PIB cresceu mais, em média, no governo de Itamar do que nos de FHC e de Lula

O presidente Itamar em seu gabinete no Palácio do Planalto, em 1994

Perdi a conta do número de artigos em que critiquei, em distintos veículos e por diferentes razões, o hoje senador Itamar Franco (PPS-MG) como presidente da República (1992-1995) e, mais tarde, como governador de Minas Gerais (1999-2003).

Estou, portanto, à vontade para escrever o que deixou de ser dito e escrito quando da divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 7,5% em 2010, atingindo a marca de 2,09 trilhões de dólares e ultrapassando a Itália para, logo abaixo do Reino Unido, tornar-se a sétima maior economia do mundo.

Em balanços publicados a partir de sexta-feira passada, 4, muito se enfatizou a comparação entre a média de crescimento do PIB durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), que enfrentou várias crises internacionais – crescimento médio de 2,3% — e a do alcançado no governo do presidente Lula, que pegou pela proa a grande crise de 2008: 4%.

Ninguém se lembrou, porém, de apontar que bem superior, mais de 30% melhor do que a do lulalato foi a média de crescimento obtida pelo governo do presidente Itamar: sonoros, eloqüentes 5,4%.

MINISTROS DEMAIS, MAS BONS RESULTADOS

Não se pode contar para Itamar o ano de 1992, em que a catastrófica gestão do então presidente Fernando Collor (1990-1992) levou o PIB a cair 0,5%: o então vice-presidente assumiu a 2 de outubro de 1992, ainda como interino que depois permaneceria com a renúncia do presidente para escapar ao impeachment, a 29 de dezembro daquele ano.

Apesar da condução um tanto errática e atabalhoada que deu aos negócios públicos, inclusive trocando freneticamente de ministros – os da Agricultura, por exemplo, foram 9 em pouco mais de dois anos, os da importantíssima Fazenda, 6 –, já no primeiro ano completo de gestão, 1993, o país cresceu 4,9%. No segundo, 1994, com a implantação do Plano Real, em junho, a pancada na inflação e o aumento da renda e do consumo, o PIB bateu em 5,9%.

Itamar, portanto, pode orgulhar-se dos números que deixou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 − 7 =

Nenhum comentário

  • Márcia Maria

    Sr. Setti, como comparar se o IBGE mudou a metodologia científica para a oficialista. É comparar melancia com banana.

  • Valdivino Alves

    Oi Ricardo, este ano me formo em Direito, o tema da minha monografioa é: Redução da Carga Tributária das Empresas por meio do Planejamento Tributário. Bem realmente, em 2010 foi o ano em que o governo mais arrecadou. O PIB até tem sentido no que estou falando, pois se cresce o faturamento das empresas crescem o mercado interno e gera riqueza e aumenta o PIB.
    Agora mudando de assunto fiquei curioso para saber o que aquela pessoa com o pseudônimo de: Cretinos do PIG, falou ontem no comentário do texto sobre o carnaval. Percebi que você não gostou, acredito que também não iria gostar se me agredissem verbalmente sem mais sem menos. Ainda bem que aqui você tem um controle e só deixa publicar os comentários que você quer. Ricardo, como já disse em outros post, sou seu fã tenho grande vontade de te conhcer pessoalmente, quem sabe um dia você vem aqui tomar um café comigo e conhecer meu escritório. Acesse meu site: http://www.alvescontabilidade.com.br e meu site pessoal é: http://www.valdivinoalves.com.br

    Caro Valdivino, acessei seus sites e fiquei impressionado com o volume de informações! Obrigado pelo convite para conhecer seu escritório. Qualquer hora apareço para um café.
    Obrigado também pelas palavras elogiosas.
    Quanto aos comentários, eu publico 99% deles. Só excluo os que são realmente pura ofensa.
    Espero que você continue gostando do blog e aparecendo por aqui.
    Um abração e boa semana.

