Salve-se quem puder: Senado vai escolher novo presidente do Conselho de Ética — e Renan Calheiros será decisivo na história

Renan: peso fundamental na escolha do presidente da Comissão de… Ética (Foto: Agência Senado)

Vejam, amigos, na matéria abaixo da Agência Senado, como a política produz ironias: o Senado vai começar a decidir nesta terça-feira, 10, quem irá presidir o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa — e figura central nesta escolha será o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Justamente ele que, envolto numa formidável nuvem de maracutaias inicialmente divulgadas por VEJA, em maio de 2007, precisou renunciar em novembro à presidência do Senado, que então exercia, para escapar da cassação do mandato — por falta de ética e de decoro parlamentar.

Salve-se quem puder, e vamos em frente.

Da Agência Senado

Com o cargo de presidente ainda vago e às voltas com o pedido de investigação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado tem reunião marcada para a terça-feira (10).

A escolha do novo dirigente para o colegiado depende de negociações entre os líderes partidários e dentro do PMDB, segundo informou o líder do partido na Casa, Renan Calheiros (AL).

O parlamentar alagoano disse que vai levar à análise da bancada peemedebista a sugestão do nome de Wellington Dias (PT-PI), feita pelo bloco de apoio ao governo no Senado (PT/PCdoB/PSB/PDT/PRB).

Renan: a preferência é por um nome do PMDB

De todo modo, assinalou, por enquanto a preferência é por um nome do próprio PMDB, agremiação a quem cabe a indicação para a presidência do conselho, conforme o acordo de repartição dos cargos firmado no princípio da legislatura atual, em fevereiro do ano passado.

O assunto também deve ser objeto de consultas aos líderes partidários. Renan não explicou se essa consulta será informal ou se dará na reunião de líderes, que normalmente ocorre às terças no final da manhã ou início da tarde.

O anúncio do nome de Wellington foi feito em Plenário pelo líder do Bloco, senador Walter Pinheiro (PT-BA). O objetivo, destacou, é agilizar a recomposição do conselho. O cargo de presidente está vago desde setembro do ano passado, com o afastamento do senador João Alberto (PMDB-MA), que pediu licença para assumir cargo no governo do Maranhão.

Diante do que ele chamou de “dificuldade” do partido na escolha de um nome para assumir o posto, o bloco liderado pelo PT decidiu sugerir o nome do parlamentar piauiense, que está representando o Senado numa missão à Suíça.

Caso Demóstenes

Uma das atribuições do novo presidente do Conselho de Ética será decidir se acolhe representação do PSOL para apuração de denúncia de quebra de decoro parlamentar por parte de Demóstenes, que se desligou do DEM depois de anunciado um processo de expulsão contra si.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal autorizou abertura de inquérito para investigar as relações entre Demóstenes e o empresário Carlinhos Cachoeira, preso acusado de explorar uma rede ilegal de jogos. Conforme o próprio DEM, há fortes indícios de que o senador por Goiás representou interesses de Cachoeira no Congresso e no Poder Judiciário.

– Em nome do bloco, venho pedir a completa apuração de todos os crimes, não só a apreciação da quebra de decoro, mas a apuração de todo o processo. É preciso recompor o conselho na próxima terça para apurar, avaliar e punir os responsáveis todos os crimes cometidos – ressaltou Walter Pinheiro.

O líder do PT enfatizou ainda que o corregedor da Casa, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), com apoio do presidente José Sarney, solicitou à Procuradoria-Geral da República que tanto a Corregedoria quanto o Conselho de Ética possam ter acesso às informações já reunidas sobre o caso.

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Nenhum comentário

  • Jorge

    Eu acho que deveriam colocar o Demóstenes Cachoeira.
    Este sim, é probo.

  • relume romano

    O Rosto…
    Durante a vigência dessa “ética do mercado” que norteia a conduta dos políticos, durante esse período da República, não devíamos nos surpreender quando as denúncias contra quem considerávamos íntegros, aflora na mídia.

    Durante as campanhas eleitorais o sujeito se apresenta defendendo as ideias que considera saudáveis para o eleitorado. Entretanto depois que conquista o cargo, desvia-se das metas traçadas, partindo para a sangria das instituições em que se inseriu.

    Os fatores que conduzem a esse desvio da conduta são vários. Dentre eles estaria o alargamento das possibilidades de ação do eleito, que não teria como expandir seu raio de ação, sem se entregar ao suplemento, dos seus bens particulares, com as verbas pertencentes ao poder público.

    Outro componente reforçador da conduta criminosa seria o prestígio alcançado pelo agente, junto aos seus pares.

