Quem paga a conta no caso da venda do Banco PanAmericano? O consultor diz que tudo pode resultar em aumento nas tarifas bancárias para nós, o público

Amigos, a história da venda do Banco PanAmericano de Silvio Santos para o BTG Pactual é obscura a ponto de não estar convencendo nem especialistas do mercado.

Por isso, pedi a um grande amigo, Umberto Boihagian, ex-diretor do LLoyds Bank PLC no Brasil e consultor econômico-financeiro da De Natal, Boihagian Advogados e Consultores (veja site), que comentasse o assunto.

Ele escreveu um texto para o blog cuja leitura recomendo:

LEVANTARAM O TAPETE

Por Umberto Boihagian

Quando se tratar de limpeza para salvação de alguma instituição financeira, é melhor não se levantar o tapete.

A situação oculta virá à tona de forma contundente com a descoberta de novas fraudes e desvios, ficando patente a fragilidade de auditorias e fiscalizações.

Foi o que aconteceu pouco antes do desfecho da compra do BP pelo Banco BTG Pactual, quando auditores identificaram que, além do rombo de 2,5 bilhões de reais cobertos pelo empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a Silvio Santos, surgiu um novo rombo que eleva o “buraco” para 3,8 bilhões.

QUEM PAGA A CONTA?

No passado, quando se delineava a quebra de alguma instituição, os bancos podiam recorrer ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).O Banco Central (BC) conduzia essas operações, que eram empréstimos garantidos pelos bens pessoais dos banqueiros. Foi instituído para garantir a calma e estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e como mecanismo de proteção a depositantes.

Por se tratar de dinheiro público, tornou-se alvo da oposição da época, principalmente do PT, assim exigindo uma solução mais inteligente. É interessante notar que o sistema bancário torna-se refém de si próprio, ou seja , um banco mal dirigido não pode quebrar, pois isso tende a provocar uma crise de credibilidade e outras quebras.

FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO (FGC)

Criado com a missão antes exercida pelo Proer, o FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra o mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores contra instituições, em caso de intervenção, liquidação ou falência.

Recebe dos bancos cerca de 0,15% de seus depósitos e mantém atualmente um patrimônio de 26 bilhões de reais. Sua criação foi liderada pelos grandes bancos, como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, por coincidência, hoje os grandes credores do Banco PanAmericano.Essa entidade é que, mediante garantias pessoais e do patrimônio de SS, alocou um empréstimo de 3,35 bilhões de reais que evitou a eclosão da crise total.

AS CONTAS NÃO FECHAM

Por enquanto, as declarações e informações disponíveis não permitem ao mercado identificar a engenharia empregada, ou seja :

(1) Sílvio Santos: segundo o jornal Valor, alega ter saído da operação sem dívidas e com a liberação de todas as empresas que ofereceu como garantias, além do valor pago pela Caixa Econômica Federal (CEF) em 2009.

(2) BTG Pactual: informa ter comprado o Banco PanAmericano por 450 milhões para pagar em 17 anos, assim ficando com 37,64% do capital total. O pagamento vai diretamente para o FGC.

(3) Caixa Econômica Federal: alega que não colocará mais dinheiro, além do já alocado. [A Caixa adquiriu 49% das ações com direito a voto do PanAmericano no ano passado].

(4) Fundo Garantidor de Crédito: aparentemente é o único perdedor, ficando com o ônus da operação.Injetou empréstimos de 2,5 bilhões mais 1,3 bilhões e abriu mão das garantias antes disponibilizadas por Silvio Santos.

Os analistas não estão acreditando nesta forma de fechamento dos números, pois o BTG Pactual assegura que não tem qualquer responsabilidade sobre a dívida de quase 4 bilhões de reais.

Como qualquer perda no FGC é absorvida pelos bancos que o compõem, pode acontecer de os mesmos reverem o custo das tarifas que cobram junto ao público, como forma de compensação.

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Nenhum comentário

  • Malur

    Será que, trazida à luz a transação, o Brasil será um novo Egito? Não, não; nós engolimos tudo, quietinhos.

  • Skander

    Caro Setti
    Como diz o Reinaldo Azevedo, na época do FHC os banqueiros tinham os bens confiscados e eram julgados e geralmente condenados. Agora nem sabemos como o imbróglio foi resolvido. Ótimo que não foi usado dinheiro público.

