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Já que podem rodar nas faixas de ônibus, os carros elétricos atravancam o trânsito e prejudicam a eficiência do transporte público na Noruega (Foto: Pierre-Henry Deshayes/AFP)

Por Tamara Fisch

A questão pode parecer irônica, já que ocorre em um país cuja produção de petróleo é uma das maiores do mundo, mas é um fato: há tantos carros elétricos na Noruega que começa a existir um problema.

Para incentivar a compra de veículos não poluentes, a Noruega instituiu vários benefícios – entre eles, a isenção da maior parte dos impostos sobre a compra do carro, taxas baratas de licenciamento, zonas de estacionamento exclusivas e gratuitas, e permissão para trafegar em faixas reservadas para ônibus. Já estão espalhadas pelas cidades norueguesas milhares de estações onde se podem carregar os veículos sem custo algum.

O objetivo por trás da implantação dos benefícios era reduzir a liberação de gases estufa, já que o trânsito é responsável por 10% das emissões do país.

O governo, no entanto, aparentemente não contava que suas medidas pró-elétricos causasse a explosão nas vendas de que causou. E não se preparou para uma situação como a atual.

Os carros elétricos já são 85% dos veículos que trafegam em faixas de ônibus nos horários de pico, o que gera trânsito e torna o transporte público menos eficiente. Além disso, as isenções de impostos já custaram ao país 500 milhões de euros (quase 1,5 bilhão de reais).

Não é para menos. Este ano, os carros elétricos foram responsáveis por 13% das vendas de veículos no país. Hoje, rodam pelas estradas norueguesas mais de 30 mil exemplares dos veículos amigáveis ao meio ambiente, o que é um número surpreendente em um país de pouco mais de 5 milhões de habitantes. A Noruega já tem mais carros elétricos per capita do que qualquer outra nação.

O governo norueguês se comprometeu a manter os incentivos até 2017 ou até que haja 50 mil veículos elétricos nas ruas. No ritmo de crescimento das vendas, é possível que esse número seja atingido no início de 2015, e então as medidas terão de ser repensadas. Erna Solberg, primeira-ministra da Noruega, admitiu que existe a possibilidade de as vantagens serem reduzidas no futuro, mas garantiu que elas continuarão presentes.

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8 Comentários

sabiá cantando na madrugada em 09 de setembro de 2014

Ô inveja...

wilson em 08 de setembro de 2014

Não dá ideia para o prefeito de Sp o único prefeito estagiário da terra.

Payxão em 08 de setembro de 2014

Ricardo escrevi que não funcionaria no Brasil, pensando bem, resolveria sim, sem energia para carregar os carros....

Vandergleyson em 08 de setembro de 2014

A Noruega deve abastecer seus carros com a eletricidade deslumbrante de suas cidadãs.

Luiz C. em 08 de setembro de 2014

Este "atravancar" o trânsito na Noruega, não é nem de longe, os engarrafamentos colossais verificados em terras tupiniquins. Em alguns horários, pode-se tirar um breve cochilo no meio da rua...

Bruno Sampaio em 08 de setembro de 2014

Cada país tem o problema que merece... No Japâo os carros tiveram que receber dispositivos que disparam um sinal sonoro ao se deparar com um pedestre atravessando diante dos carros. Como mesmo os veículos com motor à explosão são extremamente silenciosos, estava ocorrendo um bom número de atropelamentos de idosos e descuidados em geral. Como eu disse, cada país tem o problema que merece!

Alexandre Sampaio Cardozo de Almeida em 08 de setembro de 2014

São Paulo, 8 de setembro de 2.014 Prezado Setti, A neurose dos ecochatos só poderia dar nisso! Uma sugestão ao governo norueguês: Substituir os carros elétricos por riquixás ou carroças! Esses meios de transporte não geram poluentes e são politicamente corretos.

Payxão em 07 de setembro de 2014

Ricardo no Brasil não vai funcionar, com a crise elétrica....

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