O Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, divulgou hoje a relação dos homenageados com a Medalha Chico Mendes de Resistência, que completa sua 26ª edição em 2014 — como ressaltam os organizadores, no ano do cinquentenário do golpe de 1964.

Foram agraciados 13 pessoas, a começar pelo controvertido ativista e jornalista Julian Assange (fundador do WikiLeaks), ao lado de nomes como o teatrólogo Amir Haddad (do grupo Grupo Tá na Rua), o cacique Ládio Veron (da Nação Guarani-Kaiowá), o advogado Manoel Martins (ex-preso político), o morador de rua Rafael Braga (condenado à prisão sob a acusação de portar material explosivo e incendiário durante uma das manifestações de junho passado, no Rio), os membros do Ministério Público Federal Raquel Dodge (uma das subprocuradoras-gerais da República) e Sérgio Suiama (procurador da República no Rio de Janeiro) e o jornalista Luiz Cláudio Cunha, colaborador frequente deste blog e, entre outros, autor do livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (Editora L&PM, 2008, 472 páginas).

Cinco personalidades receberam homenagens in memoriam: o ex-presidente João Goulart; o pedreiro Amarildo Dias de Souza (desaparecido desde julho do ano passado depois de detido por policiais militares que diziam pretender conduzi-lo à Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, no Rio); o ex-deputado Luiz Maranhão (do Comitê Central do Partido Comunista, preso pelo antigo DOI-Codi em 1974 e depois desaparecido); Adriano Fonseca Filho (guerrilheiro do então clandestino PCdoB desaparecido em 1973 no Araguaia); e Marcos Antônio da Silva Lima (ex-marinheiro que aderiu à luta armada e foi morto por integrantes do Exército em 1970).

O prêmio Chico Mendes foi criado em 1988 para homenagear pessoas e grupos engajados na luta por direitos humanos. Seus organizadores dizem que se tratou de uma reação à entrega da ‘Medalha do Pacificador’, condecoração do Exército, a pessoas denunciadas por violações dos direitos humanos, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, do DOI-Codi paulista, e os delegados do extinto DOPS Sérgio Paranhos Fleury (SP) e Pedro Seelig (RS), frequentemente responsabilizados por torturas em presos políticos durante o regime militar.

Desde a primeira concessão da Medalha Chico Mendes, em 1989, foram agraciadas personalidades como o cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, o promotor Hélio Bicudo, os jornalistas Barbosa Lima Sobrinho, Luís Fernando Veríssimo e Alceu Amoroso Lima, o arquiteto Oscar Niemeyer, o ativista Herbert de Souza — o Betinho –, o educador Paulo Freire, a deputado Luíza Erundina (PSB-SP) e a estilista Zuzu Angel, além de entidades como a Anistia Internacional, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e a ONG internacional Human Rights Watch, com sede em Nova York e sucursais em 15 outras grandes cidades do mundo.

A Medalha Chico Mendes tem como promotores, além do Grupo Tortura Nunca Mais, outras 14 entidades, entre elas a Associação Brasileira de Imprensa, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, o MST, o Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL) e o Comitê Chico Mendes.

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Pedro Luiz Moreira Lima em 14 de março de 2014

Caro Setti: Parabéns pela publicação da premiação da medalha Chico Mendes, sempre sob o patrocínio do Grupo Tortura Nunca Mais,respeitado e querido por todos os Homens de Boa Vontade. Salve grande jornalista Luiz Claudio Cunha, sua coragem,altivez e nunca se dobrar aos poderosos, o faz um digno entre tantos medalhista do inesquecível Chico Mendes. Se existe um Deus Todo Poderoso - estará sempre ao lado daqueles combatentes da Liberdade e dos Direitos Humanos. Salve todos os componentes do Grupo Tortura Nunca Mais! Pedro Luiz

SergioD em 14 de março de 2014

Ricardo, acrescentando. Terrível o fato de termos interrompido nosso aprendizado democrático por 21 anos. Vê-se isso tanto naqueles que defendem a ditadura e anseiam por um novo golpe, assim como os manifestantes do Não Quero Copa e Black Blocs que também não tem idéia de que como viver democraticamente. Ontem mesmo diziam em São Paulo: " A ditadura não acabou, a PM está aí para nos lembrar disso". Não entendem, ou não querem reconhecer, não sei se por falta de experiência ou por má fé mesmo, que a manutenção da ordem e o respeito à lei é um primado da democracia. Será que acham que fechar o transito, desrespeitando o direito de ir e vir de milhares de cidadãos, e depredar bens públicos e privados é uma forma válida de demonstrar de livre expressão do pensamento? Não espero que daqui a cem anos nos comportemos como escandinavos, mas o exercício da democracia certamente ajudará muito. Abraços

