Redigir o texto de uma reportagem que iria ser destacado na primeira página era, naquela época, uma honraria que volta e meia nós, da sucursal de São Paulo, tínhamos. Este foi o primeiro, por isto é registrado neste espaço

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São Paulo – Era para ser um espetacular protesto – quinze minutos de barulho de panelas, apitos, buzinas e sirenes. Mas o que ocorreu ontem, das 17 às 17h15 no maior centro industrial do país, ao contrário do que esperavam as duas centrais sindicais que convocaram uma greve geral de 24 horas, foi um testemunho sonoro do fracasso do movimento: o ruído do “barulhaço” mal equivaleu à confusão de um grande congestionamento de trânsito.

A greve geral fracassou estrondosamente em São Paulo, até mesmo na explosiva região industrial do bairro de Santo Amaro. Os militantes das duas centrais não conseguiram montar piquetes eficientes, ônibus funcionaram, o comércio abriu as portas, a indústria produziu.

É verdade que o porto de Santos parou e que São Bernardo do Campo, o fortim do PT e da CUT e coração da indústria automobilística brasileira, exibia um ar de feriado nacional. Mas certamente pareceram delirantes a qualquer transeunte as estimativas triunfalistas dos dois principais líderes da greve, Joaquim dos Santos Andrade, o “Joaquinzão”, da CGT, e Jair Meneguelli, da CUT, que falaram em “vitória”.

A polícia esteve fortemente presente em toda a grande São Paulo e região do ABC, e 35 pessoas foram presas, três delas indiciadas em inquérito pela lei de greve – dois vereadores do PT de São Bernardo e um deputado estadual recém-eleito também pelo PT.

Não houve incidentes graves. Joaquinzão pôde constatar o fracasso do movimento até pelo fato de que na primeira fábrica onde ele participou de uma greve, nos anos 40, desta vez os operários estavam trabalhando.

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