Amigos do blog, vocês viram a recente declaração do general Henry Rangel, chefe do pomposamente denominado Comando Estratégico Operacional da Venezuela?

Segundo ele, uma vitória da oposição venezuelana nas eleições presidenciais de 2012 seria “vender o país”.

Como se sabe, a oposição ganhou as eleições parlamentares de setembro, com mais de 50% dos votos, mas graças a maracutaias introduzidas na legislação eleitoral pelo coronel-presidente Hugo Chávez, ele dispõe de folgada maioria de 98 dos 165 deputados da Assembléia Eleitoral.

A agora, a dois anos da eleição presidencial, começam as ameaças, partindo da cúpula militar, a partidos e eleitores de oposição.

Com Chávez controlando tudo — as Forças Armadas, a polícia, os principais governos estaduais (os da oposição foram esvaziados de poder), a economia, a quase totalidade da imprensa –, uma propaganda maciça da onipresente figura do presidente e as ameaças, que prosseguirão, a Venezuela está cada vez mais perto de uma ditadura aberta.

E o general Rangel fala como os antigos generais golpistas da Argentina que a implacável verve portenha apelidou, no passado, de “gorilas”.

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3 Comentários

Hugo Leandro Venturini em 20 de novembro de 2010

Não tenho nenhuma dúvida que nestes próximos 2 anos, Chaves fará de tudo para permanecer no poder, chegando às últimas consequências se for preciso. O susto com as eleições parlamentares não foi pequeno, nem passageiro.

Fernando Morais em 18 de novembro de 2010

Querido Setti: Talvez fosse bom esclarecer a seus milhares de leitores, entre os quais me incluo, que, ao afirmar que o presidente Hugo Chávez controla “a quase totalidade da imprensa”, você não está oferecendo a eles uma informação, mas manifestando uma opinião. Faça você mesmo a constatação: leia durante alguns dias os jornais “El Nacional” (http://www.el-nacional.com) e “El Universal” (www.eluniversal.com), os dois principais órgãos da imprensa escrita da Venezuela. Recomendo também a leitura do tablóide “Tal Cual” (http://www.talcualdigital.com), dirigido pelo ex-guerrilheiro e trotskista arrependido Teodoro Petkoff Maleç. Você (e seus leitores que tiverem a pachorra de fazê-lo) poderá constatar o grau de liberdade de que desfrutam os meios de comunicação na Venezuela. Não será demais, por fim, acrescentar que o “ditador” Hugo Chávez chegou ao poder em 1998 eleito por maioria absoluta (56% dos votos) e foi reconduzido ao cargo duas vezes, sempre pelo voto popular: em 2000 (com 59,7% dos votos) e em 2006 (com 62,9% dos votos). Assisti a uma eleição e a um plebiscito na Venezuela, na condição de observador internacional, e pude testemunhar a lisura de ambos os pleitos. Receba o abraço saudoso do amigo Fernando Morais Querido amigo e irmão Fernando, Você sabe que é uma honra tê-lo como leitor, e sabe também que divergimos sobre o grau de democracia existente na Venezuela. Nada disso, porém, mudara um micronésimo do afeto e do respeito que tenho por você. Abração Ricardo Setti PS -- Você se lembra de quando trabalhávamos na velha "Visão" e fui fazer reportagem na Venezuela? Pois conheci naquela época o Teodoro Petkoff, filho de búlgaros como a presidente Dilma, ex-guerrilheiro e, na ocasião, um dos integrantes do partido de esquerda Movimiento al Socfialismo (MAS) -- do qual saiu o primeiro vice-presidente de Hugo Cháves, se não estou enganado, José Vicente Rangel, que também conheci.

Za em 18 de novembro de 2010

Fico com as palavras do Caetano na canção Podres Poderes: "Será que nunca faremos Senão confirmar A incompetência Da América católica Que sempre precisará De ridículos tiranos?" Parabéns pelo blog, é um dos meus favoritos. Muito obrigado por sua visita, seu comentário e principalmente a generosidade de dizer que o blog é um de seus favoritos, caro Daniel. Um grande abraço e volte sempre.

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