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Imagem mostra banca de jornais em Uganda. Um dos periódicos traz o presidente Yoweri Museveni assinando a lei antigay, enquanto o outro, Red Pepper, traz a absurda chamada de capa “revelando” 200 homossexuais do país (Foto: AFP)

A semana passada foi catastrófica para quem se preocupa com os direitos humanos. A bola da vez em se tratando de atrocidades nesta área, como sabemos, é Uganda.

Não bastando a assinatura, efetivada pelo presidente do país africano Yoweri Museveni na segunda-feira (25 de fevereiro), de lei que oficializa a homofobia não encontrado nem na Idade Média, no dia seguinte o jornal ugandense Red Pepper foi além.

A publicação divulgou lista com nomes de supostos 200 homossexuais que vivem no país, incluindo algumas fotografias. O título da matéria é Exposed! (“Expostos!”), em tom de aberta caça às bruxas. Leiam mais sobre os episódios, e trechos de uma entrevista com Museveni em que ele qualifica os gays de “nojentos”, aqui.

Cadeia perpétua

Vale lembrar que, de acordo com a nova legislação, não apenas as pessoas podem ser condenadas à cadeia perpétua por “comportamento homossexual” como também é proibido relacionar-se, não necessariamente sexual ou afetivamente, com gays. A pena prevista para quem, por exemplo, dá “assistência ou aconselhamento” a um homossexual, é de sete anos.

Sendo assim, o clamor espantoso do jornal adquire cores nazistas, incitando os cidadãos a dedurarem os outros por determinado delito. No caso, este “delito” é a condição de homossexual.

Estratégia econômica

O grupo ativista americano AllOut, um dos mais mobilizados na luta em favor dos direitos humanos e civis dos homossexuais, está em firme campanha contra a sórdida novidade legislativa de Uganda. Já coletou mais de 313 mil assinaturas das 350 mil que pretende angariar para embasar suas demandas que, entre outras coisas, incluem a manifestação pública de rejeição de governos de outros países a estas leis, e que entidades religiosas demonstrem seu apoio à empreitada.

Além desta primeira petição, a organização – que também atua contra leis homofóbicas na Rússia – acaba de emitir uma outra, diretamente endereçada à nefasta inciativa do jornal Red Pepper. É uma estratégia com viés econômico.

O novo abaixo-assinado visa pressionar empresas que anunciam no periódico a deixarem de fazê-lo. “Retirem seus anúncios publicitários de meios que expõem as pessoas à violência homofóbica”, “protejam e apoiem os seus empregados LGBT” e “realizem uma declaração sobre os riscos que supõem à economia de Uganda o ataque aos direitos humanos” são as reivindicações. O objetivo é obter 75 mil assinaturas; faltam menos de 10 mil.

O foco inicial dos ativistas, por tratar-se da companhia mais famosa a ter anunciado no Red Pepper, é a multinacional francesa de telefonia celular Orange.

“Sabemos que juntos podemos motivar a empresas internacionais a fazer o que é certo”, lê-se em trecho do comunicado do AllOut. “Conseguimos que a Apple eliminasse de suas lojas uma aplicação para ‘curar’ a homossexualidade, e fizemos com que importantes patrocinadores americanos dos Jogos Olímpicos se manifestassem contra a lei antigay na Rússia. Se conseguimos que a Orange deixe de financiar com sua publicidade este jornal que dissemina o ódio, o tabloide e o governo se darão conta de que a homofobia é má para os negócios”.

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13 Comentários

luciano oliver em 15 de março de 2014

Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós E que a voz da igualdade Seja sempre a nossa voz Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós E que a voz da igualdade Seja sempre a nossa voz

Nelsia Maria em 11 de março de 2014

Um crime com essas proporções nos EUA já teria mandado o assassino a uma prisão des egurança máxima com pena de prisão perpétua ou pena de morte, afinal, foi crime hediondo com requintes de crueldade!! Não, esse país não tem jeito, DEFINITIVAMENTE!! Não com essas leis e esses políticos!!

JUSCELINO em 10 de março de 2014

Caro Rodrigo. se tiver uma coisa que a onu vai participar é disso , juntamente com o banco mundial. fique tranquilo.

Rodrigo Santos em 10 de março de 2014

Caro Ricardo, existem chances reais de boicote ou retaliações econômicas contra a Uganda, por esse total descalabro com os homossexuais? Será que a Onu vai mesmo se mexer? Duvido muito. Boa parte dos países integrantes da ONU têm, eles também, restrições a homossexuais de ambos os sexos, em vários casos sujeitos à pena de morte, como no Irã.

Luiz C. em 10 de março de 2014

Uganda fica na África; porque tantos brasileiros fazem questão de serem chamados Afro Descendentes?

Seilon em 10 de março de 2014

Ao contrário do que muitos dizem por aí,homossexualidade não é gênero e nem raça,é um gosto sexual. A proibição de práticas homossexuais é tão autoritária quanto outras medidas de outros governos considerados democráticos.Não sei porque essa indignação só existe quando se criminaliza práticas homossexuais. É engraçado ver o Obama indignado com o Presidente de Uganda,por ele fazer o que o democrata adora fazer com os americanos:interferir em suas liberdades individuais.

Vera Scheidemann em 10 de março de 2014

Que horror ! Vera

Marcelo em 10 de março de 2014

Por que não fazem essa gritaria contra a Arábia Saudita? Lá os gays são tratados muito pior. Há já sei, os caras lá são muçulmanos, eles jogam bomba na cabeça dos outros. Pobre Uganda! Como diz aquele ditado: "a formiga sabe a folha que corta".

Roberto Silva 51 RJ em 10 de março de 2014

Eu gostaria de ver mobilizações semelhantes, para algumas das seguintes situações absurdas e de extrema gravidade: - O cristianismo que tem sido atacado com violência em todos os países muçulmanos, privando os cristãos de praticarem sua crença. - A invasão da Rússia em território Ucraniano, que deveria provocar a retirada de todos os países ocidentais da competição paralímpica e impedir a Rússia de participar da Copa. - A boçalidade do regime bolivariano da Venezuela, que mata e prende sem qualquer base legal. - As humilhações impostas às mulheres na maioria dos países muçulmanos. - A aceitação de regimes opressores, como o regime cubano. - A aceitação dos desmandos e da roubalheira lulopetista no Brasil. Não acho que gays devam ser presos simplesmente por serem gays, mas entendo que existem casos historicamente mais antigos e de muito maior gravidade para que o mundo realmente se preocupe e se mobilize.

Roberto em 10 de março de 2014

Catastrófico é o Brasil perdoar divida desses ditadores, à assinatura que se vê, tem a estampilha do brasil colônia.

marcio r. g. cortes em 09 de março de 2014

As regras para publicação de comentários no blog, conforme relembrei aos amigos leitores incontáveis vezes, não aceitam textos escritos somente em maiúsculas, em respeito à boa educação, aos leitores e seguindo uma norma internacionalmente praticada na web. Como presumo que você saiba, palavras em maiúsculas significam palavras gritadas, não é mesmo? Confira as regras no link http://goo.gl/u3JHm Obrigado

Leniéverson Azeredo em 09 de março de 2014

O grande problema é o ativismo ver nisso, como pretexto para perseguição religiosa.

Antonio R. Melo Jr. em 09 de março de 2014

A África é um continente onde a maioria dos países que dela fazem parte, ainda vivem no século XVIII.

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