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Bento XVI: colocando a boca no mundo — na hora de ir embora (Foto: Reuters)

Com todo o respeito devido a um chefe — no caso, ex-chefe — de uma grande religião: se há uma colossal crise na Igreja Católica — irregularidades e roubalheiras, escândalos sexuais em pleno Vaticano, furto de documentos sigilosos, acobertamento de sacerdotes pedófilos mundo afora, conspirações na Cúria etc etc –, por que Bento XVI resolveu botar a boca no mundo justo agora, quando está deixando as funções?

Todos os fatos ou já estavam acontecendo, quando Joseph Ratzinger foi eleito papa, em 2005, ou passaram a acontecer depois que ele sentou-se no Trono de Pedro.

E, além de ter sido o grande teólogo que muitos aclamam, o que fez, afinal, o papa para dar cabo a todas essas barbarides?

Perguntar não ofende — e sobretudo num caso, como este, em que estou lendo tudo o que consigo a respeito, na imprensa brasileira e do exterior, e não encontro resposta.

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28 Comentários

Virgílio em 08 de março de 2013

Setti, Achei interessante alguns recortes de opiniões de Dom Odilo Scherer feito pelo RA e destaquei esta: Pedofilia “O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos. Talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado. Há quem logo tenha a solução, sempre pronta, à espera de aplicação: “É só acabar com o celibato dos padres que tudo se resolve!” Ora, será que o problema tem que ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: a maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo. Ouso recordar algo que pode escandalizar alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale-tudo e o ‘libera geral’, aceitando e até recomendando como ‘normais’ comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam? As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Essa orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja Católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse São Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair.” Abraços

Renan em 07 de março de 2013

A RSPOSTA SERIA ESSA DE SUA PROCURA... A Igreja católica sempre e em primeiro lugar foi especialmente perseguida pelo diabo que não deu e nem dará contas de a destruir. Forças terrestres como do Imperio Romano por mais de 300 anos sentenciou à morte o ser cristão; milhares morreram mas a Igreja continuou. Deixando de lado o percorrer até hoje vamos à atualidade: Stálin ordenou pessoalmente infiltrar a Igreja e certo bispo de Kiev morreu aos pés do papa Pio XII e ao se checarem os documentos era coronel da KGB. No Vaticano II o Cardeal Bugnini seria infiltrado: foi apanhado falando com a Loja P II dizendo que havia feito no Concilio colaborando na destruição da liturgia: foi destituído, mandado para Teerã e morreu misteriosamente depois. Semelhante com o Benelli e muitos outros agindo nas mesmas modalidades, inclusive nas áreas do homosexualismo e pedofilia. Há varias infiltrações de protestantes, comunistas e maçõnicos em seu interior montando escândalos e depois arranjando um esquema para a caluniar. A propria Teologia da Libertação que atua aliadamente aos comunistas seria uma das facções infiltradas. Idem os grupos RCCs praticantes de pentecostalismo de seitas protestante querendo se passar por católicos e muitos mais... COM MUITOS MAIS ANEXOS. O Papa Bento XVI não deu conta pois precisaria de pelos menos mais 10 anos no poder e saúde para resistir aos embates. Confira dois ex agentes stalinistas, não sei se convertidos ou dissidentes nessas ações: Bella Dodd e Yuri Bezmenov.

John em 06 de março de 2013

mais Jesus e abaixo a essa religiosidade toda

Marilene L'Abbate - SP em 06 de março de 2013

As igrejas são obras dos homens. Portanto, é natural que erros sejam cometidos, e todos devem esforçar-se para saná-los. O Papa-Emérito, Bento XVI, muito limitado, energeticamente, e os outros que antecederam-no não souberam lidar adequadamente com as situações problemáticas. O Vaticano escolheu apresentar ao Mundo a visão de perfeição que não possui. Chegou a hora de modificar o seu comportamento, expor as suas feridas e construir um sólido Catolicismo.

