O site Sul21, de Porto Alegre, continua cobrindo o caso do soldado que denunciou ter sido dominado por quatro colegas e violentado sexualmente num quartel em Santa Maria (RS).

O fato ocorreu em maio passado, e, depois desses meses todos, apesar de evidências de que o rapaz disse a verdade e de que autoridades tentaram encobrir os fatos e esconderam o caso de sua própria família, o Ministério Público Militar está tentando transformá-lo de vítima em réu.

Leia o relato do repórter Igor Natusch: 

Depois de meses de silêncio, começam a surgir os resultados do inquérito militar que trata do suposto estupro de um soldado por outros quatro colegas, ocorrido dentro de um quartel em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, em maio deste ano. Após as diligências, o Ministério Público Militar chegou a uma conclusão que não confere com o depoimento do jovem ou com o parecer dos especialistas que acompanham seu caso. O estupro seria, na visão dos militares, uma relação sexual consentida entre os soldados. O jovem, que denunciou ter sido estuprado por colegas, pode acabar virando réu se a versão do inquérito for acatada pela Justiça Militar.

O jovem denunciou ter sido violentado por outros quatro colegas, enquanto cumpria pena por ausência em uma vigília. Segundo o relato dos pais do jovem, reproduzido pelo Sul21, o soldado era frequentemente ameaçado e submetido a situações humilhantes dentro do quartel. Na noite de 17 de maio deste ano, foi agarrado à força pelos soldados, que se revezaram na violência enquanto os demais o seguravam.

Pelo menos outros 20 soldados estavam no alojamento quando do ataque, sem que nenhum deles se mobilizasse para ajudá-lo. Após o ataque, passou mais de uma semana no Hospital de Guarnição, incomunicável, sem que nem seus pais soubessem que ele se encontrava internado ou o que tinha acontecido com ele.

Nada disso, aparentemente, foi levado em conta pelo inquérito militar. “Os autos não evidenciaram a ocorrência do emprego de violência ou grave ameaça”, afirmou o promotor de Justiça Militar de Santa Maria, Jorge Cesar de Assis.

Em resposta a pedido de esclarecimentos por parte do deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), o promotor confirmou que o inquérito militar enquadra todos os envolvidos no artigo 235 do Código Penal Militar, que trata de atos libidinosos ou pederastia. Ou seja, tanto o jovem de 19 anos quanto os outros quatro soldados são, para o Exército, culpados do mesmo crime: fazer sexo dentro do quartel.

Um sexto militar foi incluído no rol dos acusados por, estando de vigia durante o ataque, não ter feito a denúncia a seus superiores, o que caracteriza crime de omissão relevante. O documento segue inacessível, já que está coberto pelas leis militares de sigilo em crimes de ordem sexual. Isso “não impede, todavia, que a autoridade judicial, entendendo pertinente, possa fazê-lo”, diz o promotor.

O jovem que denuncia ter sido violentado prestou, ao todo, três depoimentos – no primeiro deles, logo após o ataque, sequer dispunha da presença de um advogado, conforme denuncia a família.

Durante todo o decorrer do inquérito, os advogados da família criticaram a postura dos militares, que não estariam informando adequadamente sobre os desdobramentos da investigação.

Exames de lesões corporais foram igualmente mantidos em sigilo, e a família denuncia a disposição dos militares em abafar o caso, com pressões sobre os pais e sobre o próprio jovem, mantido sob intensa vigilância durante o período de internação.

Agora, o juiz tem prazo de 15 dias para decidir se acolhe ou não a denúncia apresentada pela promotoria militar. O caso veio à tona depois que o próprio jovem revelou a um sargento ter sofrido a violência dentro do alojamento. Caso a denúncia seja aceita, o processo transformaria o denunciante, na prática, em acusado do crime que ele próprio denunciou.

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Nenhum comentário

Luizão em 24 de setembro de 2011

Caro Luizão, você há de me desculpar, mas seu comentário era de extremo mau gosto e precisei deletar. Abraços

Lauro em 23 de setembro de 2011

Isso não tem nada haver com o Exército em sí. É responsabilidade dos que praticaram o ato. A Justiça Militar, que é independente, julgará os responsáveis,não o exército.

