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O P-38 “Glacier Girl”, reconstruído após 50 anos no gelo, voando na região da base da Força Aérea dos EUA em Langley, Virginia (Foto9: kowabunga.org)

Amigos, já trouxe ao blog a história da superfortaleza voadora B-29 que fez aterrissagem forçada na Groenlândia logo após a II Guerra Mundial, quando realizava missão de espionagem – e que, meio século depois, ao ser retirada do túmulo de gelo, foi recuperada. Só que, infelizmente, pegou fogo e explodiu numa tentativa de decolagem.

Hoje trago história semelhante, com final feliz – e muito mais complicada.

Todo um esquadrão da Força Aérea dos Estados Unidos que seguia para a Grã-Bretanha a fim de reforçar os esforços dos Aliados contra a Alemanha nazista durante a mesma II Guerra, em julho de 1942, levantou voo de Presque Isle, no Estado do Maine, quase na fronteira do Canadá, fez uma escala já no próprio Canadá, em Goose Bay, realizou uma segunda escala na mesma Groenlândia e seguiu rumo a outra parada na Islândia – mas antes disso uma terrível tempestade obrigou os dois bombardeiros B-17 e os seis caças P-38 e seus 25 tripulantes a voltarem à Groenlândia.

Já quase sem combustível, os oito aparelhos realizaram aterrissagens forçadas. Quase por milagre, ninguém sofreu ferimentos graves, e todos foram posteriormente resgatados. Os aviões, porém, tiveram que ficar para trás.

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Foi necessário derreter mais de 7 metros de gelo até chegar à carcaça do velho avião (Foto: airman.dodlive.mil)

Cinquenta anos depois, no entanto, em 1992, um grupo de entusiastas de aviação voltou a Groenlândia e localizou um dos aviões. O grupo incluía um integrante daquelas tripulações – Brad McManus, com 24 anos de idade no dia da aterrissagem forçada e, aos 74 anos, único sobrevivente dos aviadores envolvidos quando a reportagem do vídeo abaixo, feita pela rede americana de TV ABC, foi realizada. O aparelho era um P-38, que por alguma razão se encontrava a 1 quilômetro do local original, e sepultado por uma camada de gelo de mais de 7 metros.

Foi necessário derreter o gelo e transformar o local numa espécie de grande gruta para que o velho caça fosse retirado em partes.

A restauração demorou nada menos do que dez anos, e requereu grandes esforços de técnicos e especialistas em várias áreas, voluntários, tais como criar moldes específicos para fabricar determinadas peças.

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O “Glacier Girl” reconstruído e perefeito virou atração em exibições e feiras, como a Airventure, em Oshkosh, no Estado de Wisconsin, EUA (Foto: Airventure)

Valeu a pena. Segundo o piloto Steve Hinton, que aparece no vídeo abaixo, os EUA fabricaram nada menos do que 10 mil aviões P-38 durante a II Guerra, mas só três ainda voavam quando a reportagem foi ao ar, em 2002. Batizado de Glacier Girl (garota do glaciar), o caça reconstruído realizou um vôo comemorativo levando o veterano McManus a bordo e, naturalmente, virou uma atração em feiras e exposições de aeronáutica pelo mundo todo.

Agora, confiram o vídeo da aventura:

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9 Comentários

SergioD em 01 de abril de 2012

Luiz Pradines, muito legal o seu relato sobre o problema das ondas de choque tornarem o profundor do avião inoperante. Num dos episódios da série "Dog Figths", do History Channel, esse problema fica evidente na narrativa de um General da USAF, herói na Segunda Guerra e na Guerra do Vietnan comandando um esquadrão de Phantons F-4. Num mergulho seu avião ultrapassou a velocidade limite de compressibilidade e ele se viu em apuros para retomar o controle do seu P-38, o que somente conseguiu ao atingir altitudes mais baixas onde a maior pressão do ar o ajudou a reduzir a velocidade do avião e reduzir o impactos das ondas de choque sobre o profundor. Uma pena que tenham para do de produzir novos episódios do programa. Um abraço e bom domingo.