Carlos em 05 de março de 2013

Especificamente quanto ao combate aos abusos de crianças por sacerdotes me parece muito injusto dizer que Ratzinger nada fez, porque ele de fato agiu efetivamente, mais do que qualquer outro. O vaticanista John Allen chegou a dizer que acusar o papa de leniência nesses episódios seria o mesmo que acusar o prefeito nova iorquino Giuliani (responsável pela queda da criminalidade na cidade no anos 90 com a política de tolerância zero) de moleza em relação aos bandidos. Os links abaixo detalham bem o tratamento dado por Ratzinger à questão, tanto na Congregação da Doutrina da fé quanto durante o papado: http://ncronline.org/blogs/all-things-catholic/keeping-record-straight-benedict-and-crisis http://ncronline.org/news/accountability/will-ratzingers-past-trump-benedicts-present http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1904201008.htm http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/07/o-vaticano-endurece-suas-normas-contra-a-pedofilia.html http://www.ihu.unisinos.br/noticias/43390-linhas-diretrizes-do-vaticano-buscam-coerencia-sobre-abusos-sexuais http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/vaticano-exige-que-suspeitos-de-pedofilia-sejam-entregues-a-justica http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/vaticano-encerra-simposio-com-criacao-de-centro-contra-abuso-inf/n1597621231337.html

luciana em 05 de março de 2013

Tente ler o livro-entrevista "Luz do Mundo", entrevista que Bento XVI concede a Peter Seewald. Esclarecerá suas dúvidas, com certeza.

Rafael em 05 de março de 2013

O cara lá embaixo dá um filme como referência pra dizer que a máfia estava no Vaticano. Aí é brincadeira.

