O 30º aniversário da Guerra das Malvinas/Falklands já passou — foi no dia 2 –, mas mesmo assim acho que ainda é tempo de contar uma historinha que se passou na ocasião com um amigo do blog que prefere não ter seu nome divulgado.

Morador do Rio, tinha uma tarefa profissional a cumprir que o levaria a Johannesbugo, na África do Sul, para rápido retorno ao Brasil.

Conta ele:

“Era um voo diurno e antes de sair de casa disse à minha mulher:

— Acho que vou acabar vendo meu voo cruzar com a frota inglesa que está indo da Ilha de Ascenção, pra dar um calor nos argentinos!

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Os aviões de combate Harrier, como eram na época da guerra das Malvinas/Falklands

(A ilha de Ascensão, a meia distância entre a América do Sul e a África, é uma possessão britânica que serviu de ponto de reabastecimento para a grande força-tarefa que o Reino Unido enviou de 13 mil quilômetros de distância para enfrentar os militares argentinos que haviam ocupado as Malvinas/Falklands, desde 1833 sob soberania britânica)

Continua o amigo do blog:

“Bem, na ida do voo, não vimos nada. Na volta, talvez a umas três horas de aterrissar no Aeroporto do Galeão, houve um pequeno tumulto entre os passageiros, entre eles, Leonel Brizola — que em novembro daquele ano seria eleito governador do Rio de Janeiro –, que tratou logo de sacar um mapa.

“Olhando para fora vimos dois aviões de combate Sea Harrier voando ao lado esquerdo do DC-10 da Varig, mas logo foram embora. Estavam obviamente operando a partir de algum porta-aviões e fazendo o patrulhamento da rota do comboio britanico.”

Os Sea Harrier, aviões capazes de decolar e pousar como helicópteros, tiveram papel importante na vitória britânica, após 74 dias de guerra.

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O “HMS Invincible”, um dos dois porta-aviões empregados pelos britânicos na guerra contra a Argentina (Foto: Royal Navy)

E estavam mesmo. Os britânicos enviaram dois porta-aviões como parte da força-tarefa — a então nau capitânea HMS Invincible, fora de atividade desde 2005, e o HMS Hermes, que o Reino Unido vendeu à Índia.

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Juliano Assad em 11 de maio de 2012

Se o avião da Varig tivesse sido abatido, o Rio de Janeiro não seria essa república se traficantes que se iniciou com o governo Brizola. A história seguiria outro rumo.

Guilherme em 23 de abril de 2012

A matéria está incorreta. O avião interceptado foi um 707 e não um DC-10. Eu não mencionei interceptação, caro Guilherme. Basta reler o texto. E, infelizmente, o certo sou eu: a fonte desse textinho foi um tripulante do avião -- que era um DC-10. Um abraço

victor hugo moraes em 18 de abril de 2012

Prezado Ricardo. Confirmo a afirmação do Sérgio. Li, em algum lugar, um relato atribuído ao almirante inglês, comandante das operações - se não me engano ele teria escrito um livro sobre o conflito. O piloto de um dos Sea Harrier enquadrou o alvo, o DC-10, confundido com um avião argentino que ameaçava o porta-aviões (toda a frota que acompanha um pa tem como primeira missão protegê-lo); recebeu ordem de destruir o alvo, preparava para lançar mísseis de abate quando teve contato visual e abortou os disparos. O almirante escreveu que, caso o avião fosse abatido, as operações poderiam se complicar. Primeiro, no aspecto estratégico: a vastíssima costa brasileira se tornaria hostil e poderia ser utilizada pela Argentina. Segundo, nas implicações políticas: a repercussão internacional por abater avião civil; os EUA provavelmente ficariam neutros...

N. em 17 de abril de 2012

Setti, eu me lembro de ter lido uns 2 anos depois desse infeliz conflito, acho que em uma publicação estrangeira, que aviões britâncicos estiveram por um fio de disparar contra um suposto avião de patrulha/reconhecimento argentino que há dias estava acompanhando a movimentação da frota britânica rumo ao sul. Quando os aviões se aproximaram mais do "alvo", uma surpresa, tratava-se na verdade de um vôo comercial brasileiro, devidamente sinalizado por suas luzes de navegação. Mas acho que esse teria sido um vôo noturno vindo da África. A reportagem citava um militar britânico como fonte desses acontecimentos, e que disse ainda que, caso o engano inicial tivesse realmente levado a um ataque, dificilmente a Inglaterra teria persistido no conflito. Será? Alguém teria memória disso? O leitor SergioD mencionou episódio semelhante. Eu trabalhei intensamente na cobertura que VEJA fez da guerra, na ocasião -- pertencia à seção Internacional da Redação de VEJA, que deixei em 1983 --, e não me recordo de ter tido a gravidade que você menciona. Abração

Reynaldo-BH em 16 de abril de 2012

Setti, um off topic. O poço não tem fundo. O que será que ocorre com a Argentina que parece andar de tropeção em tropeção? Quem tem uma explicação sociológica para este comportamento? Invadem um território para dar uma sobrevida a uma ditadura. E agora, rasgam contratos com a Espanha, parceiro histórico e que suportou (para além do esperado) a Argentina na crise do calote! Quem entende CK? http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1076759-governo-argentino-ja-tomou-controle-da-ypf-diz-agencia.shtml

SergioD em 16 de abril de 2012

Ricardo, pelo que me lembro, houve um certo estardalhaço na imprensa sobre essa "interceptação" feita pelos caças da Royal Navy, pricipalmente pelo fato de não terem tentado contatar o avião de cruzeiro, que era da VARIG. Abraços

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