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A atriz iraniana Golshifteh Farahani: primeiro, proibida de deixar o país — depois, de voltar a ele. Esta foto em sua página do Facebook pareceu aos olhos dos aiatolás um crime hediondo  (Foto: Figaro Madame)

Durou menos de um segundo, e mal aparece seu seio direito no vídeo, feito pela revista Figaro Madame para anunciar os candidatos a melhores promessas masculina e feminina do cinema francês de 2012 , no âmbito do César, o Oscar da França, entregue há menos de dois meses.

Pronto. Foi o bastante para a atriz iraniana radicada em Paris Golshifteh Farahani, 29 anos, ser proibida de voltar a seu país.

Provavelmente por essa razão absurda do governo dos aiatolás fanáticos foi que ela acabou decidindo, posteriormente, participar do vídeo em que várias mulheres iranianas no exílio se desnudam, em alguns casos de maneira quase casta, para protestar contra a discriminação e os maus tratos que sofrem suas compatriotas no Irã – e de que já tratamos em post anterior.

Mas Golshifteh está calejada em matéria de repressão em seu país natal.

Vejam vocês a ironia: pelo simples fato de ter participado de um filme americano de espionagem – Rede de Mentiras (Body of Lies), de 2008, dirigido pelo consagrado Ridley Scott, em que faz o papel de uma enfermeira e contracena com Leonardo DiCaprio e em que atua ainda Russel Crowe –, rodado na Jordânia, ela recebera punição inversa. Voltando a seu país depois das filmagens, poibiram-na de sair do Irã. Com o tempo, a arbitrariedade deixou de valer e ela decidiu morar em Paris.

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A atriz com Leonadro DiCaprio em “Rede de Mentiras” (2008): por ter atuado no filme, ela já fora proibida de deixar o país (Foto: reprodução)

O vídeo que causou horror ao regime dos turbantes, intitulado Corps et âmes (Corpos e Almas) não tem absolutamente nada demais.

Em preto e branco, com fundo musical, aparecem vários jovens atores, homens e mulheres, num rápido gesto de começar a tirar a roupa – criando imagens para um texto poético que serve de narrativa, e que fala em “veja-me / neste instante / nu(a) / livre de corpo e de espírito / (…) / eu entro na dança / esquecido de mim mesmo / minha arte será a de brincar” (“jouer”, em francês, tem o sentido tanto de brincar como de representar).

Confira o vídeo:

Mais horrorizados ainda ficaram os clérigos hipócritas iranianos – vários deles riquíssimos à custa do dinheiro público – com o fato de a atriz ter postado em sua página no Facebook a foto de abertura deste post, foto feita na mesma ocasião do vídeo, em que aparece cobrindo os seios com as mãos. Uma foto que, em qualquer país civilizado, poderia estar até em outdoors gigantes.

Como você viu o vídeo, pode estar curioso em saber quem, afinal, dos atores que ali aparecem venceu o César de “melhor esperança” do cinema francês em 2012. Pois foram Clotilde Hesme e Pierre Niney, que estão nas fotos abaixo.

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Clotilde Hesme e Pierre Niney (Fotos: elle.fr / AFP)

 

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21 Comentários

Ronaldo em 09 de janeiro de 2013

O país dos aiatolás é povoado de hipócritas que ficam se babando e masturbando quando vê um mulher. Só pensam naquilo e tem vontade de liberar geral, porém os imãs não deixam. É um bando de bissexuais controlando um ao outro. Já que Lula, o PT e Dilma os apoia vamos pedir a presidente para trazer esta garota para o Brasil e deixá-la posar a vontade na Playboy.O resto é sacanagem desses ordinários religiosos.

