Prefeitura de São Paulo: Serra não fala no mensalão em debate morno entre candidatos, que lembra a necessidade de rever esse tipo de evento

O tucano Serra intervém no debate, observado pelo petista Haddad (Foto: veja.abril.com.br)

Amigas e amigos do blog, vocês podem constatar meu enorme entusiasmo em escrever este post sobre o primeiro grande debate entre candidatos à Prefeitura da maior e mais importante cidade do país — São Paulo –, ontem à noite, pelo horário em que estou colocando o texto no ar: 17h20 do dia seguinte.

Chato, insípido, inodoro, incolor e, em minha particular e modesta opinião, inútil.

Talvez por isso o apresentador do debate, promovido em conjunto pela TV Cultura, o Estadão e o YouTube, exibisse aquele ar feliz de quem está indo para um enterro.

Começa que um debate com oito candidatos, alguns concorrendo só para constar, torna impossível conferir ao programa — porque é um programa de TV, no final — o ritmo mínimo necessário para prender a atenção dos eleitores.

Os organizadores ainda inovaram, com perguntas de internautas selecionadas pelos jornalistas do Estadão dirigidas aos candidatos e utilizaram recursos do YouTube para incluir, como se fosse um chat, jornalistas situados em Brasília e em Nova York.

Infelizmente, não adiantou. Apesar dos louváveis esforços dos organizadores, o fato é que já há tempos não funcionam mais debates com aquelas conhecidas regras rígidas de tantos segundos para a pergunta, tanto tempo para a resposta, depois a réplica e a tréplica, ou então um candidato sorteado perguntando para outro, com “comentário” de um terceiro, que só usa o tempo para falar de si próprio.

É por isso que determinados candidatos ridículos, patéticos, que nada sabem sobre coisa alguma relacionada à cidade, recebem da lei, como ocorreu no debate de ontem, a enorme colher de chá de aparecer ao vivo em horário nobre da TV, por duas horas seguidas.

E pessoalmente fiquei pasmo com o fato do ex-prefeito e ex-governador José Serra, do PSDB, não utilizar nem um pouquinho o escândalo do mensalão para ajudar a “desconstruir” seu rival mais próximo para a passagem ao segundo turno, o petista Fernando Haddad, ex-ministro da Educação. Também a aliança de Lula e do PT com Maluf foi deixada em segundo plano.

A candidata Soninha ajudou Serra quando lembrou que Haddad foi imposto por Lula contra a vontade da candidata com mais potencial de voto, a senadora Marta Suplicy — e aí, finalmente, Serra conseguiu mostrar ao público a manobra politicamente obscena e mercadejante de entregar todo um Ministério (o da Cultura) a Marta para “convencê-la” a se engajar na campanha de Haddad, coisa a que ela se recusava.

Russomano, o Menino Malufinho: quase sem ser questionado (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Haddad esteve eficiente, procurando jogar sobre Serra o peso da má avaliação do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que foi vice do tucano, assumiu quando da candidatura Serra a governador, em 2006, e depois se elegeu por conta própria, em 2008, quando integrava o DEM, batendo por grande vantagem a tentativa de reeleição de Marta.

Enquanto isso, comportando-se como candidato a santo — talvez da Igreja Universal –, o Menino Malufinho, Celso Russomano (PRB), com permanente ar de bom moço, de quem não quer “agredir” ninguém nem desferir “ataques pessoais”, conseguiu esgueirar-se de questionamentos enquanto desfiava um rosário de promessas absurdas com admirável e maquiada cara-de-pau.

Só sua garantia de que, caso eleito, passará o atual contingente de guardas municipais de 6,5 mil para 20 mil já estouraria os cofres da Prefeitura — mas essa asneira passou batida, bem como sua proclamada intenção de dotar os guardas de poder de polícia, coisa que precisa ser combinada com a Constituição, e não foi.