  • Frederico Hochreiter/BH

    Setti:
    Considero Itamar o grande injustiçado na presidência do país. Seu gênio explosivo e birrento, a onda de fofocas sobre seus envolvimentos amorosos( coisa que não tem absolutamente nada a ver com o que interessa que é sua gestão),encobriram muito do que ele protagonizou e fez. A atitude de enfrentar ACM abertamente, a coragem de afastar um ministro apenas pela suspeição que pairava sobre ele, a condução da economia (por justiça e isonomia o Plano Real deveria se chamar Plano Itamar), a à época folclórica recriação do fusquinha (que, acredito, impulsionou a indústria do carro 1.0) são coisas que historicamente lhe deviam ser reconhecidas e atribuidas. Ainda agora, no senado, foi a única voz da oposição que efetivamente se levantou. A tudo isso se acrescenta, agora, sua informação de que o “nuncantesnessepaíz” na realidade aconteceu bem antes do que seu colega Augusto muito apropriadamente chama de Era da Mediocridade.

  • Maroog

    conheci o itamar recentemente em um jantar. Que figura simpática e equilibrada. Acho que não damos a devida importância aos nossos ex-presidentes… E mais… Ele está fazendo um ótimo trabalho no seu papel de senador.

  • Mauro Pereira

    Caro Ricardo Setti, boa tarde.
    Tanto Itamar Franco como FHC foram os grandes brasileiros, pós Sarney e Collor, que colocaram o País no trilho do desenvolvimento. Depois deles, um grande vazio. Instalou-se a sociedade das formigas vivas em um banheiro de rodoviária.