Reynaldo-BH em 05 de março de 2013

Prezado amigo Setti, Não me arrisco a dar-lhe a resposta para suas indagações. Somente outra leitura dos mesmos fatos. Não sou vaticanista e muito menos papista. Se um é estudioso – e sou só um curioso – o outro é um defensor sem limites, por vezes do indefensável. Sua pergunta encerra nela mesma, a resposta. A primeira observação é que o regime do Vaticano é claramente imperial. Todo poder a um homem. Que detém até mesmo o dogma da infalibilidade (embora hoje mais abrandado do que no passado). Mas sempre a Cúria foi, é e – receio – será mais forte que o colante do trono de Pedro. Seja este quem for. Paulo VI ficou conhecido como o Papa Torturado. O homem sofrido que não conseguia fazer-se ouvir nas paredes do Vaticano. Que era desafiado nos desejos e encaminhamentos que julgava adequados. João Paulo foi mais autônomo. Até cair doente. Passou a ser quase um porta-voz do que a Cúria definia. Tanto que a atuação dita política de João Paulo desapareceu nos últimos anos de vida. Ratzinger sempre foi um outsider. Um intelectual preso aos estudos, debates e a polemica. Quando envolvia a fé. Se analisarmos de modo isento veremos que Bento XVI tentou – em alguns casos conseguiu – a punição à pedófilos. Assim foi com o arcebispo de Boston. Este foi defendido pela Cúria – com o eterno receio dos respingos que (eles) acreditam atingir toda a Igreja – e mesmo assim, punido por Bento XVI. Com um detalhe: no Código Canônico não há punição para este crime! Ou ao menos, o que fazer com religiosos que o cometam. É tão abjeto que não foi previsto. Certamente é hora de incluí-lo. Bento estava cada vez mais isolado. Não tinha apoio dos progressistas – que via nele um defensor de uma doutrina cristã baseada na história da Igreja e da Teologia formal – e do mesmo modo, visto pelos conservadores com eterna desconfiança. Quanto à Cúria Romana, foi alvo e considerado estorvo. Declarações de Bento classificando como “a parte podre” da Igreja aos religiosos que dela se desviavam, tinham endereço certo. E foram várias. Bento era um equilibrista em um fio de arame estendido no ar. Suas palavras (em algum caso, vemos hoje, um pedido de socorro) eram rechaçadas pela ala progressistas (afinal vinha do famoso “pastor alemão”) e ignoradas pela Cúria dos cardeais que comandam o Vaticano. A Cúria trabalhou fortemente para reduzir o Papa ao Cardeal Ratzinger. Nunca um Papa foi tão comparado consigo mesmo. Pelos outros cardeais, especialmente os de Roma. Bento não “colocou a boca no mundo” após a renúncia. Bento “colocou a boca no mundo” COM a renúncia. Expos ao mundo um estado quase de pré-cisma existente na Igreja Católica. Que talvez tenha sido acelerado. Nunca o pré-conclave foi tão “aberto” – com tantos cardeais opinando – como o de agora. Nunca houve a discussão quase pública de temas diversos do central, que sempre foi: quem será o novo Papa? Discute-se (e os cardeais admitem e incentivam!) os desvios CRIMINOSOS da Igreja. Sejam morais, sexuais, econômicos ou de poder. Geográfico ou de correntes internas. Um estado de estupefação toma conta dos fiéis em todo o mundo. Não se trata mais da discussão de QUEM será o novo Papa: mas o que este fará CONTRA tudo que Bento deixou (por escrito) e que o levou a renunciar. A renúncia de Bento está sendo mais significativa do que imaginávamos a início. Colocou de ponta-cabeça o formalismo solene de uma escolha a chaves fechadas. Talvez os cardeais entrem na Capela Sistina com um nome escolhido previamente, ou com dois antagônicos que se debaterão (e silêncio... ou quase) não mais pelo posto maior da Igreja. Mas pelo novo caminho que ela terá que trilhar. Bento hoje é um fantasma vivo. Um depósito de informações, que passou através de três assessores de confiança, aos outros 170. Cada Cardeal sabe que a morte não calou Bento. E sim a vontade própria de alterar rumos. Com o ato mostrou a indignação com o que viu, viveu e não conseguiu alterar. E provou, com a renúncia, que não era demagogia nem defesa de correntes de poder intramuros. O teólogo avaliou, como um enxadrista, o lance final. O xeque-mate. Analogicamente, o suicídio de Vargas adiou por décadas uma ditadura que acabou por vir. Com a renúncia (a primeira em 600 anos, é bom lembrarmo-nos disto), o teólogo foi contra os dogmas da infalibilidade, da permanência até a morte (tanto é verdade que a Cúria Romana (de novo ela!) quer transformar em cânone a OBRIGATORIEDADE do papado até a morte: não mais renúncias!) e abriu uma janela ao mundo acerca do que acontecia dentro dos belos palácios do Vaticano. A Cúria, segunda a imprensa italiana, não tem chances. Está à busca de um cardeal alinhado com os mandatários de hoje. E ainda há um Papa (Emérito) que é uma consciência crítica viva. Não mais um defunto a ser reverenciado. E pior, uma consciência que conhece a todos e a tudo. Setti, eu creio que estamos vendo a história de uma instituição (a mais perene e antiga) ser alterada e colocada em confronto consigo mesma. Não se trata de um governo ou regime. Mas de uma FÉ que permeia (ou deveria) toda ação nascida de Roma. A mesmice das declarações do Conclave que elegeu Bento foi substituída por outras, dos atuais cardeais-eleitores, que demonstram um estado de profunda perplexidade. E de outras preocupações que não somente um nome. Assim, eu entendo que a Bento não falou APÓS a renúncia. Falou COM a renúncia. E deixou rastros. Um abraço.

