PT comemorar que agora Dilma “manda” no Banco Central é demagogia e bobagem — além de ser prejudicial ao país

dilma-manda-banco-centralAmigos, deputados e senadores do PT, diante da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de baixar em 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros, estão comemorando o fato de a presidente Dilma ter “assumido” o BC.

O Banco Central, como se sabe, não goza de autonomia institucional, com base em lei, mas atua com a chamada autonomia operacional desde o governo FHC (1995-2003), passando por todo o lulalato (2003-2011). Isso significa que suas decisões sobre formas de combater a inflação — o que inclui, naturalmente, as taxas de juros — são tomadas por técnicos com base em fundamentos técnicos, sem interferência política, podendo até contrariar os objetivos e propósitos de momento dos governos, como ocorreu várias vezes, tendo em vista o objetivos maiores de sustentar o poder de compra da moeda e manter o equilíbrio da economia.

Comemorar que Dilma teria “assumido” o BC seria admitir abertamente que a presidente, de forma indevida do ponto de vista dos interesses do país, pressionou o Copom e este tomou a decisão levando em conta esse fator político. É demagogia e é bobagem — além do que a presidente nega haver exercido pressão.

Dilma nega, mas economistas independentes e políticos da oposição consideram que a decisão do
Copom foi precipitada, diante das dificuldades para debelar a inflação, e que denotam uma preocupante perda da autonomia operacional que o BC vem exercitando há mais de uma década.

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  • Reynaldo-BH

    Setti, como sempre você foi NA VEIA! Golaço!
    Como disse no post das bananas, parece ter caído a última barreira.
    Se havia em quem confiar no BR, mesmo nos anos Lula, era no BC com Meireles à frente.
    Tombini tombou, em que pese a infame fonética.
    E o PT descaradamente faz festa com o anúncio do desastre, se verdadeiro.
    Creio já ter lido dezenas de análises sobre esta queda não esperada das taxas de juros. A imensa maioria com um justificado receio que até o BC passe a fazer parte da irresponsabilidade que aumenta índices de aprovação popular do lulalato e da continuidade do poste atual!
    Quem brinca com fogo costuma sair queimado!
    O imediatismo irresponsável que legou a verdadeira herança maldita que Dilma tem que carregar, oriunda de Lula, só foi possível graças a Henrique Meireles e a uma política monetária independente, mesmo que não oficialmente assim colocada.
    Agora a pressa em retomar as benesses eleitoreiras e/ou de poder, fazem com que retirem a pela da ovelha ao invés de podá-las.
    De nada adianta o anúncio fake de economia (ou contingenciamento de 10 bi) feito por Dilma, com esta medida que parece ser contra a lógica e a opinião de quem entende.
    Dilma assumir o controle do BC significa o desastre final!
    O próximo passo seria a indicação do PMDB para alguma diretoria? Um apaniguado de Sarney ou Renan? Ou quem sabe, uma compensação ao PR, colocando um filhote de Waldemar da Costa Neto no COPOM?
    Que o PT e Dilma entendam que a estabilidade da economia e nossa moeda nos é o bem mais caro que temos! Sofremos com planos mirabolantes e cretinos! Com piruetas e malabarismos. O PT está, desta vez, cavando a sepultura com os dentes. O Brasil não aceitará que em nome desta sanha de poder, se destrua o que passamos décadas para conquistar.
    Se fou umplano do governo FHC, na verdade pouco importa. O que vale é a lembrança da inflação de (DADOS REAIS!!!) 13.342.346.717,70% (traduzindo TREZE TRILHÕES 342 BILHÕES POR CENTO!!!) nos 15 anos anteriores ao Real. Frente aos 196,87% dos quinzes anos posteriores!
    Presidente Dilma e PT: tirem as patas do BC!
    Nunca pensei estar em algum dia de minha vida defendendo instituições somente técnicas e financeiras.
    A defesa do que conquistamos me leva a isto. O que vivi – e graças aos formuladores do Plano real, minha filha sequer imagina o que era! – me obriga a defender o BC como se fosse até mesmo um poder autônomo, como o Judiciário ou Legislativo.
    O PT comemorando o domínio do BC me lembra a comemoração nas ruas do Iraque do atentado de 11 de setembro.
    Que os técnicos respeitados do BC saibam se proteger. É minha sincera esperança!

  • Reynaldo-BH

    Setti, por favor, corrigindo o número REAL da inflação do Brasil nos 15 anos pré-Real:
    13.342.346.717.617,70%
    (Número da FGV – Fonte Míriam Leitão – Saga Brasileira- Editora Record – 2011.)

  • patricia m.

    Setti, eu acredito em duendes. Eu acredito tambem que o Banco Central NAO foi influenciado pelo governo.

