Um ministro da Fazenda só pode se tornar popularíssimo, o mais popular da história da República, como foi Dilson Funaro, se levado em conta o espetacular êxito inicial do Plano Cruzado decretado em fevereiro de 1986 pelo governo do presidente José Sarney.

O aparente “fim” da inflação e a novidade extraordinária que significou, para os brasileiros, uma temporária estabilidade de preços com a consequente manutenção do poder aquisitivo tornaram o ministro, com sua figura invariavelmente compenetrada e sisuda, onipresente na TV, um ícone popular – até que as medidas necessárias a retificar os rumos do Cruzado foram atropeladas por interesses políticos do partido no poder, o PMDB, e tudo foi por água abaixo.

Na foto acima, um time inteiro do JB compareceu ao escritório de Funaro em São Paulo para entrevistá-lo. Naquele 24 de junho de 1987 não fazia dois meses que ele deixara o Ministério – depois do naufrágio do Cruzado e a desastrosa decretação da moratória da dívida externa brasileira – e sua palavra ainda pesava muito.

Fazia frio em São Paulo quando ouvimos o empresário e também ex-secretário da Fazenda de São Paulo. Eu estava acompanhado (pela ordem) pela repórter Fátima Turci e pela editora de Economia do JB, Miriam Leitão, que veio do Rio especialmente para a tarefa. No cantinho da foto, meu querido amigo Jaime Matos, coordenador de Economia da sucursal.

Na foto aparece também o então assessor de Funaro João Santana (nada a ver com o marqueteiro de Lula) que, no governo Collor (1990-1992), seria ministro da Administração.

Na entrevista, Funaro, entre muitos outros assuntos, abordou sua possível candidatura à Presidência. “Aceito ser candidato só como uma solução”.

A foto é de José Carlos Brasil.

(Este é o link para a entrevista.)

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