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Veículos das forças leais do líder Muamar Kadafi explodem após ataque aéreo das potências ocidentais, em estrada que liga Bengasi e Ajdabitah, na Líbia

A decisão do pequeno emirado do Catar de também disponibilizar parte de sua Força Aérea para deter o massacre que o ditador líbio Muamar Kadafi vinha promovendo contra seu próprio povo ameniza a reação negativa do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa — moderadíssimo e pró-Ocidente — aos ataques às forças líbias empreendidos pelos Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha.

O que parece certo a essa altura é que regimes árabes moderados estão fingindo que ignoram que as três potências ocidentais ultrapassaram a letra formal da resolução da ONU que decretou a zona de exclusão aérea sobre a Líbia — destinada sobretudo a impedir que aviões militares do ditador sejam usados contra os rebeldes — para atacar forças de terra. A informação sobre o bombardeio de um gigantesco B-2 americano — aparelho que custa 1 bilhão de dólares e é invisível a radares — a “um importante aeroporto líbio” pode significar que os EUA tiraram de cena o aeroporto de Trípoli, a capital, o que chega perto de silenciar a Força Aérea de Kadafi.

Também parece certo que as potências ocidentais demoraram demais para entrar em cena. Se o tivessem feito há 10 ou 12 dias, quando o ditador balançava e suas forças de mercenários organizadas não prevaleciam contra os rebeldes, ele já teria caído.

Mas antes tarde do que nunca. Pela opressão que exerce há 42 anos sobre seu povo, pelos massacres recentes contra os próprios líbios e pelos crimes que praticou ao longo de sua trajetória, principalmente por seu apoio a terroristas de todos os quadrantes — de palestinos a colombianos, de irlandeses (felizmente hoje não mais am atividade) a bascos –, estava mais do que na hora desse facínora ser deposto.

Esperemos que aconteça agora.

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14 Comentários

Marcelo F em 21 de março de 2011

Setti, também concordo. Pau no Kadafi, Gadafi ou coisa que o valha. Porém, quando é que os americanos vão fazer o mesmo com o ditador do Bahrein, com a dinastia reinante na Arábia Saudita, com o ditador da Jordânia, entre outros genocidas? Não entendo esses dois pesos e duas medidas. Sds., de Marcelo.

carlos nascimento em 21 de março de 2011

Ricardo, Eis uma ótima oportunidade de debatermos o episódio da Líbia, li diversos artigos na Imprensa, principalmente, um artigo do nosso RA, álias, temos um ponto em comum, todos nós queremos que o débil mental sanguinário seja varrido do mapa politico, isso é fato, agora, a maneira de como se processa essas operações é que me deixa em dúvida, vamos apreciar: Kadafi não é flor que se cheire há bastante tempo, serviu de instrumento para os interesses ocidentais,obteve até assento na ONU, como num passe de mágica, os Americanos detonam o maluco, o que teria mudado de fato, quem armou à oposição Líbia, são perguntas que precisam ser esclarecidas, Obama em discurso no RJ, falou em nova ordem, que o espírito de liberdade irá transformar os Países Árabes, praticamente acendeu o pavio do estopim de novas revoluções naquela área, precisamos OBSERVAR o que de fato está por trás dessa repentina mudança, não creio que seja apenas e tão sómente em razão dos movimentos de liberdade, há algo que ainda não conseguimos enxergar, verdadeiramente. Se o caso da Líbia, Iraque, sãos os exemplos de mudanças, como explicar as outras parcerias IMORAIS que são mantidas, como a ditadura da familia real Saudita, entre outras, como permitir que o Irã continuem massacrando Civis, Hugo Chavéz será a bola da vez, como se permitem em seu quintal o desprezivel regime Cubano, essas questões devem e merecem ser discutidas JÁ, ou então, os exemplos da Líbia e Iraque, são apenas bodes espiatórios, acredito que há outros movimentos em jogo, não consigo enxergar, vc pode CLAREAR um pouco isso para mim. Não seria um contraponto preparatório para evitar o dominio Chinês no cenário economico e mundial. Carlos Nascimento.

Pedro Luiz Moreira Lima em 21 de março de 2011

Amigo Setti: Jamais iria me solidarisar com um cara como Kadafi mas peço que me siga e veja se tenho lógica: Brasil governado pela Dilma e é ela que tem o PODER,surgem no horizonte uma turma comandada por FHC,outra por Itamar,outra por Collor,outra por Sarney e a última por Lula - todos armados com a finalidade da derrubada da Dilma. Nínguem sabe o que pensam os grupos se tomarem o PODER,os grupos não são aliados,todos lutam contra a Dilma e contra eles mesmos. Vem voce Setti representante de um País X e resolve por motivos humanitários,economicos...inteferir na derrubada de Dilma e ajuda por bombas a acabar com o PODER de Dilma.Finalmente,seu País X passa por gravíssimos problema economicos,sociais e ´políticos internamente e pior externamente vem tendo fracassos e mais fracassos em intervenções militares e por ultimo o pior, nenhum dos grupos que ajuda teem simpatiaS POR VOCE E SEU PAÍS X. Daí sem uma visão dos fatos claro,foi uma loucura da França,Inglaterra,Espanha,EUA...declararem Guerra a Líbia,jogar bombas e fogutes num outro país é Guerra e o pior com desconhecimento do que esta ocorrendo dos lados dos REBELDES. Lembrando da trágica aventura de Guerra - BOMBAS que explodem lá mais cedo ou mais tarde explodem cá. Desculpa por ter sido longo. Um abraço Pedro Luiz

Esron Vieira em 21 de março de 2011

Latrocinio com desculpas hipócritas, foi o que aconteceu no Iraque, agora prentendem fazer o mesmo na Libia. Tudo pela necessidade de abastecer os Paises Ocidentais com petroleo de Sangue. Não são os direitos Humanos que estão defendendo, é a economia ocidental e sua avidez por energia que levam a fazer isso.

