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Lula com Dilma: a explicação para as ruas está na obra do lulopetismo. Já sobre os alvos do protesto, o ex-presidento não disse nada (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Um dos maiores jornalistas de todos os tempos, o americano Theodore White (1915-1986), autor, entre muitos livros, da inigualável série Como se Faz um Presidente, costumava dizer que o objetivo do jornalismo não deve ser cobrir e comentar o que aconteceu hoje, ontem ou na semana passada, mas tentar abordar o que está acontecendo.

É por essas e outras que no blog não me limito a comentar assuntos do dia — razão pela qual me julgo no dever de abordar algo que não fiz: tratar da inacreditável entrevista de Lula divulgada ontem na qual o ex-presidentoacaba, como se fosse a coisa mais natural do mundo, atribuindo a uma realização dele e do lulopetismo a criação das condições para que milhões de brasileiros estejam indo às ruas protestar.

“Nuncaantezneztepaiz” a megalomania do próprio criador do “nuncaantezneztepaiz” chegara a tal ponto.

Lula já se considera, como se sabe, o Maior Líder Popular da História Deztepaiz, o Inventor do Brasil, o Governante Antes do Qual Nada se Fez, o Operário Que Não Vê um Torno Há Quase Meio Século mas que “Chegou Lá”, o “Cara” que Causa Inveja ao Obama, o Líder que Iria Resolver a Questão da Nuclearização do Irã, o Líder Mundial que Dá Conselhos à Europa, o Político Que Elege Quem Quiser.

A lista de proezas auto-atribuídas, sabemos, é interminável.

Agora, em meio à efervescência social que é “contra tudo isso que aí está”, o que inclui o governo lulopetista e o próprio lulopetismo — vejam o desabamento da popularidade da presidente Dilma, vejam o sumiço acovardado da presidente na final da Copa das Confederações –, Lula dá uma entrevista bem longe, longíssimo do Brasil, em Adis Abeba, capital da Etiópia, a precisos 9.954 quilômetros de São Bernardo do Campo (SP), onde vive, e diz ao serviço de informações em tempo real do jornal Valor que a raiz dos protestos está na “evolução social” da nova classe média em dez anos de gestão do PT, que, segundo ele, entre outras consequências, fizeram aumentar o número de alunos em universidades.

Nada, nem uma palavra sobre o ALVO dos protestos, sobre as reclamações contra os péssimos serviço de educação e saúde — que o lulopetismo gere, afinal de contas, há UMA DÉCADA –, contra a corrupção (mensalão e mensaleiros), contra a velha política (o lulopetismo é aliado a  Sarney, Collor, Maluf, Renan Calheiros, Jader Barbalho…), contra as falsas promessas (o Brasil-maravilha que eliminou os miseráveis por decreto) etc etc.

Deve ser por isso que, depois de silenciar durante longas três semanas de protestos, o ex-presidento se mandou primeiro para o remoto Malawi, na África (o tema era a Aids), depois, ainda na África, para a Etiópia (o assunto era fome) — , e em seguida embarcou para a Alemanha, para uma palestra patrocinada pelo Banco Santander.

E muito bem remunerada, claro, porque, afinal, ele não é de ferro.

Esta foi a 37ª viagem de Lula ao exterior como ex-presidento.

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