moacir em 06 de janeiro de 2013

Don Ricardo del Vasto Mundo, O vídeo ,os jovens e o texto são bonitos.A nudez é bela.VEJA-ME!Eles não podem.Regardez-moi!É pecado.É proibido.Para os mulçumanos ninguém **se desnuda de maneira casta** O que para você é beleza para eles é pornografia. Você tem razão ao definir a ditadura dos aiatolás de liberticida e alucinada,mas lembre-se que milhões de iranianos em 1979, receberam Khomeini de volta do exílio,num delírio coletivo que clamava sem cansar - Allah Akbar!! Isso depois de terem posto pra correr o civilizado Xa Palhevi. Sim, eles eram civilizados lá no Oriente antes que nós o fossemos aqui no Ocidente..Em 1044 Omar Khayian escreveu os seus Rubaiyat e já dizia: **Busca a felicidade agora,não sabes de amanhã.Apanha um grande copo cheio de vinho,senta-te ao luar com uma bela mulher e pensa: Talvez amanhã a lua não me encontre**. Ou ainda: ** O vasto mundo,um grão de areia no espaço. A ciência dos homens:palavras.Os povos, os animais,as flores dos sete climas:sombras. O profundo resultado da tua meditação:nada.** E aí ,há uns 1400 anos aconteceu que escreveram o Corão.E lá na Sura 4.34 os mulçumanos aprendem,acreditam e obedecem:** Os homens tem autoridade sobre as mulheres porque Alá fez um superior à outra.**Ponto final. E decidiram ,não sei se Alá ou se os homens, que as mulheres deveriam cobrir-se e há séculos elas o fazem sem protestos,orgulhosamente,com hijabs,chadors,shaylas e burkas,variando conforme as regiões e a intensidade da crença:se sunita se xiita. Jamais esqueço uma viagem que fizemos, eu e minha mulher, ao Marrocos.Alugamos um carro e fomos a lugares incríveis,apreciamos as saborosas comidas tipo couscous,harira,pastilla e os doces maravilhosos regados com todo aquele chá de hortelã.Em Marrakesh resolvemos visitar a Medina,a parte mais velha da cidade.Viajante tarimbada, minha esposa se cobriu com um largo e longo vestido de verão,de mangas curtas e gola,todo abotoado do pescoço ao meio das pernas.Os cabelos,é claro,ela havia prendido e escondido debaixo de um chapéu de sol. Caminhamos horas pelas vielas,encantados com os artesãos,com as lãs multicoloridas penduradas para secar nos becos,com todos aqueles artigos de couro,seda,bronze e com os temperos que não conhecíamos.Cansada,minha mulher sentou no primeiro degrau de uma escada que terminava numa grande porta de uma casa velha.Ela cruzou as pernas.Ficaram a mostra,acredite,um palmo de pernas.De repente um cidadão de meia idade abriu a porta e esbravejando, atirou um balde de água em minha mulher.Como se estivesse desinfectando a sua escada,limpando os degraus conspurcados pela juventude,pela alegria e pelas belas pernas de minha Maria João.Toda vez que penso Marrocos,me vem a mente a imagem dela,ali sentada,toda encharcada,no seu vestidinho recatado, chorosa. E no entanto,Setti,sou forçado a concordar com as sensatas opiniões de alguns comentaristas aí embaixo.Temos que conviver com as diferenças culturais.Precisamos,para nossa proteção,ter consciência ,SIM,que a moral é relativa.E embora nos doa,embora intelectualmente nos seja quase impossível,precisamos bem ou mal respeitar. E quanto a bela Farahani,melhor ela esquecer o Irã. Porque na terra natal ela sempre se sentirá exilada.

neil ferreira em 05 de janeiro de 2013

Sr Editor Os aiatolás estão cobertos de razão. As duas mãos dela, ainda que belas, estão mostradas de maneira realmente obscena.

Thaísa Malbar Rodrigues em 28 de maio de 2012

Não sou a favor do totalitarismo e não me agradaria, de forma alguma, viver em um país sob tão incisiva ditadura, com uma estrutura social machista e essencialmente baseada em dogmas religiosos. No entanto, discordo do posicionamento do autor do post - me refiro, especialmente, à frase "em qualquer país civilizado, poderia estar até em outdoors gigantes". Isso, porque a afirmação, extremamente generalizante, descarta por completo a ideia de relativismo cultural, estabelecendo o padrão cultural globalizado como um ideal absoluto a ser seguido. É, sim, importante evitar-se a subjugação da mulher por meio de tortura, violência, mas é essencial, da mesma forma, a consciência de que a moral é relativa . Por fim, pensemos que é nessa mesma "sociedade civilizada" que os excessos de liberalismo representam um problema social, com um grande número de gestações não programadas entre jovens, bem como um problema de saúde, como comprovam os índices de doenças sexualmente transmissíveis. De fato, não concordo com a ditadura hipócrita, porém não creio que a nossa cultura deva ser tão enaltecida.