SergioD em 14 de março de 2014

Ricardo, mais uma vez quero saudá-lo por continuar totalmente contrário à elogios ao golpe militar de 1964. Independentemente de ser de direita e esquerda, o golpe foi uma atentado à democracia. Um golpe que com a suposição errada de que a esquerda é que o perpetraria, o que já se comprovou ser totalmente falso (imagine se um presidente que era estancieiro e grande produtor rural, além de ter oposição de boa parte da esquerda da época, que não lhe inspirava confiança, iria dar um golpe comunista), embora na esquerda também existissem gente com vocação autoritária, interrompeu o desenvolvimento de nossa democracia, além de tolher a liberdade de milhões de brasileiros. Foi um ato indesculpável, principalmente porque se difundiu a mentira de que sua intensão era só de destituir o Governo João Goulart. Ledo engano. O que me espanta é com o grau de apoio que o golpe ainda conta no seio de nossa sociedade. Não é difícil encontrar nas redes sociais que conclamem as Forças Armadas a cometer outro atentado às instituições. Pessoas que não entendem que isso é incitação ao crime, verdadeira apologia ao crime. Pessoas que, certamente, não tem a mais pálida noção do que é viver num ambiente democrático, que demonstram uma total falta de respeito e confiança na opinião de seus concidadãos. Pessoas que acham que cidadãos que recebem auxílio dos programas sociais não são sujeitos de direito. Certamente estaríamos muito mais avançados em nosso processo civilizatório não fosse a interrupção de 21 anos no desenvolvimento de nossa democracia. O país viveu em ambiente democrático somente no período de 1947 a 1964, e de 1988 (com a nova Constituição) até agora. Muito pouco se comparado com países europeus e os EUA. Se hoje reclamam de que se elegem políticos corruptos e despreparados, isso muito se deve à falta de experiência do povo em votar. 26 anos não são suficientes para o aprimoramento da capacidade de escolha de uma população. Vamos ter paciência e confiar em nossa democracia, em nosso povo, em nosso país. Abraços

Luiz Pradines em 14 de março de 2014

Nicolás Maduro receberá esta medalha no próximo ano.

Luiz Pradines em 14 de março de 2014

Minha bola de cristal prevê duas coisas no próximo ano: 1. Nicolás Maduro receberá esta Medalha, junto com o prêmio "Candelita de Ouro" que será criado em sua homenagem; 2. Yoani Sánchez NÃO será agraciada. Com todo o respeito a algumas das pessoas que a receberam, apesar de inúmeras ressalvas, não dou valor nenhum a este prêmio. Considero muitos destes agraciados "idiotas úteis" a serviço da implantação de um regime diabólico e monstruoso, o comunismo. Serão as vozes daqueles que lutam pelos "direitos humanos" igualmente eloquentes e atuantes quando se tratam de violações sistemáticas por regimes de esquerda? Por quê não as escutamos com críticas aos regimes dos irmãos Castro e do Maduro?

marcio r. g. cortes em 13 de março de 2014

¨Caro Jorge Alberto Forrer Garcia, Muito pertinente o seu comentário e gostaria que não me inerpretasse mal, pois o que destaquei foi a política do revisionismo. Acredito que erros e acertos foram cometidos no passado, mas quando se destaca que ¨o meu lado estava certo¨, incorremos a sermos injusto. PS.: Quando eu escrevi golpista, não tive a intenção de denegrir as Forças Armadas do Brasil, pela qual tenho um profundo respeito. Um abraço, Marcio.

