Teste: o autor do discurso é mesmo o general Douglas MacArthur. 25 leitores acertaram

O general MacArthur com duas marcas registradas : o cachimbo e os óculos escuros

Amigos do blog, dos 65 leitores que comentaram o teste sobre de quem, entre 12 grandes oficiais-generais da II Guerra Mundial, era a voz do trecho do discurso que postei, 25 acertaram em cheio: trata-se, mesmo, da voz do general norte-americano Douglas MacArthur, um dos heróis do grande conflito, legendário chefe militar, um dos cinco únicos generais de cinco estrelas — máxima honraria do Exército dos Estados Unidos, superada hierarquicamente apenas pelo título de “general dos Exércitos dos Estados Unidos” de que é detentor apenas o primeiro presidente americano, George Washington –, chefe supremo das forças norte-americanas no Pacífico durante a guerra.

MacArthur, homem de personalidade forte, que tornou marcante a figura de óculos escuros e fumando um cachimbo feito de sabugo de milho, já se destacara na I Guerra Mundial (1914-1918) e fora chefe do Estado-Maior do Exército americano antes de se aposentar, em 1937, para ser uma espécie de supervisor militar do governo das Filipinas, então sob domínio americano. Voltou imediatamente ao serviço ativo após o ataque japonês à esquadra americana do Pacífico, em Pearl Harbor, no Havaí, a 7 de dezembro de 1941, quando o presidente Franklin D. Roosevelt declarou guerra ao Japão.

Caberia a ele, em cerimônia soleníssima, aceitar a rendição incondicional do Japão, no convés do cruzador Missouri, fundeado na baía de Yokohama, a 2 de setembro de 1945, dando por encerrado o maior conflito militar da história da Humanidade.

Depois da rendição, MacArthur seria comandante Aliado da ocupação do Japão, entre 1945 e 1951, e o virtual autor da Constituição que vige até hoje no país.

O segundo preferido, com 9 votos, foi o também americano general George S. Patton, mitológico comandante do V e do III Exércitos dos EUA na Europa, tido por muitos como um dos generais mais audazes da história militar. O comandante supremo dos Aliados, general Dwight D. Eisenhower, demitiu-o do comando do V Exército depois de ele haver esbofeteado em público um soldado, por suposta covardia, durante a campanha da Itália, em 1943, mas Patton retornou no ano seguinte e, à frente do III Exército, até 1945, avançou 2 mil quilômetros dentro de países ocupados pela Alemanha nazista a uma velocidade espantosa, libertando mais de 10 mil cidades e povoados e fazendo 1,2 milhão de prisioneiros.

Segue-se, com 7 votos, o próprio Dwight D. Eisenhower, também general de cinco estrelas do Exército, principal responsável pela maior operação militar da história — o Desembarque na Normandia, no dia 6 de junho de 1944, em que forças dos Aliados foram transportadas por 5.000 navios –, comandante supremo dos Aliados que venceram a II Guerra Mundial e, posteriormente, presidente dos EUA (1953-1961).

Houve 2 votos com duas possibilidades, “Patton ou MacArthur” e “Eisenhower ou George C. Marshall” (chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA durante a II Guerra).

Recebeu 1 voto o marechal-de-campo britânico Bernard Montgomery, famoso estrategista que derrotou o famoso inimigo alemão marechal-de-campo Erwin Rommel, a “Raposa do Deserto”, no norte da África, em 1942, liderou a invasão da Sicília, em 1943, e participou do planejamento da invasão da Normandia. Depois do desembarque, comandou todas as forças de terra americanas, britânicas e canadenses.

Também coube 1 voto ao general canadense Charles Foulkes, que comandou uma divisão de seu país na invasão da Normandia, e logo depois chefiou o I Corpo do Exército do Canadá na Itália.

Como vocês vêem, a soma de votos não corresponde a 65, porque vários leitores comentaram o post sem votar.

O DISCURSO FOI FEITO APÓS MACARTHUR SER DEMITIDO COMO COMANDANTE DA ONU NA GUERRA DA COREIA

O discurso do general Douglas MacArthur foi proferido no dia 19 de abril de 1951, a convite, perante sessão conjunta do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA, logo após o velho herói da II Guerra Mundial ter sido demitido pelo presidente Harry S. Truman do comando das tropas da ONU na Guerra da Coréia, compostas por militares de 17 países mas cujo maior contingente era de soldados americanos.

A guerra começara em junho do ano anterior, quando forças da Coreia do Norte comunista invadiram a Coreia do Sul. A ONU aprovou resolução decidindo enviar forças militares de terra, mar e ar para combater a invasão. Sob o comando de MacArthur, as forças da ONU reverteram a situação, expulsaram boa parte dos norte-coreanos, ultrapassaram o Paralelo 38, que divide até hoje as duas Coreias, e entraram fundo em território comunista.

