RESULTADO DO NOSSO TESTE: o autor do discurso é o general Douglas MacArthur. 20 leitores acertaram. E vamos lembrar um pouco desse grande personagem

O general MacArthur com duas marcas registradas: o cachimbo e os óculos escuros

Amigas e amibos do blog, dos 47 leitores que comentaram o teste sobre de quem, entre 12 grandes oficiais-generais da II Guerra Mundial, era a voz do trecho do discurso que postei, 20 acertaram: trata-se, mesmo, da voz do general norte-americano Douglas MacArthur, um dos heróis do grande conflito, legendário chefe militar, um dos cinco únicos generais de cinco estrelas — máxima honraria do Exército dos Estados Unidos, superada hierarquicamente apenas pelo título de “general dos Exércitos dos Estados Unidos” de que é detentor apenas o primeiro presidente americano, George Washington –, chefe supremo das forças norte-americanas no Pacífico durante a guerra.

MacArthur, homem de personalidade forte, que tornou marcante a figura de óculos escuros e fumando um cachimbo feito de sabugo de milho, já se destacara na I Guerra Mundial (1914-1918) e fora chefe do Estado-Maior do Exército americano antes de se aposentar, em 1937, para ser uma espécie de supervisor militar do governo das Filipinas, então sob domínio americano.

Voltou imediatamente ao serviço ativo após o ataque japonês à esquadra americana do Pacífico, em Pearl Harbor, no Havaí, a 7 de dezembro de 1941, quando o presidente Franklin D. Roosevelt declarou guerra ao Japão.

Quase quatro anos depois, caberia a ele aceitar a rendição incondicional do Japão, em cerimônia soleníssima realizada no convés do cruzador Missouri, fundeado na baía de Yokohama, a 2 de setembro de 1945, dando por encerrado o maior conflito militar da história da Humanidade.

Depois da rendição, MacArthur seria comandante Aliado da ocupação do Japão, entre 1945 e 1951, e o virtual autor da Constituição que vige até hoje no país.

O segundo preferido, com cinco votos, foi o também americano e também general de cinco estrelas do Exército Dwight D. Eisenhower, principal responsável pela maior operação militar da história — o Desembarque na Normandia, no dia 6 de junho de 1944, em que forças dos Aliados foram transportadas por 5.000 navios. Eisenhower foi o comandante supremo dos Aliados que venceram a II Guerra Mundial e, posteriormente, presidente dos EUA (1953-1961).

Recebeu dois votos o general de quatro estrelas do Exército George S. Patton, mitológico comandante do V e do III Exércitos dos EUA na Europa, tido por muitos como um dos generais mais audazes da história militar.

Eisenhower, demitiu-o do comando do V Exército depois de ele haver esbofeteado em público um soldado, por suposta covardia, durante a campanha da Itália, em 1943, mas Patton retornou no ano seguinte e, à frente do III Exército, até 1945, avançou 2 mil quilômetros dentro de países ocupados pela Alemanha nazista a uma velocidade espantosa, libertando mais de 10 mil cidades e povoados — sim, o número é este, não estou digitando errado — e fazendo 1,2 milhão de prisioneiros.

Também levou dois votos o general George C. Marshall, outro cinco estrelas, chefe do Estado-Maior do Exército americano e principal conselheiro militar do presidente Roosevelt durante a II Guerra Mundial, e depois o secretário de Estado que engendrou e aplicou o plano que leva seu nome e que recuperou a Europa da ruína causada pelo conflito.

Recebeu um voto o marechal-de-campo britânico Bernard Montgomery, grande estrategista que derrotou o famoso inimigo alemão marechal-de-campo Erwin Rommel, a “Raposa do Deserto”, no norte da África, em 1942, liderou a invasão da Sicília, em 1943, e participou do planejamento da invasão da Normandia. Depois do desembarque na Normandia, comandou todas as forças de terra americanas, britânicas e canadenses.

Como vocês vêem, a soma de votos não corresponde a 47, porque vários leitores comentaram o post sem votar.

O discurso foi feito após MacArthur ser demitido como comandante das forças da ONU na Guerra da Coreia

O discurso do general Douglas MacArthur foi proferido no dia 19 de abril de 1951, a convite, perante sessão conjunta do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA, logo após o velho herói da II Guerra Mundial ter sido demitido pelo presidente Harry S. Truman do comando das tropas da ONU na Guerra da Coréia, compostas por militares de 17 países mas cujo maior contingente era de soldados americanos.

A guerra começara em junho do ano anterior, quando forças da Coreia do Norte comunista invadiram a Coreia do Sul. A ONU aprovou resolução decidindo enviar forças militares de terra, mar e ar para combater a invasão. Sob o comando de MacArthur, as forças da ONU reverteram a situação, expulsaram boa parte dos norte-coreanos, ultrapassaram o Paralelo 38, que divide até hoje as duas Coreias, e entraram fundo em território comunista.

