Não percam o vídeo abaixo, mas antes deixem-me explicar um pouquinho.

Os exageros do nacionalismo catalão na Espanha — assunto que comentarei em breve num post sobre as próximas eleições regionais na Catalunha, em novembro — tiraram do sério o zagueiro Sergio Ramos, zagueiro central do Real Madrid e lateral direito da seleção espanhola de futebol.

O episódio ocorreu em Salamanca, na Espanha, durante uma coletiva de imprensa de jogadores da seleção, na véspera da partida em que a Espanha derrotou a Lituânia por 3 a 0 pelas eliminatórias da Eurocopa (copa européia de seleções), no dia 8.

Um jornalista da TV3 da Catalunha perguntou ao zagueiro do Barcelona Piqué,  que é catalão, a respeito do atacante David Villa, e solicitou que a resposta fosse dada em catalão.

No final, Piqué, conhecido por ser bonachão, brincalhão e boa praça, foi gentil e perguntou ao jornalista se queria que ele traduzisse sua resposta para o castelhano (espanhol) aos demais jornalistas.

Foi aí que Sergio Ramos, que é de Sevilha, na região da Andaluzia, perdeu a paciência. Rosto sério, visivelmente chateado, ele seria o próximo a responder e perguntou ao jornalista:

— Respondo pra você em andaluz [dialteto da Andaluzia]? Vai ver que você entende. Em castelhano posso ver que está difícil.

Mais tarde, pelo seu twitter, Ramos disse tratar-se de uma brincadeira, que nada tem contra os catalães, e ainda publicou uma foto em que está abraçado a Piqué.

Vejam, pela cara e pela resposta atravessada, se foi mesmo brincadeira. E Ramos tem razão: é puro fruto do nacionalismo delirante, minoritário embora crescente na Catalunha, que um jornalista catalão, e portanto espanhol, dirigindo-se a jogadores da seleção de seu país, e em meio a jornalistas também espanhóis, crie esse tipo de embaraço por nada.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 + 1 =

18 Comentários

Maria Dantas em 15 de dezembro de 2010

Obrigada pela resposta ao meu comentário anterior. A propósito, não é necessário ser independentista catalão para vaiar, xingar e pichar um conterrâneo, basta dar uma olhada no nosso próprio "pátio" e ler os diversos comentários racistas que houve nas últimas eleições. E olhe, que falamos o mesmo idioma! Saludos.

Maria Dantas em 15 de dezembro de 2010

Olá, Gostaria de que, por um momento, o autor do blog utilizasse a empatia e se colocasse na pele de alguém que nasce e é criado num determinado lugar, portanto a sua língua materna será a que os seus pais, tias, avós, parentes, amigos, escola ensinaram-lhe. A questão do Catalão é bem mais simples do que a mídia divulga, é simplesmente falar o idioma que sai do coração; e contra isto, não há Lei Constitucional que possa. Sou brasileira, moro na Espanha (em Barcelona) há 16 anos e entendo compreendo bastante os "catalans", bem como os galegos, os vascos, os tupi, os mapuche, os tibetanos, etc. ¡Hasta otra! Cara Maria, vivo parte do meu tempo em Barcelona, também. Entendo perfeitamente os sentimentos dos catalães. Mas você há de concordar comigo que os independentistas radicais exageram, com xingamentos à Espanha nas pichações, com vaias ao hino etc etc etc. Mas eles só realizam politicamente sua luta, e não recorrem à violência armada e ao crime, como os militantes da ETA no País Basco, e isso é excelente. Abraços

Roberto Cardoso de Paiva em 26 de outubro de 2010

Sou brasileiro de berço esplendo. Na minha formação não cabe em hipotese alguma votar em corrupitos, ladrões e nem em sugadores das maquinas publicar, pois é dos impostos que pagamos que estamos irriquecendo esses bandidos ligados ao PT. Cade a cadei para Marcos Valerio e quadrilhas, Jenuino, Delubio, Ze Dirceu etc´s., como posso votar em um governo/Dilma que acobertaram estes escandolos. Se o Brasil cresceu X, cresceria XXX, se não fosse roubado assim. O crescimento do Pais só vem com sua economia em ordem. Lula só colheu os frutos de Um programa criado pelo governo anterior, que qualquer governante a partir daí iria fazer um ótimo governo ainda mais seu roubalheira, estaríamos bem melhor. Só vota em ladrão quem é desinformado, e ou, não possui dignidade, trocando por qualquer coisa que lhe é oferecido.

