Nossos leitores, em esmagadora maioria, criticaram, pelo Twitter e outras formas, a ausência de políticos da oposição nas enormes e históricas manifestações contra o governo lulopetista do dia 12 de abril de 2015, um domingo.

Neste debate em TVEJA, o historiador Marco Antonio Villa, Carlos Graieb, diretor do Redação do site de VEJA, o colunista Augusto Nunes e a âncora Joice Hasselmann, em linhas gerais, concordam com os leitores.

Eu, que entrei na metade do debate, discordei: acho que os políticos de oposição precisam tomar muito cuidado para não serem vistos como oportunistas, querendo se assenhorear de um movimento de massas que não foi desatada por eles. Por outro lado, discutimos como é possível para o movimento caminhar das ruas para canais institucionais e chegar, de alguma forma ao Congresso, que é a instituição — por criticável que seja — que constitucionalmente representa o povo.

Villa acha que a oposição tem sido tímida e que não pode acovardar-se porque — advertiu —, se isso ocorrer, corremos o risco de o PT não deixar mais o poder.

De minha parte, expressei meu temor de que tudo isso termine em conchavo, lembrando que o Brasil não tem tradição de rupturas do status quo — foi o filho do rei de Portugal quem proclamou a Independência, em 1822, foi um marechal monarquista e amigo do imperador quem marchou, em cima de um cavalo, no golpe de Estado que derrubou o Império e instaurou a República, em 1889. Mais tarde, depois dos movimentos rebeldes dos anos 20 contra a República Velha, que desembocaram na Revolução de 1930, a coisa terminou com a instalação no poder  de Getúlio Vargas, justamente do ex-ministro da Fazenda do presidente deposto pelo movimento, Washington Luiz.

Tornado presidente provisório, depois presidente eleito indiretamente pelo Congresso eleito em 1934 e posteriormente ditador, por meio do golpe de Estado de 1937, Getúlio acabaria deposto em 1945. Mas, nas eleições que se seguiram, quem seria eleito? Justamente seu ministro da Guerra, general Eurico Dutra, que, aliás flertara com o nazi-fascismo durante a II Guerra Mundial. Findo o mandado de Dutra, a cantilena continua: Getúlio volta como presidente eleito.

E por aí vai. Quando Jânio renunciou, em 1961, e os militares queriam impedir a posse do vice João Goulart, o Jango, um conchavo às pressas no Congresso resultou na instauração de um parlamentarismo improvisado e postiço, como forma de retirar poder a um presidente supostamente “de esquerda”. Derrubado Jango pelo golpe de 1964, ministros seus se tornaram membros do partido oficial do regime, sem o menor pudor. Lá adiante, quando o regime militar terminou, um conchavo substituiu as Diretas Já pela eleição, indireta, de Tancredo Neves — e o presidente do partido político que sustentava a ditadura não apenas se tornou o vice como assumiu a Presidência com a morte do líder mineiro.

Exprimi meu temor de que a atual crise termine com um conchavão, envolvendo o vice-presidente Michel Temer e a oposição.

Vamos ver.

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