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Vândalos mascarados avançam sobre catraca do metrô de São Paulo: projeto do governo prevê que eles serão reprimidos, exceto se se identificarem perante um policial DURANTE as manifestações (Foto: Paulo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo)

O Brasil, definitivamente, é o país da piada pronta, como diz o Zé Simão.

Vocês viram a bravura e a coragem do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que quer proibir o uso de máscaras em protestos públicos?

Sou totalmente favorável a isso — e até mais, pois já sugeri, por escrito, que a política prenda mascarados em protestos, uma vez que quem sem revelar a identidade a essas manifestações que vêm desatando a violência em quase 100% dos casos não pode estar e não está bem intencionado. Então fica claro pelo menos o indício da intenção de delinquir, o que já é suficiente para que a política prenda.

O problema é a ressalva feita pelo projeto de lei a ser remetido pelo governo ao Congresso, “em regime de urgência”.

LEIAM VOCÊS MESMOS, COM SEUS PRÓPRIOS OLHOS, REPORTAGEM DO SITE DE VEJA. Volto em seguida:

“Quem quiser pintar o rosto pode pintar, mas será vedado o uso de máscara ou camisa cobrindo o rosto, sem que as pessoas se identifiquem, para evitar o vandalismo”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “A lei proíbe o anonimato. As pessoas têm de arcar com as consequências do que fazem. Ninguém pode se infiltrar em manifestações para depredar o patrimônio, agredir, matar e não ser punido.”

Pelo projeto de lei, os manifestantes mascarados que se recusarem a apresentar a identificação serão encaminhados à polícia. “Se a pessoa se negar a sair do anonimato, estará cometendo crime de desobediência. E casos de reincidência configuram sanção penal mais elevada”, afirmou Cardozo.

AGORA, VOLTO A COMENTAR:

Em que país o ministro acha que vive?

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Parece piada o projeto engendrado pelo cérebro do ministro Cardozo: ele não vê qualquer problema em um policial pedir identificação a um manifestante mascarado — mesmo em meio a um protesto de milhares de pessoas (Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil)

Vamos imaginar a cena propiciada pela fala de Cardozo.

Há uma manifestação contra o governo, a política salarial, o custo de vida, o que seja. Cinco mil pessoas nas ruas. No meio delas, 300 mascarados.

Do outro lado do local público, a tropa de choque da Polícia Militar, pronta a intervir.

Avistando os mascarados, os policiais militares deixam de lado seus escudos, seus coletes à prova de bala, outras proteções e também seus instrumentos de dissuasão, como bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, e caminham em direção à multidão, pedindo licença para passar até começarem a chegar aos black blocs.

Aí, vão de um a um, perguntando:

– Por gentileza, o senhor, que está mascarado, poderia me mostrar sua identidade?

Isso para 300 baderneiros!

O ministro, se não estiver fora de si, ou está brincando ou acha que vive num cantão suíço.

Como é possível colocar essa ressalva — de os mascarados precisarem se identificar ante a autoridade policial — quando se trata de manifestações de massa?

Uma sugestão: pesquisa de campo. O ministro deveria receber um treinamento básico, fardar-se de PM e ir, pessoalmente, executar a manobra que seu cérebro imaginou durante uma manifestação de massa, hostil e ululante.

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