Queria invadir a China e usar a bomba atômica

MacArthur queria aproveitar e invadir a China comunista, sustentáculo da Coreia do Norte, e advogava o emprego de bombas atômicas táticas (de efeito relativamente localizado) para vencer a guerra.

Não acreditava que a China — recém-saída da guerra civil que, há um ano, instalara os comunistas de Mao Tsé-tung no poder — entrasse na guerra com a invasão do Norte, mas se equivocou: centenas de milhares de soldados chineses enfrentaram os americanos e seus aliados, provocando pesadas baixas.

O general também entendia que não necessitava de autorização presidencial para usar a bomba atômica e era da convicção de que, na Coreia, só a vitória interessava. Truman, por sua vez, temia os brutais custos de uma guerra generalizada na Ásia e preferia um armistício com os comunistas.

No auge da guerra, as forças da ONU chegaram a 1 milhão de soldados, sendo 300 mil americanos e quase 600 mil sul-coreanos. Ao todo, nada menos do que 5,7 milhões de americanos serviram na Coreia durante os três anos da guerra, e mais de 37 mil morreram.

Mesmo sendo quase um semideus para muitos americanos, quando MacArthur trombou com o poder civil representado pelo presidente Truman ocorreu o que se dá em democracias: o presidente o demitiu sem contemplações.

Demitido, o Congresso o convidou para expor suas impressões e opiniões sobre a guerra. O general foi inequivocamente crítico do presidente Truman.

O trecho do discurso e sua tradução

Quer ouvir de novo o trecho do discurso, agora que você conhece as circunstâncias?

Clique aqui.

Tradução do trecho selecionado

“Tenho constantemente clamado por novas decisões políticas, essenciais à obtenção de uma solução [para a guerra da Coreia]. Mas houve esforços para distorcer minha posição.

Na verdade, disseram que sou um belicista. Nada poderia estar mais distante da verdade. Conheço a guerra como poucos homens a conhecem, e nada, para mim, é mais revoltante.

Há muito tempo defendo sua completa abolição, uma vez que a destruição que causa, tanto entre aliados como inimigos, tornou-a inútil como meio de resolver disputas internacionais.

Mas, uma vez que somos forçados a ir à guerra, não há outra alternativa a não ser utilizar todos os meios disponíveis para levá-la a um rápido desfecho.

O objetivo da guerra é a vitória, não a indecisão prolongada”.

Não consta desse trecho, mas a frase seguinte é histórica: “Na guerra, não há nada que substitua a vitória”.

Leitores que acertaram

Pela ordem em que chegaram os comentários, deram a resposta certa os leitores Milton Galvão, Atento, Zaratrusta (admitindo que recorreu ao Google), SergioD (que não acertou as circunstâncias e o local do discurso), João Fernandes, Carlos Eduardo (não acertou as circunstâncias e o local), Thalis Eduardo (idem), ORF, JB/RJ, Paulo Boccato (não acertou o local nem a época da fala), Edson, Pedro Luiz Moreira Lima, J. Paulo,Craterus, Lito Francis, Diógenes Santiago (que se equivocou quanto às circunstâncias), Saint Germain (que acertou o nome, o local e as circunstâncias do discurso), Kitty, Guerra e Ailton.

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10 Comentários

  • maria luiza guião bastos

    Caro Jornalista, Caro Setti! não vi o post mas se votasse, teria errado. Estou lendo O Dia D, umas 800 págs. e emocionantemente lendo elas!Assim como leio agora e fico tão repleta de tantas emoções que nem tenho o que postar, só um obrigada DESTE TAMANHO! o coração fica pra arrebentar, então as palavras não chegam, mesmo. Somente as de gratidão, então desculpe as palavras emburrecidas, ah, que alegriaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!

  • Zaratrusta

    Parabéns pelo excelente epílogo do teste. Gostaria apenas de informá-lo que a classe do USS Missouri era de encouraçados.
    Poderia politizar seus interessantes comentários de encerramento, mas vou te poupar dessa, pois concordo antecipadamente que seria uma “forçada de barra”,… então, fica para outra oportunidade. Um abraço!

  • Atento

    Ótimo fechamento da enquete, Setti! Divertido e instrutivo!

    Para a leitora Maria Luiza (12/11/2012 às 17:48): se está gostando de “O Dia D”, recomendo que leia (ou veja os DVDs) “Band of Brothers” e o brasileiríssimo “Senta a Pua” e se emocione ainda mais ao ver como homens comuns se tornaram heróis.

