RELAÇÕES EUA-CUBA: Os republicanos não querem dar dinheiro para Obama manter embaixada em Havana — mas ele talvez nem precise. Vejam por quê

Obama troca um aperto de mãos com o ditador cubano Raúl Castro durante os funerais do grande estadista sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013: (Foto: Reuters)

Obama troca um aperto de mãos com o ditador cubano Raúl Castro durante os funerais do grande estadista sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013: (Foto: Reuters)

Desde que o presidente democrata Barack Obama anunciou o reatamento de relações entre os Estados Unidos e Cuba, no dia 17 de dezembro passado, a pergunta que mais se faz a respeito do tema nos meios políticos dos EUA é qual será a reação do Congresso, dominado por republicanos tanto na Câmara dos Representantes como no Senado, após as eleições de novembro.

Os republicanos ameaçam chutar Obama abaixo da linha da cintura, com uma medida prática de efeitos complicados: não aprovar nenhuma dotação econômica para a reabertura da embaixada norte-americana em Cuba.

De todo modo, facilidades de remessa de material e de pessoal para a futura embaixada foram um dos pontos discutidos na primeira reunião oficial e pública entre as duas partes em mais de meio século, na quarta e na quinta-feira passadas, 21 e 22.

Obama perdeu a maioria no Senado nas eleições de novembro, já não tinha na Câmara de Representantes e espera-se que os republicanos tornem sua vida um inferno. Na questão da representação em Havana, na verdade, talvez os republicanos não consigam muita coisa: o enorme edifício da embaixada continua existindo, apesar da ruptura das relações diplomáticas e consulares entre os dois países decretada a 3 de janeiro de 1961 pelo presidente John F. Kennedy.

O edifício se situa na grande avenida conhecida como Malecón, não distante do local onde naufragou em 1898 o encouraçado USS Maine, da Marinha dos EUA, abatido enquanto ancorado por uma explosão até hoje não esclarecida e que foi a gota d’água para a guerra entre os Estados Unidos e a Espanha. O conflito resultou na derrota da Espanha em quatro semanas, na semi-independência de Cuba e na perda das então colônias espanholas de Guam, Porto Rico e Filipinas para o domínio norte-americano.

O edifício onde funciona a "seção de interesses norte-americanos" da embaixada suíça em Havana fica exatamente onde estava a representação dos EUA antes da ruptura de relações com Havana, em 1961 (Foto: Getty Images)

O edifício onde funciona a “seção de interesses norte-americanos” da embaixada suíça em Havana fica exatamente no edifício da representação dos EUA antes da ruptura de relações com Havana, em 1961 (Foto: Getty Images)

Tecnicamente, o edifício é uma extensão da embaixada da Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos em Cuba. Lá funciona a “seção de interesses norte-americanos” da embaixada, toda ela constituída por diplomatas dos Estados Unidos.

Esse recurso de que a diplomacia lança mão quando ocorre quebra de relações entre Estados passou a ser utilizado, no caso EUA-Cuba — depois de 16 anos de absoluto gelo e de várias crises entre as partes, inclusive a invasão da Baía dos Porcos, em 1961, e a crise dos mísseis soviéticos, em 1962 –, depois de negociações em 1977 entre o presidente americano Jimmy Carter e o ditador Fidel Castro.

Enquanto a embaixada suíça propriamente dita está instalada em um pequeno chalé, com duas dezenas de gatos pingados, a “seção de interesses norte-americanos”  da embaixada constitui um portento com 360 funcionários, sento 51 americanos — inclusive os fuzileiros navais que fazem a segurança –, e o restante cidadãos cubanos contratados para diferentes tarefas.

Curiosamente, os suíços representam, em Washington, os interesses cubanos, desde que a Checoslováquia, que fazia esse papel, deixou de existir em 1992, com a independência da Eslováquia e a criação da República Checa.

A extensa pauta de temas entre os EUA e Cuba, começando por temas como segurança nacional e imigração, provavelmente requeira mais diplomatas e mais recursos. Ainda que os republicanos boicotem as verbas no Congresso, contudo, está claro que as coisas funcionarão mais ou menos como quer o presidente Barack Obama.

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5 Comentários

  • alberto santo andre

    entao os americanos continuaram la ,e o maiorproblema de reatar realmente as relaçoes diplomaticas com cba sejam as empresas americanas que foram expropriadas ,sem nenhuama compensaçao financeira ,pelos seus parques induetriais e que ate hoje mantem os processos na justiça americana ,e poranto o litigio ainda e real.

  • Marcelo

    E o comércio de escravos, como é que vai ficar?

  • B Coimbra

    Os republicamos podem “esquecer” de apreciar o designado por Obama para o cargo de embaixador, que tem de ser aprovado pelo Congresso!
    Até alguns democratas estão contra Obama nesta questão de reaproximação a Cuba, país que permanentemente viola os direitos de seus cidadãos e serve de inspiração para o PT e seus partidos aliados.

  • Lobo Feroz

    A melhor forma de acabar com seu inimigo é ficar ao lado dele…

  • Nilson Rodrigues de Oliveira

    Tive que ler todo o texto para certificar-me que nossa gerentona do PAC, mãe de todas as benevolências com o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho a ela entregue como impostos não pagaria o custo da Embaixada, afinal, a ditadura mequetrefe se sustenta hoje com dinheiro brasileiro, pois a Venezuela quebrou.