Alecrim em 16 de maio de 2012

Essa moça deve vir morar aqui no Brasil, é tudo de bom...por que lá ela é bem capaz de ser morta por isso, aqui no Brasil , ninguém se mete a besta! Sou a favor do Nu, sou a favor da liberdade de qualquer forma! sou a favor das mulheres que batalham por sua sobrevivência por seus filhos, pela sua dignidade! sou a favor até de dar uma surra em homem que bate em mulher! sou a favor, de tudo que e de vontade própria licitadamente. beijos a todos e viva a liberdade de expressão!

Alecrim em 16 de maio de 2012

A terra desse povo já está amaldiçoada! o costume deles por si só já acabou com eles. Povo miserável! infelizes!, acham que mulher é só pra procriar! e no Brasil vem fazer sexo aqui com crianças! isso pode né Iatolás!

ana maria em 15 de maio de 2012

Cara Ana, se você não gosta, não precisa voltar ao blog. Não vou publicar seu comentário porque aqui não é lugar de criticar VEJA. Critique a mim ou ao blog, e publicarei. Abraços

wilson em 07 de maio de 2012

Esta visão de sherazades tinha ponderação quando Montesquieu publicou o livro Cartas Persas(XVII) Mas agora não depois do iluminismo, e as conquistas da liberdade do indíduo, o que resta é Sharya, Ayatolás, e radicalismo. Não dá para aceitar como cultura a perseguição religiosa (o muçulmano que se coverter para outra fé é criminoso)a mulher ser sub-cidadãs, e a perseguição para gays(são tratados como insanos) Muito longe da tolerância que houve quando emires, dominaram a peninsula Ibérica p.ex.).A herança daquela cultura porém ficou para trás. Agora no século XXI onde vamos achar um Malmonides, um Averrois, um Ommar KHayian???

jj em 06 de maio de 2012

Eu acho, que países onde o fundamentalismo religioso está no poder, é só corrupção dos poderosos que estão no poder, miséria generalizada, pobreza educacional, e como se toda a população só ouvisse o que os Big Brother do poder dizem, e os olhos de tudo mundo vetados.O melhor que essa atriz a Farahani tem a fazer e deixar esse país do horror.

Euclides Rodrigues de Moraes em 03 de maio de 2012

Lock, Qual o conceito que estabelece para cultura? Se for longevidade no Ocidente, as tribos ainda guerreavam a paus e pedras e o Oriente, já havia inventado o papel, a pólvora o macarrão a China a Índia, o Egito a Pérsia, atual Irã, já contavam com milênios de história e por aí vai. Os muçulmanos, nos legaram a representação numérica, a álgebra o quibe e outras cositas mais, enquanto isso nós, com os nossos míseros 500 anos, sequer havíamos despontado. Logo, meu caro, nós não temos nada a ensinar-lhes, a não ser a nossa mania de macaquear os EUA e algum tempo atrás a Europa, leia-se Inglaterra e França.

lock em 02 de maio de 2012

Euclides Rodrigues de Moraes Está completamente errado meu caro, essas "diferenças" culturais , sociais etc sempre são impostas em algum momento da historia por que detém o poder, vem de cima pra baixo, e o "respeito" a essas diferenças caem quando uma pessoa leva mais em conta o direito do individuo do que seja lá o que for que está representando o statuos do momento, se em qualquer país uma mulher quer andar de burcar, ele tem que ter o direito a isso, uma escolha DELA, como ela pode escolher andar de minissaia.Ser obrigado a viver conforme a vontade de alguns, digo até que seja a minoria pois acredito que mulheres e crianças não tem o direito a escolher nesses países, não é diferenças culturais é apenas opressão.

Lourival Marques em 02 de maio de 2012

Eu não iria a um país como o Irã nem que me pagassem... Terra de bárbaros, que não sabem o que é individualidade, livre expressão... Daqui do Ocidente não saio.

VALDIR OLIVEIRA em 30 de abril de 2012

Seu comentário moralista e insultuoso foi deletado.

