O tempo, o mais democrático e implacável de todos os marcadores. Passa e deixa suas marcas. Há quem diga que o tempo cura, outros pensam que não. Há quem ache que ele passa rápido demais, ou devagar demais. Mas não importa a percepção, ele passa — inexoravelmente.

E foi exatamente esse ponto – o da passagem do tempo – que o respeitado fotógrafo Nicholas Nixon, um americano de 65 anos radicado em Boston, registrou em uma celebrada série de fotografias que comove não apenas pela beleza, mas por sua minuciosa persistência de retratar, sistematicamente e ao longo de 36 anos, da juventude à maturidade, quatro irmãs, uma delas sua mulher, Bebe, a mais velha: as Irmãs Brown.

Nascido em Detroit, Michigan, o fotógrafo começou trabalhando com câmeras de grande formato, influenciado por mestres como Edward Weston e Wlaker Evans, e também por preferir as impressões feitas diretamente a partir do negativo 8×10 polegadas, mantendo, conforme ele diz, “a clareza e integridade da imagem”.

A série Irmãs Brown começou a ser feita em 1975, e é um projeto ainda em andamento. É composta de um único retrato das quatro irmãs a cada ano, com as quatro mulheres em diferentes ângulos ou poses, mas sempre na mesma sequência. O aclamado ensaio foi exibido em museus de grande expressão, como o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA.

Nixon fez a fotos com técnica e ternura, mostrando, no processo, não só a empatia entre a sua mulher e suas cunhadas, mas os efeitos da passagem do tempo nas quatro. No início as irmãs tinham idade variando de 15 a 25 anos. Hoje, vão de 51 a 61. Nas fotos, Bebe, a mulher de Nixon, é sempre a terceira, da esquerda para a direita.

Confiram:

 

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43 Comentários

Enizeli Brito em 08 de setembro de 2014

Lindo o trabalho e lindas mulheres, as fotos em preto e branco originalmente fantásticas.Apaixonantes como revelam sentimento nas fotos, parabéns o fotografo e as modelos.

Maria Helena em 04 de junho de 2014

Fantástico!O melhor de tudo é saber que a inexorável passagem do tempo mantem as quatro irmãs ainda tão belas!

A.Carlos em 04 de novembro de 2013

É bom lembrar que o tempo passas para todos . . . portanto, convém fazermos o melhor possível, para que tenhamos boas lebranças !!!

Tatiane em 05 de outubro de 2013

It's beautifuL!

julia em 05 de outubro de 2013

comovente! é tudo que eu posso dizer ao ver os 50 anos bater a minha porta.

roberto adão nascimento de araujo em 14 de setembro de 2013

o que eu posso assegurar é que uma lição de vida, elas continuam lindas apesar do tempo,e o tempo numca foi mosso amigo, parabens ao fotografo, e parabens a essas mulheres lindas e especiais.

PAULO em 04 de agosto de 2013

Setti, Sou leitor assíduo de sua coluna e sempre curto muito as sequências de fotos e vídeos com que vc. nos brinda. Obrigado, nunca antes tive oportunidade de lhe agradecer. Esta sequência de fotos do fotógrafo R. Nixon foi, por alguma razão que ainda não cheguei a atinar claramente, a que mais me emocionou. As fotos das quatro irmãs me remeteram às sensações e lembranças da prática psicológica denominada constelação, ou transgeracionalidade - um processo, muito eficiente, descoberto pelos negros zulus, pelo qual nossos problemas de hoje, dos mais banais aos mais intrincados, são solucionados com a revelação e harmonização dos carmas do nosso clã. É, todos pertencemos a um clã, mesmo sem nos darmos conta deste fato e, estamos vinculados, presos mesmo, aos seu destino, caminhos e descaminhos. Somos, sabendo ou ignorando, muito afetados por nossos clãs. Este é um fato!

Rosi Olegario em 17 de maio de 2013

Setti, bom dia! É a primeira vez que leio tua coluna e me deparei justamente com este belíssimo artígo! Rabalho maravilhoso! Estou encantada demais! Além disso, agora vou ficar assídua pois pude ver quão altíssima é a qualidade das tuas publicações! Muito grata e desejo a você cada vez mais sucesso! Grato fico eu por suas palavras generosas. E os méritos no caso pertencem à Lya Luft, autora do artigo que publiquei. Um grande abraço e volte sempre.

Dulce Regina em 20 de abril de 2013

Magnifico ! Não cansei de ver e, rever. Uma história de vida, dessas quatro mulheres. Abraços, Dulce

IZIDRO SIMÕES em 17 de abril de 2013

Facialmente MUITO parecidas.