A prometida renegociação da dívida do município com a União também precisaria ter sido combinada, antes, com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os episódios com alguma adrenalina, porém, foram escassos.

É preciso repensar os debates. O melhor de tudo talvez fossea um pequeno grupo de candidatos, os mais bem situados nas pesquisas de intenção de voto, debatendo o mais livremente possível entre eles, com um mínimo de interferência de um moderador — mas nossa legislação eleitoral amarra tudo.

Perdem os eleitores.

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17 Comentários

  • justiceira

    Depois ninguem entende porque esse banana despenca nas pesquisas…no Haddad nao voto, mas ainda prefiro votar num repolho do que nesse banana

    ..

  • Marcondes Witt

    Concordo: com as regras ‘necessárias’ para manter a igualdade entre os candidatos, os debates por televisão, em qualquer cidade, se tornam insossos.
    Penso que Serra evitou falar do Mensalão do PT porque isto implica em criticar um próprio aliado, o PR do Valdemar Costa Neto, não? Do mesmo modo, como criticar Maluf na condição de aliado do Haddad, se até o momento em que o PP se aliou ao PT, Serra fez toda força possível, inclusive criticando o governo estadual por não ter aparelhado a máquina do Estado em favor deste partido.
    Por fim, lembrar o Mensalão poderia implicar em relembrar a Privataria Tucana, na qual, lixo ou não lixo, pessoas próximas ao Serra estão em condições no mínimo estranhas.

  • Ike

    Caro Setti, você se esqueceu de mencionar que o Kassab se reelegeu, com o apoio do tucano José Serra, às custas do sr. Geraldo Alckmin do PSDB ao qual pertence também o sr. José Serra

    É verdade, caro Ike. Não mencionei porque não me pareceu que fosse o caso. Se fosse entrar nos detalhes de cada candidato, o post ficaria enorme.

    Serra, então governador, realmente ferrou o Alckmin naquela eleição. Depois se compuseram. Serra, governador, acabou trazendo Alckmin para o secretariado. A política é fogo, meu amigo.

    Abração

  • Anônimo Paulistano

    Sou frequentador de parques na cidade, a única vez que precisei recorrer à guarda municipal foi quando quase fui atropelado por uma leva de skatistas, recorrí à base móvel da guarda municipal do Parque do Povo e fui orientado pela comandante da guarda a chamar uma viatura da polícia militar, depois deste fato a minha impressão é que a guarda municipal se instala em parques para apreciar a paisagem, bater papo, cultivar a saliência da barriga e respirar ar fresco, a proposta do candidato Russomano em expandir o contingente da corporação dos barrigudinhos beira o insano, não é justo o munícipe pagar para engordar quem nada faz.

  • Roberto Souza

    Concordo plenamente, o debate foi, como dizemos aqui no interior, mais chato do que dançar com a própria irmã.
    Quanto a Serra não falar do mensalão, acredito ter sido pelo mesmo motivo que o fez, na campanha de 2010, mostrar no seu programa de TV, fotos suas ao lado do presidente Lula, ou seja, deve ser muita admiração ao ex presidente ou medo de se indispor com quem, segundo pesquisas, tem quase 80% de popularidade e aprovação.
    Como ouvi há algum tempo, o Brasil inventou a oposição a favor.

  • Tuco

    .

    Tua cortesia, tua polidez, Grande RSetti,
    todos sabemos, não permite usar o adjetivo
    que melhor retrata o atual quadro: covarde.


    .

  • Ismael

    A propaganda do PSDB em São paulo, que associa Haddad a Maluf e Dirceu, em que pese correta não é eficiente para o povão. Já a estratégia petista, que se repete desde Lula, de mostrar os candidatos petistas “vítimas” das elites malvadas e o povinho sofrido, o coitadinho, como personagem central da história, como se irmãos gêmos fossem, é que surte efeito na plebe ignara. Afinal, o que a maioria do povão (não a classe média que trabalha estuda e paga impostos) espera de um político é uma molesinha, um ajutório, para aliviar sua condição de miséria. Esse é o PT.

