O melhor do mundo-MessiReuters

 

Por Daniel Setti

Tudo bem que o jogo era contra o modesto — mas lutador — Osasuna, equipe que quase todo ano se dedica unicamente à tarefa de não cair para a segunda divisão do futebol espanhol. Mas os sonoros, acachapantes 8 a zero aplicados pelo Barcelona (que vocês poderão ver em ação hoje, contra o atual líder do campeonato, o Valencia, às 17 horas de Brasília) sobre o time de Pamplona no sábado, 17 passaram mais uma vez aos torcedores do Camp Nou a impressão de que a equipe comandada por Pep Guardiola é formada por atletas que nem parecem humanos.

Além de enxurrada de gols – o primeiro tempo terminou em 5 a zero -, os predicados demolidores dos craques catalães naquela noite de sábado se respaldam em estatísticas. Na segunda etapa, Messi e companhia registraram inacreditáveis – e muito provavelmente inéditos, em se tratando de futebol profissional – 83% de posse bola contra 17% dos abatidos adversários, que a cada estufada de barbante se entreolhavam, tristonhos, ou simplesmente fitavam o solo.

Como disse Luis Fabiano em entrevista à Revista da ESPN Brasil no ano passado, “jogar contra este Barça no Camp Nou é não pegar na bola”. Não por acaso o esquadrão já marcou 15 vezes nas três primeiras partidas do Campeonato Eapanhol 2011-2012.

Tendo em mente goleadas esmagadoras como esta, a revista mensal inglesa Four Four Two publicou matéria em sua nova edição na qual investiga quais seriam as maneiras de se derrotar o já lendário Barça de Guardiola que, com seus 12 títulos vencidos em pouco mais de três anos (incluindo um Mundial Interclubes, duas Copas dos Campeões da Europa, três Campeonatos Espanhóis e uma Copa do Rei), já é o maior treinador da história do clube.

Para Mourinho, “não são robocops”

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Mourinho: “são pessoas e cometem erros” (Foto: Reuters)

A matéria reúne depoimentos de jogadores e técnicos que enfrentaram o Barcelona ao longo dos últimos anos, tentando desvendar o segredo do esquete de baixinhos “alienígenas”. Mesmo sem figurar entre os entrevistados, José Mourinho, comandante do rival Real Madrid, demonstrou que tem o seu próprio manual.

“Mou nos disse que o Barcelona não é formado por onze Robocops”, afirmou Adebayor, centroavante togolês que esteve até meses atrás na equipe madrilena. “São pessoas e cometem erros quando perdem a bola”.

Os “defeitos” de Xavi e Iniesta

Até aí, nenhuma novidade. O problema – e isso não só os pobres marcadores do Osasuna sabem – é a capacidade deste Barça de manter a bola em seu domínio, tendo mestres do passe preciso como Xavi e Iniesta (os dois maiores do mundo, depois de Messi, segundo a FIFA), e agora Cesc Fabregas, disponíveis para o meio-campo.

Kurban Berdyev, técnico do Rubin Kazan, time russo que viveu seus minutos de fama internacional ao vencer a máquina azul-grená em pleno Camp Nou em 2009, acha que a saída é aproveitar as “deficiências” justamente destes craques: “Xavi e Iniesta nunca ocupam a área defensiva, o que deixa um espaço livre para um disparo a gol”.

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Que tal chutar mais de fora da área? Na imagem, Scholes marca e elimina o Barça de 2008/2009 (Foto: Getty)

A dica ajuda a entender o golaço de fora da área marcado por Paul Scholes, veterano volante e ídolo do Manchester United, na partida que eliminou o Barcelona da Copa dos Campeões 2008/2009 (a última antes de Guardiola, portanto, mas já com o trio de craques no elenco). “Chutei mal com a parte de fora do pé a entrou”, resumiu o ruivo.

Aguentar 20 minutos e depois… rezar

“O espaço do jogo deles tem que ser reduzido, para que não joguem em linha”, recomenda Quique Sánchez Flores, treinador que sofreu nas mãos dos catalães ao comandar o Atlético de Madrid nas últimas duas temporadas.

Já Esteban Vigo, ex-técnico do fraco Hércules, da cidade de Alicante, em Valência, oferece uma lição interessante, que com certeza não foi cumprida pelo Osasuna do primeiro parágrafo: “há que se manter um grande nível de concentração para não tomar nenhum gol nos primeiros vinte minutos. A partir daí, pode ser que você encontre alguma brecha na defesa deles”.

Deixando o discurso técnico e o politicamente correto de lado, o ex-atleta do Barça Fernando Navarro, hoje no Sevilla, é taxativo: “para ganhar do Barça há que rezar”.