Blumenau em 16 de abril de 2013

Ricardo. Lindo demais. Parece que a história da gente é igual. Entre uma foto e outra quantas fica um espaço imenso e cada uma das moças uma vida independente da outra.Mas nas fotos parece que só viveram para estes momentos. Uau!me emocionei.Obrigada.

antonio washington em 16 de abril de 2013

Caro Ricardo, Sempre acesso o seu blog. Gosto do seu jeito de misturar notícia, arte, emoção, vida... Faz bem para a alma. Obrigado! Quem agradece sou eu, pelo comentário generoso, caro Antonio. Abração e volte sempre!

joão Daniel Delphi em 21 de fevereiro de 2012

O Amanhã. Não há futuro,não há Passado.Graças a Deus que este momento não é o ultimo.Somos só nós.só isso existe.Esqueça o rancor para que não se torne como nébula parida.Nenhuma outra estrada.Nenhum outro caminho á percorrer.Nenhum dia além de hoje.Confio na minha Alma-Sera que vou acordar amanhã? sem o amanhã só existe o agora.A mão tateia.Só existe o aqui.O ouvido escuta rende-se ao Amor.O coração bate,ou viva com medo.A vida continua.Nenhum outro caminho.Nenhum outro além de hoje.Porque o amanhã é o Senhor.

Chico - Curitiba em 20 de fevereiro de 2012

Comovente, parceiro... Essa passagem dos anos condensada em umas trinta imagens, sem truques ou suposições, mostram a Vida em sua evolução, presa ao Tempo, de forma magnífica. Cada mudança do corpo, cada ruga que se define, cada expressão que esconde os fatos de cada período passam por nossa frente em segundos - e trazem consciencia e acuidade ao dia-a-dia que levamos, normalmente desligados do nosso ciclo neste planeta. Um belo chamado à realidade!!

Ronaldo em 19 de fevereiro de 2012

Setti, Fantásticas as fotos e principalmente o seu Blog. Estou entrando pela primeira vez e há mais de uma hora embevecido com a quantidade e qualidade dos temas abordados. Todos de relevância. Parabéns e obrigado. Puxa, Ronaldo, muito obrigado digo eu! É um grande prazer constatar que um leitor novo e qualificado gosta do trabalho da gente. Um abração -- e volte sempre!

Mel em 17 de fevereiro de 2012

....maravilha Ricardo! As coisas que vc vai buscar e que valem demais para todos nós pensarmos no que realmente tem valor nesta vida... valeu!

Flor em 17 de fevereiro de 2012

A gente percebe nitidamente uma expressão de firmeza e até de certa petulância na juventude. Com o passar do tempo, vemos uma desilusão, um pouco de angústia ou tristeza. E, enfim, no outono da vida, a aceitação, a serenidade. Belíssimo trabalho.

Esron Vieira em 16 de fevereiro de 2012

Um exelente trabalho, criativo e de uma persistencia incrivel. Me lembrei de uma amigo de escola que me encontrou 30 anos depois de seguir-mos escolas diferentes. Este post tambem me fez lembrar de uma velhinha bem humorada que deu outro adjetivo ao tempo. Ela sempre falava que o tempo é fabrica de monstros, rsrs. Belíssimo trabalho e boa observação.

Elis em 16 de fevereiro de 2012

Adorei, ficou lindo demais.

André Costa em 16 de fevereiro de 2012

Trabalho lindo. Emocionante. Obrigado Setti.

Paulo Sergio em 14 de fevereiro de 2012

Ótimo trabalho realmente. Chocante e Tocante,eu poderia dizer aqui que o tempo é cruel, mas prefiro dizer que ele é de fato a fotografia e o raio X de uma vida inteira.

Cesar Azeredo em 14 de fevereiro de 2012

Para compensar essa melancolia que me deu agora, após ver as fotos das irmãs Brown, registro uma frase de Sir Winston Leonard Spencer Churchill quando um jovem fotografo (22 anos) registrou os seus 90 anos (ele, Churchill, morreria com 91 anos aprox.). O fotografo lhe disse: "Espero fotografa-lo mais vezes senhor!". Churchill respondeu: "Porque não! Voce me parece estar com boa saúde". Aliás, o que está faltando para a oposição é um Churchill, porque Neville Chamberlain tem muitos.

Cesar Azeredo em 14 de fevereiro de 2012

Muito bonito. "Tempus fugit".

Angela Assiz em 14 de fevereiro de 2012

Que Show! Fiquei emocionada! No quadro da vida, o tempo é o que forma, escreve e apaga. Parabéns ao fotógrafo e ao Ricardo por nos ter presenteado com essa riqueza.

Reinaldo Morais em 14 de fevereiro de 2012

Te acompanho diariamente, Jujo. Beijão do mano putativo. Reinaldo Morais Querido Reinaldo, muitas saudades. Não podemos continuar assim! Abração

toninho malvadeza em 14 de fevereiro de 2012

Trabalho lindo,e entendi cada sentimento que cada olhar quias dizer na época.Gostaria até que o Tony Bellotto tivesse escrito uma crônica sobre.