    Texto bastante esclarecedor de seu amigo Umberto Boihagian.

  • gaúcha indignada

    Cadê a oposição, CPI, já. O dinheiro público não pode ser assim desviado.

  • Rodrigo

    Excelente esclarecimento, Ricardo. Num dos posts anteriores, você falava da dívida brasileira, que pode chegar a 2 trilhões. Será que mais dinheiro público será usado para pagar os juros da dívida? Mas parece que “ajuda” governamental a capitalistas poderosos também chegou à América do Norte, quando o governo americano socorreu montadoras, bancos, financeiras etc. Já se diz que a dívida americana, hoje em 14 trilhões, chegará a 18 trilhões em 2015. Será que o povo americano pagará a conta, como nós nesse caso do banco Panamericano?

    Caro Rodrigo, lá nos EUA a história é outra. Não tenho os dados à mão, mas foi impressionante a rapidez com que os grandes bancos devolveram, com juros, o dinheiro que receberam — 30 bilhões aqui, 20 bilhões ali. Grande parte das centenas de bilhões de dólares injetados em bancos e empresas já voltou ao Tesouro.

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    Temos pleno conhecimento do “pato” da história, já dissecamos em outros comentários, queremos saber quem é o “bandido” e, se êle vai aparecer para fichamento na cadeia, ou se vai continuar tomando scott em Orlando, igual ao Edemar que está no Guarujá tomando champanhe.
    Qualquer ladrão sabe que ao tungar, corre o risco de ser preso e fichado, aqui no País das maravilhas é sinônimo de férias, seja no Guarujá, seja em Orlando.
    PRECISO DESENHAR !!!!
    Carlos Nascimento.

  • jeringonça

    Ricardo
    Há um refrão muito repetido no carnanval recifense que pode ser adaptado ao caso. Lá vai

    1) Silvio Santos quer dinheiro
    quem não der é pirangueiro…

    2) O banqueiro quer dinheiro quem não der é pirangueiro..

    Por outro lado se na Austrália são os ricos quem vão “curar” os estragos das chuvas, aqui no brasil qualquer estrago de chuva ou de sem vergonhice quem paga são os assalariados..
    NÃO TEM ERRO!

  • Jose Figueredo

    Ó Silvio Santos
    fica mais um pouquinho
    voce é admirável
    voce é admiravel
    com o PAN foi fomidável.

    Quem quer dinheiro?

    E nóis só levamo fumo…

  • João Máximo

    Além dos politicos que assaltam os cofres públicos a eles se juntaram os banqueiros a nos assaltar via tarifas bancárias. Eles se socorrem com o nosso dinheiro, continuam bilionários e nada explicam.

  • wilson

    E a primeira piada de portugues brasileira.

  • observador100

    Não foi este senhor que foi visto há poucos dias antes das eleições, e do anúncio do rombo no banco, fazendo uma visita a deus e sua “rainha”? É so ligar os fios…

  • Theo

    Mais um trambique como nunca se viu na historia destepais. Obra de Lula e Dilma. Conseguiram mais um canal de TV com o nosso dinheiro.

  • JECORNETTA

    isso esta me cheirando a mais um trambique arquitetado na sala do ex-atual presidente Luis Inácio daSilva, qdo da visita de SS em dezembro. Naquele dia dito pelo próprio SS estava Celso Thomas Bastos, o então Presi.BC , e outros, qdo SS chegou(Sic) e a maior mentira foi SS dizer que lá estava p/convidar o presidente a participar do TELETON, sei não acho q foi TELETOMBO.

  • Rosângela

    Setti enquanto lia essa exelente explicação do consultor Umberto, traduzi pro meu cotidiano e pensei: Quando compro algo passo a responder por todos os onus e bonos, ex: se meu imóvel tem uma causa trabalhista não vai ser o antigo proprietário a pagar por ela e sim eu que o adquiri.
    Percebo que o BTG Pactual está tentando fugir da sua responsabilidade. Abraço.

  • ricardo

    prezado jornalista ricardo setti

    gnhar dinheiro é o sonho de todo mortal agora ser irresponsavel a ponto de dar entrevista dizendo que nao entende nada de banco e que nunca ia a sua ibnstituiçao silvo santos provou mais uma vez que é um tremendo ¨171¨ e que o lugar dele deveria ser no antiogo carandiru pois nestes anos todos ludibriou o pobre povo mal informado e sem cultura
    acrredito que essa aberraçoes so acontecem no braisl

  • Lilian

    Setti,
    Na minha opinião não há transparência nos dados sobre “esta operação financeira” pós eleição 2011.
    Abraços!