Angelo Losguardi em 05 de março de 2013

Começou a campanha pra queimar Dom Odilo: . "Os brasileiros evitaram a imprensa. E não por acaso, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, um dos cotados pela imprensa internacional para ser eleito Papa, não deu uma entrevista desde que chegou a Roma e foi raramente visto. Assessores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se encarregam de divulgar sua cotação. O monsenhor Antônio Luiz Catelan garantia que dom Odilo já “tem apoio de dois continentes”. (Retirado do Globo). . Esses caras tão a serviço do demônio, não consigo ver outra explicação pra tamanha vilania.

Netho em 05 de março de 2013

Quem lesse OS BÓRGIAS....não se espantaria com nada que pudesse ter ocorrido ou venha a acontecer dentro do Vaticano. Em GODFATHER, o terceiro filme da trilogia, Puzzo não deixa dúvida sobre as relações orgânicas da Máfia com a governança papal.

Franco em 04 de março de 2013

Prezado Setti, Suas perguntas são muito pertinentes. Acho que as respostas que você procura surgirão naturalmente em pouco tempo. Talvez, pouco após o conclave. Sobre a primeira pergunta, penso que o Papa botou a boca no mundo justo agora por uma questão estratégica. Optou por um tiro certeiro, que, ao meu ver acertou na mosca. Ou melhor, nas moscas. Com um único pacote de ações, que inclui a renuncia, os últimos discursos e o vazamento do relatório secreto, Bento 16 está conseguindo simultaneamente: 1) dar um exemplo de humildade e desprendimento; 2) desmoralizar a influente banda podre do Vaticano; 3) influenciar a escolha do novo papa (através do item 2 - veja que os cardeais pedem acesso à íntegra dos relatórios secretos antes do conclave). Sobre a segunda indagação, entendo que a principal ação para dar cabo de todas essas barbaridades foi justamente a renúncia na forma como foi feita.

Patrícia em 04 de março de 2013

Papas sucumbem à tentação da popularidade, ao contrário dos santos. Hoje eles são santos, mas em vida foram objeto de muito ódio. São Bento sofreu um atentado dos próprios irmãos monges. Teresa d'Ávila enfrentou acusações de possessão e melindre. Francisco de Assis e Catarina de Sena gastaram todas as forças na busca de um cristianismo "de raiz". É melhor pra Bento XVI sair como "humilde e brilhante" a ser perseguido hoje...

CLAUDIUS em 04 de março de 2013

Eis o problema novamente Ricardo Setti. Sua nota estava, como sempre, corretísima quando a censura à granel atuou. O agente federal Lúcio Mauro de Oliveira Silva, 33, morreu na manhã deste domingo em Boa Vista (RR). Mauro, como era conhecido entre os colegas, era lotado em Pacaima e tinha tomado posse na Polícia Federal há pouco mais de 60 dias. Conforme o presidente do Sindicato dos Policiais Federais em Roraima (SINPOFER), Luiz Barroso, o agente federal teria se suicidado

CLAUDIUS em 04 de março de 2013

A resposta se encontra nas Sociedades Pias. Elas não deixam a mão esquerda ver o que a direita faz. O maior problema da Igreja Católica não são questões de devios internos. A grande preocupação é a execução de Católicos na África e Oriente Médio. Cristo, em Lucas, já afirmara que a Igreja teria problemas internos. Como Católico oro e aguardo que o Divino Espírito Santo oriente os Cardeais na escolha.

moacir em 04 de março de 2013

Setti, O comentário do Felipe e o do Ângelo se complementam Eu só acrescentaria que,tendo reconhecido que era ,seja pelas limitações da idade,seja pela grandiosidade da tarefa,incapaz de por um basta na banda podre da Cúria Romana, Bento XVI poderia ter se rendido. Poderia ter se curvado.Em vez,saiu atirando,no sentido que teve a coragem de,ao renunciar, escancarar o que segundo ele estava errado - todos os escândalos - e quem o havia traído - Tarcisio Bertone. Denunciando,fará valer a sua leitura dos fatos,a qual influenciará ,sem qualquer dúvida,na escolha do seu sucessor. Admiro o homem que não se deixa vencer,mesmo abatido.E o Papa totalmente desapegado das honras, das glórias e do poder de ser Papa. Acredito que o Papa emérito fez realmente,e de forma totalmente inovadora,o que acreditou ser o melhor para a Igreja.

