Era minha quarta conferência das edições internacionais de Playboy até então, e, de longe, a realizada no destino mais exótico: a Croácia, com os trabalhos programados para o período entre 22 e 25 de setembro daquele 1998, entremeado de algum lazer.

(Na foto, a capa do programa da conferência.)

A Croácia, país com um litoral impressionantemente belo e incontáveis remanescentes do Império Romano, se tornara independente da Iugoslávia há somente cinco anos, após uma sangrenta guerra civil.
Então, de nossa parte, nada mais natural do que dar um grande desconto por algumas deficiências com que nos deparamos, a começar pelo serviço do hotel onde nos hospedamos e onde se realizou o encontro, na ilha de Rovinj, no Mar Adriático, no lado oposto de Veneza, na Itália. (Leia mais a respeito neste post.)
Pois bem, em Rovinj, no dia seguinte ao fim dos trabalhos, houve, entre outras atrações, uma regata com 13 barcos representando cada edição participante — dotado cada um de tripulação de velejadores experientes que levaram a bordo o respectivo editor e uma playmate convidada — e uma festa.

Para quem imagina que trabalhar em Playboy é só vida boa, sobretudo nessas viagens, as conferências eram uma prova de que, sim, procurava-se misturar o agradável com o obrigatório, mas dava-se duro.

Na Croácia, por exemplo, as sessões começavam às 8h30 da matina, isso precedido de banho, barba, café da manhã e alguma outra providência pessoal.

Sendo cada encontro uma salada de nacionalidades, o idioma era o inglês.

Os encontros eram sérios: havia apresentações em power point sobre mudanças editoriais bem sucedidas, o que fazia a concorrência, o perfil do leitor de cada país, as carências percebidas, os desafios de se fazer, numa revista com ensaios de nudez, um jornalismo sério e um serviço de primeira para o leitor, análise das tendências das revistas masculinas no mundo e uma tomada de pulso, pela edição original americana, de como iam as franquias mundo afora.

Os americanos também exibiam estudos sobre tendências, comentavam o perfil dos colaboradores adequados às revistas, abordavam técnicas de entrevista — e por aí vai. Nosso principal interlocutor era o diretor editorial da área de International Publishing de Playboy USA, um jornalista experiente, sensível e pessoalmente adorável chamado David Walker.

No caso específico da Croácia, embora estivéssemos ainda em 1998, já havia uma preocupação de como aproveitar editorialmente da melhor forma a aproximação do ano 2000, que não era a chegada do milênio, como se sabe, mas acabou sendo.

Além disso, pouco antes da bolha da internet, discutiu-se muito a feitura de edições on-line e outros temas correlatos.

Sendo um caxias, eu me preparei muito, como sempre, para o evento — tanto que não houve tempo para uma apresentação que eu programara sobre a importância da independência editorial frente às áreas de marketing, circulação e publicidade, sem, contudo, que a Redação deixe de colaborar com elas.

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