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    Vc pergunta: quem paga a conta no caso do PanAamericano ?
    Que tal começarmos à apertar o pessoal do camelô ? O Rafael Palladino já está encrencado, torno a dizer, ninguém quebra um banco dessa dimensão e, fica impune, espero que tenham juízo, hoje o rastro do dinheiro deixa “DIGITAIS” por todos os lados, o sistema é interligado, não adianta ter conta em Orlando, nas Ilhas Canárias, em São Paulo, fica digitalizado.
    Ainda iremos ouvir e apurar muita coisa, uma coisa já tenho certeza, o BAÚ vai se ferrar também, o largo sorriso já não está tão largo assim, ficou AMARELADO.
    Carlos Nascimento.

  • fpenin

    Eu, um sujeito desconfiado, um tanto ingênuo,acredito em Papai Noel, aquele velhinho bonachão. Creio na existência da Mula Sem Cabeça, assim como morro de medo da Matintaperera. Brasileiro, crédulo ao extremo, sinto arrepios só de ouvir falar em Saci Pererê. Tenho um pavor horrendo de alma do outro mundo, perco a fala só em pensar que uma delas possa acercar-se de mim. Por ingênuo , dou-me ao direito de achar que o mensalão não existiu. Ora essa, e por que haveria de existir? Quando a imprensa maldosa divulgou toda a rotina da Casa Civil, eu não me abalei. Como poderia Erenice, braço-direito da então candidata Dilma , ser acusada de tantas “inconsistências”? Quem sou eu para julgar ? Sinto um mal-estar muito grande quando vejo insinuações de que os pimpolhos de Lula entraram pobres no Torto e saíram milionários. Eu, incorrigível babaca, não posso ao menos pensar em acusá-los. De nada.Mas, apesar da minha infinita capacidade de acreditar, uma coisa eu não consigo engolir : como é possível CRER que os tecnoburocatas da Caixa, um banco de cobras (em quaisquer sentidos considerados),foram capazes de respaldar a comprar de49 % (deixem-me escrever por extenso:quarenta e nove por cento )das ações com direito a voto do Banco Panamericano ? Eu não me consigo ver como um cético, mas essa não passa. Gente, eu quero continuar a acreditar nas pessoas e nas instituições, o meu espírito precisa disso. Como é que eu vou ficar agora, desamparado por crer na dúvida? Recorri a um amigo, criação de Elio Gaspari, mas ele foi impiedoso: nessa falseta da Caixa eu, também, não acredito, apesar de me chamarem de idiota. Taí, deu nisso; eu não posso acreditar, da mesma maneira que Eremildo. Eu me sinto sem objetivo a cumprir, só me resta mergulhar na depressão, já que a minha sina de sempre acreditar foi maculada. Gente, por favor, eu quero -e preciso- acreditar. Quanto a quem vai pagar a conta, não precisa nem dizer…

    Pois é, Fpenin, e nem a companhia da Velhinha de Taubaté você pode ter mais. Você sabe que, depois do Mensalão, ela morreu, não é?

  • Não existe solução para massas falidas como o Banco Panamericano, que não acabe provocando prejuízos ao dinheiro do povo. É claro que tem dedo do poder, ainda que veladamente nessa parada. Não por acaso, o SBT lança em março a novela “Amor e Revolução”, para encher a bola da guerrilha comunista da década de 1970, da qual faziam parte muitos dos que hoje estão no poder. Logo, fica a pergunta: Desde quando Sílvio Santos, velho amigo da Ditadura Militar, é de esquerda ? É muita coincidência, que nem a “Loira burra de um neurónio sö” seria capaz de admitir com tal.

  • Lilian

    Setti,
    Veja este vídeo (1:10) │(…) Lula também ironizou o Proer, programa de socorro financeiro a bancos criado em 1995, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
    http://www.youtube.com/watch?v=R6AeoadrfyY
    Abraços!

    Sensacional, Lilian. E o ex-presidente também elogiou a força dos bancos brasileiros e do nosso sistema bancário e financeiro após a crise de 2008. Nada como um dia depois do outro…

    Abraços