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O Tribunal Superior Eleitoral é uma corte de muitos méritos, entre os quais está a agilidade — o que não é pouco, em se tratando da Justiça brasileira.

Entre seus problemas, porém, há um que interessa diretamente a dezenas de milhões de brasileiros: o importantíssimo veículo de comunicação que é o site do tribunal.

Com o perdão pela má palavra, o site é burro, de uma burrice granítica.

O que é que milhões de brasileiros procuram, nesses dias, no site?

Resultados eleitorais, não é mesmo?

Pois desde o final da votação das eleições do dia 5, domingo, durante quatro longos dias era um desafio árduo para qualquer cidadão que visitasse o site conseguir saber quanto foi a votação de determinado candidato, ou o resultado eleitoral em determinado Estado. Tudo o mais que se possa imaginar estava ali, disponível: estatísticas do eleitorado, como proceder para o voto em trânsito, títulos e locais de votação, julgamentos da corte — o diabo a quatro.

Para encontrar resultados, porém, era um sufoco. Só na quinta-feira, dia 9, apareceu, logo na home page do tribunal — como deveria ter sido desde a noite do domingo — um link que conduz, após três cliques, ao item “estatística de resultados”.

Prolixo, verborréico, o site apresenta também um problema que considero grave para a memória da democracia brasileira: só inclui, com todos os seus detalhes, eleições brasileiras a partir de 1994 — sendo que há eleições na República desde 1894!

Cem anos de eleições cujos dados não estão disponíveis para os cidadãos!

Não há detalhes sequer da eleição presidencial de 1989 — crucial, importantíssima, extremamente disputada por 11 candidatos, na maioria muito competitivos, e, como se sabe, a primeira eleição direta livre desde o fim da ditadura militar, ocorrido em 1985, e, mais ainda a primeira desde o pleito que escolheu o presidente Jânio Quadros, em 1960.

Do jeito que o site está organizado, ficarão frustrados os internautas interessados, digamos, nas importantes eleições de 1982 — as primeiras diretas para governadores desde que a ditadura acabou com elas, em 1965, e nas quais se escolheram também senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Ele vai buscar na barra de navegação superior do site do TSE o item “Eleições”, vai encontrar o link “Eleições anteriores”. Ali, porém, só estão as eleições de 1994 em diante. As duas outras possibilidades que o link “Eleições” oferece são “Candidatos eleitos — período 1945-1990”, que obriga o interessado a fazer uma pesquisa — na qual, evidentemente, só encontrará apenas os eleitos, e nada sobre os demais candidatos e sobre os resultados.

Nada sobre eleições para o Senado da República, para a Câmara dos Deputados, para as Assembleias Legislativas, para prefeitos e vereadores — centenas de pleitos.

Ora, o TSE tem em seus arquivos TUDO sobre as eleições republicanas. É um tribunal que só fica realmente assoberbado em época eleitoral. Dispõe de milhares de funcionários. Digitalizar o material existente é tarefa da qual qualquer amador minimamente informado consegue se desincumbir.

Por razões profissionais, há anos atrás consegui no Departamento de Imprensa Nacional, em Brasília, brochuras com todos os dados sobre eleições entre 1945 e 1982. A coleção ocupa mais de um metro de prateleira em meu escritório particular.

Sobre as eleições no período da República Velha (1894-1930), os dados que tenho sobre votações conferidas a presidentes como Prudente de Morais, Campos Sales e os demais, até Washington Luís (1926-1930), bem como para seus adversários, são uma raridade bibliográfica: não existe uma publicação, nem da Imprensa Nacional, a respeito, e os números em meu poder constam de um boletim publicado pelo TSE 30 anos atrás.

O “catálogo de publicações” existente no site do TSE também não registra nada sobre o que menciono acima. O livro Eleições no Brasil — Uma História de 500 Anos, editado pelo tribunal e que pode ser baixado do site em PDF, contém o que se possa imaginar sobre o tema — menos candidatos e resultados.

Em uma época em que tanto se fala em transparência, dados essenciais à História do país são sonegados — uma vez que não estão acessíveis ao grande público — por uma corte que se intitula “O Tribunal da Democracia”.

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17 Comentários

GEROLDO ZANON em 15 de outubro de 2014

Esperar oque do TOFFOLI

Angelica em 14 de outubro de 2014

Essas eleições piorou muito . Achei péssimo o tal Divulga. O resultado por município então, não consegui acessar. Fica a sugestão de melhorar e simplificar.