KLAUS R ZEIDLER em 13 de março de 2014

Caro Ricardo, obrigado pela deferência. Abraços

Roberto Silva 51 RJ em 13 de março de 2014

Creio que você não leu meu comentário com a devida atenção. Eu falei da maioria, e não da totalidade, o que não significa que nossas opiniões sobre pessoas devam ser sempre convergentes. Tenho por Evaristo Arns uma opinião totalmente oposta à sua, e por Helio Bicudo o respeito pelo conhecimento jurídico e pela honestidade, que inclusive fez com que se desligasse do PT, mas o considero um ingênuo, que ajudou a criar esse monstro que está saqueando o Brasil. Seria mais fácil realmente eu ter nominado aqueles que eu salvaria como ilustres brasileiros, além desses que você identificou (fora os que contestei). Para dizer a verdade, eu não vejo mérito nem no homem que dá nome ao prêmio.

KLAUS R ZEIDLER em 13 de março de 2014

Caro Klaus, meu repúdio à publicação de comentários justificando ou elogiando o golpe militar de 1964 e/ou a ditadura que se seguiu nada tem a ver com questões pessoais minhas. É fruto de minha irrestrita e absoluta adesão aos princípios do Estado de Direito e do respeito absoluto à Constituição.

Ângelo em 13 de março de 2014

Que autoridade tem o MST para distribuir medalhas, sejam elas quais forem e a quem quer que seja. Creio que este assunto não deveria merecer tanta atenção de um conceituado articulista da Veja, particularmente quanto este não se define quanto ao mérito da questão.

Roberto Silva 51 RJ em 13 de março de 2014

Nem entre as entidades organizadoras e tampouco entre a maioria dos agraciados citados, atribuo qualquer mérito. O Brasil vive essa fase de total incerteza, justamente por causa de entidades improdutivas como essas e de cérebros com ideias defasadas que ainda pensam que na esquerda estão as soluções para todos os problemas. Você não atribui méritos a pessoas como Barbosa Lima Sobrinho, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, o promotor Hélio e, entre outros, ao digno, correto, competente e corajoso jornalista Luiz Cláudio Cunha? Péssimo julgamento, o seu.

Labbate-51 - São Paulo em 13 de março de 2014

Afirmei que NENHUMA ditadura é saudável, querido Setti. Realmente, você necessita posicionar-se no Universo: Capitalismo ou Comunismo... Sobre o muro, não conseguirá evoluir rapidamente. O Tempo é o Senhor-da-Vida. Coragem... Até o Planeta Terra já mudou de configuração, no Século XXI. Amo esse talentoso Jornalista-Veja. Coragem, eles não podem conosco... Afinal, SOMOS 44 MILHÕES! Após uma ditadura-direitista e uma esquerdista, aprendemos a defender-nos.

Jorge Alberto Forrer Garcia em 13 de março de 2014

Sr. Ricardo, triste país este em que comendas de uma Instituição Permanente, como é o Exército, são comparadas a medalhas de uma ong de triste figura. No passado, fui agraciado com a Medalha do Pacificador e dela tenho muito orgulho pois este Pacificador a que a medalha se refere é o Duque de Caxias, fiador da paz entre brasileiros. Quanto ao comentário do Sr. Márcio, posso - respeitosamente - lembrá-lo do ditado popular que diz que "não se chuta cachorro morto". É por isso que as esquerdas não se calam.

Marco Balbi em 13 de março de 2014

Setti! Sugiro que você redija um post sobre quem foi o herói(?) Chico Mendes!