    Por fim, a impunidade daria a certeza de que o agir incorretamente proporciona estilos luxuosos de vida, impossíveis de serem alcançados sem as maquinações futuras que levam à subtração das riquezas alheias.

    A punição dos culpados teria, em tese, o dom de servir como elemento inibidor das falcatruas impeditivas da distribuição justa das riquezas nacionais.

    A pobreza é minimizada quando a corrupção e os corruptores são tirados de cena…Mas..ate agora… São os mesmos ineptos doentes mentais que, há vinte, trinta anos, permanecem servindo-se das riquezas alheias, os maiores interessados no seu silencio…Quem se importaria com as opiniões alheias, se não tivesse nada comprometedor a esconder? São esses desmesurados, que laboram sobre premissas falsas, os maiores cerceadores da integração da província ignorante e retardada, ao mundo humano.Até quando a riqueza, a ostentação dos senhores deputados, senadores, prefeitos e vereadores corresponderão à miséria e ao sofrimento de milhões de pessoas?

    Enquanto as punições não forem exemplares e não tiverem a propriedade de suscitar o temor, ante as oportunidades de corromper, saiba que a degeneração só tende a aumentar.

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Caro Pedro, obrigado por seu material.

    Vou utilizá-lo num post, sim.

    Abraços e obrigado

  • RONALDE

    Vai ser difícil de encontrar, mas o vulgo para a Presidência do Conselhode Ética deve ter o seguinte perfil:
    Condição “sine qua non” – Não pode ser ético, ponto.
    Precisa ser manobrável, escamoteador, falso. Tem que parecer rspeitável.
    Problema: Não pode ter folha corrida que possa ser exposta pela VEJA.

  • Markito-Pi

    O jagunço das alagoas ( minúscula mesmo…), tem histórias de gatunagens em suas escolhas. Quando réu, no mesmo conselho de ética, nomeou um certo, com o perdão da palavra, paulo duque, um incompetene bêbado em estado ermninal, que, claro, absolveu-o in limine.
    Para que prosseguir com a farsa? este batedor collorido de caminhões de boi que assuma, diretamente o posto, pegue algum do cachoeira e ABSOLVA O DEMÓSTENES.

  • BETHS

    Não acho que seja uma mera ironia da política, mas uma desgraça das grandes. O Brasil não parece ter solução.

  • sidney

    Setti
    Ate parae – BRINCADEIRA – neeee !!!!
    O Pais do – FAZ DE CONTA QUE NAO SE SABE E SE LEMBRA DE NADA – esta cada ves mais comprometido.
    Como pode uma – FIGURA – dessa ai , ter nas maos , sob controle , uma decisao….. importante como essa ???
    Ja temos um deles la no Congresso como dirigente ( eee o maximo neee ?? ) dirigindo uma Comissao de – ETICA – e ; com muitas historias comprometedoras a responder ainda , e agora ; depender de um outro com um historico ( se eee que podemos chamar assim ) duvidoso etc etc
    Infelizmente Setti tens razao quando – posta ai -o SALVEM-SE QUEM PUDER !!!!
    Dificil mas nao impossivel; arregimentar mais alguns alem daqueles 44.000.000 que enxergaram/enxergam esses – DESVIOS COMPROMETEDORES etc etc –
    ETICA…….OLHOS NELES !!!!!
    Baita abraco

  • João Marcos

    Em se tratando de ética,moral e bons costumes ninguém melhor que Renan Calheiros!!!!!!
    Nosso nobre senador é ilusionista (peço desculpas aos ilusionista pela comparação)…faz sumir qualquer coisa que o afete.

  • Vera Scheidemann

    Brincadeira !!! Chegaria a ser engraçado,
    não fosse lamentável !
    Vera

  • Roberto

    É a mesma coisa de depender do tamanduá para a sobrevivência das formigas.

  • Tadeu

    Que entende de ética esse “tal” de Renan?
    Só no Brasil…

  • fpenin

    Renan Calheiros, fiador da moralidade.É muita desfaçatez! Na sexta década de vida, uma desilusão: o Brasil não tem jeito. Pelo menos até a geração dos meus futuros bisnetos…

  • Diego

    Renam vai ser decisivo para nomear o chefe do conselho sem ética. Sem dúvida não poderiam escolher melhor, um sujeito com tamanha ficha criminal e histórico mais sujo que bueiro entupido. Dá-lhe Renam, não sei quem votou nesse cara. Mas com certeza deve ser daqueles que assistem muita TV e não leêm quase nada. Brasil, um país de tolos (ao menos a maioria)…

  • Eliseu F Santana

    Ofensa e mentira eu não publico aqui, meu caro. Pode desistir.