    Dia desses, premido por um súbito desarranjo fisiológico, cedi à necessidade e me aventurei usar uma dessas privadas espalhadas pelas rodoviárias do mundo. “É um real”, vociferou o funcionário nada amistoso que fazia girar a roleta e tomava conta da caixa registradora.
    De posse dos apetrechos necessários, adentrei ao cubículo que não passava de um metro de cada lado e, de imediato, tive o desprazer de me deparar com um quadro de imundície inenarrável e sentir entrar pelas narinas o mal-cheiro insuportável que contaminava o ambiente. Já derramando gotas gélidas do suor dos desesperados, me acomodei no vaso de cor indefinida que deixava a paisagem ainda mais medonha e procurei não pensar naquela situação insustentável. “Haverá de ser rápido e indolor”, divaguei, conformado.
    Estava eu ali, absorto e com sinais visíveis de falta de ar, quando um conglomerado de formigas chamou minha atenção. Num vai-e-vem frenético, centenas delas caminhavam em fila indiana. Enquanto algumas, carregando algo parecido com papel se dirigiam da entrada do cubículo rumo à parede, outras faziam o caminho inverso em marcha acelerada para chegarem ao seu destino e retornarem com uma nova carga daquele material que parecia lhes proporcionar uma felicidade imensurável.
    Curioso por natureza, quis saber de onde elas vinham. Com todo cuidado pudico que a situação exigia, entreabri a porta e pude constatar que elas, sem exceção, vinham da caixa registradora. Incansáveis e bem organizadas não se preocupavam em mostrar o ponto de partida, mas com habilidade excepcional conseguiam camuflar a entrada do esconderijo para onde levavam o produto da pilhagem. O máximo que consegui ver é que era em algum orifício na parede. Nada mais que isso.
    Com a curiosidade ainda mais aguçada, resolvi, então, estudar o comportamento daquele exército de trabalhadoras ávidas. Podia-se notar que eram da mesma espécie, pois dividiam irmanamente a feiura e os modos desajeitados, mas pude observar que algumas se destacavam. Uma parecia que era a manda-chuva, pois todas lhe prestavam reverência e vassalagem explícitas. Embora tentasse dissimular era nítido que tinha o caminhar trôpego. As mais íntimas se apressavam em justificar os passos cambaleantes da líder afirmando que era devido a falta do dedinho em uma das patas, decepado que fora por uma máquina insensível e cruel. Já as fofoqueiras de plantão juravam que era o resultado de uma vida dedicada ao ócio e à bebedeira desenfreada. Entretanto, ambas concordavam que a chefe apedeuta nutria um rancor profundo por uma certa formiga intelectualizada, respeitada pelas mais famosas universidades do planeta, que lhe impusera derrotas humilhantes em um passado não muito distante. Precavido, preferi tirar o meu da reta. Elas que são formigas que se entendam.
    Logo em seguida, com ares de quem tinha adquirido recentemente o status de segunda-em-comando, vinha uma outra com características bastante estranhas. De corpo avolumado, destacava-se a face de contornos normais, porém, projetada a partir de uma cabeça enorme adornada por uma espécie de capacete de proporções avantajadas, que parecia brotar de dentro daquela caixa craniana incomum. Eu ainda não cheguei à conclusão do que era maior: a cabeça ou o capacete.
    Posando como a terceira na hierarquia, mas com planos inconfessáveis de assumir a liderança daquele formigueiro indecente no menor espaço de tempo, caminhava uma figura excepcional, com poderes extraordinários, pois tinha a capacidade singular de mudar de aparência e de nome. Quando vinha era uma, quando voltava era outra. Fantástica! Saltava aos olhos o respeito que lhe era facultado pelas demais ao desfilar garbosa com a sua espingarda de chumbinho descarregada atravessada no seu peito coberto por um tipo de pijama mulambo muito comercializado lá pelas bandas do sul.
    Para completar a quartilhada de notáveis, destacava-se uma formiga com características únicas. Ainda que visivelmente abatida pelos sintomas da degeneração intelectual irreversível, ostentava um bigode lustroso e bem cuidado que tentava dar uma certa aparência de seriedade ao rosto enrugado. Porém, inexplicavelmente, essa altivez manipulada cedeu lugar a um pavor indescritível depois de perguntar a uma companheira o que ela carregava. “Palmeira”, respondeu a outra, quem sabe para dar um pouco de dignidade ao papel firmemente preso às suas garras. Talvez pela idade já avançada, a formiga de bigode lustroso deve ter entendido “palmério”. Desesperada entrou no primeiro buraco disponível e não mais a vi desde então.
    Essa procissão era composta por outras personalidades menos importantes, mas cúmplices do mesmo propósito de chegar à máquina registradora, a qualquer preço! Tinha a que travava uma batalha inglória com a vara de pescar na busca inútil de descobrir onde era o seu início e qual era a sua serventia. Incomodado com aquela demonstração de incompetência, decidi esmagá-la. Esse foi o meu erro. Tomada por uma fúria incontrolável, aos berros a desbocada mandou eu esmagar a santa da minha mãe, acusou minha esposa de compartilhar com sua sogra os prazeres da vida mundana e desfiou um rosário de palavrões impubilcáveis. Para dar apoio à amiga indignada, apareceram do nada mais duas comparsas de lutas. A primeira, de gestos gentís mas nada confiáveis, desfilava um modelito que parecia ter sido cortado sob medida para o mordomo do Conde Drácula e a segunda, de tez morena e semblante fútil, trajava uma camiseta colorida onde podia-se ler: “nóis love tapioca”. Ambas ameaçadoras. Achei melhor deixá-las em paz.
    Foi aí, então, que despertei daquele topor e tive a oportunidade singular de ver escancarada na minha frente a mais perversa das realidades. Aqueles seres minúsculos e insignificantes haviam transformado o gigante eternamente deitado em berço explêndido em uma mera privada fedorenta medindo um por um. Implorei aos céus que não me permitisse voltar novamente àquele banheiro, pois se tornaria iminente o risco de encontrar as mesmas formigas tomando de assalto a mesma caixa registradora e o cubículo, além de mais imundo e infectado, com suas dimensões diminuídas para menos de meio metro. A partir dali, diariamente elevo minhas mãos rezando a prece dos que ainda crêem, me apegando à fé inabalável de que os deuses atenderão às minhas súplicas.
    Rezemos juntos, crédulos, para que o gigante se levante e desperte do seu sono profundo!

