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Humala durante discurso em Lima: o ex-ultranacionalista está em clima de paz com o mercado

Amigos, num dia em que as bolsas de valores de praticamente todo o planeta caíram diante da disputa entre o presidente Barack Obama e a maioria republicana a respeito do teto da dívida pública americana, a exceção foi o Peru.

E a explicação é o sinal de moderação emitido pelo presidente eleito Ollanta Humala: o militar ex-ultranacionalista cujas ideias apavoravam o mercado e que abrandou suas posições ao longo da campanha eleitoral confirmou hoje que manterá na presidência do Banco Central, para um mandato de cinco anos, o economista Julio Velarde, no posto desde setembro de 2006.

Velarde, economista com pós-graduação nos Estados Unidos e na Alemanha, ex-colaborador de entidades como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi um dos baluartes do saneamento monetário e financeiro que permitiu ao Peru crescer acima da média da América Latina ao longo do mandato do presidente Alan García, que transmite o poder a Humala no próximo dia 28. García, por sua vez, manteve a trajetória de responsabilidade fiscal e de reformas iniciada por seu antecessor, Alejandro Toledo (2001-2006).

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8 Comentários

Kitty em 21 de julho de 2011

Ricardo, agora eu acho que está correto. Obg/abs Boa noite!

Kitty em 21 de julho de 2011

Holá Ricardo, Meu caro, quis comentar na seção Números o que é relevante e irrelevante, mas não entendi porque me parece que está ao contrario. Verifique se estou enganada---obrigada/abs

Kitty em 21 de julho de 2011

Prezado Sr Caio F. Cassaro, Irretócavel o seu comentário! Você em poucas líneas soube colocar os fatos vergonhosos que nos avilta e humilha, na sua exata dimensão, especialmente, no que se refere à falha da Justiça de enquadrar os ladrões de colarinho branco, e que mesmo seja para um presidente que viola as regras eleitorais e as liturgias do cargo como o apedeuta fez, para eleger a sua sucessora. Abs Kitty Caro Ricardo agradeço o espaço.

Kitty em 21 de julho de 2011

Caro Ricardo, Permita-me fazer uma breve resenha sobre as eleições em Perú e como o Prêmio Nobel de Literatura 2010 teve uma importante participação. Em outubro de 2005 Ollanta Humala se converteu no líder do Partido Nacionalista Peruano, e anunciou sua candidatura presidencial para as eleições gerais de 2006. Com um discurso de esquerda e apoiado por Hugo Chávez, logrou impor-se no primeiro turno, mas, foi derrotado por Alan Garcia no segundo turno. Hoje, após cinco anos, vai pela revanche e com um discurso mais moderado, tendo o Brasil de Lula como modelo mas sempre convencido de que em Peru não há mais espaço para seguir demorando a tão mencionada justiça social e a melhor distribuição da riqueza. A opositora de Humala é a jovem Keiko S. Fujimori de apenas 35 anos que com o apoio do “voto duro” do fujimorismo está enfrentando Ollanta. Ninguém duvida que o estrategista da sua campanha seja seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori detido em uma guarnição policial desde 2007. Após as apurações e sendo o novo presidente do Peru, perante uma multidão que o aclamava, promete um governo de transformação que melhorará a qualidade de vida de todos os peruanos. Entretanto, não foi muito fácil no começo convencer os setores empresariais e classes altas e médias altas que não iriam expropriar nada de ninguém e que a sua coalizão respeitaria o esquema atual da política monetária e fiscal. Ricardo, um dos mais ferozes opositores à candidatura de Keiko Fujimori o Prêmio Nobel de Literatura Mario V. Llosa disse que a vitória de Humala é “derrota do Fascismo e salvou-se a democracia, e que os peruanos têm atuado com responsabilidade, têm feito uma adesão ao sistema de liberdade e de legalidade que queríamos defender” e adicionou: ”Acredito que devemos celebrá-lo como uma vitória da democracia no Peru”. Consciente dos temores que o futuro presidente pudesse originar, Vargas Llosa, que não hesitou em apoiá-lo no segundo turno, considerou muito importante que Humala desse todos os sinais necessários para reconciliar à família peruana; para o autor da “Festa do Chivo”, Ollanta tem de entender que deve esta vitória às classes médias, que voltaram confiar em ele e acreditar que, realmente, se afastou do modelo absolutamente catastrófico de Hugo Chávez. Voltando ao seu post, no qual, externa uma boa noticia de que o presidente peruano mantém na presidência do Banco Central o economista Julio Velarde por mais cinco anos, com esta acertada decisão, está sinalizando que dará continuidade a política econômica dos dois governos que o antecederam: Alejandro Toledo e Alan Garcia. É justo salientar, também, que está demonstrando que nem defraudou a confiança que o ilustre escritor e romancista M.V. Llosa depositou em ele, nem ao povo que acreditou nas suas promessas de campanha. Um abraço carinhoso no DIA do AMIGO ( demorei em escrever o comment e passou de meia-noite) mas mesmo assim não poderia de deixar de cumprimentá-lo!!! Kitty