Henrique em 13 de março de 2014

Caro amigo Ricardo Setti, você concorda que o governo FHC foi DISPARADO o governo que mais fez em prol dos direitos humanos na História do Brasil? 01) Decreto s/n, de 20 de novembro de 1995 - Institui Grupo de Trabalho Interministerial, com a finalidade de desenvolver políticas para a valorização da População Negra, e dá outras providências. 02) Lei 9.140, de 04 de dezembro de 1995 - Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, no período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979, e dá outras providências. (Lei dos Mortos e Desaparecidos Políticos) 03) Lei 9.455, de 07 de abril de 1997 - Define os crimes de tortura e dá outras providências. (Lei Anti-Tortura) 04) Lei 10.559, de 13 de novembro de 2002 - Regulamenta o art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e dá outras providências. (Regime do Anistiado Político) 05)Criação da Secretaria dos Direitos Humanos em 17 de abril de 1997 06) Medida Provisória 2.151-3, de 24 de agosto de 2001 (Criação da Comissão Nacional de Anistia, no âmbito do Ministério da Justiça) 07) Demarcação de terras quilombolas em algumas áreas do Estado do Pará em novembro de 1995 08) Entre inúmeras outras iniciativas. Eu entrei nesse tema para fazer uma comparação, sabe por que Setti? Eu acredito que você tenha lido um texto excepcional do jornalista Gabriel Castro na VEJA.com. Era sobre a PÉSSIMA qualidade do atual ministério. Ele (Gabriel Castro) fez uma análise geral brilhante. Mas a figura que ele mais destacou no texto foi a RÍDICULA Maria do Rosário. Lá, o Gabriel cita todas as obtusidades, imbecilidades, cretinices, pilantragens, cafajestagens, e outras coisas mais que essa SEM NOÇÂO vem fazendo desde janeiro de 2011. Por exemplo: Exumar o corpo de João Goulart. Como disse o Gabriel. Ela (M. do Rosário mas é M... mesmo, M. do Rosário é inconveniente, inoportuna e outras coisas que eu queria dizer aqui, mas não posso. Podemos falar dela assim SIM, por que ela está fazendo um PÉSSIMO TRABALHO (se é que ela trabalha, sendo remunerado com os nossos impostos e agora veio com uma última: quer sepultar o dedo amputado do Lula no Memorial da América Latina. ERA SÓ ISSO QUE FALTAVA. DESCULPA caso eu tenha me excedido, mas com esses desclassificados que estão hoje no Planalto, qualquer pessoa que tenha um pingo de bom senso, PERDE A CABEÇA. Muito obrigado pelo espaço que você me concedeu e desculpe pelo incômodo. Ah, e parabéns pelo blog. Está excelente. Um abraço! Assinado: Henrique. Caro Henrique, obrigado pelos parabéns. E concordo inteiramente com o que você diz sobre o grande presidente Fernando Henrique. Abraço.

KLAUS R ZEIDLER em 13 de março de 2014

Essa premiação chega as raias do ridículo. Primeiro pela composição dos promotores, totalmente tendenciosa. Segundo por falta de objetivo sério e coerente. Mais uma palhaçada da esquerda caviar. Chico Mendes não merece isso. Deve estar se revirando na cova.

Tenham paci^Çencia, pois eu não a tenho mais... em 13 de março de 2014

- Faltou o Amarildo e sua ONGs, ou melhor a ONG que levou a grana.... o Ze´Dirceu, o Jenô, o João, e outros...... QUANTO AO LUIZ CLAUDIO CUNHA, nunca tinha ouvido falar, mas se o senhro diz que merece, eu acredito.... o probelam está mesa medalha.... CHICO MENDES, mais um produto das esquerdas....

Seilon em 13 de março de 2014

Considerando alguns que já ganharam,não acharia uma honra receber essa medalha,não.

Labbate-51 - São Paulo em 13 de março de 2014

Cara Mary, você é uma leitora que prezo muito, mas eu definitivamente NÃO publico comentários direta ou indiretamente favoráveis à ruptura da ordem constitucional e democrática ou que justifiquem ou aplaudam o golpe militar de 1964.

Debora em 13 de março de 2014

Obrigada, Setti! O espaço cedido ao caso AERUS e pelo seu lado humano! A ação de defasagem tarifária foi julgada procedente e todo o sofrimento dos trabalhadores (sobreviventes)da VARIG poderão respirar um pouco melhor. Voce teve a capacidade de enxergar o sofrimento humano dos trabalhadores e o calvário de aposentados, submersos à podridão de interesses dos políticos e empresários. MUITO OBRIGADO !

Bruno Sampaio em 13 de março de 2014

Bom, que já premiou Paulo Freire, Oscar Niemeyer, (fâ confesso de Stálin) e L.F. Veríssimo, não pode exatamente ser acusado de incoerência, dado o "timaço" contemplado agora.

marcio r. g. cortes em 13 de março de 2014

Caro Ricardo, A mim parece, posso estar redondamente enganado, que a esquerda têm um tique nervoso quando se fala no golpe de 64. parece-me uma coisa meio rancorosa. Não houveram vítimas dos dois lados? Já pensou se os militares começassem a fazer homenagens aos golpistas também? O Brasil deve olhar para frente, não é mesmo? O brasileiro comum é torturado todos os dias com coisas que ficaria aqui a noite inteira enumerando...devemos deixar os rancores de lado e nos unir e construir um país melhor e mais justo, não é verdade?

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