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A capa de “Thriller”: entre 65 e 110 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro, dependendo da fonte

Por Daniel Setti

O cruzamento entre as diversas fontes americanas que costumam divulgar cifras do mercado mundial de discos (revistas como Billboard, emissoras como a MTV e entidades como a RIAA – Associação da Indústria Fonográfica Americana) não permite uma conclusão precisa, mas calcula-se que tenham sido vendidas até hoje entre 65 e 110 milhões de cópias de Thriller, o sexto trabalho solo de Michael Jackson (1958-2009).

Trata-se do maior êxito de vendas de todos os tempos, com uma folga de no mínimo 15 milhões para os segundos colocados no ranking de estimativas – Back in Black, do AC/DC, e The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, ambos na faixa dos 50 milhões – e cujo lançamento completa 30 anos no próximo dia 30.

Quantidade e qualidade

Mais do que o fenômeno definitivo das paradas de sucesso e consolidação do status de Michael como gênio pop, porém, Thriller é um excelente disco.

Seus atributos vão desde a qualidade das composições – quatro do total de nove escritas pelo próprio cantor/compositor/dançarino – à ousada produção do peso-pesado Quincy Jones, passando pelo ecletismo estilístico das faixas (rock, funk, baladas e até ritmos de insinuação africana) e o seu potencial comercial (só duas não foram lançadas também como compactos).

Sem falar na participação de um Beatle, Paul McCartney, na canção “The Girl is Mine”.

Os clipes

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Como esquecer a coreografia de zumbis no clipe de “Thriller”?

Enfim, poderíamos debater por horas a fio as curiosidades de Thriller  – a presença do percussionista brasileiro Paulinho da Costa nas gravações, por exemplo -, ou mergulharmos em suas lendas urbanas, como aquela sobre o guitarrista Eddie Van Halen, que teria batido o telefone na cara de Jones ao ser convidado para gravar o solo de “Beat It”, pensando ser um trote.

Mas, ao menos por hoje, ficamos “apenas” com os três videoclipes promocionais singles do álbum, outro elemento essencial na mitologia de Thriller e da carreira de Jackson como um todo.

Tal trio de obras-primas da estética pop televisiva lançadas ao longo de 1983, sobretudo a da faixa-título, elevaria o videoclipe a uma nova forma de arte e abriria a porta a pelo menos uma dezena de outros épicos musicais televisivos protagonizados pelo astro. A partir de então, o mundo aguardaria um novo clipe de Michael com a mesma ansiedade que um disco seu. Relembrem:

“Billy Jean”

O primeiro dos três também teve grande importância extramusical, já que seria o primeiro vídeo de um artista negro a ser exibido pela então recém-nascida MTVamericana. Traz Michael sendo perseguido por um paparazzi e seus clássicos passos de dança sobre o chão de luzes. A direção é de Steve Barron.

“Beat it”

Retrata a obsessão de Jackson com as gangues violentas das grandes cidades dos Estados Unidos, das quais ele nunca teve sequer tempo de participar.

Em harmonia se perfilavam para a guerra, sob o mais sutil e silencioso dos gestos, brancos, latinos e negros, todos mal encarados.

No final eles acabavam bailando juntos, com direito a uma polêmica coreografia com facas, enquanto Michael exercia o modesto papel de narrador, comicamente abraçado ao travesseiro e trajando pijaminha de piano. Direção de Bob Giraldi.

“Thriller”

O melhor clipe musical de todos os tempos é na verdade um curta-metragem de quase 14 minutos dirigido por John Landis, o diretor de outro clássico fílmico da década de 1980, o longa cult Um Lobisomem Americano em Londres (1981), e que pouco antes da morte de Michael o processaria por não pagamento de lucros obtidos com o vídeo.

A produção e parte do roteiro foram assinados por um cada vez mais autosuficiente popstar.

A lista de elementos impossíveis de esquecer começa com o inocente flerte entre Michael e a mocinha, avança por sua transformação em lobisomem e atinge o ápice com a histórica coreografia de zumbis encabeçada pelo ídolo, devidamente caracterizado como morto-vivo. Imbatível.

Para lerem mais a respeito de Michael Jackson, cliquem aqui ou aqui.

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12 Comentários

Dark side of the rainbow | Músicombo em 25 de abril de 2014

[…] milhões de cópias vendidas em todo o planeta – desempenho inferior, apenas, ao do imbatível Thriller, de Michael Jackson –, permanecendo incríveis 741 semanas (15 anos) na lista dos mais vendidos […]

Marcos F em 10 de fevereiro de 2014

1980, puro cruzamento do analógico com o digital. Ainda não havia saído o CD, mas eu, Produtor, possuía equipamentos únicos como o primeiro Spectrum Analyzer (de LEDs), teclado polifônico realmente usável, limiters, chorus, reverbs semi-digitais (difícil explicar) e aí a CBS me chamou para assistir uma loucura: o vídeo de Beat It. Foi o primeiro de uma série que mudou o mundo. Desde então, o videoclip começou a fazer parte das gravações, e v.v.

