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Rajoy trabalhando em seu escritório na sede do PP, em Madri: líderes pedem que defina com urgência medidas anti-crise (Foto: ABC)

Desde sua espetacular vitória nas eleições gerais da Espanha, neste domingo, 20 – a maior da história nos 30 anos de seu Partido Popular, o conservador PP –, o futuro chefe do governo, Mariano Rajoy, manteve contato com os principais líderes mundiais, assegurou-se do “firme apoio” da poderosa chanceler alemã Angela Merkel para retirar o país da beira do abismo financeiro em que se encontra mas não disse, ainda, uma só palavra das medidas que adotará para isso.

Enquanto Rajou, placidadmente, trabalha em seu gabinete na sede do partido, na calle Genova, em Madri, não faltam chamamentos para que adiante as medidas que poderiam tranquilizar os mercados. Os apelos e pressões partem de líderes como o presidente da União Europeia, o holandês Herman Van Rompuy, passando pelo presidente do Conselho da Europa, o português José Manuel Durão Barroso, e pela própria Merkel – todos, como em coro, achando importante que Rajoy seja minimamente específico.

Até agora, nada, embora já tenham começado os trabalhos de transição do governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero para a nova administração, a cargo de equipes comandadas pelo ministro da Presidência, Ramon Jáuregui, de um lado, e, do lado dos “populares”, pela deputada Soraya Sáenz de Santamaría, líder da bancada do PP no Congresso de Deputados.

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Reunião das equipes de transição de poder, comandadas pela deputada Soraya e pelo ministro Jáuregui (de gravata vermelha) (Foto: ABC)

Na verdade, a crise exigiria a rápida posse de Rajoy, mas a Constituição e as leis exigem uma série de rituais que só deverão ver o novo governante instalado no Palácio de la Moncloa na antevéspera do Natal, ou pouco antes.

Veja o calendário até lá:

13 de dezembro: tomam posse os deputados e os senadores nas Cortes, o Parlamento espanhol. São eleitos os membros das Mesas Diretoras das duas Casas e se abre um período de cinco dias para que se organizem os grupos e blocos parlamentares.

14 de dezembro: o Rei Juan Carlos, chefe de Estado segundo a Constituição, inicia a rodada de contatos com os líderes de todos os partidos – uma formalidade, embora ele vá indicar Rajoy para presidente de governo, o nome do cargo de primeiro-ministro na Espanha.

19 de dezembro: começa o debate de investidura, solenidade na qual Rajoy deverá – finalmente – apresentar a Parlamento seu programa concreto de governo, em discurso, e será votado como chefe de governo pelo Parlamento, de 350 membros. Sem problemas, porque apenas sua bancada tem 186 deputados, a maioria absoluta, e possivlemente receba algum apoio de partidos regionais.

O debate prossegue no dia seguinte e talvez se prolongue até o dia 21, porque todos os líderes partidários devem falar e dizer o que pretendem na próxima legislatura.

Finalizados os debates, Rajoy presta juramento perante o Rei, no Palácio de la Zarzuela, despacho e residência oficial do monarca.

22 ou 23 de dezembro: primeira reunião ministerial, o Conselho de Ministros. Tão logo ser investido como presidente, Rajoy nomeará seus ministros de forma a que tenham tempo de prestar, cada um, compromisso perante o Rei, e depois participarem do Conselho.

A pressão sobre Rajoy para que faça, como prometeu, declarações “contundentes” é enorme – e compreensível.

No dia seguinte à sua vitória, o Banco da Espanha (Banco Central) só conseguiu colocar títulos da dívida pública vencíveis em 90 dias pagando acima de 5% ao ano — os maiores juros para esse tipo de papel desde 1997.

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Tuco em 24 de novembro de 2011

. A deputada Soraya é a DCicarelli amanhã! http://lc4.in/419 Ou a BSurfistinha como gostaria de ser... http://lc4.in/79JK .

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