A Espanha tem um  governo sério, capitaneado pelo primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

Não pediria explicações à Venezuela do coronel Hugo Chávez sobre o eventual treinamento que receberam no país terroristas da ETA, a organização ilegal que quer separar o País Basco da Espanha com base na violência armada, se os indícios não fossem sérios.

Tampouco o jornal de centro-esquerda El País, o mais respeitado da Espanha, que divulgou a informação sobre o iminente pedido de explicações, tem reputação de irresponsável.

O fato concreto é que dois “etarras” — como se chamam na Espanha os terroristas bascos –, Juan Carlos Besance e Xabier Atristain, foram presos na quarta-feira passada no País Basco e, durante interrogatório, confessaram ao juiz Ismael Moreno que receberam treinamento na Venezuela em 2008.

TAMBÉM COM OS TERRORISTAS DAS FARC — O juiz integra um tribunal da Espanha denominado Audiência Nacional, que tem entre suas competências a de crimes cometidos no exterior que afetem os interesses espanhóis.

Dias antes, outro juiz da Audiência, Eloy Velasco, havia acusado o governo Chávez, com base em documentos e depoimentos, de colaborar com terroristas da ETA e também das chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), organização criminosa que sobrevive à base de assaltos, sequestros e tráfico de drogas, num processo contra vários cidadãos espanhóis e latino-americanos que tramariam atentados contra altos funcionários colombianos — diplomatas, adidos militares e outros representantes — na Espanha.

Se você, leitor, conseguir entender plenamente a nota que a chancelaria da Venezuela divulgou a respeito do caso da ETA merece um prêmio.

As declarações dos dois etarras presos, diz o Ministério de Relações Exteriores de Chávez, são “suscetíveis de serem desconsideradas em um tribunal porque estão expostas com outros argumentos no julgamento e são declarações às quais não se pode dar credibilidade”.

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6 Comentários

Hugo Leandro Venturini em 06 de outubro de 2010

É...às vezes acabamos induzidos a pensar que até estamos bem por aqui, se considerarmos a vizinhança...

Fernando Morais em 06 de outubro de 2010

Governo da Espanha diz não ver laços entre Chávez e o grupo separatista ETA Para ministro, treinamentos em território venezuelano não implicam que presidente esteja envolvido 05 de outubro de 2010 - Reuters e Efe MADRI- O governo da Espanha afirmou nesta terça-feira, 5, que as afirmações de dois membros do grupo separatista basco ETA de que foram treinados na Venezuela em 2008 não denunciam uma relação entre o governo do presidente Hugo Chávez com os treinamentos. O ministro do Interior espanhol, Alfredo Perez Rubalcaba, fez a ressalva após Chávez refutar e desmentir qualquer ligação com o grupo armado, além de ratificar seu rechaço a organização. Segundo Rubalcaba, "não há nenhuma prova, nem nada que permita nem pelo menos imaginar" que o Executivo de Caracas esteja envolvido no assunto. "Não há nenhum dado, nenhuma afirmação dos dois supostos 'etarras' que permita inferir, coligir, nem pelo menos suspeitar que o governo venezuelano tem a ver com isso", reiterou. O funcionário, no entanto, pediu às autoridades de Caracas que investiguem a fundo se os fatos denunciados pelo juiz da Audiência Nacional espanhola Ismael Moreno estão corretos e se os treinamentos tiveram participação do 'etarra' Arturo Cubillas, deportado à Venezuela em 1989. O ministro espanhol qualificou de séria a relação mantida pelo grupo terrorista com Cubillas, que em 2005 foi nomeado para um cargo público pelo Executivo de Chávez. "Durante algum tempo, a Venezuela representou para a ETA um respiro para a política de pressão", disse Rubalcaba. O ministro, contudo, ressaltou que a colaboração antiterrorista com a Venezuela "melhorou substancialmente" desde março deste ano, quando outro juiz da Audiência Nacional espanhola, Eloy Velasco, denunciou possíveis conexões entre o governo de Caracas, o ETA e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A Espanha solicitou informações a Venezuela ontem logo após ter sido divulgado um auto judicial que citou declarações dos detidos Juan Carlos Besance e Xabier Atristain, que declaram terem sido treinados em território venezuelano após terem recebido cursos na França. Besance e Atristain estão em prisão preventiva por possessão de explosivos e armas e integração em organização terrorista. ............... Espanha aceita resposta da Venezuela sobre ligações com a ETA 05 de outubro de 2010 - AE-AP - Agência Estado MADRI - O governo da Espanha considerou nesta terça-feira, 5, válidas as explicações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, negando qualquer vínculo com o grupo separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA). Madri afirmou esperar cooperação plena por parte da Venezuela para esclarecer os supostos treinamentos de membros do ETA no país sul-americano. Chávez qualificou na segunda-feira as acusações como uma campanha internacional para desprestigiar seu governo e desmentiu a confissão de dois membros do ETA, que afirmaram ter recebido treinamento sobre manejo de armas em 2008 na Venezuela. A acusação dos supostos membros do ETA foi divulgada em documento do juiz Ismael Moreno, da Audiência Nacional da Espanha. "Não se pode dar credibilidade às declarações feitas ante um juiz por dois criminosos sanguinários desprovidos de qualidade humana e moral", afirmou Chávez, por telefone, em entrevista à TV estatal venezuelana. A vice-presidente de governo espanhola, María Teresa Fernández de la Vega, descartou qualquer medida de pressão diplomática e acrescentou que, após as denúncias, foram acionados os canais normais de cooperação policial e judicial entre Espanha e Venezuela. O magistrado Moreno afirmou que Javier Atristain e Juan Carlos Besance, presos na quarta-feira passada no País Basco, disseram ter recebido um curso na Venezuela entre julho e agosto de 2008. O responsável pelo treinamento seria Arturo Cubillas, acusado de ser intermediário de uma suposta aliança entre o ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sob o suposto amparo de Chávez. Beleza, querido amigo Fernando. A notícia que divulguei partiu de juízes espanhóis que supostamente haviam investigado -- e continuam investigando -- o caso. Abração saudoso do SETTI

Aline em 05 de outubro de 2010

A Audiencia Nacional nao é um "tribunal especial". Na hierarquia jurídica espanhola está abaixo do Tribunal Supremo e do Tribunal Constitucional - este só julga casos de tema constitucional, quem trata de altos cargos é o Supremo - e sua circunscriçao é para casos que abrangem o território nacional, por exemplo um litigio com um sindicato com alcence em toda península ibérica.

marcos moraes em 05 de outubro de 2010

treinados na Venezuela por mestres cubanos, né? MAM

Alex em 05 de outubro de 2010

Somente um presidente diminuto como Lula é capaz de manter vínculos com canalhas da envergadura de Chávez, Morales e cia. Não fosse a estupidez reinante em todos os setores da vida nacional, da mídia às organizações sociais, profissionais e políticas e ao aparelhamento dos três poderes, que invariavelmente se curva ante as aberrações praticadas pelo patife mor, e alguém já teria acuado o presidente e exigido dele compromisso com a democracia, se não, pelo menos com a decência e o decoro.

Elisa Cristina em 05 de outubro de 2010

A nota que a chancelaria da Venezuela divulgou a respeito do caso da ETA esclarece "nada e coisa nenhuma". Elisa Cristina

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