Já que falamos em imprensa (veja post abaixo), é uma boa notícia constatar que o Brasil em 2010 subiu 12 posições no ranking de países que mais (e menos) respeitam a liberdade de imprensa organizada pela respeitada organização Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris. (Ao chegar à home page, em inglês, há uma janelinha ao alto, à direita, com opções de outros idiomas, inclusive espanhol/português).

Sabemos de restrições sérias existentes na imprensa regional, de ameaças a jornalistas e outros problemas graves, mas passar do 70º lugar para o 58º é um progresso — embora estejamos ainda atrás de países como (pasme!) o Suriname, a Tanzânia e El Salvador.

Conheça o ranking aqui, os critérios como ele é elaborado neste click. E confira também notícias sobre o Brasil.

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3 Comentários

Mauro Pereira em 12 de maio de 2011

Caro Ricardo Setti, boa noite. Embora não seja jornalista, acredito que um dos princípios basilares da atividade jornalística informativa é levar ao leitor a notícia como ela é. Imaculada, sem interferência e, principalmente, distante da hipérbole, via de regra desmesurada e destoante da realidade. É a consagração da ética, da seriedade e da competência profissional. Não há dificuldade nem facilidade, apenas o extrato fiel de um fato, acabado ou não. A opinião e o julgamento ficam por conta dos artigos, dos editoriais e das colunas especializadas. Quem encara a missão de informar como um fardo demasiadamente difícil não traz no espírito o imprescindível estigma da vocação. Portanto, deveria encontrar um outro tipo de ocupação que fosse capaz de equacionar algum conflito de identidade e que expressasse com mais fidelidade seus verdadeiros dotes e qualificações. O profissional da informação realmente vocacionado e comprometido não se pode dar o direito de achar difícil a missão de informar, pois, senão, seu espírito se fragiliza e o comprometimento ético se banaliza na vala rasa da promiscuidade, abrindo caminho para a prática nefasta da manipulação, do direcionamento e da distorção da notícia, dependendo dos interesses daqueles a quem porventura estiver representando. A dramaticidade ou não da notícia é intrínsica a ela própria e, portanto, não tem e nem admite, participação do profissional que está a ela vinculado por conta da execução do seu trabalho. Ele não gera o fato, apenas o retrata e essa condição o desautoriza a comentá-lo. Tem que existir o inequívoco comprometimento de quem vai reportar algum acontecimento, com a verdade e com a lisura. Em outras palavras, respeito ao leitor e honra à profissão. Achar difícil a missão de informar, certamente é prerrogativa reservada somente àqueles que não resistem ao assédio e sucumbem aos encantos proporcionados por mimos ou afagos, mesmo que sejam efêmeros e fúteis, às vezes até desfigurados pela manifestação chula da troca de favores e interesses. Nesse momento o ego se avoluma e a ética é ferida de morte, transformando o solo sagrado da Redação em mera extensão de um reles e fétido prostíbulo de quinta categoria perdido por esse imenso rincão brasileiro. Nesse ambiente vazio de conceitos morais certamente viceja a dificuldade de informar, enquanto o profissional, lamentavelmente, degenera-se. Configura-se, então, a disseminação da prática vil de um jornalismo desprovido de ética, vulgar e mercenário. Nada além disso, infelizmente.

Paulo Bento Bandarra em 11 de maio de 2011

Há alguns anos, ocorreu uma reunião de jornalistas em Porto Alegre e veio um jornalista cubano participar, trazer a sua experiência. Foi entrevistado pelo seu colega, Ruy Carlos Ostermann, que lhe perguntou das dificuldade que teria para fazer jornalismo lá. Ele disse que não tinha nenhum problema porque os jornalistas eram comprometidos com a construção do socialismo. Ostermann, um intelectual e muito educado como sempre não contestou. Não disse o que isto era, o Departamento de Informação e Propaganda do regime apenas. Certamente um dos fracassos retumbantes do castrismo pela total falta de liberdade de crítica.

Paulo Bento Bandarra em 11 de maio de 2011

Isto é relativo. Uma imprensa coaptada, financiada pela máquina pública, que tem enorme agende de propaganda, pode parecer democrática porque ela não se propõe a fazer jornalismo mas a tratar de planitudes e frivolidades. Falar bem não mede a liberdade, só a adesão.

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