  • Sobral

    Eita trololó demagogo e choroso. Snifff..
    Bolsas tiveram alta assombrosa depois da queda dos juros de 0,5%.
    Chupa que é de uva.

  • LUIZ VALENTIM

    quem olhar pelo retrovisor acha a queda dos juros precipitada.
    Quem olhar o cenário econômico à frente sabe que a queda dos juros(já tão altos e moeda tão forte) sabe que veio em boa hora ,poi, alí a frente encontrarão os efeitos da queda dos juros(que não são imediatos) com os efeitos da crise mundial que se agudiza.
    Se o copom esperasse as coisas piorarem para iniciar a queda o efeito INERCIAL da medida(queda dos juros)aprofundaria os problemas econômicos brasileiros (valorização do REAL, CHUVA DE DÓLARES e queda brusca dos termos de troca.(baixa maior da capacidade de exportação).

  • Diocleciano

    Decisão corretíssima.
    Os rentistas que tirem seu dinheiro dos bancos e invistam na indústria ou outro setor que gere emprego.
    Mas…essa baixa da selic é insignificante. Os juros continuam exorbitantes.

  • Alberto Porém Júnior

    Dá até para entender o Efeito Manada e quanto ele vale para colocar este absurdo sobre ingerência do governo no BC.
    Estou fazendo uso de cáculos de um amigo, André LB.
    É por uma boa causa afinal o outro lado tem que mostrar suas cara.

    Por André LB:
    Já tentei diversas vezes calcular o efeito dos juros sobre o orçamento federal, ou seja, dos juros sobre a DPF (Dívida Pública Federal). Para se chegar a isso é necessária uma análise sobre a composição da dívida. Peços desculpas antecipadamente por eventuais erros.

    Os dados de julho/2011 (os mais recentes que pude encontrar) mostram o seguinte:

    1) 32,61% da DPF compõe-se de de títulos remunerados por Taxa Flutuante – no caso, a SELIC. Em valores, esses 32,61% representavam (julho/2011) R$565.580.000.000,00.

    2) Partindo dessa base para o cálculo do impacto da SELIC na DPF, uma taxa de 12,5% significa um gasto de R$70.697.500.000,00. Uma redução de 0,5% na SELIC, como a que ocorreu ontem, causa uma economia de R$2.827.900.000,00 – ou seja, uma queda de 0,5% da SELIC significa uma economia de quase 3 bilhões de reais ao ano, considerando-se o atual montante da DPF e a fração remunerada pela SELIC.

    Agora gostaria de fazer uma extrapolação interessante: o impacto da redução da SELIC no balanço dos bancos.

    1) Pela mesma fonte, descobre-se que as Instituições Financeiras detêm 29,9% dos títulos da DPF, o que representa um total de R$495.760.000.000,00.

    2) Aqui arrisco uma hipótese que, a meu ver, é até conservadora: digamos que a remuneração dos títulos em poder das IF siga as mesmas proporções do montante total da DPF, ou seja, que 32,61% dos títulos em poder das IF são remunerados pela SELIC. Se assim for, chegaremos a um total de R$161.667.336.000,00 (mais de R$161 BI) são remunerados pela SELIC.

    3) Qual o efeito, para as IF, de uma redução na SELIC? Primeiro parto da taxa anterior (de 12,5%), que em valores monetários significaria R$20.208.417.000,00. Com uma taxa de 12% chegamos a R$19.400.080.320,00 , ou seja:

    4) Se meus pressupostos estiverem corretos, com a redução da SELIC as IF DEIXAM DE GANHAR R$808.336.680,00 – um pouco mais de OITOCENTOS MILHÕES DE REAIS, em valores anualizados.

    Diria que isso explica muito do efeito manada a que estamos tão acostumados a assistir.

    FONTE: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/hp/relatorios_divida_publica.asp

    Voltei:Pois é, esta conta não vira capa, mas são em média R$ 808 milhões a menos na capanga dos bancos a cada 0,5% que cai a SELIC. e ai?