Rodrigo em 21 de março de 2011

Que tal as potências ocidentais bombardearem a China, a Arábia Saudita?

Marco em 21 de março de 2011

Concordo, mas resta uma pergunta: todos q apóiam a derrubada do Kadafi deveriam ter apoiado tb a deposição do Saddan, mas isso não é o mais visto.

jfaraujo em 20 de março de 2011

Essa interferência da Otan nos problemas internos da Líbia não é nada bom.

Pedro Luiz Moreira Lima em 20 de março de 2011

Caro Setti: Não acho que seja a melhor solução e lembrar - BOMBA QUE EXPLODE LÁ,EXPLODE CÁ - bomba lá e cá nunca foi a melhor saida.

valder costa em 20 de março de 2011

Só gostaria de entender uma coisa;é práticamente um consenso que Kadhafi deve ser punido ou afastado do poder.Por que muitos,aqui no Brasil,que apóiam essa ação condenam a derrubada de Sadam no Iraque.Há algum ranking de ditadores para saber quais deverão ser derrubados?Parece uma lógica da esquerda brasileira,onde alguns ditadores(Fidel,Ahmadinejah,mesmo Kadafi)são menos ditadores que outros.

Paulo Bento Bandarra em 20 de março de 2011

Eu vou discordar do amigo. Mas acho que tanto a exclusão aérea como o bombardeiro do povo líbio praticado pela exclusão é uma tremenda hipocrisia ocidental. Na verdade a ONU quebrou uma das bases do convívio internacional, que é o de não intervenção dos assuntos internos. Ainda mais este de suspeitíssima origem. Não existe bombardeio sem vítima de líbios. Matar o povo líbio para protege-lo é a nova forma de mentira. Quem pagará e sofrerá com a destruição da infraestrutura do país pelo bombardeio generalizado senão o próprio povo? Onde está a vontade da maioria?

Atelo em 20 de março de 2011

Como assim, Ricardo? Ultrapassaram como? Caro Atelo, a resolução da ONU é pela criação da zona de exclusão aérea. Ataques a tropas de terra seriam, assim, uma, digamos, interpretação mais liberal da resolução. Mas eu sou favorável, francamente. Abraço

SergioD em 20 de março de 2011

Ricardo, ainda tenho minhas dúvidas sobre a intervenção das forças ocidentais na Líbia. Qual o seu real motivo? Será mesmo humanitário? Kadafi até pouco tempo atrás havia conseguido uma "anistia" dos países ocidentais por sua suposta ajuda na guerra contra o terrorismo. Pouco antes ele era tratado como pária da nações por conta do seu apoio a qualquer entidade terrorista que lhe batesse às portas. Sua pior ação foi o terrível atentado contra o Jumbo da PanAm que despencou sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia. Deus do céu, não valeria, naquela época, acionar todos os esforços para apeá-lo do poder? Por que o trataram como queridinho anos depois? Por que o Reino Unido soltou o terrorista que a mando dele armou a bomba que destruiu o avião, matando centenas de pessoas? Esse é uma mistério que não dá para entender. Por que agora, por supostamente querer proteger o povo líbio, os ocidentais se enchem de brios e vão até lá realizar missões "humanitárias" com mísseis de cruzeiro, caças Rafale e Mirage 2000, além de utilizar um bombardeiro B2, que não é tão grande assim Ricardo. É menor que o B-52, só que muito mais mortal por ser invisível e tremendamente mais eficiente. Será que o remorso pela não intervenção em Ruanda e em Darfur está pesando tanto nos governos ocidentais que eles farão qualquer coisa para proteger o povo líbio? Proteger o povo mesmo ou o petróleo líbio? Tudo bem, Ruanda e Darfur são mais distantes, não tem petróleo, ficaria mais caro intervir, né? A Líbia é logo alí, no Mediterrâneo, próximo às bases da OTAN, no quintal da Europa. Kadafi é detestável, mas será que as forças ocidentais vão querer tirá-lo do governo mesmo? E se o tirarem do poder, vão manter uma ocupação a lá Iraque e Afganistão? Creio que os povos árabes que tem se rebelado contra os seus tiranos querem libernade, não mais uma ocupação estrangeira. Grande abraço PS: quanto ao artigo da Kitty, disponibilizo sobre o mesmo assunto artigo do próprio Mario Vargas Llosa sobre o episódio publicado de forma aberta no diário espanhol El País. Acho legal chamar a atenção dos seus leitores e da própria Kitty, isso se ela não souber desse artigo. http://www.elpais.com/articulo/opinion/Piqueteros/intelectuales/elpepuopi/20110313elpepiopi_11/Tes

Jose Figueredo em 20 de março de 2011

Cada povo tem o governo que merece(vírgula)pelo menos mais da metatade do povo líbio aguentava o este tranco.Qualquer sujeito armado até os dentes e com bastante dinheiro fica dono do pedaço,até...

Carlos em 20 de março de 2011

Parabéns pelo texto, Ricardo Setti. O anti-americanismo que se impregnou, particularmente, na América do Sul deixa alguns "cegos". A ofensiva é essencial em busca de paz para o povo líbio, que já deu a mensagem que não quer mais ser submetido às bizarrices de Kadafi.

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