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4 Comentários

JT em 22 de setembro de 2011

Para ganhar do Barcelona é fácil: basta ser o Boca Juniors e jogar na Bombonera, ou ser o Santos e jogar na Vila Belmiro. O juiz tem que ser paraguaio. O Barcelona só ganha desses times se o campo for neutro e se o juiz for sueco. Infelizmente o Palmeiras não ganha do Barcelona, nem se emprestar o Canindé da Portuguesa...

José Geraldo Coelho em 22 de setembro de 2011

O Pedro Luiz Moreira Lima colou comentário em post errado. Mas o comentário é exelente e ele, assim como eu, está se lixando para o Barça. O Barça que se exploda.

Pedro Luiz Moreira Lima em 21 de setembro de 2011

Amigo Setti. Colocando a noticia(tirei do blog do Nassif) acho merecedor de destaque - vc amigo que decide. Por raquel_ Do Valor Econômico Comissão da Verdade investigará 42 anos com equipe reduzida e sem orçamento Por Vandson Lima e Fabio Murakawa | De São Paulo Previsto para entrar na pauta de votação do Congresso amanhã, o projeto de lei 7.376, que cria a Comissão Nacional da Verdade, deve ser aprovado com apoio de todas as bancadas, depois de intensa negociação do governo, que colocou quatro de seus ministros - Justiça, Defesa, Direitos Humanos e Relações Institucionais - para conversar com a base e a oposição e convencê-los da importância da matéria. No entanto, quem acompanha com assiduidade o tema está temeroso com o projeto, que nasceria com debilidades evidentes. O Valor conversou com especialistas, promotores e participantes de comissões da Verdade feitas em países da América Latina e África. A opinião unânime é de que o projeto, tal como está, é extremamente dependente da boa vontade do governo. O grupo de trabalho designado é considerado insuficiente e desprovido de autonomia financeira, já que não tem dotação orçamentária e dependeria de repasses, vinculado que está à Casa Civil. O período analisado, de 1946 a 1988, é visto como demasiadamente extenso, o que tornaria inviável uma investigação minuciosa. "Corre-se o risco de criar uma comissão débil. Com sete membros e 14 funcionários para cuidar de tudo, de atender o telefone até fazer a inquirição, a leitura de milhões de documentos, apurar as violações cometidas em 42 anos no Brasil todo, é completamente impossível", afirma o procurador da República Marlon Weichert. A opinião do procurador é compartilhada por especialistas do Peru e da Argentina, países que criaram comissões semelhantes para apurar violações aos direitos humanos em diferentes períodos. "Não há nenhuma possibilidade de sete comissários e 14 pessoas investigarem 40 anos de violência política. Isso é inviável", diz Jo-Marie Burt, cientista política americana que participou da comissão da verdade peruana. "Eu diria que essa é uma estrutura mínima, e que logo será necessário trazer mais pessoas". O advogado chileno Roberto Garretón, que atuou na área de direitos humanos durante a ditadura de Ernesto Pinochet, vai mais longe. Segundo ele, seriam necessárias pelo menos 300 pessoas para trabalhar em uma comissão que investigue crimes cometidos "de Curitiba a Natal, da fronteira com a Bolívia ao Atlântico". Além disso, para ele a comissão deveria ter foco somente no período da ditadura militar (1964-1985). "A impressão que me fica sabe qual é? É que se cria [a comissão] para fracassar", avaliou. "Não se pode colocar no mesmo plano o que aconteceu sob Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Garrastazu Médici e Castelo Branco. São contextos muito diferentes". A escolha dos sete membros da comissão é atribuição exclusiva da Presidência da República, outro ponto criticado por especialistas. "O processo poderia ser mais transparente. Que a presidente faça a escolha, mas deveria haver vedação de participação dos diretamente envolvidos nos fatos investigados, tanto vítimas quanto agentes políticos, garantindo a isenção", observa a procuradora da República Eugênia Fávero. Os participantes são demissíveis a qualquer momento. "Achamos que o mandato deveria ser fixo, e que uma eventual demissão só poderia ocorrer a partir de um processo administrativo. Assim, se garantiria a independência destes na atuação", diz a procuradora. Ampliar imagem Para Garretón, no entanto, a comissão deve abrigar gente próxima "aos dois lados". "As comissões da verdade não são criadas para convencer aos convencidos. Os familiares das vítimas sabem o que aconteceu. Essas comissões são feitas para convencer aqueles que dizem não saber nada". A comissão da Verdade é um dos instrumentos indicados pela Organização da Nações Unidas e por cortes internacionais relacionados à Justiça de transição - conjunto de medidas adotado por um país quando sai de um período de exceção. O objetivo é adotar