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O príncipe William em treinamento como piloto: presença nas ilhas ambicionadas pela Argentina é política (Foto: princeofwales.gov.uk)

É claro que a atual presença nas ilhas Malvinas/Falklandas do príncipe William, filho da princesa Diana e futuro rei da Inglaterra, tem um significado muito maior do que o alegado pelo governo britânico — o de que o príncipe, que é tenente da Real Força Aérea (RAF), precisa aprimorar seu treinamento como piloto de helicópteros de resgate e seguir com sua carreira, visando a patente de capitão-aviador.

Afinal, William ainda estará nas ilhas — cuja soberania a Argentina disputa — na próxima segunda-feira, 2 de abril, quando se completam 30 anos do início da guerra iniciada com a invasão das Malvinas/Falklands por tropas argentinas, durante a ditadura militar do general Leopoldo Galtieri.

A guerra terminou rapidamente, a 14 de junho do mesmo ano, com a rendição incondicional da Argentina diante da poderosa força-tarefa aeronaval que a primeira-ministra Margaret Thatcher enviou para combate, mesmo a 13 mil quilômetros de distância, num esforço logístico colossal.

O significado de sua presença no arquipélago, portanto, é claramente político, consoante com a reiterada disposição britânica de manter sob sua soberania as ilhas tanto tempo quanto assim o desejem seus habitantes, os kelpers, ali instalados há gerações e que não querem nem ouvir falar dos argentinos.

De todo modo, já é tradição longa na família real britânica a presença de seus integrantes em zonas de guerra ou guerras propriamente ditas.

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Ainda príncipe, o rei George VI serviu durante a I Guerra Mundial, na Marinha e na Força Aérea

Exemplos históricos deste século começam com o futuro rei George VI. Durante a I Guerra Mundial (1914-1918), o então príncipe serviu ativamente na Royal Navy, a Marinha britânica, pela qual participou da feroz batalha naval de Jutlândia, nos dias 31 de maio e 1º de junho de 1916, entre uma frota britânica e a Marinha da Alemanha imperial — com 25 vasos de guerra afundados e quase 9 mil marinheiros mortos. Até hoje se discute quem levou a melhor.

Não se esperava, então, que George VI herdasse o trono do pai, George V, neto da rainha Victoria. O herdeiro era seu irmão mais velho, o futuro rei Edward VIII, então príncipe de Gales — que, por essa razão, foi proibido pelo governo de participar de combates, embora haja visitado áreas de conflito e feito seu primeiro voo como piloto militar ainda durante a guerra.

Como se sabe, ele reinaria por menos de um ano, em 1936, abdicando do trono para se casar com a socialite americana divorciada Wallis Simpson, após o que recebeu o título de Duque de Windsor.

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O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, como tenente da Royal Navy logo após a II Guerra Mundial (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Certamente o integrante da família real britânica mais ativo como militar no século XX foi o príncipe Philip, duque de Edinburgo, marido da rainha Elizabeth II — e avô de William. Quando o velho príncipe, aos 91 anos, aparece atualmente luzindo seu uniforme honorífico de lorde almirante, não é por acaso: ele começou na II Guerra Mundial (1939-1945) como oficial-cadete da Royal Navy no Oceano Índico, onde serviu em três navios diferentes, e permaneceu em serviço ativo durante todo o conflito.

Philip combateria em mais meia dúzia de outros vasos de guerra, estando presente na Batalha de Creta, no Mediterrâneo, em maio de 1941, quando a Alemanha nazista tentou um desembarque maciço de paraquedistas na ilha grega que os britânicos detinham, e, mais tarde, participou da invasão da Sicília pelos Aliados, entre julho e agosto de 1943.

Detalhe: ele iniciara um namorico com a futura rainha em 1939, pouco antes de a guerra estourar.

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Philip, hoje, com o posto honorífico de lorde almirante (Foto: sunlituplands.org)

O segundo dos quatro filhos de Philipe e da rainha, príncipe Andrew, deu sua colaboração para a história guerreira da família pilotando um helicóptero de ataque durante a Guerra das Malvinas.

Mais recentemente, seu sobrinho Harry, irmão mais novo do príncipe William, integrou durante vários meses o contingente britânico que combate no Afeganistão.

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20 Comentários

Abreu e Lima em 23 de novembro de 2014

. Alguém tem de contar pro Gabriel que apenas um porta-aviões inglês põe fim não com a Argentina (coitados...), mas com toda a América do Sul... .

Juca em 21 de novembro de 2014

Esse tal de Gabriel - 15/09/2012 às 3:21 parece que sofre da síndrome de Luciana Genro, que para parecer inteligente, manda o interlocutor, de forma grosseira, estudar.Aliás,nos fóruns de internet ou até mesmo facebook o que tem de pseudoestudioso-conselheiro- arrogante não está em nenhum gibi.

