Por que é insensata uma Constituinte só para fazer a reforma política, como quer o presidente da Câmara, Marco Maia

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Maia quer constituinte para reforma política: não vai funcionar (Foto: Agência Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), defendeu hoje, uma vez mais, a eleição de uma Assembleia Constituinte exclusivamente para executar a reforma política.

Meu Deus do céu, que coisa insensata.

Em primeiro lugar, qual é o percentual do eleitorado brasileiro que o nobre deputado acha que sairia de casa para votar numa eleição com esse objetivo? A esmagadora maioria das pessoas não está suficientemente informada sobre as loucuras do sistema eleitoral e partidário brasileiro para se indignar o suficiente a ponto de se incomodar em votar. Infelizmente.

Uma eleição dessas seria, então, em primeiro lugar, provavelmente um grande vexame, com participação mínima dos eleitores.

Em segundo lugar, ela é inteiramente desnecessária.

Se existem a Camara e o Senado, e a reforma política está na pauta de ambas as casas, por que não fazer lá mesmo, no Congresso?

Falando pela Casa que preside, Maia disse hoje que “o tema não avançou na Câmara por falta de acordo na comissão especial que tem a responsabilidade de discutir e propor alterações”. Ele se referia à comissão especial instalada no primeiro semestre com a missão de produzir uma proposta de consenso.

Por quase seis meses, segundo a Agência Brasil lembrou hoje, a comissão tentou levar à votação um parecer do relator da matéria, deputado Henrique Fontana (PT-RS), mas, por falta de acordo, a votação acabou ficando para o ano que vem, provavelmente para a segunda quinzena de fevereiro.

O que faz o deputado pensar que, numa Constituinte estapafúrdia, o resultado seria diferente?

A reforma política não sairá enquanto não acontecerem pelo menos duas coisas:

1) o público, suficientemente informado, começar a pressionar o Congresso – objetivo de longo prazo, difícil de ser alcançado, já que nem os líderes partidários absolutamente convencidos dos absurdos existentes se mexem para dar seu recado ao eleitorado;

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Dilma, como outros presidentes da República fizeram, hesita em mexer numa casa de marimbondos (Foto: Agência Brasil)

2) a presidente da República jogar todo o seu peso nas bancadas de apoio ao governo para isso – algo duvidoso, tanto por esse assunto não figurar entre as prioridades anunciadas por Dilma no início de sua gestão – infelizmente – como pelo fato de que se trata de uma casa de marimbondos em que os presidentes relutam em enfiar a mão, temerosos de que outros objetivos de suas administrações acabem sendo prejudicados.

 

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16 Comentários

  • PT ROUBA e ensina ROUBAR

    … A reforma política não sai por que não há consenso sobre o que mudar.
    Eu quero uma reforma política para diminuir o número de deputados e senadores. Uma reforma política que fixe o número de deputados proporcional ao número de eleitores de forma simples e direta. Uma reforma política que limite o número de senadores a UM por estado com mandato de 4 anos. Uma reforma política que diminua o salário dos parlamentares. Uma reforma política que acabe com o suplente de senador (suplente será o segundo mais votado). Os políticos querem exatamente o contrário………

  • Marco

    Amigo Setti: Henrique Fontana,Marco Maia e a presidenta aqui no RS. São considerados um desaconcelho da parte saudável do Estado, os convalescentes da Urfgs, seus ardentes adoradores, são os unicos q os compreendem até para suas vantagens próprias, são considerados jocosos, principalmente quando querem tomar posse d qualquer direito coorporativo. Basta ver os tipos de projetos q sempre propõem.
    Abs.

  • A. Silva

    Meu estomago embrulha só de imaginar que Marcos Maia é o terceiro na linha sucessória da República. Longa e vida a Dilma e Temer…

  • G. Carvalho

    O comentarista PT ROUBa e ensina Roubar tem um verdadeiro programa de reforma política, que consiste em desinchar o estado cartorial, aparelhado e morbosamente obeso, do Brasil. Com a adoção de tal programa, seria possível reduzir a pesadíssima carga tributária do País, que até agora só tem gerado serviços públicos de padrão moçambicano, embora exiba porte europeu. Com a reforma, os tributófilos, geralmente avessos a prévias eleitorais, talvez se dessem conta do abismo existente entre os impostos arrecadados e os resultados pífios de sua aplicação. Com a reforma, deixaríamos o livro Guinness de Recordes, onde merecemos figurar pelo número ridículo de ministérios inócuos que sustentamos, ou pela soma extraordinária de cargos comissionados, jamais encontrada em qualquer país governado por gente séria, letrada e competente.

  • Mari Labbate *44 Milhões*

    DONA DILULLA É A ABELHA-RAINHA… Desejo transformar o Brasil em um Parlamentarismo Unicameral e Bipartidário! Somente com essas mudanças, mataríamos TODAS as baratas!

