PROTESTOS: De forma discreta, gente do governo comemora. Mas — santo Deus! — comemorar o quê?

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Cena da manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo: havia até cartazes pedindo o juiz Sérgio Moro para o Supremo Tribunal Federal (Foto: Renato Matsukawa/VEJA.com)

O governo não abriu a boca para dizer nada sobre os protestos, exceto declarações moderadas, aqui e ali, sobre serem “parte da democracia”.

Nos bastidores, porém, há quem do lado de dentro comemore o fato de as manifestações de protestos contra o governo Dilma terem supostamente movimentado menos pessoas, a começar por São Paulo — mais de 1 milhão de manifestantes no dia 15 de março, segundo os cuidadosos cálculos da Polícia Militar feitos com tecnologia que utiliza helicópteros, e “apenas” 275 mil hoje, dia 12.

Nas redes sociais, manipuladas pelo Planalto, o que inclui os blogueiros alugados, houve mais mensagens favoráveis do que contrárias à presidente.

E daí?

Na verdade, pergunto: santo Deus! Comemorar o quê?

A pesquisa de opinião do Instituto Datafolha divulgada hoje mostra que a aprovação ao governo da presidente Dilma — como escreveu a Folha de S. Paulo — “estacionou”. Sim, “estacionou” em miseráveis 16%, ainda no patamar dos mais baixos da história, porque… NÃO PODIA CAIR MAIS. É quase impossível!

Ou seja, a avaliação do governo continua uma catástrofe — 60% de “ruim” ou “péssimo”.

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Em Belo Horizonte, cartazes feitos à mão batiam diretamente em Lula como “chefe do petrolão” (Foto: Reynaldo Rocha)

Nos protestos de hoje, no conjunto, não se sabe se havia mais ou menos gente. Pode até ter havido menos, mas ocorreram manifestações em quase QUINHENTAS cidades!

A economia está estagnada, e vai piorar, com a política de austeridade levada a efeito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para evitar que as contas públicas — irresponsavelmente administradas pela “gerentona” no mandato anterior, especialmente no ano eleitoral de 2014 — venham a explodir de vez.

A inflação, por mais que os juros subam, continua afetando os brasileiros. Há sinais assustadores que, ao longo do ano, poderá bater nos dois dígitos.

A presidente deixou de mandar no governo. Está emparedada. Virou uma rainha da Inglaterra, cercada por políticos matreiros do PMDB: o coordenador político é o vice-presidente Michel Temer, e quem manda e desmanda na pauta do Congresso e em algo mais são os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ) — inimigo jurado e declarado do PT –, e do Senado, Renan Calheiros (AL).

O escândalo do petrolão continua sendo investigado a fundo, e a cada dia surgem mais evidências de que gente graúda do PT poderá caminhar para atrás das grades.

Finalmente, todas as pesquisas de opinião, divulgadas ou não — bem como as ruas — mostram uma rejeição brutal, formidável, colossal, contra o PT, antes o partido que tinha a preferência da maior fatia da opinião pública.

Sendo assim, pergunto: o que essa gente tem para comemorar?

 

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