Gabriel em 15 de setembro de 2012

"Poderosa força-tarefa aeronaval"?? Leia sobre o assunto e verá que ninguém acreditava na vitória inglesa, que aconteceu principalmente porque os argentinos temiam um ataque dos chilenos, e por isso não transferiram seus aviões para as ilhas. Se a força aérea argentina tivesse participado mais, provavelmente os ingleses perderiam. E não, não sou argentino. "Leia sobre o assunto"? Meu amigo, eu era editor de Internacional de VEJA durante a guerra e escrevi todas as capas da revista a respeito, na época.

Robert em 07 de abril de 2012

PS: O então oposicionista Tony Blair, que era contra a guerra, foi massacrado nas eleições, a única que perdeu na sua carreira politica. Anos mais tarde, como PM Tony Blair tentou repetir o exito da campanha militar nas Falklands que muitos frutos politicos renderam no país e internacionalmente. Contudo, só obteve fracassos. A explicação dada no documentário: a população das Falklands apoiava fortemente as forças inglesas contra o invasor argetino. Em todas as guerras que Tony Blair meteu a Inglaterra, não havia apoio da população local. Mais um indicio que os 3000 moradores das "Malvinas" não querem nada com a Argentina.

Robert em 07 de abril de 2012

Existe um documentário, que foi exibido pela BBC, "The Falklands Legacy with Max Hastings", que considero importante na compreensão do momento politico no qual o conflito transcorreu. Os militares argentinos precisavam dessa guerra assim como os militares ingleses (e a Primeira Ministra). A marinha inglesa estava com o moral baixo e tinha acabado de perder um porta-aviões magnifico, vendido para a Austrália para fazer caixa e medida de economia. O desmonte da marinha inglesa era tal que as tropas de combate tiveram que ser (bizarramente) transportadas em luxuosos transatlânticos de empresas privadas que promovem cruzeiros turisticos. Já Margaret Thatcher e o partido estavam em péssima situação politica. Foi uma guerra conveniente para os governos de ambos paises.

Lucas Rafael em 05 de abril de 2012

"cuja soberania a Argentina disputa"- com vênia máxima ao exelente texto escrito por Ricardo Setti,não há disputa alguma; os Ingleses levaram essa goste-se ou não. Você tem razão. O correto seria "cuja soberania a Argentina deseja" ou "pretende". Vou acertar. Obrigado pela atenção. Abração

Mickey em 05 de abril de 2012

Paul, os políticos e magistrados brasileiros são um fardo para o Brasil. Isso faz a monarquia inglesa deixar de ser um fardo?

Fernando Costa em 01 de abril de 2012

Caro Ricardo, na verdade o rei George V era neto da rainha Victoria. Você tem razão. Ele era filho de Edward VII. Vou corrigir. Obrigado or sua atenção. Abração

Paul em 01 de abril de 2012

Fala-se da monarquia inglesa com fardo para o povo. Deveriam seguir o exemplo brasileiro, com um fardão inútil como a estrutura política, e corrupata do Brasil. Põe fardo nisso .... veja nos jornais todo o dia.

Paul em 01 de abril de 2012

Com base na opinião Argentina, o Brasil deveria reivindicar a posse do Uruguai, já que foi uma provincia na época do Império. A opinião dos uruguaios não interessa ...

Mari Labbate *44 Milhões* em 31 de março de 2012

Querido George: Mais forte que todos os movimentos humanos são os movimentos de proximidade territorial. Cuba está ligada, energeticamente, aos Estados Unidos e acredito que será mais um de seus estados. PROVA: A Prisão de Guantânamo, em plena ilha cubana! Não se esqueça que todo o Universo é movido por pura-energia. Lembra-se do teste dos cabelos? Wilson e Patrícia M: os índios americanos continuam, no território, após a maravilhosa evolução-crística. Um dia, todos nós também fomos indiozinhos. Os descendentes europeus, que continuam sendo europeus, conquistaram a terra, pois trabalharam excessivamente e já eram muito mais evoluídos que os índios encontrados. Por isso dominaram-nos. Energias não podem ser generalizadas. Você usa cocar? Significa que é mais evoluída, espiritualmente, do que eles. Todas as terras são benditas, na Terra. A Monarquia Britânica não sabe mais, como manter-se no Planeta. Para abafar escândalos, nada melhor do que NOVOS ESCÂNDALOS e fabulosos casamentos produzidos com dinheiro dos contribuintes... E ainda vamos defendê-los? Falando em China: terá que emancipar o Tibet, que representa um Centro-Energético de louvor a Jesus Cristo. A relação dos tibetanos com a China será a mesma que a dos italianos com o Vaticano. São Paulo, São Pedro do Rio Grande do Sul, São Sebastião do Rio de Janeiro e a Argentina são outros Pontos-Energéticos-de-Louvor ao Arcanjo-Maior e estão ligados, energeticamente, a Roma. PROVA: Presença do Cristo Redentor. Acreditem ou não: os ingleses mexeram em um terrível vespeiro e sairão desse conflituoso embate-espiritual, totalmente, picados. E muito febris!