  • Dawran Numida

    O senador não tem do que reclamar. Deixou números favoráveis para o PIB. E a considerar o período conturbado, política e economicamente, em que assumiu a presidência, pode-se até dizer que se saiu razoavelmente bem. Tudo para colocá-lo entre os presidentes brasileiros. Porém, talvez, pelo comportamento explosivo, a questão da paternidade do Plano Real parece incomodá-lo. E sempre que provocado, ele acaba entrando numa polêmica desnecessária. Foi assim durante a votação do novo SM no senado. Ora, a assinatura dele está nos documentos importantes do Plano Real, como presidente da República. O Ministro da Fazenda, da época, aparecia muito pelas características do que estava sendo idealizado e implementado e por ser o coordenador da equipe. Como presidente, fica claro que o hoje senador deu aval político para tudo. Um plano ousado que deu certo. Só que aqueles que o criticavam, exatamente, pelo Plano Real, acabaram por tirá-lo de cena e incorporaram a estabilização da economia, que nunca defenderam, como obra do governo de 2003/2010. Assim, o senador quando fica incomodado e reage, erra de alvo.

  • fafa

    Hum… temos que ser criticos quanto aos comentarios da imprensa…pois, os ventos mudam, não é Setti?
    Fora disso, estou esperando se a Veja vai repercutir as ultimas do Weakeleaks… bem, mas como sobrou para jornalistas da propria revista, acho que não, né?
    Abs

    Dirija-se ao diretor de Redação de VEJA, veja@abril.com.br

    Só cuido aqui do meu modesto espaço.

  • Julio

    Caro Ricardo, você sempre vai ao ponto, e por isso merece admiração. O ex-presidente Itamar acumula um número considerável de críticas segundo os interessados. No entanto, a partir de um comportamento simplista, foi capaz de impor um trabalho de pesquisa e desenvolvimento que redundou no Plano Real. Não cabe discutir quanto ele possa ter influenciado o acerto técnico, mas é indiscutível sua influência no respaldo à implantação do Real. Itamar foi o avalista incondicional, ainda que circunstancial, do plano que mudou a história do Brasil. Somos tão fracos de memória que nem disso nos lembramos.
    Um abraço, Julio

    Outro abraço pra você, caro Júlio.

  • Roberto Souza

    Setti,

    como assim?

    passei os últimos oito anos ouvindo que “nunca antes na historia deste pais” existiu um governo competente, protetor de pobres, eficiente, moderno, extraordinário e inigualável.
    Como pode ser que, além do novo Messias que adveio em 2003, alguém possa ter promovido desenvolvimento econômico e social desde o descobrimento do Brasil?

    Pois é, Roberto. O Juscelino, por exemplo, foi um presidente que não fez nada…

    Abraços

  • ALBERTO SANTO ANDRE

    A PREMIO NOBEL DA PAZ IRANIANA, SO COM SEUS COMENTARIOS JA DESMORALIZOU TUDO QUE A PROPAGANDA INSTITUCIONAL DO GOVERNO *** ****** ,BERROU EM SEUS OITO ANOS DE GOVERNO, MOSTRANDO A PEQUENES DO APEDEUTA, QUE SIMPLESMENTE SERVIA LA FORA, COMO EU SEMPRE COMENTEI DE BOBO DA CORTE ,OU DE ANAO BARBADO EM JARDIM DE INFANCIA.

  • sandovalsader

    Caro Jornalista,

    Então quer dizer que ja houve “antes nestes país” alguem mais competente que o Batraquio

  • Helvécio

    … no país que “acredita” que o ilusionista Lula Ináciofield “descobriu o Brasil”, é fácil não creditar o mérito a quem realmente merece. Itamar Franco, apesar de emburrado e mau humorado sempre, foi quem tirou o Brasil da m…

  • José

    Tadinha da Veja. Lula acabou com vcs. Se matem.

    Tadinha da VEJA. Só vende 1,2 milhão de exemplares por semana, e bate recordes de faturamento publicitário. Lula acabou mesmo com a revista, tanto é que você está aqui, escrevendo num blog ligado a ela, não é mesmo?