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O primeiro-ministro David Cameron cumprimenta o prefeito conservador de Londres, c, reeleito (Foto: mirro.co.uk)

Setores de esquerda já estão enxergando uma “virada” na Europa com a derrota do presidente conservador Nicolas Sarkozy na França pelo socialista François Hollande.

E estão colocando no bolo a lambada que os conservadores britânicos, os tories, levaram nas recentes eleições municipais parciais: os trabalhistas ficaram com 38% dos votos, os conservadores 31% e seus aliados liberais, 16%.

Os números, de fato, são bonitos para os trabalhistas: das 181 cidades em que se realizaram eleições, eles obtiveram o controle de 75 (32 mais do que têm atualmente), os conservadores perderam 12, ficando com 42, e os liberais caíram de 7 para 6. Em números de conselheiros municipais, cresceram espetacularmente, passando dos 823 que detinham para 2.158, enquanto os conservadores desabavam de 1.410 para 1.005 e os liberais, percentualmente mais ainda, de 767 para 431.

Os trabalhistas venceram a primeira eleição direta para prefeito em Liverpool, terra dos Beatles e a nona maior cidade do Reino Unido (na maioria das cidades, vige o parlamentarismo, com o partido majoritário escolhendo, entre os conselheiros ou vereadores, o prefeito). E recuperaram o controle da segunda maior cidade da Inglaterra, Birmingham, além de Glasgow, na Escócia, e de Cardiff, no País de Gales.

A joia da coroa, porém – Londres –, ficou com os conservadores, com a reeleição do prefeito tory Boris Johnson.

De todo modo, impõem-se três comentários:

1) foram apenas eleições municipais;

2) o primeiro-ministro conservador David Cameron ainda tem três longos anos de mandato pela frente e, principalmente…

3) o tédio e o desinteresse do eleitorado foi a grande marca dessas eleições, em que o voto, como sempre, não foi obrigatório: apenas 32% dos eleitores compareceram.

Por comparação, veja-se o que ocorreu na eleição presidencial francesa: 81% dos eleitores votaram.

Cedo demais para se falar em qualquer “virada”.

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Mari Labbate *44 Milhões* em 08 de maio de 2012

A tendência-planetária é a mais equilibrada CENTRO-DIREITA! Caminhamos para essa GLÓRIA DE JESUS!

Thiago Hart em 08 de maio de 2012

E tem mais Setti, claro que os conservadores e liberais tem suas diferenças mas são aliados e compartem várias ideias. O que quero dizer é que 31% dos conservadores mais 16% dos liberais dá 47%. Os trabalhistas ficaram com 38%, uma diferença de 9% para a "direita". Não existe essa virada. Além disso, poucos falam da pequena diferença na eleição francesa. Vem as manchetes como a grande derrota da Angela Merkel, ora a diferença foi de um pouco mais de 2%, que grande derrota é esta? Está sobrando fígado nas nossas redações... Pois é, na Grã-Bretanha não houve "virada" alguma. E na França ainda restam as eleições parlamentares. Não sei, não, se o presidente eleito Hollande não acabará ficando em minoria na Assembléia Nacional, precisando "coabitar" com a centro-direita, como ocorreu durante períodos do mandarinato de François Miterrand -- e, mais tarde, vice-versa, com Jacques Chirac. Abraços

Pedro Luiz Moreira Lima em 08 de maio de 2012

Setti: A direita falhou,errou como diria o Mario Vinna -"com dois Ns" -"Errou,errrouu!!!" - a mudança é natural e necessária - ar novo. Pedro Luiz

payxao em 08 de maio de 2012

Não se esqueçam, toda situação está perendo eleição na Europa, independente de ser esquerda ou direita. Na Espanha não entrou conservador? É a crise meu filho! Deixa chegar ao Brasil antes da eleição para ver o que acontece!

G. Carvalho em 07 de maio de 2012

Tem razão, Setti. Hoje a pergunta-chave na Europa é: quanto de juros teremos de desembolsar pelos empréstimos do mercado financeiro internacional? Os franceses podem fazer alguns ajustes internos, mas o campo de manobra é restrito. Os socialistas, vale registrar, não apresentaram ao eleitorado um plano de trabalho digno desse nome. Captaram o descontentamento popular com a política de austeridade ditada pelo BCE, alem de explorarem os particularismos de Sarkosy. O complicado, porém, começa agora. Vimos filme parecido no Brasil, não? Discurso de campanha eleitoral é uma coisa; orçamento público, outra.

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