Glorinha de Nantes em 14 de outubro de 2014

Incapazes capazes de "um tudo"! __ Ora, ora! A História das Eleições no e do Brasil só começou com Llulla! . De acordo com Llulla, nada existiu antes delle. Coerente, não é?! Mas, e quanto à pré-história?! Sobre o período "antes de Llulla" [A.L.] participar das eleições no Brasil?! Ah! Então, tá. . Daí, inseriu-se algum material [D.L.], o necessário e conveniente. Aquele que o exibisse como "O cara", referencial da Era. . E assim constarão nos e dos Livros de História apenas os relatos desvirtuados e distorcidos. Motivo : AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS HISTÓRICOS. . Eis o que significa "Era da Mediocridade". . Até quando?!

waldomiro em 14 de outubro de 2014

Este pessoal é pago com o nosso dinheiro.

Carlos Vieira em 14 de outubro de 2014

Vide o primeiro comentário do Tuco abaixo! Será?

PeCam em 14 de outubro de 2014

Uma outra burrice do site em termos de resultado das eleições é o tal de "Divulga" onde se obtém os resultados da votação dos candidatos aos diversos cargos. No caso de selecionar um determinado estado/cidade para saber, por exemplo, a votação dos candidatos a presidente, o site apresenta o resultado por "zonas eleitorais"...Para se saber qual candidato ganhou naquela cidade tem que se somar "na munheca" os resultados de todas as zonas....Barbaridade...é demais....

Marcelino Sonhador em 13 de outubro de 2014

Será que estes dados não estão no Arquivo Nacional, tendo em vista que o pessoal do TSE não gosta de arquivo.

Lobinho em 13 de outubro de 2014

Concordo em gênero, número e grau.

Moacir 1 em 13 de outubro de 2014

Setti, Vai continuar do mesmo jeito.O Baby Toffoli só toma providências e apena...se os crimes forem de sangue. Abc

Nélio em 13 de outubro de 2014

Esperar o quê de um tribunal superior presidido por um estagiário? Isso nos dá uma pálida ideia de como será a presidência do STF na gestão do ministro que não reúne condições para ser juiz. Decididamente, os medíocres andam muito ousados nos últimos 12 anos...

Berta Reel em 13 de outubro de 2014

Tive esta dificuldade depois das eleições. Alguém me perguntou pelos resultados das eleições. E fui tentando... tentando... considerei que era eu que não sabia fazer a pesquisa. Está explicado!

analu em 13 de outubro de 2014

Setti, Dizem que o brasileiro não tem memória. E não tem mesmo. E o poder público tudo faz para que a situação permaneça exatamente como está. Passadas estas eleições, acho que os jornalistas empenhados na luta pela democracia, como você, o Augusto Nunes, o Reinaldo Azevedo, o Rodrigo Constantino e muitos outros, poderiam começar uma campanha para que se intitua o fornecimento de recibo de votação, que as urnas eletrônicas PODEM FORNECER! (desculpe a caixa-alta, mas é para enfatizar). É um absurdo esta proibição. Como proceder, no caso em que o resultado apurado suscite dúvida?

Helena em 13 de outubro de 2014

Sr. Ricardo, o Sr. buscou dentro do link Repositório de dados eleitorais, que consta no site do TSE? http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/repositorio-de-dados-eleitorais, talvez a informação que o senhor está buscando esteja neste link.

Vaulber B. Pellegrini em 13 de outubro de 2014

Por favor me responda....Quem é o Pisidente do STE? Caro Vaulber, o presidente do TSE é o ministro José Antonio Dias Toffoli. Abraços.

what's up? em 13 de outubro de 2014

O algoritmo das urnas são medíocres propositalmente, não permite conferir o próprio voto, e ficam insistindo nas mazelas como sensor biométrico como se isso provasse alguma coisa. O pior foi o que aconteceu comigo, quando fui votar após o meio dia, alguém já havia votado por mim e ainda assinado com rabisco fake. Insisti ao mesário se não seria o caso de ter assinado no lugar errado, mas ao inserir o numero do meu titulo constou que já havia votado. Esta é a aberração da tal democracia tupiniquim!

Geraldão em 13 de outubro de 2014

Com o Dias Tofolli na presidência, esperar o que?

Tuco em 13 de outubro de 2014

. Vou chutar... O site é aparelhado pelo petê! (Acertei?) .

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