  • Ailton

    Serra sabe que o passado dele o condena, não quis provocar, afinal, o Addad não participou do mensalão, ele, sim, participou, ou melhor chefiou varios esquemas de corrupções entre os anos de 1995 a 2002. tais como:

    Agariar R$999 milhões em propinas pagas pelos compradores das estatais.

    Serra Chefiar os sanguessugas, na arrecadação de R$80 milhões, dinheiro pago pelas s prefeituras que receberiam ambulância do ministério da saúde, que tinha Serra como ministro.

    Serra recebe R$5.0 milhões da DERSA, pagos ao Serra pelo superintendente Paulo Pretono caso conhecido como:”Não se abandona um amigo no lixo”.

    Serra e Boernhause Chafiam 200 politicos na retirada do país, de uma simbolica cifra de U$147 bilhões de dolares via 750 mil contas CC-5, usam o BANESTADO e ARAUCÁRIA para retirar esse dinheiro do Brasil, diz o MPF e PF do próprio governo do FHC.

    Serra chefia esquema que recolheu R$90 milhões pagos pelos vencedores e instaladores do SIVAM.

    Serra e Alckimim recolhem 8% dos contratos da ALSTM nas obras do metrô de SP.

    Seria mensalão versus corrupção desinfréada dos anos noventa.

    REVISTA VEJA A TESTEMUNHA DA HISTÓRIA
    Acessem as antigas revistas ‘VEJA’ do periodo 1995 a 2002 nesse site: http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx (clique no ano, depois e na seta de rolagem, depois nas capas desejadas).

  • Ailton

    Ricardo Setti

    Todos os tucanopolitanos são unanimes em dizer que o Brasil sempre esteve quebrado na era PT, e que, desde 2003 a miséria só faz aumentar em nosso país, e que ela hoje, só triplicou em relação ao governo deles, então! gostaria que me explicassem, respondessem se puderem responder, claro! já que estamos tão falidos, tão quebrados, tal qual o governo de 1995 a 2002, como é que eu contrato um simples pedreiro para trocar o piso cerãmico da sala e cozinha, ele, um simples pedreiro, e pedreiros, como demais 89% do nosso povo, eram tão miseráveis na era tucana, simplesmente estaciona sem culpa alguma, um belissimo HONDA FIT 1.8 2011/2012, preto com rodas liga-leve aro 17″ cor amarelo ouro?. Um pedreiro!, um miserável de um pedreiro! Que não tem nem o que comer no governo petista segundo os tucanopolitanos?
    Explique-me, quem for capaz.

    Uma cena que jamais seria vista na era tucana.

    Aguardo o explicações…

  • Ailton

    Eu rodo em média 160km (em meu VW Polo Sedãn 2.0- 2012) todos os dias, 80 para ir e 80km para voltar dos estaleiros navias em que trabalho, pela janela, vejo uma paisagem em constante mudança, ela hoje, é permeada por milhares de canteiros em construção, são edficios, shopings, fabricas, galpões, indústrias, siderúrgicas, montadores de autos etc, e uma curiosidade me chamou a atenção, todos esses canteiros de obra, tem à parte, varios e improvisados estacionamentos, e neles, dezenas de centenas de carros novos estacionados, todos de propriedade dos operários das obras.
    Como isso é possível, se esse é um país falido, totalmente arruinado pela pessíma gestão do governo da era PT, “pião” de obra, “pião” da construção civil conseguir comprar carro? Não se tem relato desse pessoal possuir carros em sua epocas anteriores ao PT. Será que esse pessoal está a roubar? “creemdeuspai”

  • Heloah

    Haddad esteve eficiente? Foi ele, quando quis saber se era elegante falar que a presidente estava pondo o “bico” nas eleições de SP, e não a ajuda da Soninha, que permitiu ao Serra falar sobre a barganha – ministério X palanque – ocorrida entre governo federal e marta. Aliás, li em algum lugar que essa atitude do Haddad deixou petistas irritados.
    O debate foi muito fraco, mas não precisa forçar pra cima do Serra.
    Sobre o “bico” Serra falou que foi uma forma de expressão.

