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Reuniões gigantescas, como a que Dilma tem hoje e como são as reuniões ministeriais (foto), não são produtivas e não dão em nada de concreto (Foto: Agência Brasil)

A macro-reunião de hoje da presidente Dilma Rousseff com 27 governadores e 26 prefeitos de capitais é só para efeito demonstração.

Nada do que será discutido sobre reformas para melhorar a saúde e a educação públicas, por exemplo, terá qualquer efeito de curto prazo.

Para construir hospitais e outras instalações de atendimento é preciso não somente importar médicos do estrangeiro, nem haver apenas dinheiro, mas terrenos, eventuais desapropriações, projetos, concorrências públicas. É coisa para ANOS.

Para destinar os recursos do petróleo da camada do pré-sal para a educação é preciso resolver uma enorme lista de questões: quanto existe de petróleo efetivamente; quanto poderá ser explorado e em que ritmo; quem vai ficar com o quê antes de os recursos irem para o Tesouro; como o dinheiro será investido, e por quem, e em que projetos; sem contar com as oscilações do preço do petróleo no mercado internacional, que impactarão os futuros investimentos.

Mais uma vez, declaração de intenções

Uma vez mais, teremos uma grande reunião, como as reuniões ministeriais que não dão em nada, para que se façam declaração de intenções. Reunião de “vai” e de “vamos”: o governo “vai” fazer isso e aquilo, “nós” “vamos” investir nisso e naquilo, “nós” “vamos” conseguir tais e tais resultados etc etc.

Reunião de promessas, algo que as pessoas deixaram claro que não aguentam mais.

Como dizia o doutor Ulysses Guimarães, não se faz reunião grande sem estar, antes, tudo acertado.

E não se trata de malandragem antidemocrática, não.

Encontros de chefes de Estado, por exemplo, se realizam exatamente assim: técnicos e diplomatas, com instruções de seus governos, passam meses preparando os encontros, discutindo os problemas, em consulta com seus superiores, e aparando arestas. A grande reunião dos poderosos é para resolver alguns detalhes e dar publicidade às decisões.

A reunião convocada por Dilma para tentar arrefecer os movimentos de protesto nas ruas não dispôs de qualquer tempo de preparação, por mínimo que fosse, para que possa resultar em algo de realmente prático e objetivo.

Um grande impacto teriam, sim, duas posturas de que a presidente tem cogitado nos últimos dias, preocupadíssima com o fato de que, inevitavelmente, os protestos cada vez mais tendem a cair no colo do lulopetismo há dez anos no poder:

1) declarar o apoio à CPI da Copa do Mundo (que certamente incluiria a Copa das Confederações), pela qual vem lutando o deputado Romário (PSB-RJ), que exporia os espantosos gastos que, no caso da disputa de 2014, multiplicaram vergonhosamente os custos das Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010;

2) entregar a cabeça de seu aliado Renan Calheiros, do PMDB, o contestadíssimo ficha-suja que preside o Senado, contra o qual já se fez um manifesto com 1,5 milhão de assinaturas e cujo nome está na boca e nos cartazes dos manifestantes.

Para isso, porém, há que ter coragem de estadista.

Dilma terá?

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