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Até o Cristo Redentor e o “David”, de Michelangelo, entraram na dança para embasar a tese de Guy Trefler (Imagem: Reprodução de “Not Mine”)

Ainda no final do século XVIII, quando formulava seu princípio da conservação de massas, o químico francês Antoine Lavosier (1743-1794) provavelmente não cogitaria de que suas conclusões influenciariam, mais de 200 anos depois, as teorias de alguém de lugar e área de atuação bastante diferentes dos seus.

Pois foi se apropriando da célebre frase que embasa o princípio – “na natureza nada de cria, nada se perde, tudo se transforma” –, a reinterpretando sob um viés pop art e a aplicando a um espectro que abrange âmbitos como arte e publicidade que o estudante Guy Trefler criou uma divertida colagem em vídeo.

A iniciativa visava embasar a tese de graduação em design do autor no Instituto Holon de Tecnologia, de Israel. Segundo Trefler, “nada é original, e portanto nenhum dos materiais presentes neste projeto foram feitos por mim”.

Banco de imagens do Google

O “material” a que se refere são nada menos que 469 imagens obtidas no banco de imagens do Google, que ele recombinou em animação frenética batizada Not Mine (“Não Minha”). Em alguns momentos, o clipe de 2 minutos e 52 segundos se pauta pela linguagem de videogame.

Em ação dialogam, como se estivessem em uma das incríveis e absurdas montagens animadas criadas pelo grupo humorístico inglês Monty Phyton, ícones emulando toda espécie de objeto – de cachimbos a extintores de incêndio –, personagens literários e cinematográficos (de Mary Poppins a R2-D2, o robozinho de Guerra nas Estrelas), logos de bandas de rock (Rolling Stones, Pink Floyd, Velvet Underground), rearranjos malucos dos rostos de Che Guevara, John Lennon e o Pateta, babushkas russas, um autorretrato de Vincent Van Gogh, o Cristo Redentor, o “David” de Michelangelo e os Simpsons, além de uma porção de logomarcas comerciais inconfundíveis.

O ritmo vai ficando cada vez mais acelerado, e há tempo até para que uma Mona Lisa seja enviada ao espaço, com capacete de astronauta e tudo, e para que se enquadrem citações à pop art propriamente dita, representada pela famosa lata de sopa Campbell’s de Andy Warhol e desenhos de Keith Haring e Roy Lichtenstein.

Em suma, quase tudo identificável à primeira vista, só que reorganizado em um novo contexto. E, aí sim, criativo.

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1 comentário

Luis Machado em 07 de agosto de 2014

Adorei!

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