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Daniel Barenboim regendo na Palestina: “Não se pode aceitar que ninguém viva sob ocupação”

Pela cidade de Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito – que permaneceu fechada durante anos, mas foi liberada depois da queda do ditador Hosni Mubarak – eles foram chegando.

Eram músicos de grandes orquestras europeias, como a extraordinária Filarmônica de Berlim, a Staatskapelle, também da capital alemã, a Orquestra de Paris, a orquetra do teatro La Scala, de Milão, ou a Filarmônica de Viena.

Convocados pelo maestro Daniel Barenboim, o músico argentino-israelense que possui também passaporte palestino e espanhol e, como judeu, é um incansável lutador pela paz entre Israel e os palestinos, eles deram o primeiro concerto de um grande conjunto de músicos internacionais na história de Gaza. O modesto centro cultural Al Mathaf, da castigada Gaza, viveu momentos de paz e beleza sob o som de Mozart.

Os radicais islâmicos do Hamas, que governam Gaza e de lá lançam foguetes contra a população civil israelense, estiveram a ponto de impedir o evento, mas voltaram atrás. Por sua vez, Barenboim só conseguiu chegar desde Israel ao território — sob implacável bloqueio israelense há mais de 3 anos — depois de enfrentar um pesadelo de barreiras burocráticas.

Durante o concerto, foi aplaudidíssimo pela emocionada plateia, que o ouviu dizer:

— Não se pode aceitar que ninguém viva sob ocupação. Vivemos um conflito entre dois povos, ambos convencidos de ter o direito de viver no mesmo pedacinho de terra. Mas nossos destinos estão unidos, a paz um dia chegará.

No infernal impasse que se vive no conflito Israel-palestinos, acredito que, sim, a paz chegará um dia, graças à soma de belos, comovedores gestos como o do grande maestro.

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2 Comentários

SergioD em 10 de maio de 2011

Ricardo, o ser humano é fantástico. Enquanto produz radicais, intransigentes e inconsequentes como o pessoal do Hamas, do Hezbolat, do governo iraniano, do governo israelensens e uns e outros republicanos (não vou citar os nossos radicais pois não quero botar a mão em vespeiro próximo), ainda podemos ter esperança enquanto existirem pessoas que pregam a paz com paciência e perseverança. O exemplo de Daniel Barenboin deveria ser seguido. Um abraço

Mario Sergio Machado em 09 de maio de 2011

Sou fã deste cara desde quando me apaixonei por Beethoven. http://www.mariosergiomachado.com/

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