Paulo Bento Bandarra em 22 de setembro de 2011

Eu, caro SergioD, confio na lógica, e não faz nenhum sentido esta reportagem deste jornalista de um jornal de petistas. Não só por isto, mas porque se vê que ele não conhece nada da legislação brasileira e de como funciona a mecânica legal. O MPM responde ao MPU, que é indicado pela Dilma. Não tem como ele forjar nada. A Justiça Militar é independente. Não responde ao Exército. Havia 20 recrutas no alojamento, porque todos mentiriam? Faz alguma lógica? Junta mais o sentinela, e ninguém vai atrás de ajuda, se 20 se achassem sem poder para deter quatro? . O laudo foi feito 10 dias depois. . Não vislumbro nenhum motivo que poderia levar o Exército Brasileiro estar preocupado em abafar uma fato destes de responsabilidade única exclusiva de quem se envolveu no que não devia. Muito pior foi aquele da FAB que soldados introduziram as meninas no quartel e deram a arma para uma que resultou em morte. Este aí, se foi estupro ou foi consentido em nada afeta o Exército. Foi tudo enviado ao MPM e a Justiça, a quem de direito, a parte do quartel se findou. Não tem mais nada com o resultado que vier a dar. Não é parte interessada, que passa a ser o MPM. Não é no quartel que vai se discutir a materialidade do crime. Será no judiciário com todas as garantias. Cada um dos seis irá responder na justiça conforme a sua responsabilidade pessoal apurada lá. Terão defesa civil de graça (Defensoria Pública) ou paga, escolherão. Serão ouvidos cada um individualmente e pessoalmente pelo juiz. O que afetará o Exército o esclarecimento da verdade? Qual a vantagem que adviria? . Só vejo um ganhador na história: vender pasquim.

Filipe em 22 de setembro de 2011

Exercito Brasileiro FEDE!

SergioD em 22 de setembro de 2011

Paulo, eu não confio na capacidade do jornalista analisar um laudo pericial. Confio sim na sua capacidade de apurar a informação. Alguém leu o laudo e lhe passou a informação. Quanto aos erros da imprensa, eles existem. eu mesmo dei um exemplo, como você deu outro. Como não adianta mais ficarmos discutindo isso, vamos acompanhar o caso para ver no que que dá. Confio no Ricardo para nos passar sempre a sua visão isenta dos fatos. Um abraço

Andreza em 22 de setembro de 2011

É mais fácil prender um inocente, do que admitir um erro.

Paulo Bento Bandarra em 22 de setembro de 2011

"Minha vida foi destruída", diz enfermeira britânica que foi acusada de matar pacientes. *Com informações do Daily Mail

Paulo Bento Bandarra em 22 de setembro de 2011

Caro SergioD, está esclarecido. Você confia na capacidade do jornalista como perito criminal para dar um parecer. O mesmo jornalista que acusa o exército de "segredo de justiça" decretado pelo Ministério Público e Justiça Militar. Ambas organizações independentes do poder do Exército. O certo seria culpar a Justiça Militar e não o Ministério do Exército. Só o juiz tem este poder. Não é o delegado que determina. Ele, no máximo, vendo elementos para proteger as pessoas e ou a investigação, solicita a autoridade judiciária. E esta, constatando a veracidade da argumentação, aceita ou não, IMPOR SEGREDO DE JUSTIÇA. . Infelizmente eu não confio na informação do jornalista, pois não reconheço sua proficiência em interpretar um laudo médico pericial que está em segredo de justiça. Com o mesmo parecer, divulgado pela imprensa livre, Dominique Strauss Kahn foi liberado da ação da justiça criminal americana. Com a sua mesma proficiência, jornalistas divulgaram que a menina Isabella de Oliveira Nardoni tinha sofrido abuso sexual. E, no caso da escola de base, o mesmo a respeito do menino de cinco anos. O caso PC Farias se arrasta até hoje, creio, apesar de todos jornalistas proficientes em laudos periciais. um abração