QUERIA INVADIR A CHINA E USAR A BOMBA ATÔMICA

MacArthur queria aproveitar e invadir a China comunista, sustentáculo da Coreia do Norte, e advogava o emprego de bombas atômicas táticas (de efeito relativamente localizado) para vencer a guerra. Não acreditava que a China — recém-saída da guerra civil que, há um ano, instalara os comunistas de Mao Tsé-tung no poder — entrasse na guerra com a invasão do Norte, mas se equivocou: centenas de milhares de soldados chineses enfrentaram os americanos e seus aliados, provocando pesadas baixas.

O general também entendia que não necessitava de autorização presidencial para usar a bomba atômica e era da convicção de que, na Coreia, só a vitória interessava, ao passo que Truman temia os brutais custos de uma guerra generalizada na Ásia e preferia um armistício com os comunistas.

No auge da guerra, as forças da ONU chegaram a 1 milhão de soldados, sendo 300 mil americanos e quase 600 mil sul-coreanos. Ao todo, nada menos do que 5,7 milhões de americanos serviram na Coreia durante os três anos da guerra, e mais de 37 mil morreram.

Mesmo sendo quase um semideus para muitos americanos, quando MacArthur trombou com o poder civil representado pelo presidente ocorreu o que se dá em democracias: o presidente o demitiu sem contemplações.

Demitido, o Congresso o convidou para expor suas impressões e opiniões sobre a guerra. O general foi inequivocamente crítico do presidente Truman.

O TRECHO DO DISCURSO E SUA TRADUÇÃO

Quer ouvir de novo o trecho do discurso, agora que você conhece as circunstâncias?

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TRADUÇÃO DO TRECHO SELECIONADO

“Tenho constantemente clamado por novas decisões políticas, essenciais à obtenção de uma solução [para a guerra da Coreia]. Mas houve esforços para distorcer minha posição.

Na verdade, disseram que sou um belicista. Nada poderia estar mais distante da verdade. Conheço a guerra como poucos homens a conhecem, e nada, para mim, é mais revoltante.

Há muito tempo defendo sua completa abolição, uma vez que a destruição que causa, tanto entre aliados como inimigos, tornou-a inútil como meio de resolver disputas internacionais.

Mas, uma vez que somos forçados a ir à guerra, não há outra alternativa a não ser utilizar todos os meios disponíveis para levá-la a um rápido desfecho.

O objetivo da guerra é a vitória, não a indecisão prolongada”.

Não consta desse trecho, mas a frase seguinte é histórica: “Na guerra, não há nada que substitua a vitória”.

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12 Comentários

  • elizio

    Disse que foi o Eisenhower; não errei – fui vítima de fogo amigo e conhecimento de menos.
    Um Feliz Natal para todos.

    Hahahahah, fogo amigo é ótimo. Mas que conhecimento de menos, que nada, caro Ezio, o teste era difícil pra chuchu.

    Um abração

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    Quero aproveitar esse espaço maravilhoso que sua genialidade e intuição jornalistica criou, para PARABENIZÁ-LO, o mix de seus conteúdos é coisa de primeiro mundo, apesar de seu recente retorno à Veja, em pouco tempo nos conquistou verdadeiramente, na atual mediocridade em que estamos atolados politicamente, acessar sua página é um grande bálsamo.
    Os debates aqui travados, em algumas ocasiões densos e tensos, fazem acreditar que podemos um dia vivenciar um Brasil de melhores níveis sociais e educacionais.
    Alguns posts são antológicos, outros são deliciosos, em especial os testes e desafios, bem como, a marca registrada do DRAGÃO DE KOMODO, que não nos sairá da lembrança, um grande presente que sua filha nos ofertou.
    FELIZ NATAL-FELIZ ANO NOVO -2011 VENTUROSO.

    Bem,agora mereço um pequeno presente: recentemente descobri a música que o nosso amigo AN mais aprecia, dentre várias, vou te confidenciar, desde que vc me diga qual é a sua, CERTO.

    Caro Carlos, não sei como agradecer tantas palavras generosas. Desejo tudo do melhor para você também, de coração, pela presença constante, pelo bom humor, pelos comentários, pelas sugestões.

    Quanto à música de que mais gosto, não sei responder. São muitas. Juro que não tenho uma preferida.

    Um grande abraço.

  • SergioD

    Ricardo, fico contente por ter acertado.
    Um dos generais mais importantes para os aliados e que não foi tão badalado assim durante a guerra, e que teve participação maiúscula no pós-guerra, foi George Marshall. Como Chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, Marshall foi o grande condutor da vitória, escolhendo os generais certos para os comandos e encarando Churchill em diversas ocasiões. Sua visão e organização já eram lendárias nas forças armadas desde a primeira guerra, quando trabalhou no staff do General Pershing.
    Roosevelt queria que Marshall lidera-se a invasão da Europa. Costumava perguntar: alguém se lembra do Chefe do Estado Maior de Lincoln? Todos lembram de Sherman, de Grant, mas o chefe do estado maior….
    Chegou a perguntar ao próprio se ele queria o comando. Marshall, contam os cronistas da época, respondia que o presidente deveria fazer o que achasse apropriado. O Almirante King e Harry Hopkins, a turma da retaguarda, não queira perder Marshall de jeito nenhum. Entendiam a sua importância em Washington.
    Sua participação posterior, com a proposta e implementação do Plano Marshall, escreveu seu nome como um dos maiores estadista de seu tempo.
    Quem sabe não valeria um post sobre ele.
    Um abraço

    Não há como discordar de você quanto ao papel do general George C. Marshall na II Guerra — não por acaso, ele é um dos 4 unicos generais de 5 estrelas do Exército dos EUA (o quinto general cinco estrelas é o “Hap”, da Força Aérea).