Ismael em 04 de fevereiro de 2013

ATE HOJE NADA DE NINGUEM PASSAR DE RECORD's DELE.. NÃO É A TOA QUE 50Pucentos Odeia ele ;;

Luiz em 21 de novembro de 2012

Acho que depois de "Thriller" a carreira de MJ começou a despencar. Aparentemente ele tinha vergonha de ser negro, tanto que começou a "desbotar". Além das cirurgias que o deixaram deformado, o uso de diversos tipos de drogas acabaram com ele. Pena!!!. Se ao invés de Artista famoso, tivesse sido um desconhecido pai de família trabalhador, muito provavelmente estaria vivo hoje.

Kitty em 20 de novembro de 2012

Olá caros Ricardo e Daniel, Fiquei impressionada com a quantia de cópias de THE THRILLER' que foram vendidas. Por cima 'THE DARK SIDE OF THE MOON' do Pink Floyd, que gostei bastante quando você o postou no Musica no Blog. Mesmo não sendo uma fã de carteirinha de Michael Jackson, devo reconhecer que teve grandes méritos e foi, sem dúvidas, um fenômeno no seu gênero musical. Não em vão foi ovacionado por multidões que gostavam tanto dos seus espetaculares shows, clipes e temas musicais, como os seus inovadores passos de dança que ficarão na memoria das gerações, que o acompanharam a través do tempo. Caro Daniel, assisti dois dos vídeos aqui postados: BEAT IT, mostrando o mundo das gangues, a Billie Jean. Ele é realmente bom. A sua voz ligeiramente metálica, seus movimentos voluptuosos, ondulantes e provocativos ajudaram a transformá-lo num verdadeiro mito da música pop! Mais uma vez passando por aqui neste recanto do blog onde, pode-se apreciar ótimas informações sobre o mundo das grandes estrelas, sua performances plasmadas em excelentes vídeos. Parabéns, caro Daniel! um abração///Kitty

Leonardo Saade em 18 de novembro de 2012

Thriller até hoje é uma obra-prima. Genial!

Eglan em 18 de novembro de 2012

Billie jean é sem dúvida a melhor canção de Mj.

Gabriel Lopes em 18 de novembro de 2012

engraçado que mesmo hoje, nenhum clipe sequer chega perto de Thriller...

Mírian Macedo em 17 de novembro de 2012

Michael Jackson: dança sublime, música sofisticada, voz perfeita. Artista grandioso. Insubstituível, inigualável, inesquecível.

Luciana em 17 de novembro de 2012

Justamente por não haver internet nessa época, é que devemos dar mais crédito ao sucesso dessa obra, hoje em dia muitos se tornam um sucesso de uma hora para outra, qualquer coisa passa a ser divulgado e conhecido pelo mundo todo em minutos, ser um sucesso mundial hoje em dia não é tão difícil. Agora... conseguir se tornar um fenômeno mundial em 1982, onde os meios de comunicação ainda eram precários, se comparados a hoje em dia, e ainda, 30 anos depois ainda ser um sucesso e uma referencia pra musica, na boa, isso não é pra qualquer um, ou melhor, isso não é pra ninguém que não seja o Michael Jackson. P.S. Na época o disco deixou de ser considerado somente como um artigo de entretenimento, e passou a ser visto como algo quase que necessário... Na boa, mesmo com Downloads, pirataria e td mais, não vejo nenhum artista por aí com tal nível de popularidade...

Tuco em 17 de novembro de 2012

. Deixo de lado a grandiosidade da obra de MJackson - se é que se pode desconsiderar esse monumento da cultura pop! - para comentar, Caro DSetti, que essa assertiva de "álbum mais vendido de todos os tempos" tem de ser acolhida com todas as reservas. Há 30 anos não existia pirataria, tampouco downloads... Vendido, sim - mas não se pode associar ao mais ouvido, assistido ou de maior sucesso. .

Anônimo Paulistano em 17 de novembro de 2012

Apesar da luxuosa participação de Quincy Jones o disco Thriller foi um divisor de águas na interpretação e na carreira de Michael Jackson, foi neste disco que ele começou a cantar feito um pato rouco, para quem gostava da voz de Michael creio que o álbum Off The Wall foi o último bom trabalho de voz, lá ainda se ouve MJ cantar sem a típica afetação nervosa do Pato Donald a ralhar ensandecido com os seus sobrinhos, Huguinho, Zézinho e Luizinho , mesmo assim é indiscutível que Billie Jean é uma das músicas mais bacanas de todos os tempos, até hoje, 30 anos depois, gruda no ouvido, esta música vale todos os pecados de interpretação que MJ tenha cometido, mas que essa coisa de cantar feito um pato louco encheu....ah, isso encheu.

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