  • Antônio

    São Paulo cidade mais importante do Brasil? Onde? Tire SP do mapa que o Brasil continuará sendo o que é, mesmo que, naturalmente haja mudanças (positivas). O Rio tem mais identidade com o Brasil e é mais importante do que SP, mas se tirar do mapa tbm nada muda, apesar da falta que o Rio, cidade sadia e original, fará. Menos SP, bem menos, por favor.

  • Ailton

    Olá Antonio

    Que Bom!!!
    A velha e INSALUBRE” rivalidade Rio e São Paulo, enquanto o Brasil foca sua visão para esses dois estados, esquece os demais, poucos sabem que existem estados que crescem o dobro desses dois belos estados brasileiros, existe um estado que cresceu 6,7% 2011 e 4.5% segundo semestre 2012ao , com picos entre 2,5 a 9.75% nesses 10 anos.

    Enquanto os dois brigam, os outros avançam nos indices economicos, lembro que SP era responsável por 58% do PIB em 1990, hoje repesenta apenas 33%
    O Rio, respondia com 22%(1990) hoje responde por apenas 11%%(IBGE2010)
    Brigas bairristas,uma coisa que não se vê entre americanos, todos eles tem orgulho de seus 50 estados, são bairrista sim! com os demais países, não entre sí.

  • Jefff

    Fala-se tão mal da senadora Marta Suplicy porem todas as promessas de todos os candidatos a prefeitura tem como eixo central programas realizados no governo dela: CEUS, bilhete único, corredor de ônibus, internet gratuita.

  • Renato Tanzi

    Prezado Setti:
    Você deixou de considerar que Valdemar da Costa Neto, um dos acusados prestes a ser condenado, está aliado à campanha do Serra. Nesta situação incômoda, como o candidato poderia trazer o tema “mensalão” para o debate? Difícil, mas revelador.

    Vai ver que é por isso, caro Tanzi.

    De qualquer modo, esteja certo de uma coisa: ficarei pessoalmente muito feliz se o Valdemar da Costa Neto pegar uma bela pena de cadeia.

    Felicíssimo. Seja essa atriste figura aliada de quem for, até do Papa.

    Um abração e volte sempre ao blog

  • Ailton

    Olá Ricardo Setti
    Voxpopuli:
    Serra 17% -rejeição de 45%)risos)
    Russomanno 34% -rejeição de 12%

    E agora? como o serra sairá dessa? (risos)
    LEMBRO!…
    Um serra derrotado é um serra apático, inseguro e anseioso e aplacados para o 2014, o Brasil nesse moneto respira aliviado, estamos seguros na nova classe media e com os nosso 18.5 milhões de novos empregos abertos, preservados até 2018.Ufa!!!

    Em nota: Eu jamais votaria no Russomanno se eu fosse paulista, só que o Serra é um perigo para o desenvolvimento do Brasil. vide aqueles anos de 1995 a 2002.

  • Ailton

    O Serra eleito, ficaria apenas 18 meses, ele se descompatibilizaria em Abril de 22014, os paulistanos sabem muito bem disso, o povo paulista e paulistano aestão cansados de eleger o Serra prefeito ou governador e com um ano e meio, ver sua capital ou seu estado com um prefeito ou um governador biônico posto em seu lugar. Sempre foi assim!

    Serra nunca terminou um mandato, sempre abandou todos pela metade, abandonou até o ministério da Saude, para dar palpites no govero do FHC e nas privatizações das nossas melhors estatais e o resultado foi a dengue entrar violentamente em nosso país, até o cólera resolveu dar as caras por aqui.