  • anonimo

    Proposta de uma Constituinte com o congresso (minúsculo, mesmo) vendido aos petralhas é sinal de alerta máximo.

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Amigo Setti.
    Náo sei se a ideia e táo absurda assim.reforma politica com um Congresso tao marcado por vicios,náo acredito que ocorra.
    Um Assembleia Constituinte so para este fim e os acnadidatos teriam que passar apenas por um crivo -nunca terem sido eleitos.
    Acho que poderia dar resulado.
    Grande abraco
    Pedro Luiz

  • ZEMANÉ

    Caro Setti
    Sensatez é uma palavra que não consta do dicionário petez. Já os verbos roubar, enganar,mentir, manipular, corromper, dentre vários outros,fazem parte da linguagem do dia a dia da quadrilha.

  • Rubens Forattini Jr

    Amigo Setti, espero que não funcione, pois o jogada visa apenas beneficiar o PT, que tem pavor e reage à campanha pelo voto distrital. Esse, se virar lei, vai começar a moralizar o Legislativo, o que contraria profundamente interesses e valores praticados pela companheirada no poder.

  • Sergio

    Esse ignorante ontem defendia a volta da indexação dos salários para todo mundo.
    Os petralhas votaram contra o plano REAL no passado, se aproveitaram das mudanças no presente, e querem enterrá-lo no futuro.
    Esse cara é pior que o Severino.

  • Francisco pinheiro

    Prezado ricardo setti,
    Peco licenca para um off topic e desculpas por escrever do meu i pad, sem acentos.
    Eh sobre o novo livro do Fernando Morais, Os Ultimos Soldados da Guerra Fria, que eu resolvi ler depois de um post seu nesse instigante blog.
    No geral, beleza de livro. Muitas perguntas ficam sem respostas e a narrativa fica meio truncada pela falta de maiores informacoes. Mas as omissoes sao compreensiveis, tratandose de fatos ainda recentes e, em boa parte, considerados ainda secretos nos dois paises separados pelo Estreito da Florida.
    Mas o autor fez o que pode para compensar as lacunas. Primeiro com uma narrativa fluente e salpicada de finalidade ironia. O relato das trapalhadas de um mercenario terrorista, com sua mochila repleta de bombas, pelas ruas de Havana, eh impagavel, por lugubre que seja.
    O drama das mulheres e familias dos agentes secretos cubanos da Florida forma outro capitulo especial do livro.
    O tom eh aparentemente ou forcadamente neutro, mas tratandose do esquerdista Fernando Morais, eh inegavel que o ponto de vista predominante eh o da ditadura de Fidel Castro. O drama dos exilados cubanos e a ruina economica do regime sao tratados como detalhes secundarios do contexto narrativo. O autor qualifica a historia do menino cubano Elian Gonzalez, que foi encontrado, mas primeiras horas da manha, agarrado a uma boia em pleno oceano, como simples drama familiar. Fernando Morais foi aquele que disse, em mais uma louvacao a Castro tao comum entre os esquerdistas brasileiros, que, nessareceita noite, milhoes de criancas dormem na rua em todo o mundo, nenhuma delas eh cubana. Perdeu a chance de se penitenciar por essa insanidade.
    No finalidade, o autor dah destaque aas palavras do escritor cubano Norberto Fuentes, que, apesar de exilado em Miami, mantense fiel aa ditadura castrista. Segundo ele, Fuentes, a comunidade cubana na Florida eh fracassadas. Presumese que eh porque Castro permanece no poder ha mais de cinquenta anos. Ha vitoria em permanecer tanto tempo no poder apoiado em uma ditadura?