Luiz Pradines em 31 de março de 2012

Setti, À diferença dos P-47 e P-51, que continuaram operando nos EUA e em muitos países depois da Segunda Guerra, os P-38 foram desativados rapidamente depois do conflito. A Força Aérea da Itália continuou operando estes aviões até o início dos anos 50 e alguns foram utilizados por Honduras. A desativação repentina dos P-38, portanto, fez com que poucos chegassem até os nossos dias. Tive a oportunidade de conhecer o P-38 no "Evergreen Aviation & Space Museum" em McMinnville, Oregon, quando fazia um curso na Boeing em Seattle. O exemplar do Museu é da versão J e pode ser facilmente reconhecido pelos radiadores no "queixo" das naceles dos motores. Estes radiadores foram introduzidos para sanar problemas persistentes de refrigeração dos motores presentes nas versões anteriores do "diabo da cauda bifurcada". Outro aperfeiçoamento introduzido pela Lockheed foi o chamado "flap de compressibilidade". O P-38, em mergulho, atingia velocidades tão altas que se formavam ondas de choque sobre as suas asas, tornando sem eficiência o profundor. As mesmas ondas de choque alteravam o equilíbrio da aeronave, fazendo-a mergulhar rumo à sua destruição(um fenômeno chamado de "Mach tuck"). Assim, o projetista do P-38, o engenheiro Clarence "Kelly" Johnson, idealizou placas que se abririam na parte de baixo das asas, alterando o ângulo com que o ar atingiria o estabilizador horizontal e permitindo ao piloto o controle mesmo em velocidades transônicas. "Glacier Girl" é um P-38 raro não apenas por ser um dos poucos exemplares deste avião ainda existentes. Trata-se de um dos últimos da versão F e é mais raro por estar em condições de vôo. Tomara que o veja em um show aéreo no futuro. Eu e o meu amado filho Douglas!

SergioD em 31 de março de 2012

Ricardo, como dizia abaixo o F-35, ganhou o nome de LIGHTNING II em homenagem ao P-38, fabricado pela mesma Lockheed, hoje Lockheed-Martin, após a fusão com a Martin Marieta. Abraços

SergioD em 31 de março de 2012

Ricardo, o fabuloso Lightning emprestou o nome ao atual F-35

Marco em 31 de março de 2012

Amigo Setti: Uma história de bravura e generosidade! Abs.

ari alves em 31 de março de 2012

Acho que o titular deste blog dá muito espaço a comunistas, cripto-comunistas e lulo-petistas. Uma vez mais aproveito a ocasião e o espaço para fazer o oposto: louvar os militares que salvaram o país do caos com a Revolução Redentora de 1964 bem como os gloriosos militares da reserva que, atualmente, se opõem ao lulo-petismo. Viva Médici! Viva Geisel! Viva Pinochet! Abaixo os comunistas e o comunismo!

Sínter. em 31 de março de 2012

Gostei muito da matéria e ainda mais do comentário do Atento, curiosidades importantes. Obrigado. ps. alguns povos dão valor e respeito as pessoas e a seus feitos em sua historia.

J.Torres em 31 de março de 2012

Mais uma matéria excelente sobre aviões & aviação, caro Setti. Sempre bem-vindos esses textos! Um abraço. Muito obrigado, caro Torres. E aguarde para os próximos dias um vídeo ótimo sobre a reciclagem de aviões abandonados -- há cemitérios de aviões colossais nos EUA. Um abração e volte sempre.

Atento em 30 de março de 2012

O velho "diabo de duas caudas" (como os chamavam os alemães) voltou a voar. Espetacular! Esse avião escreveu seu nome na história. Foi no protótipo desse avião que o milionário Howard Hugnes se acidentou e quase morreu (retratado no filme "o aviador"); foram P-38 que emboscaram e mataram o almirante japonês Isoroku Yamamoto, o pai do ataque a Pearl Harbour e foi em um avião desse modelo que o escritor Saint-Exupéry foi abatido e morto pela luftwaffe no mediterrâneo.

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