Marco em 25 de outubro de 2010

Caro R. Setti: Segundo a previsão da Infobola do Mat. Tristão Garcia. Chances de ser campeão em 2010: Flu 38 % , Cruzeiro, 32 % ,Timão 21 % e Inter 4 %. Chances de Libertadores: Flu 96 %, Cruzeiro 96 %, Timão 93 %, Botafogo 35% , Grêmio 32 %, Atlético Pr 28 %. Chances de ser rebaixado: Prudente 99 %, Avaí 86 % , Goiás 78 % , Vitória 41 %, Guarani 41 %, Atlético MG 30 %. Abs. Ahahahaha, caro Marco, ainda bem que o Timão, pelas contas do matemático, já está na Libertadores -- pelo menos. Abraços

Marcio em 25 de outubro de 2010

Ricardo, Sou formado em Comércio Exterior, mas não pretendo voltar a trabalhar na área, pelo menos por enquanto. Devo começar Direito, assunto pelo qual me interessei ao estudar para concursos. Abraço, Marcio Obrigado pela informação, caro Marcio. Seja em que terreno for que você vá caminhar, sei que vai longe. Um abração.

Arilton Santos em 25 de outubro de 2010

Pude observar esta situação ao assistir a uma partida de futebol entre o Barcelona e o Real Madrid, no início de 2007, quando em férias na Catalunha. Em determinados momentos, as torcidas se hostizavam com gritos de separatismo. Lamentável. Mas nem todos os catalães pensam assim. As pesquisas de opinião mostram que os independentistas nunca passam de 18%, 20% da população, caro Arilton. Abração

Marco em 24 de outubro de 2010

Caro R. Setti: Sabe tudo ! Valeu. Nem tanto, caro Marco. Obrigado!

Marco em 24 de outubro de 2010

Caro R. Setti : Ontem não falou nada do Pelé,queria saber se viu jogar? E a tua avaliação da Fúria na Copa ? Mas isso se tiver tempo é claro e pode ser resumido ! Abs. Deveria ter escrito sobre o Pelé, que, sim, vi jogar. Nunca haverá craque igual a ele. Coitado do Maradona, não pode nem engraxar as chuteiras do Rei. Como sou corinthiano, sofri muito nas mãos (melhor dizendo, pelos pés) do Pelé. Mas Deus dificilmente fará outro igual. Vale a pena comprar o DVD "Pelé Eterno", que poderia ser uma obra-prima de documentário -- Pelé tem cacife até para que o Spielberg fosse o diretor --, mas, mesmo feito por um diretor muito mais modesto, é ÓTIMO. Dá para entender a dimensão extraordinária do maior jogador de futebol da história. Quanto à Fúria, que não é mais chamada assim na Espanha, mas "La Roja" -- apelido dado pelo seu ex-tecnico Luis Aragonés e que pegou --, era, de fato, o melhor time da Copa e ainda é o grande time do mundo. Tem um jogo de conjunto ótimo, uma defesa sólida, um meio-campo de primeira, atacantes oportunistas e inteligentes e todo mundo é dotado de grande habilidade técnica.

Marcio em 24 de outubro de 2010

Ricardo, Muito obrigado pelos elogios. Fico muito feliz em ouvi-los de um jornalista de renome como você. Eu não sou jornalista nem leciono ou trabalho com Relações Internacionais. Sou "apenas" um jovem de 21 anos, recém-formado e estudando para concursos públicos. Nunca estive na Espanha nem tenho familiares ou amigos vivendo por lá. Meu interesse pelo país surgiu com o estudo da língua. Comecei a ler os jornais do país para treinar e incrementar meu vocabulário, mas a partir daí surgiu um "caso de amor" com o país. Hoje leio muito sobre a Espanha, quase sempre pela internet. Como também me interesso bastante pela política brasileira, busco também fazer analogias com o nosso cenário. Um grande abraço, Márcio. Caro Márcio, você vai longe. Continue assim. Parabéns. Você é recém-formado em que área? E, quando puder, venha visitar a gente aqui. Um abração do Ricardo Setti