    Poderia indicar mais alguns filmes ou livros que retratam episódio verídicos que me emocionam e me enchem de admiração pelos homens que dominaram o medo e cumpriram sua missão, mas as duas recomendações acima já são um bom começo.

  • maria luiza guião bastos

    Oi, “”ATENTO” ( com a devida aprovação do Excelente Setti!) – sim, vi a série, comprei umas… 3, como não foram devolvidas agora tenho a minha. Maravilhosa! sobretudo o final, o pós-guerra, que ninguém que eu saiba tinha mostrado…me emocionei com os Alpes…. bem, com tudo!’Senta a pua” não vi, não conseguimos ter aquela emoção (ah, não me julgue, de séries brasileiras só amei ”Preamar”). Obrigada, quero dizer uma coisa, séria: não existem comentaristas como os daqui, são …….. dez!

  • Atento

    Maria Luiza,

    O DVD “Band of brothers” não é para emprestar: o risco de não voltar é 99,9%!
    Se você quiser saber o que houve com os personagens (após a série ser feita) e quais ainda estão vivos, veja no item “elenco” do link abaixo:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Band_of_Brothers

    (ali os admiradores da série mantém informações sobre o falecimentos dos personagens.

    Quanto ao “Senta a Pua”: o livro foi reeditado recentemente (3ª edição). Já o DVD é mais difícil de achar, mas pode tentar no site abaixo, que é sério e se propõe a manter viva a memória dos homens e feitos de nossa FAB nos céus da Itália:

    http://www.sentandoapua.com.br/portal/

    Caro Setti,

    Desculpe-me por postar links mas acho que são oportunos, dado o tema em questão.

    Não há nada de errado em postar links que sejam do interesse geral, caro
    Atento.
    O que não posto mais são íntegras de material jornalístico publicado em outros veículos na área de comentários do blog.
    Abração

  • de Saa

    Mac Arthur e Mark Clark,dois dos generais norte americanos mais falados no Brasil da geração de meu pai,em torno dos anos cinquenta.Mereciam os altos coturnos,salvaram a liberdade.

  • Francisco

    Apenas uma correção. Houve mais um General dos Exércitos dos Estados Unidos, o General John Pershing ( http://en.wikipedia.org/wiki/John_J._Pershing ), inclusive tendo sido o único a ser agraciado com esse título ainda em vida.

    Caro Francisco, definitivamente a Wikipedia errou, como ocorre tantas vezes. São apenas os mencionados no post. Pershing NÃO é general de cinco estrelas, tenho absoluta certeza.
    Um abraço

  • J. Paulo

    Ricardo Setti, no teste eu pedi para mencionar Gen. Sir Allan Brooke porque ele foi o soldado de mais alto posto da Grã-Bretanha. Mas é frequentemente esquecido. Abraços.

  • Gabriel

    Ricardo Setti, veja no site abaixo que desta vez a wikipedia não está errada quanto ao General Pershing :

    http://www.history.army.mil/html/faq/5star.html

    Congress revived the grade of General of the Armies of the United States by Public Law 45, approved September 3, 1919, to honor General John J. Pershing for his wartime service. He retired with that rank on September 13, 1924, and held it until his death on July 15, 1948. No other officer held this specific title until 1976, when President Ford posthumously appointed George Washington General of the Armies of the United States and specified that he would rank first among all officers of the Army, past and present.


    Meu caro Gabriel, se você ler o próprio texto da Wikipedia vai notar que Pershing manteve o título de “general dos Exércitos dos Estados Unidos” até 1948, quando morreu.

    Houve várias reformulações nessas qualificações — inclusive com a criação do posto supremo honorário, que pertence apenas a George Washington — de sorte que, com absoluta certeza, os quatro generais de cinco estrelas do Exército são os que mencionei.

    Há um quinto, o general Henry H. Arnold, que comandava a Aviação do Exército antes da criação da Força Aérea dos Estados Unidos.

    Houve uma reclassificação e, hoje, ele é o único general de cinco estrelas da Força Aérea.

    Os demais quatro são do Exército (a Marinha tem seus almirantes, que aqui não vêm ao caso), e são os que mencionei.

    Para tirar realmente suas dúvidas, vá a este link OFICIAL do Exército dos Estados Unidos, onde estão os nomes dos quatro — Eisenhower, Bradley, Marshall e MacArthur:

    http://www.army.mil/article/31874/shoulder-bling/

    Um abraço

  • Adilson Minossi

    Estimado Setti! Fica aqui o meu protesto ao teu excelente blog que passei a ler diariamente:
    Colocar a foto do Grande General de 5 estrêlas ao lado de um canalha como jamais se viu no Brasil????
    E que já deveria ter ficado preso desde 1968! Preciso dizer quem é a figura??? Creio que não!!!