SergioD em 21 de setembro de 2011

Paulo, eu não li o exame de corpo de delito, realmente. Mas confio no apurado pela imprensa, assim como nas denúncias sobre o mensalão, sobre os aloprados, sobre a compra de votos na reeleição de FHC, nas recentes denúncias de corrupção nos ministérios. Quantas vezes nossa imprensa não fura o bloqueio do segredo de justiça em diversos casos. Paulo, hoje temos uma imprensa livre e atuante. Tirando alguns erros crassos, tipo o caso da Escola de Base, na grande maioria dos casos o que é apurado é verdadeiro. Por que será que os militares encobriram o caso? Por que o sigilo na investigação? Desculpe, caro amigo, mas não consigo engolir isso. Transparência é fundamental em casos escabrosos como esses. Tudo bem você não concordar comigo. Estamos aqui no BLOG do Ricardo para isso mesmo: discutir, divergir, repercutir, etc... Um abraço

Paulo Bento Bandarra em 20 de setembro de 2011

SergioD, você viu o exame de corpo de delito? Não estava protegido por segredo de justiça? A informação do exame pericial na camareira do caso do chefe do FMI também comprovava isto, mas este parece que foi divulgado.

edvaldocavalcante em 20 de setembro de 2011

Eu servi o Exercíto em 1975 e jamais antes ou depois ouvi falar de uma coisa assim.

SergioD em 20 de setembro de 2011

Ricardo, esse caso me embrulha o estômago. Li o todo artigo do SUL21, e lá está bem claro que o exame de corpo de delito, realizado dez dias depois do ato, comprovou ter havido VIOLÊNCIA SEXUAL contra o rapaz. Sendo assim como transforma-lo em réu? Quando um ato perpetrado de forma violenta pode ser considerado consentido? Que tipo de IPM foi feito? É uma situação vergonhosa. O que se deve fazer é preservar a imagem do Exército. Como? Com uma apuração rigorosa e punição exemplar aos culpados. Tentar encobrir o fato pode tentar proteger algumas reputações mas afetará o Exército como instituição, o que em hipótese alguma se deve permitir. Um abraço

alguém em 19 de setembro de 2011

Senhores, voces não sabem o que aconteceu, posso grantir que o soldado NAO é vítima, ele não foi violentado!!!

bene em 19 de setembro de 2011

Para que se fazer o Inquérito? Só aceitam a versão do soldado. A Comissão da Verdade que vem por aí poderia esclarecer o caso e, antecipadamente, propor uma indenização milionária para o mesmo. Se até o Zé Dirceu se diz inocente, por que não acreditar nas conclusões do inquérito?

Oswald em 19 de setembro de 2011

Existe Ministério Público Militar? Putz! Como eu sou ignorante...

Paulo Bento Bandarra em 19 de setembro de 2011

"Pelo menos outros 20 soldados estavam no alojamento quando do ataque, sem que nenhum deles se mobilizasse para ajudá-lo." Não é intrigante? Onde no mundo encontraríamos cidadãos tão passivos frente a justiça senão no Brasil de hoje? Fica cada vez mais difícil de acreditar num estupro masculino em público e alegar ausência de testemunhas. Sem contar com o sentinela!

Souza Jr em 19 de setembro de 2011

Bom, não é o primeiro caso - infelizmente não será o último. Agora - passar de vítima a réu - essa é inusitada.

THA em 19 de setembro de 2011

Quem diria... os militares (e, nesse caso, MP Militar) já aprenderam rapidinho as técnicas usadas pelos petralhas: a vítima passa a ser culpada. Sinais vergonhosos desses tempos pós ditadutra militar, agora ditadura de corruptos...

Alexandre A.C. Resende em 19 de setembro de 2011

Espero que continue informando sobre esse caso bizarro e essa atitude inacreditável de tentar encobrir a verdade. Somente a publicidade fará com que se mantenham alertas de que muitos não toleram mais esse tipo de atitude em nosso país. O que será que a Min. Maria do Rosário tem a dizer sobre esse caso?

