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Militantes e adeptos do Partido Popular (PP), de oposição, comemoram em Madri a vitória nas eleições: muito mais do que eles próprios esperavam

Foi pior do que os socialistas espanhóis esperavam. Praticamente terminadas as  apurações das eleições regionais e municipais de hoje na Espanha, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e seu líder, o primeiro-ministro José Luís Rodríguez Zapatero, foram arrasados nas urnas pelos arquirrivais conservadores do Partido Popular (PP): esperavam, na pior das hipóteses, sofrer uma “derrota branda” por uma diferença de 500 mil votos em 34 milhões de eleitores, e a catástrofe superou a casa dos 2 milhões.

(Leia post anterior às eleições).

O PP do líder Mariano Rajoy, por seu turno, que precisava de qualquer maneira alcançar pelo menos 5 pontos percentuais de vantagem sobre os socialistas, segundo seus próprios cálculos internos, abocanhou 10 pontos percentuais a mais do que os adversários.

Os socialistas perderam o comando de 2 das 8 comunidades autônomas (semelhantes aos Estados brasileiros, mas muito mais independentes em relação ao poder central) que governam, das 6 onde se realizaram eleições, entre as 17 que compõem a Espanha: Castilla-La Mancha e Ilhas Baleares. Ademais, viram passar ao comando da oposição duas cidades-chave que controlavam há muito tempo: depois de 32 anos, Barcelona, capital da Catalunha, para o partido nacionalista conservador Convergencia i Unió, e, após 12 anos, Sevilha, a capital da Andaluzia e fortaleza socialista, para o PP.

As duas derrotas doem nas grandes cidades doem, bem como em Castilla-La Mancha, que faz despontar para o primeiro plano nacional a nova presidente do governo regional, a secretária-geral do PP, Maria Dolores de Cospedal. Desde a redemocratização da Espanha, há 36 anos, o PP nunca governara a região.

No bastião socialista que é a Andaluzia, terra do ex-primeiro-ministro Felipe González, o PP humilhou os socialistas, que governam a comunidade, e venceu em todas as 8 capitais provinciais.

A pressão agora é para antecipar as eleições gerais

Zapatero, cavalheirescamente, reconheceu a derrota, parabenizou os vencedores de todos os partidos, e em especial os do PP, e atribuiu os resultados às dificuldades impostas à Espanha pela crise financeira de 2008.

Finalizou dizendo que ficará até o final de seu mandato para, assegurou, buscar a aprovação no Parlamento de reformas necessárias ao país.

Com a derrota, porém, depois da qual, além de tudo, vê passarem para mãos adversárias ou nelas permanecerem as quatro maiores cidades da Espanha – Madri, Barcelona, Valência e Sevilha –, e com maioria precaríssima no Parlamento, as Cortes, nas quais depende do apoio hesitante de nacionalistas bscos, sofrerá a partir de agora uma enorme pressão para antecipar as eleições nacionais, previstas para março do próximo ano, nas quais se decidirá sua própria sucessão.

A pressão já começou hoje mesmo: ao celebrar a vitória do PP do balcão da sede do partido na calle Genova, em Madri, a presidente da comunidade autônoma de Madri, Esperanza Aguirre, eleita pela terceira vez consecutiva com maioria absoluta, pediu a Zapatero que “não prolongue essa agonia” e convoque eleições o mais rapidamente possível.

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12 Comentários

Marcelo Dornelas em 24 de maio de 2011

Que notícia boa,os comunas foram arrasados na Espanha. Hahahahaha, não diga isso, caro Marcelo. Os socialistas espanhóis são mais ou menos tão comunistas como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Jotavê em 24 de maio de 2011