Euclides Rodrigues de Moraes em 29 de abril de 2012

É impressionante, como nos, ocidentais, somos intransigentes com as culturas dos outros povos, principalmente os orientais, e tentamos impingi-los a nossa a ferro e fogo. Não adianta entender que esse é um fato cultural, não só do Irã, que atualmente tornou-se a Geni do ocidente, mas apenas para refrescar a memória, lembro que em outros países, a sharia é aplicada com tanto ou mais rigor, como por exemplo: Arabia Saudita, Paquistão, Indonésia e por ai a fora. Temos que aceitar que eles são diferentes de nós, pensam diferentes de nós e etc. é outra cultura, outro mundo. Nós, para eles, devemos ser motivo de escândalo, tanto quanto, eles são para nós. Essa é a pior faceta que o ser humano apresenta, não aceitar o outro, apenas, por pensar e ser diferente, todas as desgraças da humanidade ocorreram, citarei apenas por destaque, todas as guerras e as que ainda ocorrerão, se deram por esse maldito motivo e ainda ousamos apontar com o dedão sujo: Você é diferente! Por isso não lhe aceito, tenho que destruí-lo! Sei que vou morrer e não verei essa insanidade passar.

Luiz Pereira em 28 de abril de 2012

Setti, Absurdo, evidentemente. Mas sempre haverá quem diga que cada país tem suas leis, que devemos respeitá-las e discutir isso é como discutir o resultado de "um Vasco X Flamengo". abs

ari alves em 28 de abril de 2012

Não acho que os aiatolás do Irã exageram. Sou pela moralidade em todos os sentidos. No Chile de Pinochet havia moral rigorosa. Tenho saudades do glorioso presidente Médici no Brasil. Viva Pinochet! Viva Médici!

wilson em 28 de abril de 2012

Nosso arabistas primaveris pensam que Sharya é o nome de alguma praça. E Ayatolá algum grupo de axé music.

Expedito em 27 de abril de 2012

Setti, você é meio esquecido...ontem a TV Cultura exibiu um documentário sobre a 'velha e bela' atriz Charlotte Rampling (Charlotte Rampling: Um Retrato)...Lá pelas tantas, Charlotte diz que foi atacada ferozmente pela crítica de cinema Pauline Kael (The New Yorker), 'como pessoa' e não criticada como atriz pela sua atuação no filme 'Porteiro da Noite'. Pauline a condenava por ter, por assim dizer, rebaixado a condição da mulher, ao se submeter à sordidez do filme da diretora Liliana Cavani...Só pra relembrar, a sinopse do filme, já que a coisa toda é arte: Viena, 1957. A sobrevivente de um campo de concentração, Lucia Atherton (Charlotte Rampling), encontra trabalhando como porteiro de hotel Maximilian Theo Aldorfer (Dirk Bogarde), um oficial nazista que foi seu torturador. O encontro faz retornar a relação sadomasoquista que tiveram. Att, Expedito Não sou nem um pouco esquecido, caro Expedito. Uma coisa é uma crítica de cinema expressar sua opinião, por mais conservadora e exagerada que possa ter sido em matéria de quanto uma atriz deve se expor ou não. Outra, completamente diferente, é um regime alucinado e liberticida como a ditadura dos aiatolás do Irã proibir uma cidadã do país de viajar para o exterior -- e, posteriormente, voltar a sua pátria -- porque participou disso ou daquilo. Em um caso, criticou-se uma atriz, e num regime democrático o livre pensamento é livre pensamento. Noutro caso, um governo tirânico PUNIU uma atriz, em duas diferentes ocasiões, de maneira absurda e truculenta, por trabalhos e ações em que ela se envolveu. Não vejo qualquer semelhança entre os dois episódios. Abraço

alvaro em 27 de abril de 2012

Enquanto isso, um cara da embaixada do Irã em Brasília bolina nossas crianças na piscina. Hipócritas.

Angelo Losguardi em 27 de abril de 2012

É essa coisa asquerosa é que os petistas apoiam com entusiasmo, é bom não esquecer. Esses caras são demônios.

Marco em 27 de abril de 2012

Amigo Setti: Como pode ainda ter um país como esse, preconceituoso contra a arte, eles devem viver ainda como idosos austeros, ou sobre uma violenta doença contaminada por coerção psicológica. Artista é tudo para a modernidade e desenvolvimento politico, cultural e etc.. Abs.

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