    Os bancos ganham sempre, de alguma maneira, e no mundo todo, não é mesmo, André?
    O que deixarão de ganhar com esse 0,5 ponto percentual vai sair de algum lugar, para compensar, não tenhamos dúvida.
    Mas o importante, para mim, é saber se a baixa na taxa básica é ou não adequada para o combate à inflação.
    Economistas sérios e não comprometidos com partidos políticos estão dizendo que não.
    Espero que eles estejam errados, mas…
    Abraços

  • Rossby

    Pois é Setti. Os contentes com o exercício de genuflexão do BC perante o governo federal estão se manifestando abiaxo, achando que a alta de hoje da Bolsa é permanente e que esse 0,5% é a panacéia que Dilma tirou do colete.
    Arrisco dizer (e é bem provável dado que será sexta-feira) que amanhã a Bolsa devolve toda a valorização de hoje e com juros, daí os tocadores de tuba oficiais hoje ficarão “pendurados na brocha” e reclamando do “malditos pôneis capitalistas”.
    A verdade que os idólatras incondicionais não entendem que esse fato de ontem é apenas o fim de um processo que vem desde o início do governo. Na troca do presidente do Banco Central, tirou-se o que era considerado a garantia contra aventuras por um técnico que não teria a mesma força perante o governo.
    Nos últimos meses, o que deveria ser o centro da meta de inflação anual pelo BC já foi abandonado, dado que na visão dos estrategistas “um pouco mais de inflação não faz mal a ninguém”… Com isso o índice acumulado anual gira perigosamente perto do valor superior da meta.
    E agora, como a cereja em cima deste bolo indigesto, praticamente Dilma um dia antes anunciou a queda dos juros, deixando que o pessoal do COPOM apenas “se pronunciassem” no dia seguinte.
    A situação flerta perigosamente com o descontrole…

    Não há como divergir de seu comentário Rossby. Infelizmente.
    Abraços e volte sempre.

  • Martha

    O neurônio solitário é incapaz de escolher seus ministros. Será capaz de dirigir o BC? Virou maga?

  • Paulo Bento Bandarra

    Mas me diga, Setti, Serra não era contra a autonomia do BC?

    E daí, Paulo Bento? O que é que tem? Eu sou a favor, sempre fui. O Serra fica com as ideias dele, eu com as minhas.
    O Serra, para mim, é muito mais pró-Estado do que considero desejável.

  • Jonas

    Prejudicial ao país é a falta de credibilidade da imprensa.

  • PARASITOLOGO

    Com a Sombra não sabe administrar nem lojinha de 1,99 ,como vai querer se meter no Banco Central na base da canetada ,ele avisou um dia antes que queria juro baixo com o falsa economia que divulgaram ,porque a mentira tem perna curta e ela vai quebrar a cara e os Petralhas juntinhos também ,porque a inflação tá correndo solta e agora com a redução vai andar mas rápida e o pior é ter que aumentar novamente os juros que vai ser inevitável ou ferra a economia do país que já está comprometida ,mas como os Petralhas querem torrar mais recursos que não dispõe,infelizmente temos que aturar a incompetente por enquanto ,mas temos que pedir a renuncia desses tranqueiras .

  • Corinthians

    Tombini ainda vai tombar o BC e o Brasil.

  • quanta defesa se da quando a taxa da selic esta em queda, eu nao vi nada parecido quando ela aumentou, que pais nos estamos? espero que caia mais pois se Dilma influiu ou nao isso nao interessa aos cidadaos mas que é nebuloso essa defesa sobre o aumento da selic isso é, se nao estao satisfeito va mora na Europa ou EUA, nao precisamos de voces.

  • JOAQUIM NETO

    PREPAREM-SE TODOS. LULLALAU DE SAIA TAÍ.

  • BRASILIA

    AGORA OS PTISTA ESTÃO FELIS

  • Observador100

    Caro Setti
    Desde o seu primeiro “elogio” à madame, em janeiro, eu venho dizendo que ela é apenas a gerente de plantão, do plano do pt. Vem muito mais coisa por aí, pode anotar: nova CPMF, lei de imprensa, inflação e como não pode faltar….muito mais corrupção!
    abraço

  • Paulo Bento Bandarra

    Calma Setti, só pedi um esclarecimento. Não precisa se ofender.

  • Sergio Roberto Santos

    Nós vivemos tempos difíceis, mas quem disse que a dificuldade é necessariamente ruim?
    O debate hoje no Brasil esta turvado, mas talvez este seja um prenuncio de uma nova fase no pensamento nacional.
    O que a presidente Dilma supostamente fez foi exatamente o que José Serra faria se fosse presidente. A única diferença é que teria feito mais cedo.
    Nada justifica a taxa de juros no Brasil, e todos sabem disso.
    Eu tenho visto vários jornalistas, apoiados por economistas, falando sobre a quebra de independência do Banco Central. Como se pode quebrar o que não existe?
    O Banco Central no Brasil não é e nunca foi independente. Ou alguém acha que existiram divergências entre Armínio Fraga e Pedro Malan? Ou que Gustavo Franco renunciou por sua vontade?
    A inflação no Brasil só pode subir ou cair substancialmente através da politica fiscal já que o Estado brasileiro é perdulário e mal administrado. Neste ponto a politica monetária só serviria para “Enxugar o Gelo”.
    Agora a pior posição neste processo mais uma vez ficou com a nossa oposição, se fosse fã de trocadilhos escreveria a nossa “indisposição”. Eles precisam aprender que não dá para criticar a valorização do Real e a queda dos juros ao mesmo tempo e que a população já percebeu que se o Banco Central tivesse aumentado ou não mexido na taxa eles criticariam do mesmo modo.