Dawran Numida em 20 de julho de 2011

Na realidade, o momento é de cautela. Não dá mais para os populistas terem vida fácil que tudo poderá virar fumaça. No caso, o "etnocacerista" deve estar recebendo algumas aulas: deve estar sendo orientado a manter o que está realizado e do que não entende muito, do que tentar inventar a roda e perder tudo. Ou seja: em boca fechada...

Caio Frascino Cassaro em 20 de julho de 2011

Prezado Ricardo: O sr. Humala repete o comportamento de Luiz Inácio, qua chamou para guardião da moeda um tucano, o qual permaneceu até o final de seu mandato como o fiador do governo junto à comunidade financeira. Com relação ao comentário do Jotavê, o respeito do ex-presidente pelas instituições só existe no excesso de boa vontade com que o amigo enxerga o mundo. Luiz Inácio só não tentou o terceiro mandato porque sabia que seu pleito seria bombardeado no senado, lembrando sempre que para obter sucesso necessitaria de maioria absoluta, por se tratar de alteração na carta constitucional. De resto, o comportamento do ex-presidente durante o período eleitoral não me parece que seja exemplo de respeito às instituições. Ao contrário, tivesse o país um MP, um TSE ou um STF dignos do nome, o Apedeuta estaria hoje bastante enrolado tentando explicar na justiça essa história de Presidente da República fazer campanha "fora do expediente" e utilizando recursos públicos. Acorda, Jotavê. O Apedeuta não merece um segundo da sua boa vontade. Taí o escândalo no Ministério dos Transportes para confirmar que o sujeito não tem conserto - tentou segurar a peteca da "turma" até o último segundo e depois vem, com a maior cara de pau do mundo, dizer que a Presidente estava certa. Aonde estavam todos os demitidos nos últimos oito anos? No governo de São Paulo? Ora, faça-me o favor... Dona Dilma que se cubra, pois, se depender desse cidadão, ela termina o governo como rainha da Inglaterra, aquela que reina, mas não governa, o tal "pato manco" a que se referem os americanos quando têm um presidente sem apoio político. Um abraço

Rosa Maria Pacini em 19 de julho de 2011

Também penso que ele esteja seguindo o modelo Lula, mas será preciso prestar atenção ao desenrolar desta sua administração, pois se copiar o modelo Lula em tudo, a corrupção vai rolar solta e ser encarada como simples erro, em vez de falha gravíssima de caráter e de ruptura com os princípios básicos que regem, teoricamente, a atividade pública.

Jotavê em 18 de julho de 2011

O modelo Lula vai, aos poucos, se impondo sobre o modelo Chávez. Qual é o elemento diferenciador básico? Consciência clara de que foi eleito para ADMINISTRAR O CAPITALISMO, e não para promover rupturas. DENTRO do capitalismo - dentro das regras do capitalismo - trata de inserir uma política social ousada. Chávez se vê (e gosta de ser visto) como o agente de uma ruptura com a ordem econômica capitalista, e isso envenena todo o seu governo. Outra característica importante do governo Lula é que o ex-presidente, por mais abusos que tenha cometido, nunca se sobrepôs às instituições. A recusa em disputar o terceiro mandato foi, na minha opinião, o momento decisivo. A partir dali, o programa de governo que ele encarnava passou a não ser mais identificado à pessoa de Lula. Dilma Rousseff pôde assumir, imprimir sua marca ao novo governo, e não houve nenhuma comoção nacional. Humala faz bem em seguir esse modelo. Conserva todas as conquistas dos governos anteriores (como Lula fez no Brasil) e tem a liberdade de dar um passo adiante.

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