Nessa conversa com a apresentadora Joice Hasselmann no programa “Aqui Entre Nós”, da TVEJA, eu considero muito boa a ideia do senador José Serra (PSDB-SP), transformada em projeto, que propõe a introdução do voto distrital no país — por ora, contudo, apenas nas eleições para vereadores nas 80 maiores cidades do país, o que significa abranger 40% do eleitorado brasileiro.

É uma forma muito inteligente de familiarizar o eleitor com o conceito de voto distrital: cada cidade seria dividida em um número de distritos igual ao número de vereadores a que tem direito.

Dando como exemplo a maior cidade do país, São Paulo, que tem 55 vereadores: a cidade, com seus quase 9 milhões de eleitores, seria dividida em exatamente 55 distritos, cada um com número semelhante de eleitores (algo como 160 mil eleitores cada). Em cada um desses distritos, a eleição seria decidida por voto majoritário — é eleito vereador quem tiver mais votos.

O eleitor paulistano, que atualmente precisa escolher seu vereador entre 1.200 candidatos, passaria a ter sua escolha reduzida a cinco, seis ou sete nomes, ligados à área em que vive, o que facilitaria a decisão, permitiria conhecer melhor o candidato e cobrá-lo depois de eleito. O vereador eleito, por sua vez, sendo de uma área restrita da cidade, conheceria melhor os problemas locais e seu próprio eleitorado.

Na mesma conversa, comento também o projeto do “distritão”, ideia do vice-presidente Michel Temer que transformaria cada Estado brasileiro em um distrito para as eleições de deputado federal e estadual, sendo eleitos os nomes mais votados — e pronto. Sem voto de legenda, sem coligação entre partidos, sem as confusas regras atuais.

Parece bom, mas não é.

Aponto dois perigos do “distritão”:

1) haveria uma corrida dos candidatos pelos próprios interesses, com pouca preocupação com seus partidos (e partidos fracos não são bons para a democracia);

2) para fazer bancadas numerosas, a tendência dos partidos acabará sendo a de arrebanhar como candidatos figuras populares, mas não necessariamente preparadas para fazer política e atuar como deputados — cantores, jogadores de futebol, ex-atletas, “celebridades” de todo tipo sem profissão definida a não ser aparecer na mídia etc.

Sem contar que o caráter proporcional que a Constituição atribui à representação na Câmara iria para o espaço.

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