Leiscimar menezes em 04 de março de 2013

Maldito é o homem que acredita noutro homem! A humanidade está refém de uma mentira monstruosa.

Josias Neto em 04 de março de 2013

Primeiramente quero cumprimentar o nobre Felipe Goltz pelas brilhantes colocações. E quero dizer que sou convergente com o as palavras do amigo. Bento XVI viu-se numa situação em que ele não tem ou teve capacidade física, mental, psicológica ou espiritual para combater e bater de frente. As entranhas deste caso são maiores do que pensamos, pois o que há é uma disputa acirrada de poder dentro da própria medula da maior instituição religiosa que já se conhece. São mais de dois Bilhões de adeptos mundo afora esperando soluções à altura das feridas sangrantes presentes na Igreja. O Papa emérito reconheceu que sozinho, que é como quase estava, não conseguiria de forma alguma corrigir, sanar e posteriormente solucionar essas máculas tão graves. Foi por isso, logo, que deu uma cartada final em sua passagem pelo mundo, e dedicado que é à causa, relevou o quão é grave a maior crise da igreja no início do terceiro milênio. O que ele pretendia: é fácil interpretar; dar espaço a alguém que tenha o pulso que nele já se havia ido embora. Se o que ele objetiva dará certo, veremos com as cenas dos próximos capítulos, que começam com a escolha de um Líder com características reconhecidamente marcantes para o cargo, e para os desafios. Obrigado pela Oportunidade.

Felipe Goltz em 04 de março de 2013

Patrícia, Sei que o trocadilho no final parece infame, mas é que o que aguarda o próximo pontífice. Mesmo. Abs, Felipe

Angelo Losguardi em 04 de março de 2013

Concordo com o colocado pelo Felipe Goltz e pela patricia m.. Digo mais, não temos porque duvidar do Papa agora emérito. Realmente pesou a idade e tarefa de limpar toda a sujeira deve ter sido desesperadora para um frágil ancião que, a cada enxadada, encontrava uma minhoca. E os problemas de saúde sinalizaram a ele que não ia dar certo concluir sua missão. Pior: o trono de Pedro ficaria vago e à deriva com a sua morte, ele não só não teria tempo de consentar as coisas (e deve ter pensado, a cada novo problema: "meu Deus, o que mais está por vir?"), bem como deixaria a Igreja, quem sabe, à mercê do inimigo. . Agora não... seu ato gerou profunda comoção, sua aura estará presente no vindouro conclave e certamente teremos um papa, renovado (e novo), chancelado por todos os verdadeiros católicos e que terá forças pra combater a corrupção ordinária (talvez o menor dos males aqui) e principalmente a corrupção dos valores da Igreja, rechaçando veementemente essa mundanização diabólica que se pretende "modernidade".

patricia m. em 04 de março de 2013

Felipe, boa analise. So nao concordo com a finalizacao da ultima frase, haha, trabalhao dos "diabos" nao cai bem para definir o trabalho do proximo Papa hehehe. . A resposta eh mais ou menos simples: ninguem nunca vai saber ao certo tudo o que se passou ao redor e dentro do circulo intimo do Papa Emerito. Ha desconfiancas aqui e ali que nunca serao confirmadas nem desmentidas - e o Vaticano nao tem que dar satisfacoes a ninguem, digamos assim, pelo menos nao no que diz respeito a disputas de poder e coisas do genero. Em relacao `as lambancas financeiras ha algumas entidades reguladoras que estao de olho - vide a proibicao do Deutsche Bank de operar aceitacao de cartoes de credito no Vaticano.

