Artigo de 2004: Sayad vai embora

Artigo de 2004: Sayad vai embora O economista João Sayad (Foto: Júlia Moraes - Folha Imagem/VEJA)

E mais: Paes de Barros xinga Pitta, o taco espanado de Dirceu, Folha copia O Globo, o “escritorinho” de Maurício Corrêa, a intimidade de Ratinho com Lula, a “esquerda nuclear”, o stalinismo do PC do B, novo ministro no STJ e Samu = Samdu

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Claro que a distância não quer dizer nada, mas tornou-se mais improvável a hipótese de se ter o economista João Sayad como regra 3 do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no caso de o governo Lula resolver, lá pelas tantas, dar algum tipo de guinada que o afaste da ortodoxia e o leve para o chamado “desenvolvimentismo”, corrente com a qual o ex-ministro do Planejamento é identificado.

Idem quem, em expectativa menos ambiciosa, imaginava o ex-ministro no lugar de Carlos Lessa, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sayad, que além de ministro entre 1985 e 1987 no governo Sarney (1985-1990) já foi secretário da Fazenda de São Paulo (1983-1985), secretário de Finanças da capital paulista (2001-2003) e banqueiro, está de malas prontas para assumir um posto num organismo internacional, em Washington. Junto vai a mulher, a empresária e mecenas Cosette Alves.

Para aquele lugar

Foram poucos os que notaram, mas o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), presidente da CPI do Banestado, estava muito mais furioso do que fazia crer seu ar controlado depois de dar voz de prisão ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, por desacato, na sessão de terça, 4.

Mal Pitta deixara a sala da CPI escoltado por agentes de segurança do Senado, rumo à Superintendência da Polícia Federal, Paes de Barros começou a cochichar com o relator da comissão, deputado José Mentor (PT-SP) e, a certa altura, deixou escapar, referindo-se ao episódio – e provavelmente a Pitta:

–  Ah, vai pra p. q. p.!!!

Dirceu fraco no taco

No jantar de desagravo com que foi homenageado na sexta, dia 30, no apartamento paulistano do escritor e jornalista Fernando Morais, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, contou que, quando garoto, vendia garrafas e jornais velhos em sua Passa Quatro (MG) natal para financiar partidas de sinuca num bar da cidade, a despeito da oposição paterna.

Na hora de exibir seus dotes no taco à mesa que Morais mantém no salão principal de seu apartamento, porém, Dirceu esteve pela bola sete. Na disputa de um torneio, perdeu as quatro partidas que disputou – com os jornalistas Hélio Campos Mello e Bob Fernandes, o fotógrafo Sebastião Salgado e o ator Paulo Betti.

40 anos esta noite

Por falar no jantar que Morais ofereceu ao ministro, ele coincidiu com a data do 40º aniversário de um dos 46 convidados presentes, o escritor Marcelo Rubens Paiva. Acabou merecendo um bolo e um coro de “Parabéns a Você”.

Mediawatch

O slogan ora sendo trombeteado pela “Folha de S. Paulo” – “Em 1984, o jornal das diretas. Hoje, o maior jornal do país” – bebe em velha fonte. “O maior jornal do país” foi, durante muitos anos, o slogan de “O Globo”. Que, por sinal, se dizia o maior “do país” e não “do Brasil” para não levantar a bola de seu então grande concorrente, o “Jornal do Brasil”.

“Escritorinho”

Deve ser atribuída a dissimulação mineira a modestíssima declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, segundo a qual seus planos após a aposentadoria, que se dará depois de encerrado o expediente desta sexta-feira, 7, incluem montar “um escritorinho de advocacia”.

Antes de iniciar sua carreira política como senador (1987-1995), Corrêa foi titular de uma concorrida banca em Brasília, que lhe valeu, além de prestígio – ele foi o primeiro presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e, entre 1979 e 1986, presidiu a seção do Distrito Federal da OAB –, um considerável patrimônio.

Presidente vira “o Lula”

A inacreditável (e desrespeitosa) intimidade do apresentador Ratinho com o presidente Lula, a quem chamou o tempo todo, desinibidamente, de “você” ao longo da entrevista levada ao ar na sexta-feira, 30, pelo SBT, tem em quem se inspirar.

Além do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), agora também o embaixador em Roma, Itamar Franco, tem se referido ao presidente em público como “o Lula”.

Quem te viu

Metalúrgicos vaiando o governo pela falta de correção da tabela do imposto de renda. Definitivamente, São Bernardo do Campo (SP) não é mais a mesma.