Marcio em 24 de outubro de 2010

Caro Ricardo, Tenho uma grande admiração pela Espanha e fico feliz em ver esse assunto tratado em seu blog. O modelo político-administrativo do país, porém, é um exemplo do que não deve ser feito. Sua estranha descentralização, totalmente assimétrica, privilegiando "direitos históricos" de origem medieval, outorga aos poderosos governos regionais uma série de competências essenciais, muito além do que seria indicado. Pra completar, os dois partidos nacionais raramente tem maioria absoluta no Congresso e por conta do intenso maniqueísmo de ambos não conseguem acordos sobre quase nada, o que dá uma força enorme aos partidos regionalistas. Essa semana mesmo o governo Zapatero concedeu ao País Basco competências como a administração de parte da Previdência do país em troca de apoio na votação do Orçamento, mais uma mostra da sujeição do governo central aos humores desses pequenos grupos. Em matéria política, o sistema de listas fechadas transforma os deputados em meros executores da vontade dos líderes partidários (em uma analogia com a história do Brasil, pode se dizer que são deputados "biônicos). Por lá não há bancada evangélica, bancada ruralista, entre outros, somente parlamentares ligados diretamente aos chefes. Com isso, o comando partidário é tão importante que o maior medo dos líderes não é perder eleições, mas sim ser retirado da chefia do partido, levando-os a premiar a fidelidade por cima da competência. A Espanha é um caso a ser estudado por aqueles que defendem as listas fechadas. Imaginem certos líderes partidários daqui com todo o poder que seus congêneres têm no país ibérico. Caro Márcio, você é jornalista? Professor de relações internacionais? Pergunto porque seu comentário é rico, bem informado, inteiramente pertinente. Conheço bem a Espanha porque minha filha e meu filho vivem e trabalham lá há muitos anos, meu netinho nasceu lá este ano e sempre que possível minha mulher e eu passamos temporadas no país (a internet facilita trabalhar como jornalista em qualquer lugar, como você sabe). Seu comentário é de alguém que realmente conhece o assunto, e aponta os pontos que eu também apontaria se escrevesse sobre o país. Um abração e volte sempre, será um prazer. Ricardo Setti

Joe em 24 de outubro de 2010

Caro Setti, não conheço muito da Espanha, por isso não consigo avaliar o quanto de penetração teria a tese independentista, contudo essa situação me pereceu um pouco estrnha, principalmente para alguém de um país continental como o nosso, que a despeito das diferenças regionais, mantém uma única identidade nacional. No início do mês eu estava na Espanha e pude acompanhar os preparativos para a Festa Nacional e o Dia da Hispanid, em 12 de outubro. Em Madri os preparativos corriam a todo vapor,´porém em 12 de outubro estava em Barcelona e o dia foi solemente ignorado. É assim mesmo, caro Joe. Um dia eu estava no Chile no Dia de la Hispanidad e o país inteiro era um mar de bandeiras... da Espanha. E, em algumas regiões da Espanha, especialmente na Catalunha e no País Basco, nada. O País Basco foi governado por nacionalistas (de direita, não revolucionários) durante mais de 30 anos, só perdendo o governo há dois anos para o socialista Patxi López, que obteve apoio do partido conservador PP. Pois bem, só aí é que se passou a hastear a bandeira da Espanha na residência oficial do governador, que lá se chama lehendakari. Uma loucura. Na Catalunha em geral, "pega mal" alguém carregar uma bandeira da Espanha. Isso mudou um pouco depois da Copa do Mundo, mas as patrulhas dos nacionalistas inibem a maioria das pessoas, que cuidam de suas vidas e dão pouca importância à questão -- mais do interesse dos políticos regionais que, esses sim, acentuam o quanto podem o nacionalismo para, com isso, chantagear o governo central em troca de vantagens. Pretendo escrever um post mais detalhado sobre a Catalunha, especificamente, porque haverá eleições para o governo local no mês que vem. Um abraço, volte sempre.

Moisés em 24 de outubro de 2010

Imagino como deve ser complicado viver em um pais onde existem mais que um idioma falado ou uma região querendo se separar do restante. Aqui no Brasil, ainda não sofremos este problema apesar de haverem movimentos sulistas. Espero que esta eleição que está por vir não rache o Brasil... É uma bênção a unidade nacional do Brasil. Uma das coisas boas do nosso país. Abraços.

Valeria em 24 de outubro de 2010

Ricardo, Moro na Espanha,mais precisamente na Galicia, onde também existe um pouco de nacionalismo, aqui eles falam o gallego que é similar ao português. embora se restrinja à "pueblos" menores. Sinto em discordar com você de que o nacionalismo na Cataluña é minoritário; todo o contrario ,o castellano é tratado nas escolas como idioma secundario,ou seja ,todas as matérias sao dadas en catalao e o castellano como uma matéria a mais Existem crianças e adolescentes que ñ sabem ou têm muita dificuldade em expressar-se em castellano . Infelizmente o mesmo passa no País Vasco. Nos seus times de futebol quase a totalidade dos jogadores sao Vascos,sem falar que uma grande parte da populaçao apoia o grupo terrorista ETA. Isso economicamente é péssimo para a Espanha. Cara Valéria, conheço perfeitamente a Catalunha. Minha filha e meu filho vivem em Barcelona há muitos anos e vou sempre que posso visitá-los. E, sim, a situação que você descreve é real. O que eu disse que é minoritário é o sentimento independentista na população. Essas políticas malucas, como a imposição do catalão em detrimento do espanhol (que, como você sabe, lá eles só chamam de "castelhano"), são coisas dos GOVERNOS locais, dos políticos. Os independentistas patrulham muito os demais cidadãos, mas, se houver um plebiscito, eles levam uma surra. Os políticos "catalanistas", ou seja, nacionalistas que por ora não pregam a independência, é que vêm aos poucos impondo o idioma e outras medidas que tornam a Catalunha cada vez mais distante das demais regiões da Espanha. Um abraçao, volte sempre.