Thiago AC em 04 de março de 2013

É que estás procurando no lugar errado. A imprensa não é o melhor local para entender os desígnios espirituais que conduzem a Igreja. Ué, como é que não? Pois nesta semana mesma VEJA publica entrevista muito interessante em suas Páginas Amarelas com o padre Gianpaolo Salvini, integrante do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz e, durante 26 anos, diretor da prestigiosa revista "La Civiltà Cattolica", publicada em Roma desde 1850. A imprensa é veículo para todo tipo de ideias, caso você não tenha percebido.

Felipe Goltz em 04 de março de 2013

Boa tarde, Ricardo Cumprimento o nobre jornalista por expressar suas interrogações, de um modo tão honesto e sincero, em um campo tão difícil de encontrar respostas como este, que envolva a Igreja Católica, seus prelados, suas virtudes atemporais e suas deficiências e pecados terrenos. Escreveste “perguntar não ofende”, e não ofende mesmo, mas gostaria de tentar, mesmo que imperfeitamente, esclarecer aquilo que minha capacidade – pequena, confesso – consegue alcançar, e perscrutar, dentro dos labirintos “da aldeia Vaticano”. Bem, vamos começar do começo: eu sou católico praticante, mas nenhum fanático, já abandonei a adolescência há algum tempo e, portanto, as contestações tão típicas que acompanham este período pouco bendito das vidas de muitos. Com o passar dos anos, interessei-me, e continuo interessado, em tudo aquilo que diga respeito à Sé de Roma. Penso que poderíamos escrever o seguinte sobre os seus questionamentos: Sim, há uma crise na Igreja Católica, embora não colossal como adjetivaste, pois a Igreja já passou por períodos muito mais críticos em sua quase bimilenar história. Esta é, na minha avaliação, uma crise muito mais administrativa, mas com evidentes interfaces no campo moral. Sim, há muito tempo ocorrem irregularidades e roubalheiras, pois onde há dinheiro e poder, lá estarão aves de rapina para usufrui-los, mesmo que vistam batina ou façam uso de solidéu. Sim, escândalos sexuais em pleno Vaticano não são exclusividade dos tempos de hoje, embora choque a torpeza de detalhes que envolvem supostos membros da Cúria em atividades homossexuais fora e, o que é ainda pior, dentro dos muros do Vaticano. Sim, houve furto de documentos sigilosos, e é de conhecimento público que o receptador destas cartas e documentos foi o ex-mordomo do agora Papa emérito, Paolo Gabrielli, mas ainda permanece uma grande cortina de fumaça a mando de quem e por quê. Sim, há anos, possivelmente décadas, há encobertamento escandaloso de sacerdotes pedófilos mundo afora, cujos superiores destes criminosos não agiram ou por medo do terremoto que isto causaria na imagem da Igreja ou por um misto de covardia e vileza. Como se vê, pior a emenda que o soneto. Sim, há de longuíssima data as tais “conspirações na Cúria”, mas estas são tão antigas quanto a própria Igreja. Mas por que então o agora Papa emérito Bento XVI resolveu botar a boca no mundo justo agora? Na verdade, caro Ricardo, Bento XVI não botou a “boca no mundo”, pois até o momento, as matéria veiculadas na imprensa italiana não foram confirmadas, mas nem desmentidas, por Bento XVI. A julgar a linguagem criptografada típica do vaticanês, as declarações de Bento XVI nos últimos tempos, especialmente nos últimos dias, surpreendem pela forma como deixa a entender algo como “sinto-me traído e incapaz nesta altura da vida de limpar a sujeira que vemos a frente, debaixo de nossos narizes, em pleno coração da Igreja.” Muitos dizem, Ricardo, que Bento XVI nunca foi o Papa com as maiores virtudes administrativas que passou pelo Trono de Pedro, o que é de estranhar face ao papel muito próximo que teve com João Paulo II, uma espécie de vice-Papa por assim dizer. Pois é. Parecia que o alemão Joseph Ratzinger, o panzer de Deus para muitos, teria como Papa a verve que manteve por anos como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Como se vê, ser Papa é algo que foge completamente dos parâmetros. Até mesmo comparando-se com cargos supostamente afins. Bento XVI cansou – física e, talvez, até espiritualmente falando – com a postura pouco condigna dos demais príncipes da Igreja, como o cardeal e secretário de estado Tarcísio Bertone, homem agora marcado como o culpado por todos, ou quase todos, os problemas vazados ultimamente. São muitos os desafios impostos à Igreja Católica e o futuro vigário de Cristo certamente terá pela frente um trabalhão dos diabos. Abs, Felipe

Roberto em 04 de março de 2013

O mais preocupante meu caro Setti é o Papa Bento XVI abandonar o cargo antes de pelo menos iniciar a reforma da igreja. Sem uma direção e sem fazer um sucessor ele deixa a igreja sem um rumo, pode ser bom, mas também pode desandar tudo.

José Eduardo Diniz em 04 de março de 2013

Prezado Setti, ( já me desculpando pelo longo texto ) sou católico praticante , busco a PALAVRA para direcionar minha vida e fortalecer a minha fé. Em discussões acaloradas nos finais de semana , com amigos da paróquia que freqüento , estou sempre a questionar a mesma coisa que você . Onde atuou o Papa na minha vida de cristão ? O que ele acrescentou ? Os seus estudos teológicos , filosóficos , a sua reclusão , mudaram o quê na nossa vida ? O que mais me assusta é que até outro dia o Papa era o SANTO PADRE , aquele que recebera do Divino Espírito Santo o cetro de Pedro , para evangelizar os povos , apascentar Seu rebanho . Bastou ser o humano que sempre foi para se tornar o herói , o corajoso , o grande missionário que a renúncia exaltou . Tudo bem quanto à renúncia, diz a imprensa, afinal o Direito Canônico pode ser revisto e atualizado para satifazer os mandatários de plantão no Vaticano . Como apontado no Der Spiegel : " Escândalos, intrigas e fraqueza " . Expliquem-se , caros cardeais . E quando Dan Brown disse o que disse em seus livros foi execrado pelos fiéis de sacristia ... Mas o que estamos a conhecer deixa a ficção do autor do Código da Vinci na lista dos livros de contos de fadas.

Luiz Carlos em 04 de março de 2013

"Trono de Pedro"??? O Certo é Trono do Imperador Romano Constantino...

Leniéverson Azeredo em 04 de março de 2013

É Ricardo Setti, não deu. Há 2000 anos falam que a Igreja está em Crise, mas até hoje está de pé. Como se explica isso? Não faz sentido. É hilário isso.Até mesmo porque para muitos jornalistas a pedofilia só existe na Igreja Católica. Afinal não é, não há casados ou representantes da sociedades envolvidos com essa prática abominável.Mas é claro que há sim. Mas é verdade, toda instituição tem o lado humano que é pecador, afinal atire a primeira pedra quem não tem pecado. Afinal, quem critica a Igreja nunca deve ter cometido erros na vida, todos são um poço de santidade, pessoas perfeitas. Haja antítese discursiva.Valha-me Deus!

diego em 04 de março de 2013

Acredito que o fato do papa ter renunciado, foi quase um ato heroico, pois na idade avançada dele não teria energia suficiente para combater tamanha crise, a administrar diversos problemas que circulam o vaticano. O que o papa fez, foi apontar os erros e abrir espaço para uma nova esperança para a igreja, de uma pessoa mais vigorosa e disposta a enfrentar tamanho problema. Além de um ato inteligente, pois uma vez exposto esses documentos, exercerá uma pressão muito maior para que sejam solucionados os problemas, o que não aconteceria se o papa não tivesse preparado a entrega dos documentos para os cardeais.

Hélio em 04 de março de 2013

Ele pode usar a desculpa que geralmente funciona nestas situações : EU NÃO SABIA!

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