  • Sergio Roberto Santos

    Desculpe se tento colar mais um comentário.
    Mas o senhor precisa entender que o único sinal de admiração válido para um jornalista é ler sempre o que ele escreve.
    Por isso vai o comentário. Muito ilustrativa a sua resposta irada à pergunta sobre a posição do José Serra.
    De vez enquanto “cutucar” o blogueiro é muito bom. Principalmente, como é seu caso, ele não foge da peleja.
    Sergio, a ideia é essa. Debater ideas de forma democrática.

  • Roberto SPC

    Caro Ricardo,
    Quem está certo o Sr. José Serra ou o PSDB?
    são tantas as incoerencias que está muito dificil saber realmente o que é o certo.
    Veja que incoerência, a posição do José Serra é contraria ao posicionamento do partido PSDB em relação a taxa de juros e Banco Central.
    http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/economia/forum/topic/jose-serra-sobre-queda-da-taxa-de-juros/

    http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/economia/forum/topic/site-do-psdb-sobre-queda-da-taxa-de-juros/

  • José Honório

    Setti,eu não sou petista, mas acompanho a economia, mesmo porque sou um pequeno investidor. Em 2002, a economia patinava e, exceto o professor Malan, todo o resto da equipe econômica eram uns incompetentes. Lula, se elegeu sobre os erros de FHC, e recebeu um país endividado, desacreditado (Clinton disse que o Brasil era um exemplo a não ser seguido) e com inflação em alta. Lula retomou o país graças aos acertos de sua equipe econômica e a bonanza mundial. Com isto foi possível fazer uma política social enérgica com a consequente redução da pobreza e crescimento da classe média. Agora, alguns economistas midiáticos, ao verem suas suposições frustadas, atacam o governo porque reduziu a CELIC, inclusive com a deselegante afirmação de que o BC perdeu autonomia, está sendo teleguiado pela presidente e outros disparates. Ora, Setti, não é necessário pensar muito para ver que a equipe econômica sabe o que está fazendo e que a grita dos analistas nada mais é do que a frustação de verem suas afirmações se tornarem loas ao ícone da bobagem. Este maniqueismo que reza que todo cara que defende o governo é petista, também é outra bobagem. Pode crer, meu caro, nós da classe média somos pragmáticos e não alinhados. Sabemos pois, reconhecer uma boa gestão.

  • Hélio

    Muito interessante o comportamento de parte da mídia, do mercado e de parte da oposição. Criticam os juros altos e o câmbio valorizado, e quando o governo toma uma atitude, criticam do mesmo jeito. É a mesma coisa de, na sexta-feira torcer pelo Corinthians e não gostar do Palmeiras, e no sábado fazer o contrário! Santa coerência Batman…

  • Corinthians

    José Honório – 02/09/2011 às 12:02
    Desculpe-me José Honório – nós da classe média nem sempre sabemos reconhecer uma boa gestão. Infelizmente o que você colocou sobre o governo FHC e governo Lulla para mim não passam de mentiras que não se sustentam em argumentos sólidos, principalmente se começarmos a falar das ações tomadas para melhorar a situação.
    Hoje o governo perdeu o controle da inflação, inflação que recebeu domada em 2003, e demonstra que não está preocupado em retomar este controle tão cedo.

  • Dawran Numida

    José Honório, o nome “CELIC”, não deve existir, ao menos para o fim a que deve ter sido utilizado em seu comentário. Utiliza-se SELIC para designar a taxa primária de juros. Pois, seria a sigla de Sistema Eletrônico de Liquidação e Custódia. Quanto aos governos, só fica mais claro saber que no governo de 2003-2010 e no oito anos da sucessora, o pilar fiscal da estabilidade foi comprometido. Agora, ao que parece, o pilar monetário também e de quebra a credibilidade do BC e de suas decisões. Tirando isso, o que espera o futuro, não muito distante são intempéries. E essas, podem ser “midiáticas”.

  • Dawran Numida

    Consta que numa certa época, o então presidente Costa e Silva teria dito a um ministro: “O guardião da moeda sou eu”. Resposta ao interlocutor que teria dito a ele: “O Bacen é o guardião da moeda”. De repente a história retorna? Olhando de uma forma mais aprofundada, a autonomia do Bacen, seria garantia que o órgão não fosse capturado por interesses políticos, de grupos econômicos e outros agentes. Comemorar interferências no Bacen, é da Idade da Pedra