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Merkel cumprimenta um integrante da guarda de honra da Chancelaria, em Berlim: quem pode, pode (Foto: bunderskanzlerin.de)

Amigos, vocês viram que a chanceler alemã Angela Merkel, em pleno terremoto econômico-financeiro que sacode a Europa e boa parte do mundo, aprovou sem pestanejar o aumento dos salários dos ministros de seu governo e o seu próprio em 5,7%.

A chanceler passou a ganhar precisamente 17.082 euros (42,7 mil reais) por mês – um aumento de 930 euros –, enquanto os ministros embolsarão mensalmente 13.795 euros (cerca de 34,5 mil reais), ou 750 euros adicionais.

Está certo que há 12 anos – sim, doze anos, mais de uma década – os primeiros-ministros alemães e os membros do gabinete não tinham aumento. Mesmo assim, Merkel é a única governante na Europa, a única nos países desenvolvidos e, provavelmente, a única no mundo que pôde fazer isso sem que houvesse protestos ou críticas significativos.

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O ministro alemão as Finanças, Wolfgang Schäuble: aumentos reivindicados por trabalhadores são “perfeitamente aceitáveis” (Foto: merkur-online.de)

Até porque, no mês anterior, os funcionários públicos alemães haviam recebido um aumento de 6,3% – numa época em que países da União Europeia como a Grécia, a Irlanda, a Espanha ou Portugal cortam salários de servidores –, e os principais sindicatos de trabalhadores, a começar do gigantesco IG Metall (indústria automobilística, siderurgia e outros setores), com 2 milhões de trabalhadores, estão prestes a obter reajustes de 6,5%, depois de algumas greves em algumas fábricas. “São aumentos perfeitamente aceitáveis para nossa economia”, assegurou o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble.

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Trabalhadores filiados ao sindicato IG Metall: aumento de 6,5% (Foto: merkur-online.de)

Não é só isso que amacia o terreno para a chanceler nesta sempre sensível questão dos vencimentos dos políticos. A Alemanha é o único país da Europa com perspectivas de crescimento razoável, apresenta taxas de desemprego pouco superiores à metade da de países como a França e os Estados Unidos (6,2%) e, exceção das exceções, Merkel montou um Orçamento para 2013 sem 1 centavo de déficit.

Além de tudo, graças ao equilíbrio e ao vigor de sua economia, mesmo numa época difícil como a que o mundo atravessa, a Alemanha é o país da Europa que paga os menores juros para financiar sua dívida pública – pouco mais que 1% ao ano. Por comparação, a Itália, mesmo em fase de profundas reformas e readquirindo a credibilidade após a desastrosa gestão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, tem pago acima de 5%.

Berlim, portanto, pode dar-se ao luxo de pagar mais a seus dirigentes.

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Lemon em 21 de maio de 2012

PROTESTOS NA ALEMANHA EM 2012 http://www.dw.de/dw/article/0,,15963473,00.html ... que, como você certamente viu, não têm ABSOLUTAMENTE NADA a ver com o que contei no post. Sempre os mesmos grupinhos "anticapitalismo" e "antiglobalização". E protestos de meses atrás.

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