Laercio em 24 de outubro de 2010

Moro em Barcelona e estudo em uma universidade aqui. Estudo em um antro de independentistas que muitas vezes querem exigir a "força" que se use o catalao nas aulas. A situaçao parte muitas vezes até de alguns professores... Pois é, Laércio, eu conheço essa situação absurda. Minha filha e meu filho vivem e trabalham em Barcelona, para onde sempre que posso viajo, e constato os exageros e absurdos nacionalistas. O curiolso é que os independentistas, como você sabe, são uma minoria, nas pesquisas nunca chegam a 20%. Uma pena, um país tão fabuloso como a Espanha ter este problema. Um abração e obrigado pela visita.

Antonio Araujo em 24 de outubro de 2010

Prezado Ricardo Setti, Semana passada descobri seu blog. Gostei muito. Com certeza vou me tornar seu leitor diário. Antonio Araujo Ooooooba, Antonio, que boa notícia! E não fique só na política, não. Posts como esse sobre o zagueiro Sergio Ramos chateado com o jornalista eu faço muito nas seções Tema Livre e Bytes de Memória, menos visitadas do que a home page, naturalmente, mas também menos visitadas do que a Política & Cia. Um abração e obrigado por sua mensagem. Volte sempre!

JT em 24 de outubro de 2010

"O tipo de orgulho mais barato é o orgulho nacional, pois se um homem tem orgulho de sua própria nação, isto revelaria que ele não tem qualidades próprias de que se orgulhar, de outro modo não teria que recorrer àquelas que ele divide com tantos milhões de companheiros." - Arthur Schopenhauer em "A Sabedoria da Vida".

J.Henrique em 24 de outubro de 2010

Olá Ricardo Setti, vamos lá... o catalão não é uma língua românica,derivada do latim, que vinha junto com os soldados romanos, e formaram a língua castelhana assim como tantas outras na Europa? Por que sempre tem um bando de chatos a incitar separatismos entre irmãos, por causa de diferenças culturais derivadas de costumes culinários, diferenças religiosas, climáticas, vestimenta e ...sexuais? Esses chatos, tanto lá quanto cá, querem é o poder de ficar sem ter responsabilidade alguma, apenas insuflando os idiotas como esse jornalista que entrevistou Sérgio Ramos, e outros tantos beócios encontradiços em redações de Países como o nosso. O que é racional, precisa de paciência para ser entendido, pois sua explicação, é de difícil entendimento para pessoas de pouquíssima boa vontade como esses personagens, néscios que são, não podem jamais compreender, entender e depreender nuances que se formaram no tempo, pois seus interesses são por demais rasos, presos que estão ao medo ancestral de passarem necessidades. Assim é a turba Petista, vinda de periferias, não as que existem nas grandes cidades, mas as que habitam na consciência dos indivíduos, por isso são sem paciência, sem educação, sem ética, (veja o caso do Francklin, o Martins, não o Benjamin)sem atitudes sérias, sem coragem, enfim sem virtude alguma que possa classificá-los como seres humanos, ou pessoas, como queiram que se refiram a eles. Um grande abraço do José Henrique Baggio Outro abração pra você, José Henrique. Visito sempre a Catalunha, onde vivem minha filha e me filho, e fico pasmo com a miopia dos nacionalistas extremados. A Espanha é um país fabuloso, e eles se referem a ela --seu próprio país -- como opressores etc. Quando provavelmente não existe no mundo país com mais liberdade para os cidadãos do que a Espanha. Obrigado por seu rico comentário.

Ana Carol em 24 de outubro de 2010

http://www.livestream.com/redemobiliza Estou assistindo ao vivo no RIO a caminhada pelo BEM O link ta ai em cima Ta Aecio, Itamar, Anastaasia, Zico, Helio Bicudo, Serra. Indio, Rodrigo Maia é muita gente

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI