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Álvaro Dias: pedido de aposentadoria de magníficos 24.800 reais mensais como ex-governador do Paraná

Oito anos com sua poderosa voz de locutor trovejando contra os desmandos do governo Lula da tribuna do Senado, em boa parte do tempo como líder do PSDB, meses a fio com críticas quase diárias à campanha eleitoral da atual presidente Dilma Rousseff, procurado com ansiedade pelas câmeras da TV Globo sempre que uma palavra da oposição precisava ser colocada no ar, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) está jogando pela janela uma imagem cuidadosamente polida.

Refiro-me ao fato de Dias ter-se ingloriamente incluído na lista de espertalhões que, a despeito de terem situação econômica privilegiada e, em muitos casos, ainda exercerem cargos públicos remunerados, aproveitam-se de brechas na Constituição de 1988 e deliciam-se mamando nos recursos dos Tesouros de seus Estados, embolsando gordas aposentadorias por terem sido governadores.

APOSENTADORIA NA MOITA E ATRASADOS DE 20 ANOS

Dias, na moita, pediu em outubro passado uma aposentadoria que lhe rende apetitosos, magníficos 24.800 reais como ex-governador do Paraná no remotíssimo período de 1987 a 1991. Quer dizer, ele deixou o Palácio Iguaçu, no qual passou 4 anos, há duas décadas, mas quer vida boa às custas do contribuinte até morrer. Sem contar, é claro, que embolsa do Tesouro Nacional 26.700 reais mensais como senador da República.

Isso, porém, não é tudo: o senador também requereu do sofrido Tesouro do Paraná 1,6 milhão de reais de “atrasados” relativos a esses 20 anos. Estranhíssimo considerar “atrasados”, como se o governo do Paraná não houvesse pago, recursos que não recebia antes porque não solicitou. Não se sabe que cálculos foram feitos para se chegar a esse 1,6 milhão, já que, multiplicado por 20 anos — e com 13º salário –, a aposentadoria acumulada pelo senador, em valores de hoje, superaria os 6 milhões de reais.

De todo modo, o senador tucano perdeu toda a moral para fazer dos gastos públicos do governo federal seu cavalo de batalha. Não sei onde vai enfiar a cara, quando voltar a ocupar seu lugar no plenário do Senado.

O caso dos “atrasados” está sendo analisado pela Procuradoria-Geral do Estado. E a Ordem dos Advogados do Brasil pretende contestar no Supremo Tribunal todas as aposentadorias de ex-governadores — os ex-presidentes da República, diferentemente do que ocorre em quase todo o mundo, não recebem aposentadoria.

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