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François Hollande, vencedor das primárias do Partido Socialista, disputará a Presidência da França com Nicolas Sarkozy em abril próximo (Foto: Charles Platiau – Reuters)

A enorme participação popular no segundo turno das eleições primárias do Partido Socialista francês, estimada em 3 milhões de eleitores, neste domingo, 16, deveria servir de lição para nossos partidos, que falam no assunto de boca cheia e, na hora H, fogem da escolha democrática de seus candidatos como vampiros do sol do Saara.

Como se sabe, o ex-secretário-geral do PS durante 11 anos (1997-2008), François Hollande, saiu vencedor por larga margem — 56,4% dos votos, contra 43,6% de Martine Aubry, secretária-geral e candidata preferida de vários “barões” do partido –, depois de ter ficado na frente também no primeiro turno, dia 9 passado, diante de meia dúzia de candidatos. A ele caberá a tarefa de enfrentar, nas eleições presidenciais de 22 de abril de 2012, o presidente Nicolas Sarkozy, que tentará manter-se no Palácio do Eliseu.

Esse papel quase certamente caberia ao ex-diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, mas seu envolvimento no caso de suposta agressão sexual a uma camareira de hotel em Nova York e o período que passou detido nos Estados Unidos tiraram-no do páreo.

Numa manifestação de unidade, Aubry, que admitiu a vitória do rival antes do término a apuração, já anunciou seu apoio a Hollande e seu engajamento na campanha eleitoral. O mesmo fizeram os demais candidatos, inclusive Segolène Royal, a candidata socialista derrotada por Sarkozy em 2007 e que, por coincidência, é ex-companheira e mãe dos quatro filhos de Hollande, com quem até então vinha mantendo relações pessoais frias e distantes.

A disputa fortalece

A grande maioria dos observadores, na TV e nos jornais franceses, dá conta de que há muitos anos não se via tanto entusiasmo nas fileiras do Partido Socialista como nestas primárias, as primeiras que o partido realiza. A maioria coincide que os socialistas sairão fortalecidos do processo.

É a mesma velha história em todo lugar em que há disputa aberta pela escolha do candidato: a disputa divide enquanto é travada mas, uma vez encerrada, enriquece o partido. Nem é preciso lembrar dos Estados Unidos, onde não raro o candidato vencedor das primárias leva não apenas o apoio dos rivais, como acaba incluindo-o no governo.

George Bush pai perdeu as primárias para Ronald Reagan em 1976, e se tornou seu vice, por oito anos. No final dos dois mandatos de Reagan, seria o candidato republicano à Casa Branca. O exemplo mais recente é o do presidente Barack Obama, que derrotou Hillary Clinton nas primárias democratas em 2008 mas a teve a seu lado durante a campanha, até que, uma vez eleito, designou-a para o posto-chave de secretária de Estado.

Em outros países, disputas internas sempre fortaleceram partidos como o Conservador e o Trabalhista britânicos, o Social-Democrata e o Democrata Cristão alemães — e por aí vai.

No Brasil, a opção pelo conchavo

Aqui no Brasil, prefere-se sempre o conchavo. Fala-se em primárias desde a Constituinte de 1988, mas… Agora mesmo, para a escolha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, o próprio idealizador do processo de ampla consulta dentro do partido — Lula — está querendo apontar, com o dedo, o candidato, no caso o ministro da Educação, Fernando Haddad.

O PSDB também vem no mesmo lero-lero há anos. Quando parte para a escolha, ela é o resultado da conversa de meia dúzia de chefes. Os militantes e simpatizantes — que, no caso do PS francês, também puderam votar — ficam chupando o dedo.

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José Figueredo em 17 de outubro de 2011

Aqui ainda funciona a Política dos velhos coronéis.Quem tiver o trabuco maior dá o DEDAÇO.Depois é aquela correria para salvar os pescoços dos afilhados.Como cabritos e cabritas,somos arrastados ladeira abaixo,sem moral,sem vergonha,sem remorsos.Crescemos mas não evoluímos?ou evoluímos e não crescemos?com a resposta os herdeiros dos CORONÉIS.

Atento em 17 de outubro de 2011

Os partidos e os políticos cada vez mais se distanciam dos interesses do eleitor. Para a parcela esclarecida da população, o discurso apelativo e repetitivo das promessas vãs e indginação em época de eleição não convencem mais ninguém. Acho que as próximas eleições vão mostrar um resultado interessante, atípico, isso se ainda pudermos confiar nos resultados que emergirão das urnas "caixas pretas" eletrônicas...

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