Cavalar

Um elenco de personalidades graúdas de diferentes áreas da vida brasileira estará reunido nos dias 14 e 15 próximos em Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo, para o VII Leilão Luso-Brasileiro e a XXIII Exposição Internacional do Cavalo Lusitano. Entre outros, o diretor de TV Jayme Monjardim, o publicitário Eduardo Fischer (dono, entre outras, da conta da cerveja Nova Schin) e o empresário Luís Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim.

São esperados criadores de Portugal, Estados Unidos, Canadá, México e França.

Números relevantes

Das 12 mil pessoas que se submetem anualmente no Brasil a operações de redução do estômago, 60 morrem.

Números irrelevantes

O edifício principal do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes, em Brasília, tem sete colunas de cada lado.

Esquerda nuclear

O que não faz a paixão ideológica. Em artigo recente na “Folha de S. Paulo” defendendo a tese de que o país não deve descartar a fabricação, posse e uso de armas nucleares, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. – intelectual de esquerda e simpatizante histórico do PT – considera a adesão do Brasil ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em 1998, como “uma decisão vergonhosa, típica da política externa submissa de seu governo”.

Esqueceu-se, com certeza, de que a decisão, além de seguir tradição da política externa brasileira, cumpriu a Constituição, que diz no artigo 21, inciso XXIII, letra “a”, da maneira mais clara possível: “Toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos (…)”.

Sem exagero

Por aí se vê que não contém nada de exagero o artigo de Guilherme Fiuza publicado a 28 de abril aqui mesmo na NoMínimo, “Cuidado, aí vem a esquerda nuclear” (se quiser conferir, clique na coluna à esquerda desta página no nome do colunista).

Moderninho, mas stalinista

O PC do B pode estar todo moderninho, usando sorridentes criancinhas em sua propaganda política e apoiando políticas ortodoxas do governo Lula. Mas o episódio de excluir da lista de candidatos à Câmara Municipal de São Paulo nas eleições de outubro o atual vereador Cláudio Fonseca expõe firme, ali, a sombra do velho stalinismo.

Mascarada por uma suposta e mal explicada “falta de condições” do vereador para defender a legenda, a decisão consiste na verdade numa passada de trator por cima de Fonseca, em razão de seus freqüentes votos contrários aos interesses da prefeita Marta Suplicy (PT).

Style news

Tem adquirido proporções formidáveis o nó da gravata do líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM). Mas nada, ainda, que lembre o inigualável repolho que usava no colarinho o ex-senador e ex-ministro Paulo Brossard.

Maratona

O desembargador Hélio Quaglia Barbosa, do Tribunal de Justiça de São Paulo, cujo nome a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta, 5, como novo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), terá ultrapassado uma considerável maratona quando o plenário do Senado der OK a seu nome, nos próximos dias.

Quaglia, 62 anos, concorreu, no dia 17 de abril, com outros 124 desembargadores de todo o país para ver quem integraria a lista tríplice que os atuais 31 ministros do STJ (há duas vagas por aposentadoria) elegeriam para encaminhar ao presidente Lula. Terminou sendo o mais votado. A lista tríplice seguiu então para o Planalto, com seu nome, o de um desembargador do Rio de Janeiro e outro do Distrito Federal. Seu nome emplacou – finalmente.

O desembargador já tinha entrado em duas listas tríplices votadas pelo STJ anteriormente, em 2001 e 2003, mas foi preterido.

Quem nomeia

Quaglia Barbosa será o quarto ministro do STJ nomeado por Lula. Substituirá o ministro Fontes de Alencar, alçado em 1989 ao tribunal pelo então presidente José Sarney (1985-1990). Ainda há três ministros da corte apontados por Sarney, inclusive seu presidente, Edson Vidigal.

FHC é o campeão neste quesito: 20 dos atuais 31 ministros tiveram seus decretos de nomeação assinados por ele.

Hair news

Por falar em tribunais, se o jurista Eros Grau for mesmo confirmado como indicação de Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), será o segundo barbudo entre os 11 integrantes da corte. O outro é o ministro Gilmar Mendes, designado para o STF em 2002 por FHC.

Nada de novo sob o sol

Na administração pública, tal como acreditava Lavoisier ocorrer na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) – serviço de ambulâncias para buscar em casa pacientes necessitados de atendimento médico na rede pública, por meio de convênios entre os governos federal, estaduais e prefeituras – nada mais é do que o velho Samdu (Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência) criado por Getúlio Vargas. Até a sigla é quase igual.

O Samdu ficava dependurado na Previdência Social até ser extinto em uma das reformas empreendidas pelo regime militare no final dos anos 60.

Perguntar não ofende

Os 50 mil jovens adicionais que o governo pretende convocar para o serviço militar como forma de “afastá-los da criminalidade” terão comida nos quartéis?

Disseram

De Abraham Lincoln, o mitológico 16º presidente dos Estados Unidos (1861-1865):

– Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado.

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