Está difícil compreender exatamente o que está em questão nessa eleição, Setti. Até onde nós conseguimos entender? Reproduzo uma frase do editorial de hoje do Estadão que a meu ver sintetiza um certo "denominador comum" das diversas percepções: "É possível que uma parcela dos espanhóis tenha castigado o governo Zapatero pela GASTANÇA que o obrigaria a elevar o endividamento público a níveis críticos e, por isso, a PASSAR A TESOURA NOS BENEFÍCIOS SOCIAIS, agravando a retração econômica e o desemprego." Que "gastança" é essa exatamente? E qual a parte desempenhada, nessa crise, pelo corte (ou ameaça de corte) nos "benefícios sociais"? É isso que está difícil de entender. Contra O QUE exatamente os espanhóis votaram? A gastança foi um poderoso pacote de bilhões de euros (não tenho à mão o valor exato) de dinheiro público que, mesmo endividando o Estado, o Zapatero utilizou já em 2008, mas mais em 2009, no denominado "Plano España" (PlanE) para, via obras públicas de pequeno e médio porte por todo o país, realizadas diretamente pelo governo de Madri ou em convênio com os goveronos das comunidades autônomas ou mesmo das prefeituras, criar empregos e estimular a economia. Não foi suficiente para fazer frente às dimensões da crise decorrente do estouro financeiro de 2008, especialmente na Espanha, país que tinha o fenômeno da bolha imobiliária elevado à máxima potência. O dinheiro acabou, os empregos, temporários, se foram, e o país mal saiu do lugar. Então, visivelmente os eleitores votaram contra a atual situação, decorrente de a) a crise de 2008 e b) da gestão, insuficientemente eficaz, dessa crise. Essa gestão chegou a um ponto em que, para salvar o sistema financeiro, a credibilidade dos investidores na solvência do país e a Espanha não quebrar, Zapatero precisou engolir uma série brutal de cortes orçamentários exigidos pela União Europeia para diminuir drasticamente o déficit público espanhol, que bateu todos os recordes. Os objetivos financeiros e atuariais, digamos assim, estão sendo atingidos, mas isso resultou numa piora nos serviços públicos e acentuou o desemprego, que atinge 20% da força de trabalho e espantosos 43% nos espanhóis mais jovens de 28 anos para baixo. Abração

Alvaro em 23 de maio de 2011

Caro Setti O mundo é uma aldeia global, mais agora do que nunca. Com a comunicação sem fronteiras e em tempo real o rítimo no mundo é de galope ou talvez de relâmpago. O tsunami político que arrasou várias ditaduras no norte da africa e no oriente, e que ainda está em curso, agora na europa com um ensaio na espanha, deverá chegar à américa do sul e ao Brasil. Aqui no Brasil o povo poderá acordar do sono profundo em berço esplêndido prometido pelos populistas de plantão que se instalaram e vivem confortavelmente nos palácios pagando mesada aos mais carentes para calar o grito dos oprimidos e a voz rouca das ruas. Gostaria de conhecer sua opinião, com a experiência jornalística que você tem acumulada em verificar e comentar acontecimentos dessa monta, fora e dentro do Brasil. Quando houver oportunidade, e se for possivel, gostaria de ver seu comentário traçando um paralelo entre lá e cá. Grato, um abraço Alvaro Não vejo paralelos, infelizmente, caro Álvaro. O último movimento de massas, pacífico e magnífico, que tivemos no Brasil foi a campanha pelas Diretas-Já (que, de certa forma, se prolongou em menor grau na "campanha" de Tancredo). Não faltam razões para indignação em nosso país, mas não vejo a menor possibilidade de nada parecido ao que ocorreu no Norte da África -- em que as condições também são muito diferentes, os governos são ditaduras pavorosas, para começar -- acontecer. Os "indignados" da Espanha parecem ser um fenômeno passageiro, com tintas juvenis.

Think tank em 23 de maio de 2011

Sendo Espanha um dos berço dos vícios ibéricos que contaminaram a America Latrina com política do compadrio e loteamento, faz alguma diferença se o eleito é do PSOE ou PP? Tanto Espanha como Portugal só avançou quando UE despejou toneladas de recursos a esses países, mal cessou os recursos já vive o caos.

sandovalsader em 23 de maio de 2011

Obrigado e bom trabalho....

