito de VEJA.com), mas a verdade dos fatos é que o episódio é mais um na queda de braço que o PMDB mantém com o Palácio do Planalto, da qual vem participando, com alegria cada vez maior, também o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) — que, agora, até a independência do Banco Central determinada por lei vem defendendo, para horror do petismo mais ortodoxo.

O convite a Padilha mostra o quanto o PT está capitulando para o PMDB nesse confronto, e o grau de confusão que reina na seara da presidente Dilma. A recusa de Padilha (e de Eduardo Cunha) revela, por sua vez, o quanto o PMDB acha pouco o que vem conseguindo do Planalto.

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