Think tank em 19 de setembro de 2011

Com a justiça que temos, como no caso do soldado, todos nós viramos de vitimas destes saqueadores dos nossos impostos em réus. Se são os membros da gangue do MENSALÃO-2005 quem indicam os juízes (ministros) do STF, que tipo de veredicto pode se esperar? Obviamente caso não prescreva antes do inicio do julgamento, diante do ritmo de lesma com reumatismo "trabalha" o STF.

Think tank em 19 de setembro de 2011

Se temos processos transitado em julgado bizarro concedido ao Batistti por STF, seria de se estranhar caso a justiça militar agisse diferente. Ou seria muita generalização? Talvez não, na república farsesca em se tratando de "justiça", pouco importa se é militar ou civil, veredictos bizarros com interpretações de juízes contorcionistas é o que mais abundam.

Memyself em 19 de setembro de 2011

Acho que o pobre rapaz vai virar réu. No Brasil o que importa é manter culpados livres. As vítimas... nem a justiça, nem o governo, nem a polícia e, agora sabemos, nem o exército se importa com elas.

bruna em 19 de setembro de 2011

"Soldado do RS que denunciou ter sido estruprado vira réu para o Ministério Público Militar" "ESTRUPRADO" o correto seria estuprado :) Obrigado, Bruna. Já corrigi o erro. Abraço

Saulo em 19 de setembro de 2011

Isso no mínimo é coisa do PT, para não dizer de comunistas. Esses ataques às instituições democráticas se tornou rotina, onde policiais militares e civis são corruptos e ineficientes, etc e tal. Esse governo quer desmerecer cretas instituições garantidoras da democracia. Vejam que o Congresso, Exército, Igreja Católica todos sofrem perseguições. Os que prestam são aqueles a favor da descriminalização do aborto, maconha, kit-homofóbico, mensalões...

Paulo Bento Bandarra em 19 de setembro de 2011

Não me parece minimamente lógico acreditar que o Comando Militar de Santa Maria, e o Ministério do Exército em Brasília estejam preocupados com atos de meia dúzia de recrutas em práticas sexuais. Seriam os recrutas agressores filhos de altas autoridades da república? E para isto estivessem envolvendo o Ministério Público Federal, ao qual pertence o Ministério Público Militar? Engabelando o Tribunal Militar de Santa Maria e Federal? Existe um conluio com o Governo do PT no Estado e com o resto da imprensa que só o SUL21 consegue romper?

Normitcha em 19 de setembro de 2011

Infelizmente vai virar réu, todo o povo brasileiro sabe disso,o exército nunca admitiria um fato destes. Sei o que estou falando, é coisa antiga, sou de São Borja, onde até hoje existem 2 quartéis, e isso não é novidade nenhuma. Vergonhoso!!!

*Mari Labbate*44milhões em 19 de setembro de 2011

É óbvio que esse caso obscuro de abuso sexual deverá ser esclarecido. Os brasileiros necessitam lutar por TRANSPARÊNCIA, em todas as áreas. Esse ranço de extrema-direita, TAMBÉM, precisa ser banido de nossa Sociedade, visto que todo extremo é condenável. Esses militares, agora que o caso tornou-se público, não poderão mais desviá-lo da Verdade. Os cidadãos conscientes estão atentos e cobrando Justiça! É um ato vergonhoso para o Exército Brasileiro, que precisa mostrar a sua competência. Acredito que a atuação de "quatro contra um" caracteriza desvirtuamento da sexualidade humana, que existe para unir irmãos e não afastá-los e total inadequação de procedimento, tendo-se em vista a Missão dos irmãos de servir a Nação. É hora de estimularmos o exercício da responsabilidade! Vamos parar de varrer a sujeita para debaixo do tapete e RESPEITAR A PÁTRIA! Perante o Universo, trata-se de crime hediondo! Estão parecendo os sádicos petistas...

Paulo Potiguara em 19 de setembro de 2011

Ricardo, alguém duvidava disso? O exército nunca iria, nem irá, admitir um caso de estupro em uma instalação militar. É mais fácil transformar a vítima em réu. Isso está no cerne da corporação.

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