Belkiss Nogueira em 13 de fevereiro de 2012

Tocante! Sempre fui fascinada pela questão do tempo!Tocante!!!

Luiz em 13 de fevereiro de 2012

Este post fala também sobre você, és certamente alguém com muita sensibilidade. Parabéns, emocionante! Obrigado, Luiz, pelo comentário. Volte sempre.

Dulci em 13 de fevereiro de 2012

Lindo!! Emocionante!!

Joe em 12 de fevereiro de 2012

Prezado Setti, como sempre, vc nos surpreende com os posts mais inusitados. Tenho certeza de que cada leitor(a), vendo estas fotos, não encherga as Irmãs Brown, mas a si próprio. Comparando as quatro irmãs, vemos em uma sequência que o tempo passou mais rápido para uma, e logo na sequência seguinte vemos que passou mais rápido para outra(s). Disso só podemos concluir que o tempo a todos iguala. Tempus Fugit. Esplêndido e emocionante. Muito obrigado, caro Joe. Abração e volte sempre.

Reynaldo-BH em 12 de fevereiro de 2012

Setti, coloquei no meu FB. E TODOS os que acessaram (são poucos os amigos lá) compartilharam. Emocionados. Coisas assim ainda me fazem ter alguma crença na espécie humana. Reynaldo. Não me canso, quase que hipnotizado, de ver e rever (e comparar) cada foto! Comovente!

Reynaldo-BH em 12 de fevereiro de 2012

Um dos mais belos e comoventes trabalhos que já tive oportunidade de ver. Não é sobre mulheres. É sobre vida. Sobre tempo. fico imaginando o que mudou na vida de cada uma entre uma e outra foto. entre a primeira e a última. Cada vivência, quantas histórias. cada ruga. Cada cabelo branco. E assim, me vi... nelas. Parabéns, Setti. O mérito inteirinho é do fotógrafo, caro Reynaldo. E da Rita, que foi quem descobriu esse trabalho maravilhoso. Abraço

tuca em 12 de fevereiro de 2012

Lindo demais, sempre abraçadas.

Almeida em 12 de fevereiro de 2012

Simplismente emocionante. O outono da vida também tem muitos encantos. Parabéns Ricardo por proporcionar este momento em que nos faz pensar como aproveitar o nosso outono, antes da dureza do inverno da vida.

MARIA JOSÊ LOPES em 12 de fevereiro de 2012

Impactante,sou uma pessoa paixonada por fotos e estou extasiada como o tempo passa e deixa a sua marca..

Erica em 12 de fevereiro de 2012

Que lindo, me emocione muito e esse trabalho me remeteu o que deixei de aproveitar com as minhas irmãs....Na verdade tive um pouco de inveja (rs).

Glauce Cabral em 12 de fevereiro de 2012

Muito legal...coisa rara!

riverostar em 11 de fevereiro de 2012

magnífico!

eduardo sales batista em 11 de fevereiro de 2012

o tempo passa para as pessoas ele não perdoa,visto que,ele é emplacavel,no sentido da transformação de pessoas lindas emvelhecidas pelo tempo que se torna cruel demais,por isso é que temos que aproveitar o maximo possivel a vida.

Marco em 11 de fevereiro de 2012

Amigo Setti: Estava com saudade do amigo C. Nascimento, até os 30 anos a gente não se preocupa com o futuro, acha q a juventude nunca vai terminar, mas tu quer saber, hoje com quase 50 ainda acho isto... Abs. "Quase 50"? Mas tu és um garoto!!!! Mais novo do que meu irmão caçula!!! Ainda tens muita lenha para queimar, como se dizia no interior do Paraná... Abração

Ricardo Magalhaes em 11 de fevereiro de 2012

Simplesmente maravilhoso, emocionante.

Teresinha em 11 de fevereiro de 2012

Muito emocionante! os olhares desafiadores na juventude, tristes em alguns momentos, evoluiram para a ternura que o percorrer da vida crava nos mais conscientes.

carlos nascimento em 11 de fevereiro de 2012

Ricardo, Parabéns pela pérola garimpada, a sequência das fotos diz tudo, revela a expressão nua e crua das transformações, o efeito do tempo, alias, o tempo é um assunto que me apaixona, estou buscando aprender com serenidade, os testamentos do Mestre Confúcio, seus escritos falam detalhadamente sobre os efeitos dessa magia, os anos e o tempo correndo, saber conviver com isso de forma harmônica e o segredo de viver bem. Você é um dos raros jornalistas em atividade no País - sem bajulação - com capacidade de captar essas pérolas, isso é que faz toda a diferença das demais Colunas do munto virtual. Sensibilidade em estado puro e visão avançada. Obrigado. Carlos Nascimento.

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