Anita em 23 de maio de 2011

Peço desculpas por entrar sem ser convidada, mas há dois anos acompanho o cenário político da Espanha e a persistência de Mariano Rajoy, infelizmente não copiada pela nossa "doce oposição", como definiu Augusto Nunes. É provável que você já esteja dormindo (5:30 da manhã), mas somente agora vizualizei o mapa da Espanha após o resultado final. Um triunfo histórico dos adversários sobre o PSOE. Não há a menor razão para pedir desculpas, prezada Anita. Aqui todos os leitores são convidados. De fato, o PSOE foi arrasado. E deve voltar a perder as eleições gerais do ano que vem, salvo algum milagre. O PP, se assumir o poder, vai herdar uma situação dificílima, causada em boa parte pela crise financeira de 2008 e em alguma parte pela gestão da crise feita pelos socialistas, que tentaram várias saídas mas não conseguiram tirar o país da beira do abismo. Abraços

Joe em 22 de maio de 2011

Prezado Setti, o meu comentário não tem qualquer conteúdo ideológico, mas apenas uma constatação. Os socialistas levaram a Península Ibérica à bancarrota e estão a colher o que plantaram. De um lado Zapatero, liderando um desemprego recorde, e, de outro, José Sócrates, que mergulhou Portugal em uma das maiores crises de sua história após o 25 de abril. Em Portugal, com as eleições marcadas para 5 de junho, o PSD está anunciando duras medidas, o que, talvez, o leve a se indispor com parte do eleitorado, mas é bem provável que a Social Democracia volte ao governo, com uma política bastante amarga, mas que, na minha ótica é a única solução. Além mar ou aquém mar, os socialistas continuam os mesmos ou, como se diz no Paraguai, a "esquerda caviar" (ao contrário do princípio, este comentário pode por na conta como ideologico mesmo).

Paulo Bento Bandarra em 22 de maio de 2011

E do que restou os manifestantes, afinal? Continuarão nas praças por mais algum tempo. Em Madri, vão se distribuir por bairros. Em Barcelona, permanecerão acampados na Plaza Catalunya até o próximo di 15.

Pedro Luiz Moreira Lima em 22 de maio de 2011

Caro Pedro Luiz, Não publico seu comentário e sua consulta porque se referem a fatos que se estão passando em outro blog, e não considero apropriado discuti-los neste espaço, como já expliquei várias vezes aos leitores. Em princípio, eu não atribuiria importância a esse tipo de ameaça. A pessoa parece desequilibrada, e a Internet, por várias razões, aguça a agressividade de muitos internautas. Já recebi comentários bem piores aqui e, como eram pura ameaça misturada com xingamento, respondi apenas ao primeiro e aos vários que se seguiram simplesmente deletei. Se a coisa se agravar, eu, no seu lugar, iria à polícia. Um abração e boa sorte.

JULIO CESAR em 22 de maio de 2011

Fora osé Luís Rodríguez Zapatero

sandovalsader em 22 de maio de 2011

Caro Jornalista, Em suas "vacaciones" na Espanha, é bom ver voce trabalhando no domingo. Heroismo jornalistico? Vou pedir um favor: na decada de 80 era muito citado o "Cannard Enchante"(posso ter escrito errado) um jornal frances, parece-me de esquerda mas muito engracado. Existe ainda? Abracos e saludos ao Rei. Caro Sandoval, obrigado por seu comentário. Esclareço, porém, que não estou em "vacaciones", não. Trabalho duro, e preciso ficar até tarde porque o fuso horário não me favorece. No momento em que escrevo esta resposta, por exemplo, são 2h27 da manhã... O "Le Canard Enchainé" existe, sim, e continua firme e forte. É um semanário satírico, mas já revelou muitos escândalos e derrubou muitos figurões. Mate suas saudades do velho e bom "Canard" no link http://www.lecanardenchaine.fr/ Abração

alberto santo andre em 22 de maio de 2011

quem sabe nos tambem nao caminharemos, para em um futuro proximo dar um basta a estes politicos ladroes do pt, que a cada dia inventam um novo nome para roubo e corrupcao ,como ronaldinho dos negocios e consultoria.

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