Mickey em 30 de março de 2012

Por favor! Isso é propaganda pura. Eles só vão para as Forças Armadas por absoluta falta de opção. Ou ficam lá fingindo alguma utilidade ou ficam fazendo fazendo nada e conquistando antipatia popular. E só são aceitos porque as Forças Armadas também não têm opção. A família real não passa de um fardo. Lembra quando o príncipe Harry estava no Afeganistão? Você acha que ele fez alguma diferença positiva ou foi um transtorno para os militares?

L u i z em 30 de março de 2012

Se a moda pega!!!! Tempos atrás o Presidente da Bolívia, Sr. Evo Morales,a exemplo da Argentina, também andou insinuando que o Acre é território boliviano e que o Brasil havia adquirido as terras de maneira irregular. Não deu em nada, mas....

patricia m. em 30 de março de 2012

Segundo a Mari os descendentes de europeus no Brasil deveriam devolver o territorio aos indios, ja que sempre foi deles, qua qua qua. Alias, a dona Cristina Kirchner deveria tb devolver a porcaria da Argentina aos habitantes originais. Va ser coerente la na China...

Tico Tico em 29 de março de 2012

Segundo Juca Chaves Jaguar antigo dá mais despesa e incômodo que amante argentina. como sou aficcionado por carros, logo...

wilson em 29 de março de 2012

Partindo desta teoria esdruxula a Dinamarca tem que dar a Groelandia ao Canadá. Madame Labatte estou contatando os Incas Venusianos para um Insight volto logo.

George em 29 de março de 2012

Cara Mari Labbate *44 Milhões deveria ler melhor um pouco de história as Falklands sempre foram inglesas nos anos de 1700 (antes da argentina existir como país) já se tinha estabelecimento ingles e Frances na ilha e not tratado de Paris de 1775 foi reconhecido a soberania do Ingleses, Alias o nome Malvinas é derivado de Maloinas porque os francese que lá estiveram era de Saint Malo.

Mari Labbate *44 Milhões* em 29 de março de 2012

Como o Arquipélago das Malvinas foi surrupiado pela Inglaterra, no Século XIX, DEVERÃO DEVOLVÊ-LO! POR BEM, OU POR MAL! Ninguém está atentando ao fato de que o Planeta Terra está mudando de configuração, nesse Terceiro Milênio. A ex-primeira-ministra Margaret Thatcher está atualmente recebendo os efeitos de seus inaceitáveis atos. Essa prepotência custará muito caro a essa egoísta-nação! A Monarquia Inglesa será muito atingida por todo desequilíbrio gerado. Arrepender-se-á, amargamente, por ter mexido nesse antigo-vespeiro, após ter gerado tanto desamor.

SergioD em 29 de março de 2012

Ricardo, acho que já que estamos falando da face guerreira dos membros da família real britânica, valeria citar Lorde Louis Mountbatten, tio do príncipe Philip, que teve atuação destacada na Segunda Guerra Mundial, além de ter sido o último Vice-Rei da Índia. Cara mais chato que sou, né? Cá estou eu a querer pautar você de novo. Abraços Sim, o grande Lord Mountbatten, explodido pelos terroristas do IRA. Lembrei dele, sim, mas preferi me ater às figuras diretamente ligadas à Rainha, embora Lord Mountbatten haja sido muito próximo até do orelhudo Charles, de quem era conselheiro. (Será que adiantou?) Hahahaha. Obrigado, de todo modo, caro SergioD. Abração

SergioD em 29 de março de 2012

Ricardo, a Alemanha não só tentou ocupar Creta com um desembarque maciço de paraquedistas. Ela conseguiu seu intento apesar da perda catastrófica de aeronaves de transporte Junkers JU 52. Depois desse evento a Alemanha nunca mais tentou qualquer outro ataque com paraquedistas. Quanto a Batalha das Jutlands, embora as maiores em navios e homens perdas tenham sido as da marinha Britânica, o fato de a marinha alemã ter recuado e passado o resto da guerra em suas bases demonstra claramente que a Inglaterra foi a vencedora. A partir daí o bloqueio naval imposto aos portos alemães tornou-se ainda mais intenso, sendo, juntamente com a entrada dos EUA ma guerra no ano seguinte, um dos fatores que levaram a Alemanha ao armistício. Abraços

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