medidas que visem a não repetição daqueles acontecimentos. Ao contrário de um argumento corrente de parte a parte, as comissões não têm caráter punitivo. O que fazem é a recuperação da verdade histórica, a versão oficial do Estado. Busca-se entender o funcionamento de instituições que se envolveram com a prática de violações de direitos humanos. A punição é matéria exclusiva do Poder Judiciário. "A questão é saber como o Estado foi capaz de se transformar em uma máquina de violação", atesta Weichert. Em países como Argentina, Peru e Chile, as comissões foram apenas o primeiro passo no que ativistas de direitos humanos classificam como "processo de verdade e justiça", na transição de regimes tidos como ditatoriais para a democracia. O segundo, adotado mais cedo ou mais tarde, dependendo do país, foi a punição dos violadores. "É um problema não investigar todas as pessoas comprovadamente envolvidas nesses crimes contra a humanidade. Na Argentina, tivemos vários casos de pessoas que ocupavam cargos públicos, governadores eleitos, deputados. Se não se julga esse tipo de pessoa, fica difícil ter instituições democráticas onipresentes", afirma Valeria Borbuto, diretora de investigação do Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels), ONG argentina criada em 1979 e envolvida em vários processos judiciais relacionados a mortos e desaparecidos na ditadura. O país criou a sua comissão da verdade em 1984, logo após o fim do regime militar, por ordem do então presidente Raúl Alfonsín. A comissão coletou depoimentos voluntários, mas não apontou nomes de violadores. Porém, os testemunhos foram fundamentais para a condenação, em 1985, de cinco membros da junta militar que governou o país entre 1976 e 1983. Eles receberam indulto durante o governo de Carlos Menem, que editou duas leis de anistia: "Ponto Final" (que ditou o fim de todos os processos contra pessoas acusadas de violência política durante a ditadura) e "Obediência Devida" (que isentou subordinados das Forças Armadas de crimes cometidos sob ordens de seus superiores). Essas leis foram declaradas inconstitucionais em 2003, já durante o governo de Néstor Kirchner, pela Suprema Corte do país, o que possibilitou a retomada dos processos. Na opinião de Valéria Borbuto, do Cels, os próprios depoimentos e as provas coletadas pelo órgão servirão naturalmente como instrumento de pressão para que haja julgamentos. "Se a verdade dos depoimentos for fidedigna com o que de fato aconteceu, ela será escandalosa", afirmou. A jornalista argentina Magdalena Ruiz Guiñazu, que participou da comissão da verdade em seu país, afirma que muitos dos encarregados de coletar depoimentos não conseguiram concluir os seus trabalhos, tamanhas eram as atrocidades que eles escutavam. "O Ministério do Interior havia indicado um pessoal para receber as denúncias dos familiares das vítimas, e elas eram tão terríveis que eles não aguentaram", recorda. "Tivemos que convocar gente ligada aos organismos de direitos humanos para ouvi-los". A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos condenou, em 2010, o Brasil em relação à Guerrilha do Araguaia. Pela sentença, o Estado brasileiro terá de remover todos os obstáculos práticos e jurídicos para a investigação e esclarecimento de crimes e responsabilização dos envolvidos. O Tribunal reafirmou o alcance geral de sua decisão, exigindo que as disposições da lei de Anistia não representem um obstáculo à investigação. "Há uma diferença aí que é preciso anotar. Aprovar o projeto da Comissão da Verdade não cumpre a decisão da Corte", observa Weichert. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, atesta que os processos são separados. "Dizer que o Brasil procura com a comissão da Verdade responder à Corte é não admitir que o país precisa responder às sua própria história e sua gente". "A sociedade ferida por um crime contra a humanidade não é o vilarejo onde ele ocorreu, nem o país, mas a humanidade inteira. E, se é a humanidade inteira, não há por que um juiz ditar a anistia", diz Garretón. "Eu não diria que o Brasil está atrasado. O Brasil não começou a atuar, simplesmente. No Brasil não havia comissão da verdade nem julgamento de criminosos". Para Jo-Marie Burt, não obstante crimes de lesa-humanidade já serem considerados imprescritíveis à luz do Direito Internacional, "a lei de anistia no Brasil vai cair sob esse mesmo tipo de decisão [da OEA]. Porque são decisões cuja jurisprudência se aplica a todos os Estados que são signatários do sistema interamericano, o que é o caso do Brasil".

Marco em 21 de setembro de 2011

Amigo Setti: Jogaria contra eles com 3 zagueiros e uma Linha de 4 e outra de 3. E tentava ganhar na bola parada. Abs.

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