  • Nivaldo L. Figueiredo

    REFORMA POLÍTICA é necessária, sim, com várias finalidades, algumas das quais: 1) Unificar o Senado e a Câmara, eis que no Brasil não existe Confederação e sim Federação dos Estados com leis uniformes em todas as UF, não se justificando o Senado; 2) Acabar com o carreirismo político, e passar a representatividade segmental (dos que constroem o Brasil: dos trabalhadores empresários, empregados, profissionais liberais, do agronegócio, etc, todos remunerados pelos próprios segmentos representativos, em vez de pagarem somas vultuosas para terem lobistas em Brasília e nos Estados, sem resultado prático); 3) Acabar com o voto de legenda, onde um candidato bem votado carrega nas costas outros eleitos sem qualquer representatividade; 4) Acabar com o voto secreto, origem de muitas votações equivocadas e às vezes nocivas aos interesses nacionais; 5) Instituir o voto partidário, e não nos candidatos, pois a origem da corrupção está nas campanhas eleitorais, onde cada candidato, uma vez eleito, busca recursos para pagar o que gastou na campanha e para ter enriquecimento no balcão de negócios, existente no Congresso (Senado e Câmara) em Brasília; 6) Instituir a representatividade segmental e acabar com o carreirismo político, através de cujo processo todos os candidatos a cargos parlamentares serão recrutados, via partido político, na origem representativa de cada operador trabalhador, sejam empresários, sejam as demais categorias profissionais. Os candidatos de cada partido serão sufragados, primeiramente, no âmbito de suas entidades representativas, com número de apenas três por segmento. Confirmadas as candidaturas com a participação interativa de meios virtuais e televisivos. Tribunal Eleitoral fornece a lista dos que forem confirmados como candidatos mais votados virtualmente. Os programas partidários (via voto partidário) mais votados em sufrágio universal terão representantes parlamentares em número proporcional à sua votação. Tal critério acaba com a possibilidade de, no voto partidário, os caciques de partidos definirem os seus candidatos, como eles pretendem. Essas e muitas outras idéias estão no livro que acabo de ler Brasil Ético, Estado Soberano – Uma Revolução Cultural no 3º Milênio. O livro é uma usina de 1001 idéias de como modernizar o Brasil, a partir de ajustes na estrutura arcaica dos Três Poderes do Estado – verdadeiros feudos, cada um por si… Tal Reforma política só será possível de ser realizada, via Constituinte, a partir da mobilização da sociedade e da conscientização do povo. É a minha opinião… @MrNLF

  • duduvieira10

    Prezado Setti;
    Me diga com toda sinceridade!! O que esse Sr. Marcos Maia sindicalista de carteirinha, tentou junto ao seu colega deputado Romário, engatar uma viagem à Espanha a custa do contribuinte para ver uma final do Baça, o que pensa ele? É o rei da cocada preta? O espírito do seu companheiro Lulalá abaixou nele e também está pensando que descobriu o Brasil?

  • Corinthians

    Concordo com você Setti.
    Uma Assembléia Constituinte só para fazer a reforma política é um absurdo, principalmente durante o governo petista – afinal a proposta do PT é arrancar mais dinheiro do contribuinte, através do financiamento público de campanha (e na proposta do PT eles mantém o financiamento privado) e o voto em lista fechada.
    Existe a possibilidade grande de que isso acabe em retrocesso.
    A própria sociedade brasileira, que é avessa a eficiência e método (e podemos incluir exemplo), acaba por usar mais de paixão e crença, falando de ideologia do que de fatos e história.
    Qualquer especialista sabe que o melhor seria acabar com o coeficiente eleitoral, acabar com qualquer tipo de financiamento público de campanha e instituir o voto distrital – acabando assim com a chaga que é a representatividade de classe (por mais que seja ridículo falar em classe ou luta de classes neste século, depois de tudo o que ocorreru com o comunismo/socialismo), ao invés de representatividade do povo. Mas as paixões do povo o fazem atuar como se fosse um jogo de futebol, como se fosse matéria de torcida em um partido, e no fim iriam acabar por votar na proposta do partido X ou do partido Y, por piores que fossem.
    Isso para não falar que os representantes da Constituinte seriam dos mesmos partidos que hoje são beneficiários do atual sistema – talvez, quem sabe, se os candidatos tivessem que obrigatoriamente não ter vínculos com nenhum partido por pelo menos os últimos 5 anos, não ter negócios com governos, ter diploma universitário (comprovado, não pode ser como a campanha de Dillma ou do Mercadante), não ter nenhum processo nem investigação criminal em andamento, não ser sindicalista nem funcionário público, aí sim, quem sabe a Constituinte funcionaria.

  • ABRAÃO BASTOS

    É URGENTE UMA CONSTITUINTE POPULAR COMPOSTAS POR CIDADÃOS COMUNS IMUNES AOS ESQUEMAS POLITICOS PARA REFAZER O MODELO POLITICO BRASILEIRO TIRANDO OS PRIVILÉGIOS ABSURDOS DESTA CLASSE QUE SE APOSSOU PERMANENTEMENTE DO PODER E FRAUDA A REPRESENTAÇÃO POPULAR.

  • Fã do Diogo Mainardi

    Quer dizer que você é contra a reforma política, ricardo ? Bom saber disso

    Santo Deus, será que não sei escrever? Eu sou contra a convocação de uma CONSTITUINTE para isso.
    Escrevi duas dezenas de posts defendendo a explicando a necessidade da reforma política. Provavelmente você não leu nenhum, e, na verdade, nem tem a obrigação de fazê-lo.
    Mas acreditei ter deixado claro que o absurdo da proposta do deputado Marco Maia é a suposta necessidade de se eleger uma Constituinte só para isso.
    Os diferentes projetos — uns muito bons, outros nem tanto — estão todos no Congresso. É só votá-los.