    Interessante essa tradição americana de generais-estadistas, que inclui Eisenhower e, no passado, vários outros altos comandantes, como o próprio George Washington.

    Oportunamente, havendo um “gancho”, falarei dele.

    Abração e obrigado pela sugestão.

  • Luiz Pereira

    Ricardo, boa noite,

    Essa última frase de seu texto deve ter inspirado o nosso quase-ex-futuro (espero que não), presidente.
    Numa eleição, nada substitui a vitória.
    Mas será mesmo? Mesmo ao custo de fazer retroceder um país em muitas práticas?
    abs.,
    Luiz Pereira

    Não deveria, não é mesmo, caro Luiz? Infelizmente, porém…

  • Luiz Pereira

    A`propósito, o 5o 5 Estrelas é Omar Bradley.
    abs

    Sim, você tem razão. O general Omar Bradley foi o último — ou o mais recente — oficial-general a ser agraciado com a honrosa 5ª estrela.

    Isto está mencionado no post-teste.

    Obrigado pelo comentário e um abração.

  • Marco

    Caro R. Setti: Continuo invicto, só acertei a q todo mundo acertou ! Vamos atualizar o placar 1 X 6.
    Abs.

  • Angelo

    Senhores,Sr.Ricardo Setti,UM FELIZ NATAL E PRÓSPERO
    ANO NOVO,ao Sr.e sua familia.!!
    e a todos os comentaristas.

    Muito obrigado, caro Angelo. Desejo o mesmo para você e todos os que você quer be.

    Abração

  • Oliveira

    Yes!! que bom que essa eu acertei.
    O general MacAthur para mim é um bom exemplo de perseverança diante de uma situação desesperadora.
    Sua frase .. I shall return! quando de sua retirada das Filipinas é ainda muito usada na língua inglesa para expressar a vontade de virar o jogo.
    E de maneira heróica ele retornou, e disse ainda na praia:
    «People of the Philippines, I have returned! By the grace of Almighty God our forces stand again on Philippine soil – soil consecrated in the blood of our two peoples..The hour of your redemption is here.»
    .
    http://www.youtube.com/watch?v=p6WioCDbC-A&feature=related
    .
    Um abraço

  • Lilian

    Setti,
    Ao ler sobre George S. Patton fiquei curiosa e fiz uma pequena pesquisa sobre a sua vida, “o cara era doidão!” (não falo a respeito dos mortos na Guerra – aliás, guerra é uma “atitude estúpida”…este é um vasto assunto…e como diz aquela frase: futebol, religião e politica cada um tem o seu ponto de vista).
    Abraços!

  • Paulo Bento Bandarra

    “O objetivo da guerra é a vitória, não a indecisão prolongada”. Testemunho disto a longa guerra de trincheiras com milhares de mortes sem necessidade, onde milhares de soldados por vezes morriam só para ganhar um metro de terra. Muitas das batalhas mais sangrentas da história ocorreram durante a Primeira Guerra Mundial. Como ocorreu em Ypres, Vimy, Marne, Cambrai, Somme, Verdun, e de Gallipoli. Tivesse sido desempatada teria morrido menos pessoas e menos sofrimento!

  • carlos nascimento

    Ricardo,

    Em complemento final, realmente vc tem toda razão, é uma bobagem a minha de querer descobrir qual a sua música preferida, música é o momento vivenciado.
    Porém, arrisco um palpite de que vc possa gostar acima das demais de : MY WAY (MEU JEITO) SINATRA.

    Como vc vai viajar, música é sempre um bálsamo e excelente terapia para relaxamento, vou indicar apenas quatro, das centenas de músicas que eu adoro.

    IF (BREAD)
    IT`S TOO LATE (CAROLE KING)

    ME AND MRS JONES (BILLY PAUL)
    BABY I LOVE YOUR WAY (PETER FRAMPTON)

    Boas Festas !

    Carlos Nascimento.

    Boas festas pra você também, caro Carlos. Abração

  • duduvieira

    Prezado Sr. R. Setti:
    Fiquei emocionado ao ouvir a voz desse lendário General Americano que o mundo muito o deve. Feliz também com sua brilhante colocação, podemos ver resumidamente esse resgate da nossa recente história. Devo dizer que entendí muita coisa meu caro RS. Duas eu vou destacar; Uma, os Grandes também derrapam na curva. Segunda, podemos notar que os mesmos problemas e autores continuam, China descaradamente continua sustentanto a Jurássica Coréia de Norte, sem o tal apoio com certeza Coréia do Norte como Estado Terror não existiria. Parabéns meu Prezado R.S.