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Quase sem tempo antes do referendo, o primeiro-ministro britânico David Cameron faz campanha pelo “não” em Edimburgo (Foto: Getty Images)

O dia da verdade está próximo. Em 18 de setembro, a Escócia votará na questão que define o país atualmente: continuar ou não parte do Reino Unido? A luta pelo referendo foi árdua e, agora que os escoceses conseguiram a oportunidade de se separar, é incerto se isso acontecerá.

O voto contará com o maior eleitorado já registrado na Escócia, tanto em referendos quanto em eleições: 97% da população adulta – mais de quatro milhões de pessoas – se registraram para votar. A Escócia tem 5,3 dos 64 milhões de habitantes do Reino Unido, constituído ainda por Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.

As últimas pesquisas de opinião são contraditórias, com grandes oscilações nos resultados com diferença de apenas alguns dias.

No último domingo (7), um questionamento mostrou que a campanha pelo “sim” tomou a liderança pela primeira vez, com 51% das intenções de voto, contra 49% que pretendiam dizer “não”.

Já na quarta-feira (10), uma pesquisa encomendada pelo jornal Daily Record, de Glasgow, mostrou que o grupo pró-união estava de volta no comando – 53% a 47%, uma diferença nada sutil para o resultado anterior.

Não é de estranhar que os números oscilem — ora apertados, ora um pouco folgados — devido às dimensões do que está em jogo. Que moeda, por exemplo, terá uma Escócia independente, uma vez que o governo de Londres não se dispõe a compartilhar a libra com o novo país? Como fica a questão das Forças Armadas — as gloriosas Marinha Real e Real Força Aérea, por exemplo, serão em parte desmembradas para que a Escócia fique com um naco delas? Haverá dinheiro para que o novo país organize Forças Armadas, em caso de impasse? E toda a infraestrutura dos serviços de correio, por exemplo? Sem contar erigir um serviço diplomático completo.

Com o dia do referendo tão próximo, políticos de todos os lados estão correndo contra o tempo para convencer os escoceses, em especial, agora, os líderes do “não”. Ontem, quarta-feira, David Cameron, primeiro-ministro britânico e líder do Partido Conservador, viajou a Edimburgo junto com Ed Miliband, líder da oposição e do Partido Trabalhista, e Nick Clegg, vice-primeiro-ministro e líder dos Liberais Democratas. Os três uniram esforços para convencer os escoceses a manter-se no Reino Unido e votar contra a independência.

Uma história cujo desfecho está indefinido há anos mostra que o final vai ser tão emocionante quanto o resto do processo.

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8 Comentários

Leniéverson em 13 de setembro de 2014

Vamos ver no que isso vai dar.

carlos nascimento em 13 de setembro de 2014

Ricardo, Aproveitando o tema, como está a "onda" na Catalunha ? vc é a favor ou contra à autonomia dos catalães ? O plebiscito informal será realizado em novembro. Eu teria muita pena se houvesse uma separação, mas sou pelo direito de o povo ser ouvido de forma correta -- pois o jeito que está sendo feita a campanha pela independência constitui um absurdo: o governo faz campanha deslavada todo santo dia, a TV pública da Catalunha faz campanha... O outro lado, os que querem continuar sendo parte da Espanha, não têm voz!

jose mario em 12 de setembro de 2014

Escócia permanece no Reino Unido. Seja pelo voto ou pela manipulação desse. Não sejamos tolos.

ps em 12 de setembro de 2014

Estou com Willian Wallace: A Escócia para os escoceses!

Marcelo Silva em 12 de setembro de 2014

Se a Inglaterra está tão empenhada pelo "não", é porque terá muito a perder, economicamente. Não fosse assim, já teriam se livrado há muito tempo.

Ivan, o Terrível em 12 de setembro de 2014

A independência da Escócia será mais uma derrota desta maldita instituição chamada globalização. Tomara que aconteça!

Ezequiel-SP em 11 de setembro de 2014

JB- por que malucos? A unidade só é boa pra quem esta levando vantagem. é o caso??

JB Figueiredo em 11 de setembro de 2014

Ha varias semanas opinei que a probabilidade era baixa mas vejo que ha malucos em toda parte e estão mais ativos do que nunca.

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